{"id":194204,"date":"2025-12-19T02:45:17","date_gmt":"2025-12-19T02:45:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/194204\/"},"modified":"2025-12-19T02:45:17","modified_gmt":"2025-12-19T02:45:17","slug":"o-pior-cego-e-aquele-que-nao-quer-ver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/194204\/","title":{"rendered":"O pior cego \u00e9 aquele que n\u00e3o quer ver"},"content":{"rendered":"<p>O tema da letargia europeia est\u00e1 cada vez mais saturado. Um facto que apenas serve para provar, uma vez mais, que a abordagem exaustiva de um assunto n\u00e3o implica que seja compreendido, muito menos resolvido. E correndo o risco de aborrecimento, n\u00e3o h\u00e1 como escapar \u00e0 quest\u00e3o.<\/p>\n<p>J. D. Vance veio a Munique em fevereiro do ano passado com uma mensagem clara: o principal problema da Europa n\u00e3o \u00e9 a R\u00fassia, a China ou os Estados Unidos; \u00e9, sim, a sua deriva burocr\u00e1tica e cens\u00f3ria. \u00c0 data escrevi neste espa\u00e7o que o discurso do VP norte-americano deveria <strong>\u00abfor\u00e7ar uma dura autorreflex\u00e3o na c\u00fapula da UE que acredita ser guardi\u00e3 da democracia, mas que se esquece, de forma bastante frequente, que a democracia tem no Estado-na\u00e7\u00e3o, e na sua inerente soberania, um dos seus mais indispens\u00e1veis bal\u00f5es de oxig\u00e9nio\u00bb<\/strong>, independentemente de ter sido encarado como uma afronta ou como uma tentativa de inger\u00eancia. Hoje estamos numa posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel para afirmar que essa autorreflex\u00e3o n\u00e3o aconteceu. A UE decidiu ficar-se pelos rants anti-Trump. \u00c9, de facto, o caminho mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Assim, ao analisar a nova estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a nacional americana, n\u00e3o se pode deixar de sentir uma clara sensa\u00e7\u00e3o de d\u00e9j\u00e0 vu. A primeira farpa \u00e0 Uni\u00e3o Europeia \u00e9 lan\u00e7ada no ponto 1.5 do cap\u00edtulo IV: <strong>\u00abA unidade pol\u00edtica fundamental do mundo \u00e9 e continuar\u00e1 a ser o Estado-na\u00e7\u00e3o\u00bb<\/strong>. <strong>\u00ab\u00c9 natural e justo\u00bb<\/strong>, continua o documento, <strong>\u00abque todas as na\u00e7\u00f5es coloquem os seus interesses em primeiro lugar e protejam a sua soberania\u00bb<\/strong>. Mais, a administra\u00e7\u00e3o americana defende <strong>\u00abos direitos de soberania das na\u00e7\u00f5es, contra as incurs\u00f5es das organiza\u00e7\u00f5es transnacionais mais intrusivas que minam a sua soberania\u00bb<\/strong> e vai tornando o ataque \u00e0 UE cada vez mais expl\u00edcito: <strong>\u00abOpomo-nos \u00e0s restri\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas impostas pelas elites \u00e0s liberdades fundamentais na Europa, na Anglosfera e no resto do mundo democr\u00e1tico, especialmente entre os nossos aliados\u00bb<\/strong>.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 na parte final do documento que a Casa Branca eleva o discurso de Vance em Munique ao estatuto de estrat\u00e9gia nacional. Depois de mencionar o decl\u00ednio econ\u00f3mico das na\u00e7\u00f5es europeias, Washington considera, de forma completamente justificada, que o problema \u00e9 mais profundo: <strong>\u00abeste decl\u00ednio econ\u00f3mico \u00e9 ofuscado pela perspetiva real e mais sombria do desaparecimento da civiliza\u00e7\u00e3o\u00bb<\/strong>. Certo. Porque, e voltando a citar aquilo que escrevi em fevereiro \u2013 um exerc\u00edcio pouco recomend\u00e1vel, mas neste caso inevit\u00e1vel \u2013, <strong>\u00abas mat\u00e9rias econ\u00f3micas e de seguran\u00e7a s\u00f3 podem florescer com uma base cultural e de valores forte\u00bb<\/strong>. O dilema europeu que expus em fevereiro apenas tinha duas op\u00e7\u00f5es de sa\u00edda: ou a Uni\u00e3o Europeia continuava adormecida, ou decidia, por fim, arrega\u00e7ar as mangas. \u00c0 data escrevi que a primeira op\u00e7\u00e3o era a mais prov\u00e1vel. Infelizmente, confirma-se.\u00a0<\/p>\n<p>Por isto, os Estados Unidos \u2013 que, goste-se ou n\u00e3o, s\u00e3o o nosso mais importante e natural aliado \u2013, como qualquer europeu que zele pelos reais interesses do Velho Continente, querem<strong> \u00abque a Europa continue europeia, recupere a sua autoconfian\u00e7a civilizacional e abandone o seu foco falhado na sufoca\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria\u00bb<\/strong>.<\/p>\n<p>Estou ciente de que estas posi\u00e7\u00f5es podem encontrar repouso na enorme tenda \u00e0 qual hoje se d\u00e1 o nome de \u2018euroceticismo\u2019, sobretudo porque est\u00e1 de acordo com algo que Donald Trump disse, quando a maioria da elite bien-pensant se refere \u00e0 Estrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a Nacional americana como uma grande amea\u00e7a para a Europa. Bem, se considerar com preocupa\u00e7\u00e3o que nos transform\u00e1mos num herdeiro imprudente, que corre o risco de deitar fora tudo o que resta da grandeza civilizacional que lhe foi confiada pelos seus antepassados, merece o r\u00f3tulo de euroc\u00e9tico, que assim seja. Mas sugeriria o termo \u2018bruxeloc\u00e9tico\u2019. Porque o afeto pela Europa e a esperan\u00e7a de que pode ser muito mais s\u00e3o inquestion\u00e1veis e o ceticismo reside apenas naqueles que tentam estrangul\u00e1-la. A elite de Bruxelas n\u00e3o est\u00e1 adormecida, nem tampouco est\u00e1 cega. Mas, como costuma dizer-se, o pior cego \u00e9 aquele que n\u00e3o quer ver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O tema da letargia europeia est\u00e1 cada vez mais saturado. 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