{"id":195872,"date":"2025-12-20T10:52:10","date_gmt":"2025-12-20T10:52:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/195872\/"},"modified":"2025-12-20T10:52:10","modified_gmt":"2025-12-20T10:52:10","slug":"como-seria-uma-nave-mais-veloz-que-a-luz-segundo-a-ciencia-seria-como-a-enterprise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/195872\/","title":{"rendered":"Como seria uma nave mais veloz que a luz? Segundo a ci\u00eancia, seria como a Enterprise"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/fastcompanybrasil.com\/autor\/jesus-diaz\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Jesus Diaz<\/a><\/p>\n<p>5 minutos de leitura\t<\/p>\n<p>A USS Enterprise era um sonho imposs\u00edvel moldado em fibra de vidro. Criada para o seriado &#8220;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Star_Trek_(s%C3%A9rie_original)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Jornada nas Estrelas<\/a>&#8221; (veiculado pela primeira vez entre 1966 e 1969), parecia uma nave sa\u00edda diretamente da imagina\u00e7\u00e3o de seu criador, Gene Roddenberry: dois naceles \u2013 aqueles longos e reluzentes pods de propuls\u00e3o sustentados por elegantes pylons \u2013 estendiam-se a partir de um disco central, abrigando os motores que permitiam ao capit\u00e3o Kirk e sua tripula\u00e7\u00e3o viajar pelo cosmos.<\/p>\n<p>Dentro desses naceles, imaginavam os criadores da s\u00e9rie, estava o segredo que tornava essas viagens poss\u00edveis: um motor de dobra capaz de enrugar o pr\u00f3prio espa\u00e7o-tempo, comprimindo o universo \u00e0 frente da nave e expandindo-o atr\u00e1s dela, permitindo deslocamentos mais r\u00e1pidos que a luz n\u00e3o pela velocidade, mas pela geometria.<\/p>\n<p>Por d\u00e9cadas, f\u00edsicos descartaram a ideia como um belo absurdo \u2013 um del\u00edrio de designers de cen\u00e1rios. Mas agora a matem\u00e1tica finalmente alcan\u00e7ou o sonho.<\/p>\n<p>Harold \u201cSonny\u201d White, engenheiro mec\u00e2nico e especialista em f\u00edsica aplicada que trabalhou em conceitos de motor de dobra no Laborat\u00f3rio de F\u00edsica de Propuls\u00e3o Avan\u00e7ada da NASA, publicou um <a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.1088\/1361-6382\/ae237a\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">artigo<\/a> revisado por pares na prestigiosa revista &#8220;Classical and Quantum Gravity&#8221;. Nele, prop\u00f5e um novo projeto de motor de dobra que, por coincid\u00eancia, se parece muito com a Enterprise.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/velocidade-da-luz_nave-espacial_Enterprise_1.webp.webp\" alt=\"nave espacial Enterprise, do seriado \" jornada=\"\" nas=\"\" estrelas=\"\" class=\"wp-image-246572\"\/>Enterprise da s\u00e9rie original &#8220;Jornada nas Estrelas&#8221; (Cr\u00e9dito: Netflix)<\/p>\n<p>Quando White e seus colegas chegaram a um desenho capaz de curvar o espa\u00e7o-tempo sem colocar a tripula\u00e7\u00e3o em risco, a geometria ideal que emergiu foi a de dois pods de propuls\u00e3o dispostos ao redor de uma zona central habit\u00e1vel. Ou seja: a Enterprise.<\/p>\n<p>Talvez isso aconte\u00e7a porque existam apenas algumas formas pelas quais a f\u00edsica permite organizar energia ex\u00f3tica de maneira eficiente. Os designers de produ\u00e7\u00e3o de &#8220;Jornada nas Estrelas&#8221;, guiados apenas pela intui\u00e7\u00e3o e pela est\u00e9tica dos anos 1960, podem ter chegado por acaso a uma solu\u00e7\u00e3o rara e pr\u00f3xima do ideal.<\/p>\n<p>\u00c9 como se algu\u00e9m tivesse desenhado o carro perfeito em 1920 sem saber nada sobre aerodin\u00e2mica \u2013 e, um s\u00e9culo depois, a f\u00edsica dissesse: \u201cna verdade, voc\u00ea estava certo\u201d.<\/p>\n<p><strong><strong>O MOTOR DE DOBRA<\/strong><\/strong><\/p>\n<p>Segundo White e seus colegas, o modelo matem\u00e1tico original de um motor de dobra imaginava uma nave envolta por um anel cont\u00ednuo de energia negativa, uma forma bizarra de mat\u00e9ria que funciona como a gravidade ao contr\u00e1rio, empurrando o espa\u00e7o em vez de atra\u00ed-lo.<\/p>\n<p>Esse modelo foi proposto em 1994 pelo f\u00edsico Miguel Alcubierre, depois de assistir a epis\u00f3dios de &#8220;Jornada nas Estrelas&#8221; e se perguntar se a ci\u00eancia poderia realmente funcionar.<\/p>\n<p>A geometria te\u00f3rica permitiria que um objeto se deslocasse mais r\u00e1pido que a luz ao deformar o espa\u00e7o ao seu redor, mas a ideia trazia problemas quase insol\u00faveis para qualquer engenheiro que tentasse constru\u00ed-la.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o de White foi mais simples. Em vez de tentar fazer funcionar o anel cont\u00ednuo de Alcubierre, ele formulou outra pergunta: e se o anel de energia fosse dividido em tubos separados, como pods de propuls\u00e3o, organizados ao redor da nave?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/velocidade-da-luz_nave-espacial_Enterprise_3.jpg\" alt=\"nave espacial Enterprise, do seriado \" jornada=\"\" nas=\"\" estrelas=\"\" a=\"\" nova=\"\" gera=\"\" class=\"wp-image-246576\"\/>A Enterprise do seriado &#8220;Jornada nas Estrelas &#8211; A Nova Gera\u00e7\u00e3o&#8221; (Cr\u00e9dito: Netflix)<\/p>\n<p>Essa pequena mudan\u00e7a geom\u00e9trica \u2013 de um anel cont\u00ednuo para m\u00faltiplos cilindros \u2013 altera completamente o comportamento da f\u00edsica dentro da chamada bolha de dobra. A matem\u00e1tica se torna administr\u00e1vel. O interior da nave pode permanecer plano e seguro. As for\u00e7as perigosas ficam confinadas aos naceles, longe da tripula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados deste estudo sugerem uma nova classe de geometrias para bolhas de dobra\u201d, explica White. Ao organizar a mat\u00e9ria ex\u00f3tica nesses pods espec\u00edficos, engenheiros poderiam, em teoria, manter um interior completamente est\u00e1vel e calmo, enquanto a geometria externa lida com a violenta deforma\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p> Os designers de produ\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie podem ter chegado, por acaso, a uma solu\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima do ideal.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Viajar mais r\u00e1pido que a luz continua sendo uma possibilidade te\u00f3rica \u2013 ainda que plaus\u00edvel \u2013, dependendo de fatores como a produ\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel necess\u00e1rio para isso. Se algum dia acontecer, ser\u00e1 algo distante, talvez a muitas gera\u00e7\u00f5es de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Ainda assim, o artigo de White oferece um projeto matem\u00e1tico com implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para design e engenharia. Se um dia for constru\u00eddo, seu conceito resultar\u00e1 em algo muito parecido com a nave favorita de gera\u00e7\u00f5es de f\u00e3s de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p><strong><strong><strong>CI\u00caNCIA INSPIRADA NA FIC\u00c7\u00c3O<\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n<p>A lista de tecnologias fict\u00edcias que hoje fazem parte do cotidiano \u00e9 t\u00e3o longa que chega a ser exaustiva. Algumas levam poucos anos para se tornarem reais; outras demoram d\u00e9cadas entre o sonho e o dispositivo.<\/p>\n<p>Em 1945, Arthur C. Clarke publicou um artigo t\u00e9cnico propondo sat\u00e9lites geoestacion\u00e1rios para retransmiss\u00e3o de comunica\u00e7\u00f5es. Dezenove anos depois, o sat\u00e9lite Syncom 3, da NASA, transmitiu os Jogos Ol\u00edmpicos de T\u00f3quio para os Estados Unidos, cumprindo a profecia. Clarke tamb\u00e9m teorizou as velas solares em seu conto de 1964, \u201cSunjammer\u201d.<\/p>\n<p>Muito antes disso, em 1933, H.G. Wells imaginou chamadas de v\u00eddeo em telas de vidro no livro &#8220;A forma das coisas que vir\u00e3o: o estado mundial e a era da frustra\u00e7\u00e3o&#8221; (&#8220;The Shape of Things to Come&#8221;). Foram necess\u00e1rios 87 anos para que a era do Zoom nos deixasse cansados delas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/velocidade-da-luz_nave-espacial_Enterprise_4.webp.webp\" alt=\"dr. McCoy, da s\u00e9rie \" jornada=\"\" nas=\"\" estrelas=\"\" examina=\"\" um=\"\" paciente=\"\" class=\"wp-image-246594\"\/>&#8220;Jornada nas Estrelas&#8221; previu o escaneamento para fins m\u00e9dicos (Cr\u00e9dito: Netflix)<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que isso acontece com &#8220;Jornada nas Estrelas&#8221;. A s\u00e9rie apresentou ideias que, muitas d\u00e9cadas depois, se transformaram em designs e tecnologias que ajudaram a impulsionar a humanidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas portas autom\u00e1ticas, mas telefones celulares, tablets com tela sens\u00edvel ao toque, interfaces digitais, assistentes de IA ativados por voz, dispositivos de escaneamento m\u00e9dico e realidade virtual.<\/p>\n<p>&#8220;Jornada nas Estrelas&#8221; n\u00e3o apenas previu o futuro: tornou-se o modelo que engenheiros efetivamente seguiram para projet\u00e1-lo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"\" alt=\"\"\/><\/p>\n<p>SOBRE O AUTOR<\/p>\n<p>  <a href=\"https:\/\/fastcompanybrasil.com\/autor\/jesus-diaz\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><\/p>\n<p class=\"description\">Jesus Diaz fundou o novo Sploid para a Gawker Media depois de sete anos trabalhando no Gizmodo. \u00c9 diretor criativo, roteirista e produ&#8230; saiba mais<\/p>\n<p><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jesus Diaz 5 minutos de leitura A USS Enterprise era um sonho imposs\u00edvel moldado em fibra de vidro.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":195873,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-195872","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115751521325703704","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195872","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=195872"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195872\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/195873"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=195872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=195872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=195872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}