{"id":193094,"date":"2025-12-18T09:56:11","date_gmt":"2025-12-18T09:56:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/193094\/"},"modified":"2025-12-18T09:56:11","modified_gmt":"2025-12-18T09:56:11","slug":"tres-filmes-para-ver-esta-semana-observador-11","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/193094\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas filmes para ver esta semana \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u201cNouvelle Vague\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A g\u00e9nese \u00e9 a mirabolante rodagem de O Acossado, de Jean-Luc Godard, filme-azimute fulcral da Nova Vaga francesa, como se l\u00e1 estiv\u00e9ssemos. A preto e branco, com atores que s\u00e3o a cara chapada dos seus modelos, mas n\u00e3o os macaqueiam ao interpret\u00e1-los (destaque para o Godard de Guillaume Marbec, t\u00e3o imprevis\u00edvel e insuport\u00e1vel como o verdadeiro) e recriando microsc\u00f3pica e fielmente a Paris de finais dos anos 50 (com a ajuda de imagens da \u00e9poca integradas nas do filme com todo o cuidado), Richard Linklater conta, pelo lado de dentro, a complicada e euf\u00f3rica aventura daquelas filmagens em roda livre, espontaneidade e improvisa\u00e7\u00e3o; tira o chap\u00e9u e faz uma v\u00e9nia \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de cr\u00edticos dos Cahiers du Cin\u00e9ma que depois passou \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o (aparecem todos, nem que seja por um breve momento, tal como o seu mentor, Roberto Rossellini, sem esquecer os que gravitavam em seu redor e fizeram parte da equipa de rodagem da fita) e deu uma valente sacudidela no cinema franc\u00eas e na S\u00e9tima Arte; e capta o ambiente, a vibra\u00e7\u00e3o, a paix\u00e3o, a cor emocional e o \u00edmpeto criativo de uma \u00e9poca \u00fanica (as zangas, as invejas, os equ\u00edvocos e a morte, que viriam mais tarde, n\u00e3o cabem aqui). O risco, o prazer e a alegria de filmar desses tempos est\u00e3o inteirinhos do princ\u00edpio ao fim de Nouvelle Vague. Linklater sublinha que o cinema \u00e9 (tamb\u00e9m) a arte da juventude, e embora o tempo n\u00e3o perdoe, essa juventude ficou plasmada para a eternidade nas imagens de O Acossado, tal como ficar\u00e1 nesta minuciosa, afetuosa e jubilat\u00f3ria recria\u00e7\u00e3o de como este cl\u00e1ssico foi feito. E quem melhor para o concretizar do que um estrangeiro \u2014 um americano, no caso \u2014, que \u00e0 necess\u00e1ria dist\u00e2ncia, junta o talento e a cinefilia? Em Nouvelle Vague, Richard Linklater funde a nostalgia e a homenagem, o respeito e a fraternidade, o elogio e a gratid\u00e3o a uma era, um grupo e um movimento que deram um novo f\u00f4lego ao cinema.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios milh\u00f5es de afeg\u00e3os refugiados no Ir\u00e3o, um \u00eaxodo que come\u00e7ou h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, quando da invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o pela antiga URSS. Nesta sua primeira longa-metragem, os realizadores iranianos Alireza Ghasemi e Raha Amirfazli, contam, ao longo de vinte anos e em tr\u00eas epis\u00f3dios, e com um recato emocional e uma economia narrativa que n\u00e3o comprometem a robustez dram\u00e1tica, os percursos dos membros de uma fam\u00edlia afeg\u00e3 que se acolheu, no in\u00edcio deste s\u00e9culo, ao Ir\u00e3o, a \u201cterra dos nossos irm\u00e3os\u201d do t\u00edtulo (que se vai revelar ir\u00f3nico \u00e0 medida que a fita decorre). Atrav\u00e9s das hist\u00f3rias de um jovem estudante com o qual a pol\u00edcia embirra, de uma rapariga instalada com o marido doente e o filho pequeno na casa de uma fam\u00edlia abastada para a qual trabalha como criada, e de um pai cujo filho disse que foi trabalhar para a Turquia, tendo na realidade ido combater para a S\u00edria com uniforme iraniano, o casal de realizadores mostra que a condi\u00e7\u00e3o dos afeg\u00e3os que rumaram ao Ir\u00e3o \u00e9 tudo menos f\u00e1cil, sobretudo se l\u00e1 estiverem ilegalmente. N\u00e3o \u00e9 por acaso que duas das tr\u00eas narrativas envolvem mentiras e oculta\u00e7\u00e3o, para a seguran\u00e7a e para o bem de familiares pr\u00f3ximos dos protagonistas, e para evitar a perda do estatuto de refugiado e a consequente expuls\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nesta parte tr\u00eas da saga de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Avatar, de James Cameron, composta por cinco filmes, iniciada em 2009 e passada no futuro, no paradis\u00edaco planeta Pandora, a fam\u00edlia Na\u2019vi de Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Salda\u00f1a) est\u00e1 a recuperar dos acontecimentos da fita anterior, Avatar: o Caminho da \u00c1gua (2022), especialmente da morte do filho mais velho, tendo acolhido no seu seio Spider (Jack Champion), o filho do seu grande inimigo, o coronel Miles Quaritch (Stephen Lang), que apesar de ter morrido em combate naquele filme, ressurgiu como um avatar Na\u2019avi e continua a perseguir obsessivamente Jake e os seus. Sendo humano, Spider n\u00e3o consegue respirar na atmosfera do planeta Pandora, o que dificulta muito a sua vida na nova fam\u00edlia. O pai n\u00e3o desistiu de o resgatar, e entra ent\u00e3o em cena uma tribo Na\u2019vi rebelde e violenta, os Mangkwan, que vive junto a um vulc\u00e3o e \u00e9 liderada pela cruel e ambiciosa feiticeira Varang (Oona Chaplin), que se vai aliar a Quaritch.<a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/12\/17\/avatar-fogo-e-cinzas-o-gigantismo-high-tech-com-pes-de-barro-de-james-cameron\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"> Avatar: Fogo e Cinzas foi escolhido como filme da semana pelo Observador<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cNouvelle Vague\u201d A g\u00e9nese \u00e9 a mirabolante rodagem de O Acossado, de Jean-Luc Godard, filme-azimute fulcral da Nova&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":193095,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[140],"tags":[470,315,114,115,1042,147,148,146,32,33],"class_list":{"0":"post-193094","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-filmes","8":"tag-cinema","9":"tag-cultura","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-estreias","13":"tag-film","14":"tag-filmes","15":"tag-movies","16":"tag-portugal","17":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115739976381055487","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193094","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=193094"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193094\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/193095"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=193094"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=193094"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=193094"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}