{"id":192764,"date":"2025-12-18T01:20:00","date_gmt":"2025-12-18T01:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/192764\/"},"modified":"2025-12-18T01:20:00","modified_gmt":"2025-12-18T01:20:00","slug":"fosseis-do-artico-revelam-diversidade-de-repteis-marinhos-16-12-2025-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/192764\/","title":{"rendered":"F\u00f3sseis do \u00c1rtico revelam diversidade de r\u00e9pteis marinhos &#8211; 16\/12\/2025 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Um conjunto com dezenas de milhares de f\u00f3sseis escavados na ilha de Spitsbergen, no arquip\u00e9lago de Svalbard (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/noruega\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Noruega<\/a>), a cerca de mil quil\u00f4metros do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/11\/rinoceronte-sem-chifre-vagou-pelo-artico-canadense-ha-23-milhoes-de-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">\u00c1rtico<\/a>, revelou uma diversidade surpreendente de vertebrados marinhos, incluindo v\u00e1rios tipos de peixes, anf\u00edbios e r\u00e9pteis aqu\u00e1ticos em um per\u00edodo de recupera\u00e7\u00e3o da vida marinha logo <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2022\/12\/as-6-grandes-extincoes-em-massa-do-planeta-e-por-que-estamos-passando-por-uma-delas-agora.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o em massa do final do Permiano<\/a> (252 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s).<\/p>\n<p>O aglomerado de f\u00f3sseis \u2014denominado leito fossil\u00edfero (&#8220;fossilbed&#8221;, em ingl\u00eas) de Grippia\u2014 com mais de 30 mil pe\u00e7as continha fragmentos de escamas, ossos, dentes, v\u00e9rtebras, copr\u00f3litos (coc\u00f4 fossilizado) e demais restos que foram estudados ao longo de dez anos por uma equipe de cientistas do Museu de Hist\u00f3ria Natural da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/oslo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Oslo<\/a> (Noruega) e do Museu Sueco de Hist\u00f3ria Natural em Estocolmo (Su\u00e9cia). Os achados foram divulgados no m\u00eas passado na <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.adx7390\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">revista Science<\/a>.<\/p>\n<p>A paleont\u00f3loga Aubrey Roberts, p\u00f3s-doutoranda na Universidade de Oslo e primeira autora do estudo, explica que a maior campanha para escavar os ossos ocorreu em agosto de 2016 com uma equipe composta de pesquisadores, estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e volunt\u00e1rios. &#8220;Quase uma d\u00e9cada depois, em 2024, sentimos que t\u00ednhamos uma boa vis\u00e3o geral do ecossistema encontrado naquela localidade ap\u00f3s anos de separa\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise do material.&#8221;<\/p>\n<p>Um leito fossil\u00edfero pode ser definido como um &#8220;aglomerado de ossos em uma camada rochosa&#8221; onde podem estar misturados os ossos de diferentes grupos animais. &#8220;Ainda h\u00e1 muito trabalho a fazer, pois mal tocamos nos microf\u00f3sseis presentes no dep\u00f3sito, e ainda h\u00e1 muito material que n\u00e3o conseguimos identificar com certeza&#8221;, afirma a cientista.<\/p>\n<p>A principal descoberta, por\u00e9m, foi a de uma riqueza de fauna do oceano onde hoje \u00e9 o \u00c1rtico (\u00e0 \u00e9poca, era um \u00fanico oceano global chamado Pantalassa), incluindo esp\u00e9cies de vertebrados predadoras, como r\u00e9pteis aqu\u00e1ticos, tubar\u00f5es, e demais animais marinhos.<\/p>\n<p>Entre os esp\u00e9cimes encontrados se destacam os peixes cartilaginosos (tubar\u00f5es), peixes pulmonados (dipnoicos), peixes \u00f3sseos (actinopter\u00edgeos, semelhantes ao atual badejo), peixes de nadadeira lobada (sarcopter\u00edgeos), celacantos, anf\u00edbios primitivos (temnosp\u00f4ndilos), arcossauromorfos (ancestrais dos crocodilos) e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2022\/01\/fossil-de-17-metros-achado-nos-eua-explica-evolucao-de-gigantes-do-mar.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">r\u00e9pteis ictiossauros<\/a> e ictiopter\u00edgeos (r\u00e9pteis aqu\u00e1ticos com corpo em formato semelhante ao dos golfinhos atuais).<\/p>\n<p>Durante a era Paleoz\u00f3ica, que teve in\u00edcio com o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2019\/03\/fosseis-bem-preservados-de-500-milhoes-de-anos-surpreendem-cientistas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">per\u00edodo do Cambriano<\/a> (550 milh\u00f5es de anos), houve uma <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2024\/08\/mais-oxigenio-e-subida-do-mar-podem-ser-chave-para-diversificacao-dos-animais-na-historia.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">explos\u00e3o da vida marinha na Terra<\/a>, com invertebrados e peixes dominando este ecossistema at\u00e9 o final do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ciencia\/fe2107200003.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Permiano<\/a>, quando um grande evento de extin\u00e7\u00e3o em massa dizimou mais de 90% de todas as formas de vida conhecida. Logo ap\u00f3s o Permiano, no in\u00edcio da era Mesoz\u00f3ica, teve in\u00edcio a chamada Era dos Dinossauros ou Era dos R\u00e9pteis (dividida nos per\u00edodos Tri\u00e1ssico, de 252 a 201 milh\u00f5es de anos, Jur\u00e1ssico, de 201 a 145 milh\u00f5es de anos, e Cret\u00e1ceo, de 145 a 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s).<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m dos dinossauros, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2010\/12\/851849-montanha-chinesa-tem-mais-de-20-mil-fosseis-marinhos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">muitas outras linhagens de r\u00e9pteis surgiram e se diversificaram<\/a> j\u00e1 a partir do Tri\u00e1ssico, incluindo formas aqu\u00e1ticas, como os plesiossauros, os mesossauros, os talatossauros e os ictiossauros \u2013que tiveram sua origem no in\u00edcio do Tri\u00e1ssico e foram extintos h\u00e1 cerca de 90 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Segundo os autores, a grande surpresa foi encontrar uma variedade de formas j\u00e1 derivadas (com caracter\u00edsticas pr\u00f3ximas \u00e0s linhagens cuja diversifica\u00e7\u00e3o ocorreu alguns milh\u00f5es de anos depois) de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/07\/superpredador-do-jurassico-tinha-nadadeiras-adaptadas-para-surpreender-presas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">ictiossauros<\/a>, uma vez que a ideia corrente at\u00e9 ent\u00e3o era que essas formas mais complexas demoraram pelo menos oito milh\u00f5es de anos ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o do final do Permiano para se diversificar. A localidade de Grippia tem idade estimada em 249 milh\u00f5es de anos, apenas 3 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o fim do Permiano.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o esper\u00e1vamos encontrar uma diversidade t\u00e3o rica de ictiossauros, ictiopter\u00edgeos e outros r\u00e9pteis proximamente relacionados. Os ictiossauros estiveram presentes nos mares por cerca de 150 milh\u00f5es de anos, enquanto os dinossauros vagavam pela terra, e se pensava que eles tinham evolu\u00eddo e se diversificado ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o do final do Permiano. Nossa pesquisa questiona isso, com a presen\u00e7a de clados derivados j\u00e1 no in\u00edcio do Tri\u00e1ssico&#8221;, diz Roberts.<\/p>\n<p>O novo estudo &#8220;puxa para baixo&#8221; a idade aproximada para evolu\u00e7\u00e3o dessas formas. &#8220;Apenas para um \u00fanico grupo de r\u00e9pteis marinhos, temos evid\u00eancias de pelo menos cinco esp\u00e9cies diferentes, algumas delas bem derivadas, demonstrando evolu\u00e7\u00e3o logo antes ou imediatamente ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o em massa&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Outro achado interessante da pesquisa foi observar as diferentes rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas entre os vertebrados ali presentes. Enquanto tubar\u00f5es se alimentavam de peixes menores, estes eram devorados por ictiossauros que ocupavam o topo da cadeia alimentar oce\u00e2nica \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, localidades com leitos f\u00f3sseis de idade similar continham uma diversidade grande de peixes e anf\u00edbios, mas n\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2024\/04\/mary-anning-em-formacao-menina-de-11-anos-encontra-fossil-de-reptil-gigante-no-reino-unido.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">r\u00e9pteis marinhos<\/a>. Os autores afirmam, assim, que \u00e9 prov\u00e1vel que a evolu\u00e7\u00e3o destas linhagens n\u00e3o ocorreu na forma de uma &#8220;escada de complexidade&#8221;, proposta por diversos cientistas, mas a partir de &#8220;diversas linhagens oportunistas que se diversificaram e sobreviveram do final do Paleozoico ao in\u00edcio do Mesozoico&#8221;.<\/p>\n<p>Os autores concluem que a descoberta dos f\u00f3sseis sugere que a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2024\/03\/no-dia-do-paleontologo-conheca-8-mulheres-que-fizeram-historia-no-estudo-dos-fosseis.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">origem e evolu\u00e7\u00e3o dos tetr\u00e1podes marinhos<\/a>, em especial r\u00e9pteis, ocorreram antes do esperado e, provavelmente, em paralelo \u00e0 recomposi\u00e7\u00e3o da fauna marinha de invertebrados no primeiro milh\u00e3o de anos logo ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o no final do Permiano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um conjunto com dezenas de milhares de f\u00f3sseis escavados na ilha de Spitsbergen, no arquip\u00e9lago de Svalbard (Noruega),&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":192765,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[3504,11579,109,107,108,9294,445,236,9421,965,21229,6951,3536,32,33,105,103,104,106,110,3062],"class_list":{"0":"post-192764","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-arqueologia","9":"tag-artico","10":"tag-ciencia","11":"tag-ciencia-e-tecnologia","12":"tag-cienciaetecnologia","13":"tag-estudo-cientifico","14":"tag-europa","15":"tag-folha","16":"tag-fosseis","17":"tag-noruega","18":"tag-oslo","19":"tag-paleontologia","20":"tag-pesquisa-cientifica","21":"tag-portugal","22":"tag-pt","23":"tag-science","24":"tag-science-and-technology","25":"tag-scienceandtechnology","26":"tag-technology","27":"tag-tecnologia","28":"tag-universidade"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115737947212675342","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192764","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=192764"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192764\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/192765"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=192764"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=192764"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=192764"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}