{"id":195841,"date":"2025-12-20T10:08:10","date_gmt":"2025-12-20T10:08:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/195841\/"},"modified":"2025-12-20T10:08:10","modified_gmt":"2025-12-20T10:08:10","slug":"passei-o-vermelho-e-fui-parado-o-portugues-acha-que-e-esperto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/195841\/","title":{"rendered":"\u00abPassei o vermelho e fui parado. O portugu\u00eas acha que \u00e9 esperto&#8230;\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Ao cabo de apenas seis meses no M\u00e9xico, Ricardinho j\u00e1 tem a mala carregada de hist\u00f3rias. Da pacatez a\u00e7oriana \u00e0 confus\u00e3o de Ju\u00e1rez, cidade com 1,5 milh\u00f5es de habitantes, foi chegar, jogar e&#8230; fazer hist\u00f3ria!<\/p>\n<p><strong>\u2014 O Ju\u00e1rez alcan\u00e7ou pela primeira vez os quartos de final do Apertura. Como foi fazer parte desse feito hist\u00f3rico?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 Chegar e vencer logo \u00e9 sempre muito bom. Desde o in\u00edcio disse \u00e0s pessoas de l\u00e1 que ia ser o primeiro portugu\u00eas do clube a chegar \u00e0s eliminat\u00f3rias e ainda bem que isso se concretizou. Ficar na hist\u00f3ria do clube ao fim de seis meses \u00e9 algo que me deixa muito feliz. Agora j\u00e1 sabemos que as expectativas para os pr\u00f3ximos torneios v\u00e3o estar l\u00e1 em cima, mas \u00e9 bom sinal. Estou feliz por este feito e as pessoas do Ju\u00e1rez tamb\u00e9m me ajudaram muito desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Como \u00e9 que a cidade viveu o feito?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 A afici\u00f3n est\u00e1 muito ligada ao clube. Na rua abordam-nos muito. Num dado momento, eles tamb\u00e9m perceberam que a equipa tinha qualidade para chegar longe. Viveram este feito com muita alegria, mesmo no jogo com o Toluca, depois de j\u00e1 termos feito hist\u00f3ria, apoiaram-nos sempre, sabendo que seria muito dif\u00edcil jogar contra o campe\u00e3o. Mas foi uma alegria para a cidade. Deixar o povo do Ju\u00e1rez feliz \u00e9 algo muito especial, porque \u00e9 um povo muito humilde, trabalhador e que nos ajudou sempre.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Que balan\u00e7o faz deste meio ano no M\u00e9xico?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 Positivo, mesmo que n\u00e3o tenha tido os minutos que desejava nesta reta final do torneio. Mas acho que comecei muito bem. Sinto que me adaptei muito bem ao futebol mexicano. Depois, acabei por ter uma quebra, tamb\u00e9m por problemas familiares. Mentalmente foi dif\u00edcil estar longe da minha fam\u00edlia. Num momento familiar mais dif\u00edcil, estar longe e n\u00e3o poder apoiar, a\u00ed senti verdadeiramente o que \u00e9 estar mentalmente em baixo. E achava que, \u00e0s vezes, por n\u00e3o jogar\u2026 Eu costumava dizer que era forte mentalmente, mas quando as coisas acontecem de forma mais dura, percebemos que nem sempre \u00e9 f\u00e1cil. Mas l\u00e1 me consegui levantar um pouco e voltar ao meu n\u00edvel no final do torneio. N\u00e3o consegui fazer os n\u00fameros e os golos que queria. Foram mais os anulados do que os que contaram! Tive dois golos anulados. Um que bateu no poste e nas costas do guarda-redes, por exemplo. Podia ter feito quatro, acabei com um. Mas a experi\u00eancia tem sido muito boa. Todos me receberam muito bem.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Qual o maior choque cultural que encontrou?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 Antes de ir fui pesquisar algumas coisas, claro. Todas as pessoas v\u00e3o com medo, mas, se calhar, o choque foi sentir-me seguro. As pessoas v\u00e3o com o p\u00e9 atr\u00e1s, mas, nos seis meses em que estive l\u00e1, nunca vi um crime, um assalto&#8230; Estive sempre muito tranquilo. E as pessoas s\u00e3o muito am\u00e1veis, sempre prontas a ajudar. A minha mulher e a minha filha andam na rua e v\u00e3o ao supermercado sem qualquer problema. Em termos de perigo, como \u00e9 tantas vezes falado, tem sido muito tranquilo. E claro, temos o picante na comida. A\u00ed \u00e9 preciso algum cuidado [risos]. N\u00e3o sou grande amante de picante e temperam bastante a comida\u2026 Abusam um bocadinho. Mas a comida \u00e9 muito boa e isso tamb\u00e9m ajudou na integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u2014 N\u00e3o t\u00eam de andar de carro blindado na rua? Ju\u00e1rez \u00e9 considerada uma das cidades mais perigosas do Mundo\u2026<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 Como em qualquer lugar do mundo, h\u00e1 s\u00edtios a que n\u00e3o deves ir ou que n\u00e3o deves frequentar. Ou seja, n\u00e3o deves ir ao encontro do perigo. Mas a maior parte dos jogadores vive em condom\u00ednios fechados, onde \u00e9 tudo tranquilo. Carros blindados, que tenha visto, s\u00f3 de pol\u00edticos com mais nome. Eu nunca senti essa necessidade. Se for mais ao centro de Ju\u00e1rez, vejo um n\u00edvel de pobreza mais elevado. Pessoas a vender coisas na rua, a fazerem coisas nos sem\u00e1foros para tentarem receber algum dinheiro&#8230; Talvez tenha sido esse o lado que me deixou mais triste. Mas, no fundo, sinto que \u00e9 um povo muito feliz, mesmo n\u00e3o tendo as melhores condi\u00e7\u00f5es. E isso tamb\u00e9m me leva a tentar ajudar um pouco. Quando sabem que \u00e9s jogador, abordam-te de uma maneira muito amig\u00e1vel porque gostam muito do clube.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Algum epis\u00f3dio mais curioso ou caricato para contar?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 H\u00e1 um que aconteceu uns tr\u00eas meses depois de chegar ao M\u00e9xico, num domingo de manh\u00e3, a ir para o treino. H\u00e1 alguns pol\u00edcias malandros, l\u00e1 [risos]. No M\u00e9xico, em alguns sem\u00e1foros, se n\u00e3o vierem carros no sentido contr\u00e1rio, podes passar mesmo estando vermelho. Mas nesse dia, logo a sair de casa, havia um sem\u00e1foro que eu n\u00e3o podia passar nessas condi\u00e7\u00f5es, havia sinaliza\u00e7\u00e3o. O t\u00edpico portugu\u00eas acha que \u00e9 esperto\u2026 [risos] N\u00e3o estava ningu\u00e9m na estrada e avancei. Uns 200 metros \u00e0 frente, vejo o pol\u00edcia a dar a volta e mandar-me parar. Eu at\u00e9 estava com o Madson [ex-Moreirense], que tamb\u00e9m jogou em Portugal. \u00abO senhor avan\u00e7ou o vermelho\u00bb, disse-me. Eu perguntei se n\u00e3o era daqueles vermelhos em que podia passar\u2026 \u00c0 portugu\u00eas, a tentar n\u00e3o levar multa. Pedi desculpa, tinha chegado h\u00e1 pouco tempo e acabei a dizer que era jogador dos bravos. E pronto, ele acabou por me dizer que n\u00e3o podia voltar a repetir, mas at\u00e9 me pediu uma foto! \u00abBom treino\u00bb e deixou-me avan\u00e7ar. Foi a primeira experi\u00eancia desagrad\u00e1vel na estrada.<\/p>\n<p><strong>\u2014 No fim de contas, n\u00e3o lhe passou a multa&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 Quando mandam parar, por vezes temos que lhes dar uns 200 ou 400 pesos, o que acaba por ser 10 euros. \u00c9 uma realidade muito diferente. Mas tamb\u00e9m nos ajudam muito. Por sermos jogadores dos bravos de Ju\u00e1rez, eles facilitam um pouco. Mas esse sinal vermelho&#8230; Eu at\u00e9 liguei aos meus pais. Se passarmos um vermelho em Portugal, n\u00e3o temos hip\u00f3tese. O tr\u00e2nsito \u00e9 ca\u00f3tico em Ju\u00e1rez, temos de ter algum cuidado. Mas acabamos por n\u00e3o passar muito tempo na rua. Tentamos sempre estar mais por casa a descansar, mais tranquilos. Mas com os pol\u00edcias \u00e9 assim, eles tentam sempre arranjar qualquer coisinha para tentar multar de uma forma ou de outra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ao cabo de apenas seis meses no M\u00e9xico, Ricardinho j\u00e1 tem a mala carregada de hist\u00f3rias. 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