{"id":192230,"date":"2025-12-17T16:31:26","date_gmt":"2025-12-17T16:31:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/192230\/"},"modified":"2025-12-17T16:31:26","modified_gmt":"2025-12-17T16:31:26","slug":"brigas-no-relacionamento-aumentam-o-risco-de-doencas-cardiacas-ocultas-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/192230\/","title":{"rendered":"Brigas no relacionamento aumentam o risco de doen\u00e7as card\u00edacas ocultas, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>Uma revis\u00e3o publicada no Canadian Journal of Cardiology mostrou que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 simbolicamente que o romance e o cora\u00e7\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos, mas que eles deveriam ser incorporados de forma abrangente nos programas de tratamento para pacientes card\u00edacos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram 12 ensaios cl\u00ednicos envolvendo quase 1.500 casais para determinar se a inclus\u00e3o de parceiros rom\u00e2nticos na reabilita\u00e7\u00e3o card\u00edaca melhora os resultados. Embora 77% dos estudos tenham demonstrado melhora na ades\u00e3o \u00e0 medica\u00e7\u00e3o, nos h\u00e1bitos de exerc\u00edcio e na cessa\u00e7\u00e3o do tabagismo, apenas tr\u00eas estudos avaliaram a qualidade do relacionamento \u2014 e nenhum encontrou melhorias.<\/p>\n<p>Portanto, parece que os relacionamentos rom\u00e2nticos afetam a sa\u00fade do cora\u00e7\u00e3o por meio de mecanismos biol\u00f3gicos poderosos, mas os programas de reabilita\u00e7\u00e3o card\u00edaca raramente abordam esses relacionamentos pessoais cruciais.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Grandes estudos populacionais mostram que a qualidade do relacionamento afeta o risco de doen\u00e7as card\u00edacas com magnitudes de efeito compar\u00e1veis \u00e0s de parar de fumar ou manter um peso saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Parceiros satisfeitos apresentam melhor variabilidade da frequ\u00eancia card\u00edaca, press\u00e3o arterial mais baixa e redu\u00e7\u00e3o de marcadores inflamat\u00f3rios, enquanto o sofrimento no relacionamento desencadeia as mesmas respostas ao estresse que prejudicam o sistema cardiovascular.<\/p>\n<p>O estudo, realizado no Instituto do Cora\u00e7\u00e3o da Universidade de Ottawa, descobriu que pessoas solteiras t\u00eam 40% mais chances de desenvolver doen\u00e7as cardiovasculares e morrer de infarto do mioc\u00e1rdio do que pessoas casadas. Mas a prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem da alian\u00e7a de casamento.<\/p>\n<p>Estudos que acompanham a qualidade do relacionamento ao longo do tempo mostram que a satisfa\u00e7\u00e3o conjugal importa muito mais do que o estado civil em si.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, segundo os cientistas, o corpo reage \u00e0 din\u00e2mica dos relacionamentos, por exemplo, em uma discuss\u00e3o, ambos os parceiros experimentam aumento da frequ\u00eancia card\u00edaca e picos nos n\u00edveis de cortisol, o horm\u00f4nio do estresse.<\/p>\n<p>Mulheres em relacionamentos conturbados apresentam um aumento de quase 10 vezes na hipertens\u00e3o n\u00e3o controlada em compara\u00e7\u00e3o com mulheres satisfeitas. Entre casais satisfeitos, cada aumento de uma unidade no apoio ao relacionamento est\u00e1 correlacionado com uma melhora de 28% na variabilidade da frequ\u00eancia card\u00edaca, um marcador fundamental da sa\u00fade cardiovascular.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>E o contr\u00e1rio tamb\u00e9m acontece. Nos dias em que os casais demonstram mais afeto f\u00edsico, como abra\u00e7os, os n\u00edveis de cortisol diminuem consideravelmente. Isso n\u00e3o se trata apenas de conforto emocional se traduzindo em bem-estar. O ato f\u00edsico da conex\u00e3o \u00edntima desencadeia altera\u00e7\u00f5es hormonais que protegem o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O sofrimento cr\u00f4nico pode aumentar marcadores inflamat\u00f3rios. Esses processos inflamat\u00f3rios contribuem para o desenvolvimento da aterosclerose e a progress\u00e3o de doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n<p>Parceiros em relacionamentos satisfat\u00f3rios adotam comportamentos mais saud\u00e1veis, criando uma s\u00e9rie de benef\u00edcios cardiovasculares, como por exemplo: homens que percebem um forte apoio da parceira consomem mais frutas e verduras. J\u00e1 em um relacionamento rico em brigas, tens\u00f5es e discuss\u00f5es, ambos os sexos consomem mais \u00e1lcool.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>O estudo ainda mostrou que os comportamentos relacionados \u00e0 sa\u00fade tendem a se sincronizar entre os parceiros. Se um dos c\u00f4njuges pratica exerc\u00edcios regularmente, o outro tem 67% mais chances de se tornar ativo. Quando um dos parceiros para de fumar, o outro tem 48% mais chances de conseguir parar tamb\u00e9m. Essa sinergia funciona nos dois sentidos. Se um dos parceiros mant\u00e9m h\u00e1bitos n\u00e3o saud\u00e1veis, o outro enfrenta grandes obst\u00e1culos para mudar, mesmo com boas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como a inclus\u00e3o de parceiros alterou os resultados?<\/p>\n<p>A equipe de pesquisa analisou interven\u00e7\u00f5es destinadas a incluir os parceiros nos cuidados card\u00edacos. A maioria dos programas envolvia enfermeiros ensinando aos casais sobre o gerenciamento de medicamentos, rotinas de exerc\u00edcios e mudan\u00e7as na dieta ao longo de tr\u00eas meses, geralmente come\u00e7ando logo ap\u00f3s a alta hospitalar.<\/p>\n<p>Cerca de 77% dos estudos que avaliaram exerc\u00edcios f\u00edsicos, ades\u00e3o \u00e0 medica\u00e7\u00e3o ou cessa\u00e7\u00e3o do tabagismo constataram melhorias quando os parceiros participavam. Os pacientes em programas para casais mantiveram os n\u00edveis de atividade f\u00edsica, enquanto aqueles que participaram sozinhos deixaram de lado as rotinas de academia.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Os resultados cardiovasculares foram mistos. Alguns estudos relataram melhora nos n\u00edveis de colesterol e menos consultas m\u00e9dicas para pacientes em programas para casais. Outros n\u00e3o encontraram diferen\u00e7as na press\u00e3o arterial, eventos card\u00edacos ou capacidade funcional.<\/p>\n<p>Em sa\u00fade mental, os resultados tamb\u00e9m foram vari\u00e1veis. Cerca de 63% dos estudos encontraram alguma melhora na ansiedade ou depress\u00e3o, mas qual parceiro se beneficiou e quando isso ocorreu variou entre os programas.<\/p>\n<p>Os autores afirmaram que o sofrimento nos relacionamentos n\u00e3o \u00e9 apenas uma dificuldade emocional para pacientes card\u00edacos, mas um fator de estresse fisiol\u00f3gico que ativa respostas cardiovasculares, neuroend\u00f3crinas e imunol\u00f3gicas de maneiras que pioram diretamente a progress\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>\u201cRelacionamentos felizes n\u00e3o s\u00e3o apenas um diferencial. Eles proporcionam prote\u00e7\u00e3o mensur\u00e1vel por meio da redu\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios do estresse, melhor controle da press\u00e3o arterial, redu\u00e7\u00e3o dos marcadores inflamat\u00f3rios e melhoria dos h\u00e1bitos de sa\u00fade\u201d, escreveram.<\/p>\n<p>O que deveria ser feito?<\/p>\n<p>Os pesquisadores prop\u00f5em que os programas de reabilita\u00e7\u00e3o card\u00edaca comecem a avaliar a qualidade do relacionamento, assim como j\u00e1 fazem atualmente para detectar depress\u00e3o e ansiedade. Question\u00e1rios breves, que levam apenas alguns minutos para serem respondidos, poderiam identificar quais casais precisam de apoio extra.<\/p>\n<p>Os programas poderiam oferecer diferentes n\u00edveis de interven\u00e7\u00e3o com base nas necessidades espec\u00edficas de cada casal. Os pacientes ainda poderiam receber educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica sobre como os relacionamentos afetam a sa\u00fade do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, os autores afirmam que os estudos apresentam suas lacunas, como por exemplo a presen\u00e7a de apenas um estudo examinando uma amostra de pessoas predominantemente pretas, a exclus\u00e3o quase total de casais LGBTQIAP+ e a predomin\u00e2ncia de homens \u2014 representando 77% dos pacientes e as mulheres 76% dos parceiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma revis\u00e3o publicada no Canadian Journal of Cardiology mostrou que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 simbolicamente que o romance e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":192231,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[4357,319,116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-192230","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-doenca","9":"tag-hard-news","10":"tag-health","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115735867132747683","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=192230"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192230\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/192231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=192230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=192230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=192230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}