{"id":194812,"date":"2025-12-19T14:38:16","date_gmt":"2025-12-19T14:38:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/194812\/"},"modified":"2025-12-19T14:38:16","modified_gmt":"2025-12-19T14:38:16","slug":"general-cartaxo-alves-revela-expansao-historica-e-aposta-em-tecnologia-espacial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/194812\/","title":{"rendered":"General Cartaxo Alves revela expans\u00e3o hist\u00f3rica e aposta em tecnologia espacial"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Mas qual \u00e9 o momento ideal para que exista uma decis\u00e3o? Quanto tempo mais \u00e9 que o F-16 aguenta?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de uma quest\u00e3o de \u201caguentar\u201d. Tem a ver com a evolu\u00e7\u00e3o dos sistemas e com o obsoletismo de algumas das capacidades atuais. Estou convicto de que essa decis\u00e3o ir\u00e1 decorrer ao longo do pr\u00f3ximo ano. Neste momento, estamos a trabalhar em paralelo nas duas dimens\u00f5es \u2014 a quinta e a sexta gera\u00e7\u00e3o \u2014 porque, historicamente, a For\u00e7a A\u00e9rea sempre operou com dois avi\u00f5es de defesa a\u00e9rea em simult\u00e2neo, o que \u00e9 normal em praticamente todos os pa\u00edses.<\/p>\n<p>Tivemos um atraso no passado, mas finalmente estamos agora a entrar nos ritmos certos. Estou convencido de que, durante o pr\u00f3ximo ano, teremos novidades sobre a substitui\u00e7\u00e3o dos F-16.<\/p>\n<p><strong>Tem acompanhado o posicionamento do mercado e da ind\u00fastria, nomeadamente a concorr\u00eancia europeia aos fabricantes norte-americanos. O senhor general j\u00e1 afirmou publicamente que o F-35 seria a escolha mais natural. Tendo em conta que, no programa SAFE, o ministro sublinhou que as escolhas foram t\u00e9cnicas e n\u00e3o pol\u00edticas, isso deixa-o mais tranquilo quanto \u00e0 decis\u00e3o que venha a ser tomada?<\/strong><\/p>\n<p>Claro. Vamos ver: compete a um ramo, a uma for\u00e7a militar, identificar a melhor op\u00e7\u00e3o do ponto de vista estritamente militar. Como dizem os anglo-sax\u00f3nicos, the best military option. Cabe \u00e0 For\u00e7a A\u00e9rea dizer qual \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o militar para uma determinada capacidade. Naturalmente, compete depois ao poder pol\u00edtico tomar a decis\u00e3o final, ponderando vantagens, desvantagens e riscos, e decidir se avan\u00e7a ou n\u00e3o por esse caminho.<\/p>\n<p>Penso que existe aqui uma converg\u00eancia de ideias entre as diferentes \u00e1reas. Como j\u00e1 referi, este processo n\u00e3o come\u00e7ou no tempo certo no passado e, por isso, tem agora de ser enquadrado no momento adequado, em articula\u00e7\u00e3o com outros sistemas e com outras capacidades que d\u00e3o sentido a essa op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conhecemos bem o posicionamento muito forte da maioria dos pa\u00edses. Mas tamb\u00e9m temos de considerar fatores como os prazos de entrega, quer das aeronaves de quinta gera\u00e7\u00e3o, quer das de sexta gera\u00e7\u00e3o. Estas op\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o incompat\u00edveis entre si. Se Portugal fizer as coisas corretamente, poderemos ter aeronaves de quinta gera\u00e7\u00e3o e, mais tarde, de sexta gera\u00e7\u00e3o a come\u00e7ar a operar dentro desse horizonte temporal.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos olhar para estas decis\u00f5es numa perspetiva imediatista. Temos sempre de pensar a 20 anos. Os sistemas da For\u00e7a A\u00e9rea s\u00e3o altamente tecnol\u00f3gicos e obrigam-nos a ser vision\u00e1rios, a olhar \u00e0 frente. A sexta gera\u00e7\u00e3o, por exemplo, j\u00e1 incorpora sistemas de energia dirigida. J\u00e1 n\u00e3o estamos a falar apenas de aeronaves que lan\u00e7am m\u00edsseis, mas de tecnologias completamente disruptivas. Temos de pensar nelas hoje \u2014 e j\u00e1 temos pessoas a trabalhar nessas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Isto significa que h\u00e1 um caminho interm\u00e9dio a percorrer e que o essencial \u00e9 a capacita\u00e7\u00e3o das for\u00e7as. Portugal \u00e9, muitas vezes, visto apenas na sua dimens\u00e3o territorial de norte a sul, mas a realidade estrat\u00e9gica \u00e9 outra. A dist\u00e2ncia entre a fronteira a oeste dos A\u00e7ores, para l\u00e1 das Flores, e a fronteira terrestre com Espanha \u00e9 semelhante \u00e0 dist\u00e2ncia entre Lisboa e a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Se olharmos para o espa\u00e7o europeu, para o n\u00famero de sistemas e de aeronaves que nele operam, percebemos que temos de projetar a For\u00e7a A\u00e9rea e as For\u00e7as Armadas para responder aos conflitos do futuro, que tendem a ser cada vez mais regionais. Come\u00e7\u00e1mos com a Ucr\u00e2nia em 2022, temos Israel, conflitos no Mali, na Rep\u00fablica Centro-Africana, tens\u00f5es no Mar da China Meridional entre a China e as Filipinas, e a quest\u00e3o de Taiwan entre os Estados Unidos e a China.<\/p>\n<p>Tudo isto est\u00e1 interligado. Portugal encontra-se no cruzamento das maiores linhas de comunica\u00e7\u00e3o a\u00e9reas e mar\u00edtimas entre os Estados Unidos, a Am\u00e9rica do Sul e a Europa. A nossa \u00e1rea estrat\u00e9gica est\u00e1 no centro dessas rotas e, por isso, temos de dimensionar as for\u00e7as de forma a garantir capacidade de atua\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a ativa naquilo que \u00e9, em primeiro lugar, a soberania nacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mas qual \u00e9 o momento ideal para que exista uma decis\u00e3o? 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