{"id":193340,"date":"2025-12-18T13:59:23","date_gmt":"2025-12-18T13:59:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/193340\/"},"modified":"2025-12-18T13:59:23","modified_gmt":"2025-12-18T13:59:23","slug":"montepio-atual-lider-acabou-com-ruido-oposicao-quer-mais-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/193340\/","title":{"rendered":"Montepio. Atual l\u00edder &#8220;acabou com ru\u00eddo&#8221;, oposi\u00e7\u00e3o quer mais \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Houve, no tempo de Tom\u00e1s Correia, uma \u201cprocura de \u00e1reas onde se investiram as poupan\u00e7as dos associados na procura de maior rendimento e tomou-se um risco elevado\u201d, diz Virg\u00edlio Lima, admitindo que, \u201ca\u00ed, houve situa\u00e7\u00f5es que, at\u00e9 pelo momento que se viveu e as crises que se viveram na \u00e1rea financeira, n\u00e3o se revelaram bons investimentos\u201d. Ainda assim, o atual presidente evita criticar de forma muito dura o seu antecessor: \u201c<strong>Se calhar as pessoas n\u00e3o pensaram que a crise fosse t\u00e3o longa\u2026<\/strong>\u201d<\/p>\n<p>Tiago Mota Saraiva tem uma vis\u00e3o menos condescendente daquele per\u00edodo, que provocou elevadas perdas de capital aos mutualistas, que s\u00e3o como \u201cacionistas\u201d do banco onde foi preciso cobrir imparidades milion\u00e1rias. \u201cTom\u00e1s Correia vendeu-nos a hist\u00f3ria de que quanto mais se entrasse em grandes negociatas \u2013 imobili\u00e1rio, banca\u2026 \u2013 mais os mutualistas iam receber\u201d, afirma o arquiteto. \u201cMas s\u00f3 fez com que o banco ficasse cada vez mais fragilizado e os associados foram chamados a <strong>tapar os buracos da economia de casino em que Tom\u00e1s Correia meteu o Montepio<\/strong>\u201c, acrescenta.<\/p>\n<p>Foram outros tempos, garante Virg\u00edlio Lima, sublinhando que a prioridade da sua administra\u00e7\u00e3o nestes anos tem sido \u201carrumar a casa\u201d, \u201csimplificar o grupo\u201d e \u201calterar algumas equipas de gest\u00e3o\u201d. Gra\u00e7as a isso, \u201cdesde h\u00e1 tr\u00eas anos, todas as entidades do grupo passaram a dar resultados positivos, consistentes e crescentes \u2013 e <strong>a dar dividendos \u00e0 casa-m\u00e3e. Todas<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>\u201cO banco valorizou-se, os seguros valorizaram-se, recuperou-se parte das imparidades \u2013 no banco j\u00e1 vamos em quase 200 milh\u00f5es de imparidades recuperadas\u201d, afirma Virg\u00edlio Lima, confiando que ser\u00e1 poss\u00edvel continuar a recuperar imparidades e, mesmo com percentagens baixas de entrega aos acionistas (payout), aumentar os dividendos pagos pelas principais empresas do grupo. O banco, por exemplo, pagou um <strong>dividendo de 30 milh\u00f5es no ano passado e est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de \u201cduplicar\u201d<\/strong> nos pr\u00f3ximos anos, mesmo continuando a \u201crefor\u00e7ar a solidez\u201d da institui\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>Nas <a href=\"https:\/\/www.montepio.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Relatorio-contas_2024_release_site.pdf\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">contas anuais da associa\u00e7\u00e3o mutualista<\/a>, o banco est\u00e1 avaliado em 1.680 milh\u00f5es de euros, menos do que os 2.375 milh\u00f5es que os mutualistas l\u00e1 investiram \u2013 a diferen\u00e7a \u00e9 uma imparidade de cerca de 700 milh\u00f5es que tem vindo a ser reduzida nos \u00faltimos anos, \u00e0 medida que o banco voltou aos lucros. Virg\u00edlio Lima diz ao Observador, por\u00e9m, que <strong>j\u00e1 se recuperaram no banco quase 200 milh\u00f5es em imparidades<\/strong> que, ao serem revertidas, beneficiam os lucros da institui\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>Apesar de \u201co trabalho ainda n\u00e3o estar conclu\u00eddo\u201d, a trajet\u00f3ria dos n\u00fameros contrasta com o cen\u00e1rio que se vivia em 2019\/2020, quando a associa\u00e7\u00e3o mutualista teve de registar nas contas \u201cimparidades muito elevadas\u201d <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/um-verdadeiro-tsunami-sem-bonus-fiscal-montepio-fica-no-vermelho-em-500-milhoes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">exigidas, na altura, pelo auditor<\/a>, a PwC.<\/p>\n<p>O auditor obrigou a reduzir o valor do banco em 377,5 milh\u00f5es de euros, para 1.499 milh\u00f5es \u2013 ainda assim um valor lisonjeiro porque, na altura, o MillenniumBCP, um banco maior, valia 1.700 milh\u00f5es na bolsa (hoje, o valor do BCP supera os 13.000 milh\u00f5es). Com essa redu\u00e7\u00e3o do valor do banco nas contas, a associa\u00e7\u00e3o mutualista ficou com uma situa\u00e7\u00e3o patrimonial que s\u00f3 era positiva gra\u00e7as aos pol\u00e9micos Ativos sobre Impostos Diferidos (DTA, na sigla original).<\/p>\n<p>\t\t    \t\t         O que s\u00e3o os DTA que suportam as contas da mutualista e porque s\u00e3o pol\u00e9micos? <\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2193 Mostrar<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2191 Esconder<\/p>\n<p>H\u00e1 quase uma d\u00e9cada o Montepio e a auditora PwC est\u00e3o em desacordo sobre um elemento que \u00e9 essencial para o equil\u00edbrio patrimonial da associa\u00e7\u00e3o mutualista Montepio \u2013 os chamados Ativos por Impostos Diferidos (DTA, na sigla mais utilizada). S\u00e3o mais de 940 milh\u00f5es de euros sem os quais a mutualista n\u00e3o teria uma situa\u00e7\u00e3o l\u00edquida positiva (o saldo entre ativo e passivo seria negativo em cerca de 240 milh\u00f5es de euros).<\/p>\n<p>A quest\u00e3o surgiu quando a mutualista tomou a iniciativa de pedir a perda de isen\u00e7\u00f5es \u2013 sim, um contribuinte pediu para perder uma isen\u00e7\u00e3o \u2013 relacionadas com o facto de ser, at\u00e9 ent\u00e3o, uma IPSS. Em termos simples, ao perder essa isen\u00e7\u00e3o, a mutualista passou, tal como aconteceu com os bancos, a poder contabilizar no seu ativo o direito de, mais tarde, deduzir de lucros futuros os preju\u00edzos passados.<\/p>\n<p>A PwC sempre achou que \u201ca entidade n\u00e3o demonstra[va] capacidade para gerar resultados tribut\u00e1veis suficientes que permitam recuperar parte substancial dos ativos por impostos diferidos registados\u201d, embora reconhe\u00e7a ser dif\u00edcil dizer exatamente em quanto o ativo da institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ser \u201csobreavaliado\u201d \u2013 mas \u201c\u00e9 um montante materialmente relevante\u201d, <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/um-verdadeiro-tsunami-sem-bonus-fiscal-montepio-fica-no-vermelho-em-500-milhoes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">afirmou a auditora<\/a>.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a mutualista defende-se dizendo que \u201cuma parte\u201d dos DTA est\u00e3o relacionados com efetivos preju\u00edzos fiscais report\u00e1veis e outra parte deve-se \u00e0s chamadas \u201cdiferen\u00e7as temporais\u201d. No fundo, explica Virg\u00edlio Lima, cada vez que um mutualista subscreve uma das modalidades associativas (produtos de poupan\u00e7a), esse dinheiro, ao entrar, gera uma responsabilidade que tem de ser correspondida com o registo de uma provis\u00e3o pela associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO plano de contas das entidades da economia social, no caso da associa\u00e7\u00e3o mutualista, n\u00e3o permite que as provis\u00f5es sejam consideradas um custo [que poderia ser deduzido da fatura fiscal naquele momento], como acontece, por exemplo, nos seguros\u201d, diz o presidente do Montepio.<\/p>\n<p>\u201cNas entidades da economia social tudo o que entra \u00e9 proveito e s\u00f3 \u00e9 custo quando h\u00e1 desembolso, o que \u00e0s vezes acontece 30 anos depois\u201d, afirma. Ou seja, \u201ccomo n\u00f3s constitu\u00edmos a provis\u00e3o [no momento da subscri\u00e7\u00e3o] mas ela n\u00e3o \u00e9 considerada para efeitos fiscais, temos de pagar IRC sobre esse valor porque ele aumenta os resultados \u2013 temos direito a receber esse IRC mais tarde\u201d, da\u00ed que se gerem os tais DTA.<\/p>\n<p>\u201cEsse momento coincidiu com uma altura em que <strong>havia muito ru\u00eddo \u00e0 volta do Montepio<\/strong>, por raz\u00f5es que s\u00e3o conhecidas\u201d, refere Virg\u00edlio Lima \u2013 foi a fase em que, al\u00e9m das contas em desequil\u00edbrio e as perdas do banco, se ficaram a conhecer alguns dos neg\u00f3cios ruinosos capitaneados por Tom\u00e1s Correia, <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2019\/10\/24\/tomas-correia-pede-escusa-da-presidencia-do-montepio\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ditando a sa\u00edda da institui\u00e7\u00e3o<\/a>. Ao Observador, o atual presidente da mutualista diz que nestes \u00faltimos anos \u201cfoi importante criar condi\u00e7\u00f5es para que esse ru\u00eddo e o conhecimento objetivo da situa\u00e7\u00e3o mudassem\u201d e hoje, gra\u00e7as a um \u201ctrabalho feito a muitas m\u00e3os, em todas as entidades do grupo, h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o bem diferente\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo a oposi\u00e7\u00e3o, que <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2021\/11\/18\/montepio-mutualista-esta-numa-situacao-dramatica-diz-pedro-corte-real-candidato-pela-lista-b\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">antes alertava insistentemente<\/a> para os problemas patrimoniais do Montepio, vendo risco de bancarrota, agora considera que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito melhor. \u201cEstamos perante uma entidade que queremos recuperar para o setor social, por <strong>isso n\u00e3o faz sentido falar numa l\u00f3gica de bancarrota, isso n\u00e3o vai acontecer\u201d,\u00a0<\/strong>afirma Tiago Mota Saraiva, notando que isso \u201csignificaria centenas de milhares de pessoas com as suas poupan\u00e7as comprometidas\u201d.<\/p>\n<p>O rosto da lista B \u00e0 assembleia de representantes diz que, ainda assim, \u201c\u00e9 preciso construir uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica cada vez mais tranquila, tirar os investimentos que continuam a existir em neg\u00f3cios de casino, em coisas que foram altamente prejudiciais, e retomar <strong>investimentos em coisas seguras, como a terra, o edif\u00edcio, coisas f\u00edsicas e seguras<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito de investir em \u201ccoisas f\u00edsicas\u201d e em \u201cterra\u201d, o atual presidente salienta o plano lan\u00e7ado em novembro em que a mutualista prev\u00ea gastar <strong>50 milh\u00f5es de euros por ano na compra de casas<\/strong> para, depois, arrendar aos associados abaixo dos pre\u00e7os de mercado, sem ter aqui um interesse na obten\u00e7\u00e3o de lucro e de rendimento para os mutualistas.<\/p>\n<p>Em entrevista, Virg\u00edlio Lima explica que em zonas de grande densidade a mutualista ir\u00e1 comprar (ou construir) casas, ao passo que nas zonas com menos associados, estes podem indicar as casas que gostariam de ocupar e a mutualista poder compr\u00e1-las e arrendar-lhes. Ao fim de um per\u00edodo (15 ou 20 anos, por exemplo) o associado pode ter uma op\u00e7\u00e3o de compra daquela casa.<\/p>\n<p>Por outro lado, est\u00e1 a ser lan\u00e7ado um programa de <strong>compra de casas a pessoas ou casais com mais idade que queiram vender a casa \u00e0 associa\u00e7\u00e3o<\/strong>, a valores de mercado, gerando uma renda vital\u00edcia que pode servir para pagar as mensalidades de uma resid\u00eancia assistida (do Montepio ou outra). Algumas dessas casas compradas aos reformados, explica Virg\u00edlio Lima, podem, em interliga\u00e7\u00e3o com o outro programa, servir para arrendar aos mais jovens.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Houve, no tempo de Tom\u00e1s Correia, uma \u201cprocura de \u00e1reas onde se investiram as poupan\u00e7as dos associados na&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":193341,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[38792,475,88,476,89,90,28960,32,33],"class_list":{"0":"post-193340","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-associau00e7u00e3o-mutualista","9":"tag-banca","10":"tag-business","11":"tag-economia","12":"tag-economy","13":"tag-empresas","14":"tag-montepio","15":"tag-portugal","16":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115740931896247080","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=193340"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193340\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/193341"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=193340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=193340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=193340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}