{"id":196047,"date":"2025-12-20T14:01:55","date_gmt":"2025-12-20T14:01:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/196047\/"},"modified":"2025-12-20T14:01:55","modified_gmt":"2025-12-20T14:01:55","slug":"um-filme-irresistivel-para-os-cinefilos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/196047\/","title":{"rendered":"Um filme irresist\u00edvel para os cin\u00e9filos\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>Nouvelle vague narra Godard num conturbado set de filmagens, em busca de algo nada modesto: criar outras formas de expressar o real por meio de som e imagem. Os di\u00e1logos s\u00e3o frases de efeito ditas de fato e, sem presun\u00e7\u00e3o, obra furta-se a emular a linguagem do cineasta franc\u00eas<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"888\" height=\"464\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Screenshot-2025-12-18-at-17-46-08-1150536-1820297.avif-imagem-AVIF-888-\u00d7-464-pixels.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3128780\"  \/><\/p>\n<p>          Boletim Outras Palavras<\/p>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<p>          Agradecemos!<\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/z3h6l4\" width=\"1\" height=\"1\" style=\"max-width:1px;max-height:1px;visibility:hidden;padding:0;margin:0;display:block\" alt=\".\" border=\"0\"\/><\/p>\n<p>Por<strong> Jos\u00e9 Geraldo Couto<\/strong>, no <a href=\"https:\/\/ims.com.br\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Blog do IMS<\/a><\/p>\n<p>Fico sempre com um p\u00e9 atr\u00e1s diante de filmes que buscam reconstituir \u201cfatos reais\u201d e\/ou retratar figuras hist\u00f3ricas conhecidas. Esse \u00edmpeto mim\u00e9tico tende a apequenar o pr\u00f3prio cinema, reduzindo-o a uma fun\u00e7\u00e3o meramente ilustrativa. O filme passa a ser avaliado por sua capacidade de imitar caninamente o real: \u201cOlha como o ator fulano est\u00e1 igualzinho ao sicrano que ele interpreta\u201d.<\/p>\n<p>Dito isso, vamos a\u00a0Nouvelle vague, o filme de Richard Linklater que retrata os bastidores da produ\u00e7\u00e3o de\u00a0O acossado (1960), de Jean-Luc Godard, marco do cinema moderno e uma das obras fundadoras da\u2026 Nouvelle vague.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"Prancheta 4\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Prancheta-4.png\" alt=\"\"   width=\"680\" height=\"250\" style=\"display: inline-block;\"\/><\/a><\/p>\n<p>Vemos ali, em a\u00e7\u00e3o, a personalidade efervescente e imprevis\u00edvel de Godard (Guillaume Marbeck), \u00e0s voltas com um produtor duro na queda (Georges de Beauregard, encarnado por Bruno Dreyf\u00fcrst), uma equipe atarantada e duas estrelas de personalidades d\u00edspares (Jean Seberg\/Zoey Deutch e Jean-Paul Belmondo\/Aubry Dullin). A miss\u00e3o nada modesta da trupe: subverter o cinema convencional e criar uma nova forma (ou novas formas) de expressar o real por meio de som e imagem.<\/p>\n<p><strong>Nosso fetichismo<\/strong><\/p>\n<p>A despeito do que foi dito no primeiro par\u00e1grafo, \u00e9 for\u00e7oso dizer que se trata de um filme irresist\u00edvel para os cin\u00e9filos (entre os quais me incluo), talvez por conta de certo desejo fetichista de estar ali, no epicentro de uma revolu\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, pol\u00edtica e moral. E nos deixamos levar prazerosamente por essa onda, que o pr\u00f3prio Godard maduro ironizaria invertendo a frase. \u201cUne vague nouvelle\u201d, disse ele, transformando o adjetivo em substantivo e vice-versa: uma vaga novidade.<\/p>\n<p>Assim, o filme nos leva n\u00e3o apenas aos sets de filmagem, mas tamb\u00e9m \u00e0 reda\u00e7\u00e3o dos\u00a0Cahiers du cin\u00e9ma, \u00e0s conversas com \u00eddolos como Rossellini e Bresson, aos caf\u00e9s e ruas do Quartier Latin, numa reconstitui\u00e7\u00e3o cuidadosa expressa num preto e branco que mimetiza a imagem do filme original, cujo frescor, ali\u00e1s, segue inc\u00f3lume.<\/p>\n<p>Para que n\u00e3o se quebre o encanto, praticamente todos os di\u00e1logos s\u00e3o frases de efeito ditas de fato em alguma ocasi\u00e3o, ou expressam de modo did\u00e1tico as transgress\u00f5es buscadas por Godard. E aqui h\u00e1 um paradoxo: fala-se, por exemplo, do\u00a0faux-raccord\u00a0e dos cortes no interior do plano, mas o filme de Linklater n\u00e3o os pratica em nenhum momento, resignando-se a uma decupagem essencialmente convencional, \u201cinvis\u00edvel\u201d. \u00c9 um filme cl\u00e1ssico celebrando um filme moderno.<\/p>\n<p><strong>Truffaut, o ex-amigo<\/strong><\/p>\n<p>Tudo somado, \u00e9 uma obra a ser vista e comentada, um bom desfecho para o ano cinematogr\u00e1fico. Para os espectadores paulistanos, o lan\u00e7amento vem com um b\u00f4nus consider\u00e1vel: o Cinesesc programou uma <a href=\"https:\/\/www.sescsp.org.br\/projetos\/truffaut-por-completo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">mostra completa da obra de Fran\u00e7ois Truffaut.<\/a><\/p>\n<p>Um complemento ou contraponto mais que interessante seria o document\u00e1rio\u00a0Godard, Truffaut e a Nouvelle vague\u00a0(2010), de Emmanuel Laurent e Antoine de Baecque, dispon\u00edvel em DVD da Imovision. Ali se investiga mais a fundo essa espinhosa amizade\/inimizade criativa que sacudiu a hist\u00f3ria do cinema.<\/p>\n<p>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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