{"id":194581,"date":"2025-12-19T10:51:44","date_gmt":"2025-12-19T10:51:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/194581\/"},"modified":"2025-12-19T10:51:44","modified_gmt":"2025-12-19T10:51:44","slug":"japonesa-casa-se-com-noivo-gerado-pelo-chatgpt-e-passa-a-ter-paz-de-espirito-e-felicidade-veja-o-video","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/194581\/","title":{"rendered":"Japonesa casa-se com noivo gerado pelo ChatGPT e passa a ter &#8220;paz de esp\u00edrito e felicidade&#8221; (veja o v\u00eddeo)"},"content":{"rendered":"<p>Para a psic\u00f3loga Ana Cardoso Oliveira, \u00e9 importante come\u00e7ar por enquadrar o local do acontecimento: &#8220;Acho que estas coisas acontecem na \u00c1sia porque aqui as pessoas n\u00e3o t\u00eam lata para isso. N\u00f3s, ocidentais, temos imenso medo do rid\u00edculo e fazemos as coisas mais discretamente&#8221;, come\u00e7a por dizer, lembrando que tamb\u00e9m h\u00e1 pessoas que acreditam ter rela\u00e7\u00f5es significativas com gatos ou c\u00e3es. <\/p>\n<p>E explica: &#8220;As pessoas est\u00e3o t\u00e3o medrosas que acham que <strong>isto \u00e9 uma forma de mudar de estatuto e encontrar conforto.<\/strong> H\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o inteira sem mimetismo social \u2013 o Jap\u00e3o tem um fen\u00f3meno que n\u00e3o existe noutros s\u00edtios, que \u00e9 o facto de a travessia entre a cultura tradicional e uma cultura inovadora n\u00e3o ter mimetismos. Ou seja, \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos todos a experimentar como \u00e9 que vamos ser. E apesar de a grande maioria das pessoas estar dentro daquilo que consideramos serem comportamentos dentro da norma, temos nas franjas pessoas mais diversificadas&#8221;.<\/p>\n<p>E casar com personagens virtuais insere-se nos comportamentos dessas franjas? &#8220;Como estamos a mudar de paradigma, mas o ser humano \u00e9 conservador \u2013 e repare, o casamento \u00e9 algo conservador. Mas eu querer casar-me com uma personagem criada por ChatGPT ou outra coisa qualquer, <strong>\u00e9 como projetar a idealiza\u00e7\u00e3o de uma pessoa, criando algu\u00e9m a minha medida. Um parceiro perfeito.<\/strong> E, portanto, o meu risco \u00e9 nulo. Ao mesmo tempo, assumo mudan\u00e7a de estatuto que me protege de eventuais ass\u00e9dios de pessoas que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o perfeitas&#8221;, continua.<\/p>\n<p>Isto porque, lembra a especialista, uma rela\u00e7\u00e3o entre humanos envolve sempre riscos &#8211; de amar, de sofrer&#8230; &#8220;Temos de pensar que, o que acontece, \u00e9 que h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es inteiras que jogam, atualmente, um jogo em que t\u00eam uma arma perfeita e est\u00e3o \u00e0 conquista de um universo virtual \u00e0 sua medida. E para isso temos de lembrar-nos de que &#8220;h\u00e1 um tempo antes e depois da Covid. O momento em que o planeta nos fechou em casa licenciou a ideia de que estar fechada em casa n\u00e3o tem de ser mau&#8221;, salienta.<\/p>\n<p>Disseram-nos, continua, que &#8220;ir ao encontro do risco era pior do que ficar em casa. Portanto, eu agora estou autorizada a ficar fechada, a n\u00e3o me arriscar. E se eu n\u00e3o tenho est\u00edmulo, as minhas necessidades sexuais e de afeto s\u00e3o muito menores. A ideia de eu ter de conversar, de fazer um esfor\u00e7o para me ajustar a um outro humano desaparece&#8221;, explica.<\/p>\n<p>A ideia, continua a explicar, \u00e9 a mesma em torno dos nossos amores plat\u00f3nicos da adolesc\u00eancia. Os atores, os m\u00fasicos, os famosos que passavam a ser o centro do nosso universo amoroso, ainda que inating\u00edvel:  <strong>&#8220;Quando eu tenho um parceiro perfeito, tenho uma vida segura&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Mas se n\u00e3o corremos o risco de sofrer por amor ou termos de nos ajustar a outro parceiro, isso significa que n\u00e3o existam outros riscos? N\u00e3o propriamente. <\/p>\n<p>O risco \u00e9 &#8220;ficarmos fechados para sempre. \u00c9 evidente que, [nestes casos] fazemos como se fosse um c\u00edrculo \u00e0 nossa volta, que as outras pessoas dificilmente conseguem ultrapassar. Ao ponto de podermos ter quase uma coisa fora do mundo [real]&#8221;, avisa. &#8220;Eu tamb\u00e9m sei que a maioria de n\u00f3s, enquanto seres humanos, usufruiu de uma rela\u00e7\u00e3o com os outros. Eu tb sei que os seres humanos, e que a maior parte de n\u00f3s usufrui da rela\u00e7\u00e3o com os outros&#8221;, portanto se calhar estes comportamentos est\u00e3o apenas a trilhar caminhos. <\/p>\n<p>A Intelig\u00eancia Artificial, refere ainda, est\u00e1 a ser apontada como sendo, para a humanidade, a maior disrup\u00e7\u00e3o desde a descoberta do fogo. Ou seja, podemos estar a chegar ao momento de viragem entre o antes e o depois da sua exist\u00eancia. &#8220;Com o fogo fizemos coisas muito diferentes, desde forjar ferro a comer comida cozinhada, e a poder guard\u00e1-la. Ao princ\u00edpio, no entanto, com certeza que a primeira coisa que fizemos foi queimar coisas&#8221;, diz, divertida. <\/p>\n<p>No fundo, &#8220;neste momento \u00e9 como se fossemos a caminho do expoente m\u00e1ximo desta ideia [do que vamos ser, nesta nova era da IA], e ainda n\u00e3o chegamos l\u00e1. Depois desse expoente h\u00e1-de haver um recuo numa s\u00e9rie de coisas&#8221;. O caminho ainda se vai agravar, antes de voltar para tr\u00e1s, acredita ainda.<\/p>\n<p>E esse agravamento, justifica, &#8220;nota-se no facto de as pessoas terem mais dificuldade em fazer amigos. Porque o n\u00edvel de exig\u00eancia est\u00e1 a aumentar. A pessoa m\u00e9dia tem um amigo para tomar caf\u00e9, para ver futebol, para falar sobre coisas. Mas agora as pessoas querem um amigo perfeito que sirva para tudo. E como n\u00e3o encontram amigos perfeitos, preferem anular&#8221;, diz. Ou seja, &#8220;estamos a reajustar, e estamos num caminho em que as pessoas ainda sentem que o valor seguro \u00e9 estarem protegidas atr\u00e1s da tecnologia&#8221;. Mas n\u00e3o ser\u00e1 assim para sempre, acredita.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, adianta ainda, h\u00e1 outra ideia que muitas vezes sustenta este tipo de op\u00e7\u00e3o: &#8220;N\u00f3s gostamos da ideia de que estamos a descobrir coisas e a contribuir para a mudan\u00e7a da Humanidade. Acredito que esta jovem possa ter pensado &#8216;Eu vou mudar a perspectiva da humanidade em rela\u00e7\u00e3o ao real&#8217;. Agora, o denominador comum n\u00e3o vai ser este&#8221;, acredita.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque, &#8220;como eu e a Margarida sabemos, as pessoas mudam de ideias. E \u00e9 ok mudar de ideias. Portanto, possivelmente \u00e9 isso que vai acontecer&#8221;, conclui. At\u00e9 porque &#8220;as pessoas gostam de risco&#8221;, apesar de todos &#8220;\u00e0s vezes, querermos ir para uma ilha deserta onde ningu\u00e9m nos ma\u00e7a&#8221;, atira com uma gargalhada. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para a psic\u00f3loga Ana Cardoso Oliveira, \u00e9 importante come\u00e7ar por enquadrar o local do acontecimento: &#8220;Acho que estas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":194582,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85],"tags":[1435,642,114,115,933,461,32,33],"class_list":{"0":"post-194581","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-entretenimento","8":"tag-casamento","9":"tag-chatgpt","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-inteligencia-artificial","13":"tag-japao","14":"tag-portugal","15":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115745854950779328","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=194581"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194581\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/194582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=194581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=194581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=194581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}