{"id":196369,"date":"2025-12-20T20:03:21","date_gmt":"2025-12-20T20:03:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/196369\/"},"modified":"2025-12-20T20:03:21","modified_gmt":"2025-12-20T20:03:21","slug":"crescimento-imparavel-das-renovaveis-e-o-avanco-de-2025-para-a-revista-science-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/196369\/","title":{"rendered":"Crescimento \u201cimpar\u00e1vel\u201d das renov\u00e1veis \u00e9 o avan\u00e7o de 2025 para a revista Science | Energia"},"content":{"rendered":"<p>O \u201ccrescimento aparentemente impar\u00e1vel das energias renov\u00e1veis\u201d em todo o mundo foi considerado o Avan\u00e7o do Ano de 2025 para a revista cient\u00edfica Science, um reconhecimento que coloca a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica ao lado de marcos hist\u00f3ricos como a descoberta do bos\u00e3o de Higgs, em 2012, ou o desenvolvimento da vacina contra a covid-19, em 2020, sendo a primeira vez que um progresso no sector da energia recebe esta distin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A atribui\u00e7\u00e3o do galard\u00e3o Breakthrough of the Year fundamenta-se num ano de viragem em que as energias solar e e\u00f3lica superaram, pela primeira vez, o carv\u00e3o na matriz energ\u00e9tica global, alcan\u00e7ando 34,3% de participa\u00e7\u00e3o na gera\u00e7\u00e3o de electricidade mundial face aos 33,1% do combust\u00edvel f\u00f3ssil no primeiro semestre de 2025.<\/p>\n<p>Este marco foi impulsionado por um aumento de 64% nas instala\u00e7\u00f5es solares a n\u00edvel mundial durante a primeira metade do ano, permitindo que as renov\u00e1veis cobrissem sozinhas todo o crescimento da procura global por electricidade nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rios da Ag\u00eancia Internacional de Energia refor\u00e7am esta tend\u00eancia, ao projectar que a capacidade renov\u00e1vel aumente quase 4600GW at\u00e9 2030, um valor que representa o dobro da expans\u00e3o registada nos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n<p>Op\u00e7\u00e3o mais econ\u00f3mica<\/p>\n<p>A Science destaca que as tecnologias limpas deixaram de ser apenas uma meta te\u00f3rica ou uma possibilidade para se tornarem uma op\u00e7\u00e3o real \u2014 mais pr\u00e1tica, econ\u00f3mica e acelerada \u2014 para a descarboniza\u00e7\u00e3o da economia global, trazendo tamb\u00e9m competitividade.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 versatilidade e \u00e0 sua natureza modular, descreve a publica\u00e7\u00e3o, as tecnologias renov\u00e1veis promovem a auto-sufici\u00eancia energ\u00e9tica n\u00e3o s\u00f3 dos pa\u00edses, mas tamb\u00e9m de pequenas cooperativas, empresas e comunidades locais.<\/p>\n<p>A facilidade de instalar sistemas de pequena escala, como pain\u00e9is solares em telhados, tornou-se uma solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel e econ\u00f3mica para levar electricidade a zonas remotas, em particular no Sul Global, garantindo seguran\u00e7a energ\u00e9tica e baixos custos a milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Esta flexibilidade permite que estas popula\u00e7\u00f5es deixem de estar dependentes da importa\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis e de infra-estruturas centralizadas, passando a gerir de forma aut\u00f3noma os seus pr\u00f3prios recursos.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7a chinesa<\/p>\n<p>A China \u00e9 destacada como l\u00edder desta mudan\u00e7a de paradigma no sistema energ\u00e9tico global, respons\u00e1vel por quase 60% do crescimento global. O pa\u00eds domina a produ\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is solares, turbinas e\u00f3licas e baterias de l\u00edtio, tendo conseguido tornar estas tecnologias as mais baratas do planeta.<\/p>\n<p>Em contraste com o avan\u00e7o chin\u00eas, os Estados Unidos enfrentam o que a Science classifica como um retrocesso pol\u00edtico e econ\u00f3mico sob a administra\u00e7\u00e3o Trump. O Governo norte-americano tem optado por incentivar a explora\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis em propriedades federais e retirar apoios financeiros \u00e0 mobilidade el\u00e9ctrica.<\/p>\n<p>Segundo o editorial da revista, os EUA est\u00e3o a desperdi\u00e7ar a oportunidade de capitalizar tecnologias que o pr\u00f3prio pa\u00eds ajudou a inventar, perdendo poder geopol\u00edtico e receitas de exporta\u00e7\u00e3o num momento em que a procura global por energia limpa dispara.<\/p>\n<p>Esta diverg\u00eancia pol\u00edtica \u00e9 vis\u00edvel, por exemplo, no que toca \u00e0 intelig\u00eancia artificial (IA), que tem intensificado a necessidade de uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica acelerada, devido ao elevado consumo de energia dos centros de dados necess\u00e1ria para o seu funcionamento. Enquanto as directrizes norte-americanas privilegiam o uso de energias convencionais para alimentar centros de dados, com o prolongamento do tempo de vidas das centrais a carv\u00e3o, outras regi\u00f5es apostam em fontes limpas para sustentar esta tecnologia.<\/p>\n<p>O dom\u00ednio chin\u00eas na cadeia de abastecimento tem gerado tens\u00f5es geopol\u00edticas que podem dificultar a coopera\u00e7\u00e3o internacional, mas a Science considera que o impacto ambiental directo da expans\u00e3o das renov\u00e1veis j\u00e1 abrandou o crescimento das emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa, aproximando o mundo do pico de carbono.<\/p>\n<p>Transi\u00e7\u00e3o justa<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina e na regi\u00e3o das Cara\u00edbas, o cen\u00e1rio \u00e9 positivo, com 17% da electricidade a ser gerada por fontes e\u00f3licas e solares, o que supera a m\u00e9dia mundial. A energia hidroel\u00e9ctrica representa uma fatia de 41% da gera\u00e7\u00e3o de electricidade nestes pa\u00edses, contribuindo significativamente para que apresente baixas emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa. V\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o assumiram compromissos para atingirem 80% de renov\u00e1veis at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>Alguns desafios estruturais e estrangulamentos cr\u00edticos continuam a existir, como a necessidade urgente de adapta\u00e7\u00e3o das redes el\u00e9ctricas e o armazenamento de energia em larga escala. Estas solu\u00e7\u00f5es ser\u00e3o fundamentais para gerir a intermit\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o solar e e\u00f3lica. A transi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem sido dificultada pela persist\u00eancia do carv\u00e3o como fonte de apoio em muitos pa\u00edses, assim como pela complexidade t\u00e9cnica de electrificar sectores industriais pesados.<\/p>\n<p>Outros estudos t\u00eam chamado a aten\u00e7\u00e3o para o facto de esta mudan\u00e7a de paradigma energ\u00e9tico ter de ser uma transi\u00e7\u00e3o justa, j\u00e1 que a distribui\u00e7\u00e3o massiva de infra-estruturas tem custos sociais e ecol\u00f3gicos significativos que n\u00e3o podem ser ignorados. Al\u00e9m disso, a depend\u00eancia de materiais como o l\u00edtio, o cobalto e terras raras levanta n\u00e3o apenas quest\u00f5es geopol\u00edticas, mas tamb\u00e9m preocupa\u00e7\u00f5es graves com os direitos humanos e os impactos ambientais em comunidades locais e ind\u00edgenas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O \u201ccrescimento aparentemente impar\u00e1vel das energias renov\u00e1veis\u201d em todo o mundo foi considerado o Avan\u00e7o do Ano de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":196370,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[785,27,28,109,786,476,10588,2270,5040,235,15,16,14,933,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,2272,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-196369","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-azul","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-ciencia","12":"tag-combustiveis-fosseis","13":"tag-economia","14":"tag-electricidade","15":"tag-energia","16":"tag-energia-eolica","17":"tag-estados-unidos","18":"tag-featured-news","19":"tag-featurednews","20":"tag-headlines","21":"tag-inteligencia-artificial","22":"tag-latest-news","23":"tag-latestnews","24":"tag-main-news","25":"tag-mainnews","26":"tag-mundo","27":"tag-news","28":"tag-noticias","29":"tag-noticias-principais","30":"tag-noticiasprincipais","31":"tag-principais-noticias","32":"tag-principaisnoticias","33":"tag-renovaveis","34":"tag-top-stories","35":"tag-topstories","36":"tag-ultimas","37":"tag-ultimas-noticias","38":"tag-ultimasnoticias","39":"tag-world","40":"tag-world-news","41":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=196369"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196369\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/196370"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=196369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=196369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=196369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}