{"id":194069,"date":"2025-12-19T00:24:10","date_gmt":"2025-12-19T00:24:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/194069\/"},"modified":"2025-12-19T00:24:10","modified_gmt":"2025-12-19T00:24:10","slug":"1-600-euros-de-salario-minimo-a-correr-bem-so-la-para-o-ano-2039-diz-joao-leao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/194069\/","title":{"rendered":"1.600 euros de sal\u00e1rio m\u00ednimo? &#8220;A correr bem&#8221;, s\u00f3 l\u00e1 para o ano 2039, diz Jo\u00e3o Le\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>        Atingir o sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional de 1.600 euros \u00e9 \u201cinexequ\u00edvel\u201d nesta legislatura, mas \u00e9 poss\u00edvel que tal aconte\u00e7a cerca de uma d\u00e9cada depois, ou seja, l\u00e1 para 2039, calcula o professor de Economia e ex-ministro das Finan\u00e7as Jo\u00e3o Le\u00e3o. O exerc\u00edcio \u00e9 \u201cmuito especulativo\u201d e depende de muitas vari\u00e1veis, desde logo do comportamento da economia e da exist\u00eancia, ou n\u00e3o, de crises significativas pelo caminho. Miranda Sarmento afirma que os 1.600 n\u00e3o s\u00e3o uma promessa mas sim uma ambi\u00e7\u00e3o. Ministra do Trabalho defende que o novo pacote laboral proposto pelo Governo \u00e9 uma das formas de atingir esse objetivo, que vai al\u00e9m da pr\u00f3pria meta definida pelo Governo para a legislatura \u2013 os 1.100 euros. Sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional sobe para os 920 euros em 2026.    <\/p>\n<p>O professor de Economia e ex-ministro das Finan\u00e7as Jo\u00e3o Le\u00e3o admite que Portugal vai chegar \u00e0 meta dos 1.600 de sal\u00e1rio m\u00ednimo, sim, mas s\u00f3 l\u00e1 para 2039, uma d\u00e9cada depois do final da atual legislatura. O exerc\u00edcio \u00e9 \u201cespeculativo\u201d, ressalva o antigo governante, e a janela temporal apontada para que o pa\u00eds alcance o valor que Lu\u00eds Montenegro introduziu no debate pol\u00edtico depende, pois, da forma como se comportar a economia nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>\u201cSe a economia continuar a crescer como tem crescido na \u00faltima d\u00e9cada, \u00e9 natural que os sal\u00e1rios v\u00e3o aumentando, acompanhando o aumento da produtividade e dos pre\u00e7os. Se as coisas correrem bem \u2013 \u00e9 sempre especulativo \u2013 poder\u00e1 ser preciso quase uma d\u00e9cada para chegarmos a esse valor [1.600], depois da legislatura\u201d, afirma ao Jornal Econ\u00f3mico (JE) Jo\u00e3o Le\u00e3o.<\/p>\n<p>Apontando como expect\u00e1vel um aumento de 4% a cada ano num cen\u00e1rio favor\u00e1vel, \u201csem crises significativas\u201d \u2013 um pressuposto dif\u00edcil de prever \u2013 , o professor de economia diz tamb\u00e9m que a evolu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios tem de ser acompanhado de perto, percebendo \u201ccomo \u00e9 que a economia, os pre\u00e7os e a produtividade evoluem\u201d, por um lado, e se o mercado de trabalho \u201cest\u00e1 a absorver bem os aumentos\u201d, por outro. Isto sem deixar de olhar para a evolu\u00e7\u00e3o no pa\u00eds vizinho, Espanha, o que \u00e9 sempre \u201crelevante para a nossa atratividade\u201d.<\/p>\n<p>Fixado em 870 euros (valor bruto), o sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional em Portugal vai aumentar para 920 euros no pr\u00f3ximo ano, e a meta definida pelo Governo \u00e9 atingir os 1.100 euros no final da legislatura, em 2029, \u201ce criar condi\u00e7\u00f5es para a evolu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00e9dio para 2.000 euros at\u00e9 ao final da presente d\u00e9cada, baseada na soma da infla\u00e7\u00e3o \u00e0 totalidade dos ganhos de produtividade\u201d, segundo o pr\u00f3prio programa do Executivo.<\/p>\n<p>S\u00f3 que, a poucos dias antes da greve geral convocada pela CGTP e pela UGT contra o pacote laboral, o primeiro-ministro elevou a fasquia, indo al\u00e9m daquelas que s\u00e3o as suas pr\u00f3prias metas.<\/p>\n<p>\u201cPor que \u00e9 que n\u00e3o devemos aproveitar exatamente esta oportunidade para irmos um pouco mais longe e para, em vez de crescermos 2% ao ano, crescermos 3% ou 3,5% ou 4% e, em vez do sal\u00e1rio m\u00ednimo serem 920 euros, poderem ser 1.500? \u00a0E em vez de o sal\u00e1rio m\u00e9dio ser 1.500, poder ser 2.000 ou 2.500\u201d, questionou Lu\u00eds Montenegro na inaugura\u00e7\u00e3o da amplia\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica da Keenfinity (antiga Bosch), em Ovar, no passado dia 5. No entender do primeiro-ministro, as reformas, como a da legisla\u00e7\u00e3o laboral, fazem-se quando h\u00e1 estabilidade pol\u00edtica, econ\u00f3mica e financeira, e n\u00e3o quando o \u201cpa\u00eds est\u00e1 \u00e0 rasca\u201d.<\/p>\n<p>No dia seguinte, aumentou a parada, no encerramento do X Congresso Nacional dos Autarcas Social-Democratas, no Porto. \u201cN\u00e3o queremos crescer 2% ao ano. Queremos crescer 3%, 3,5%, 4%. Queremos que o sal\u00e1rio m\u00ednimo chegue n\u00e3o aos 1.100 euros \u2014 esse \u00e9 o objetivo que temos para esta legislatura \u2013, mas queremos mais. Que chegue aos 1.500 ou aos 1.600 euros\u201d, disse. E na v\u00e9spera da greve geral, voltou ao assunto atestando que os 1.600 s\u00e3o um objetivo realista. \u201c\u00c9 mesmo realista, \u00e9 mesmo realista, n\u00e3o tenha d\u00favidas nenhumas. Vamos calendariz\u00e1-lo, quando tivermos os alicerces para isso\u201d, atirou.<\/p>\n<p>Miranda Sarmento, ministro das Finan\u00e7as, esclareceu depois que aquele valor n\u00e3o \u00e9 uma promessa do Governo, mas sim uma \u201cambi\u00e7\u00e3o\u201d. O respons\u00e1vel recusou-se a fixar um prazo para os 1.600 euros, at\u00e9 porque para alcan\u00e7ar o valor \u201cdependeria de muitas vari\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>O professor de Economia do ISCTE encara as palavras de Lu\u00eds Montenegro sobre a evolu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios como uma \u201cquest\u00e3o comunicacional para motivar o pa\u00eds para reformas que entende como positivas, aumentando a produtividade e, consequentemente, os sal\u00e1rios\u201d. Mas, se ficou no ar que objetivo para chegar aos 1.600 teria como prazo a legislatura, o antigo ministro das Finan\u00e7as afasta isso por completo: \u201cN\u00e3o seria exequ\u00edvel, seriam taxas muito elevadas na Uni\u00e3o Europeia, sem precedentes, a rondar os 20%. Aumentos desta natureza a cada ano, n\u00e3o encontramos. Ainda por cima num pa\u00eds que cresce, mas que n\u00e3o cresce a um ritmo assim t\u00e3o elevado.\u201d<\/p>\n<p>Sem querer \u201cinterpretar\u201d o que disse o primeiro-ministro, e desconhecendo se Montenegro relaciona os 1.600 euros com a reforma laboral que quer implementar, ou a um conjunto de v\u00e1rias reformas, Jo\u00e3o Le\u00e3o tamb\u00e9m lembra que na fase em que se encontra a negocia\u00e7\u00e3o do \u201cTrabalho XXI\u201d n\u00e3o h\u00e1 ainda quaisquer compromissos de aumentos salariais.<\/p>\n<p>J\u00e1 esta segunda-feira, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Seguran\u00e7a Social, questionada pelos jornalistas no Funchal, deixou vincada a ideia de que o novo pacote laboral proposto pelo Governo \u00e9 uma das formas de atingir a meta de sal\u00e1rio m\u00ednimo de 1.600 por m\u00eas. \u201cA cria\u00e7\u00e3o de riqueza em Portugal, o fomento da cria\u00e7\u00e3o de riqueza exige um conjunto de pol\u00edticas que se devem articular\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Maria do Ros\u00e1rio Palma Ramalho, que esta ter\u00e7a-feira retomou as negocia\u00e7\u00f5es bilaterais com a UGT, sustentou que \u00e9 necess\u00e1rio ter legisla\u00e7\u00e3o laboral que \u201cajude a economia a crescer, que esteja a olhar para as rela\u00e7\u00f5es de trabalho do s\u00e9culo XXI, que n\u00e3o continue focado no trabalho de ch\u00e3o de f\u00e1brica\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cAtirar n\u00fameros para o ar\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Argumentos que n\u00e3o convencem o economista Jo\u00e3o Cerejeira. O professor de Economia da Universidade do Minho afirma, em declara\u00e7\u00f5es ao JE, n\u00e3o fazer \u201csentido nenhum\u201d pensar-se que a reforma laboral em causa levaria a um crescimento do sal\u00e1rio m\u00e9dio e m\u00ednimo para os valores sugeridos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sei o que estava o primeiro-ministro a pensar quando fez essas declara\u00e7\u00f5es, se era um objetivo a atingir a 10 anos, 20\u2026 Face \u00e0s condi\u00e7\u00f5es atuais, no curto\/m\u00e9dio prazo isso \u00e9 imposs\u00edvel. Qualquer economista s\u00e9rio sabe que nunca poderia propor algo nesse montante, vai muito al\u00e9m do que tem at\u00e9 sido pedido\u201d, defende o professor universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Cerejeira vai mais longe na cr\u00edtica ao afirmar que esta \u201cn\u00e3o \u00e9 uma forma s\u00e9ria de se colocar a quest\u00e3o\u201d. \u201c\u00c9 bom que se defina objetivos, mas isso estava no acordo de rendimentos. Se quiser rever o acordo de rendimentos e colocar l\u00e1 1.600 euros, for\u00e7a \u2013 ter\u00e1 de negociar, discutir, isso \u00e9 um caminho; agora, atirar n\u00fameros para o ar revela um bocadinho de desnorte em termos de discurso\u201d, conclui o economista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Atingir o sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional de 1.600 euros \u00e9 \u201cinexequ\u00edvel\u201d nesta legislatura, mas \u00e9 poss\u00edvel que tal aconte\u00e7a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":194070,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,476,15,16,14,38899,25,26,21,22,12,13,19,20,32170,32,23,24,33,29521,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-194069","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-economia","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-joao-leao","15":"tag-latest-news","16":"tag-latestnews","17":"tag-main-news","18":"tag-mainnews","19":"tag-news","20":"tag-noticias","21":"tag-noticias-principais","22":"tag-noticiasprincipais","23":"tag-pacote-laboral","24":"tag-portugal","25":"tag-principais-noticias","26":"tag-principaisnoticias","27":"tag-pt","28":"tag-salario-minimo-nacional","29":"tag-top-stories","30":"tag-topstories","31":"tag-ultimas","32":"tag-ultimas-noticias","33":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115743389596010065","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=194069"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194069\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/194070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=194069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=194069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=194069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}