{"id":197164,"date":"2025-12-21T14:52:21","date_gmt":"2025-12-21T14:52:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/197164\/"},"modified":"2025-12-21T14:52:21","modified_gmt":"2025-12-21T14:52:21","slug":"chamam-lhe-o-deus-da-visao-o-legado-nao-e-apenas-a-recuperacao-dos-doentes-e-o-exercito-de-medicos-que-formou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/197164\/","title":{"rendered":"Chamam-lhe o &#8220;Deus da vis\u00e3o&#8221;. O legado n\u00e3o \u00e9 apenas a recupera\u00e7\u00e3o dos doentes, \u00e9 o ex\u00e9rcito de m\u00e9dicos que formou"},"content":{"rendered":"<p>\t                O oftalmologista Sanduk Ruit encontrou uma maneira de tratar as cataratas com tecnologia acess\u00edvel em todo o mundo e com custos baixos. J\u00e1 recuperou a vis\u00e3o mais de 100 mil pessoas que habitualmente n\u00e3o t\u00eam capacidade para aceder a este tipo de tratamentos<\/p>\n<p>Para muitos dos seus pacientes, o dr. Sanduk Ruit \u00e9 conhecido como o \u201cDeus da Vis\u00e3o\u201d pois, numa carreira de mais de quatro d\u00e9cadas, \u00e9-lhe atribu\u00edda a recupera\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o de mais de 100.000 pessoas.<\/p>\n<p>Agora, o oftalmologista e cirurgi\u00e3o ocular de renome mundial tem um projeto para o futuro que espera poder fazer do seu pa\u00eds natal, o Nepal, um dos l\u00edderes mundiais na inova\u00e7\u00e3o dos cuidados oculares. O Instituto de Oftalmologia Tilganga &#8211; que fundou h\u00e1 cerca de 30 anos em Katmandu, no Nepal, para prestar servi\u00e7os de cuidados oftalmol\u00f3gicos e produzir lentes de substitui\u00e7\u00e3o de baixo custo para os doentes com cataratas a quem foram removidas cirurgicamente as suas lentes naturais &#8211; espera expandir o seu alcance.<\/p>\n<p>O instituto j\u00e1 produziu quase 7 milh\u00f5es de lentes intra-oculares (LIOs), destinadas a comunidades marginalizadas em mais de 40 pa\u00edses da \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica do Sul. Agora, Sanduk Ruit planeia construir uma nova unidade de fabrico em Hetauda, no Nepal, para satisfazer a crescente procura global de LIOs. As novas instala\u00e7\u00f5es poder\u00e3o duplicar a produ\u00e7\u00e3o atual de 300.000 lentes por ano.<\/p>\n<p>  <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"402\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766328737_544_600.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>    O Instituto Tilganga em Katmandu, Nepal (DR: Projeto Cure Blindness\/ CNN) <\/p>\n<p>Ruit espera que este modelo de cuidados oftalmol\u00f3gicos sustent\u00e1veis e econ\u00f3micos se possa estender para al\u00e9m das fronteiras do seu pa\u00eds. Na sua perspetiva, se as prioridades forem mantidas &#8211; em termos de garantia de qualidade e sustentabilidade &#8211; os pa\u00edses que o mundo considera \u201cem desenvolvimento\u201d podem tornar-se atores importantes na inova\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n<p>\u201cSe eu conseguir que esta produ\u00e7\u00e3o (de lentes) seja bem sucedida aqui, posso faz\u00ea-la em qualquer parte do mundo\u201d, disse \u00e0 <a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2025\/12\/14\/health\/nepal-sanduk-ruit-eye-surgeon-spc\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">CNN <\/a>atrav\u00e9s de uma videochamada.<\/p>\n<p>A origem de um nome <\/p>\n<p>Um dia depois de ter operado um cami\u00e3o cheio de doentes na Indon\u00e9sia, h\u00e1 17 anos, Sanduk Ruit\u00a0 regressou ao local para lhes retirar as ligaduras. Uma mulher, com cerca de 60 anos, tinha ficado cega devido a cataratas. Quando lhe tiraram as ligaduras, n\u00e3o se conteve. Come\u00e7ou a saltar e a gritar, querendo claramente dizer algo ao m\u00e9dico numa l\u00edngua que ele n\u00e3o falava.<\/p>\n<p>Um volunt\u00e1rio traduziu: \u201cTu \u00e9s o Deus da Vis\u00e3o que veio para me devolver a vis\u00e3o\u201d, recorda Ruit.<\/p>\n<p>A alcunha foi apanhada pela imprensa internacional e rapidamente se espalhou. Ruit, de 71 anos, acha que \u00e9 bom ouvir isso, mas sente que \u00e9 um fardo, diz. O fardo de continuar a trabalhar para ajudar mais pessoas em todo o mundo.<\/p>\n<p>O in\u00edcio <\/p>\n<p>Enquanto jovem m\u00e9dico na d\u00e9cada de 1980, ap\u00f3s uma forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica intensiva em oftalmologia em Nova Deli, na \u00cdndia, Ruit apercebeu-se de uma defici\u00eancia no sistema de sa\u00fade nepal\u00eas. As cirurgias tradicionais \u00e0s cataratas que existiam na altura eram demoradas e, quando a lente natural turva do doente era removida, n\u00e3o era substitu\u00edda por uma lente artificial.<\/p>\n<p>Os doentes eram obrigados a usar \u00f3culos de lentes grossas para corrigir a extrema falta de vis\u00e3o com que muitas vezes ficavam. Sem os \u00f3culos, eram funcionalmente cegos.<\/p>\n<p>  <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766328740_338_600.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>    O cirurgi\u00e3o oftalmol\u00f3gico Sanduk Ruit descansa durante a caminhada at\u00e9 \u00e0 sua aldeia natal, Olangchung Gola, no Nepal, a 6 de mar\u00e7o de 2023. (Sebastien Berger\/AFP\/Getty Images\/Arquivo) <\/p>\n<p>Ruit pensou em como os \u00f3culos grossos seriam pouco pr\u00e1ticos para as pessoas que caminhavam diariamente pelas montanhas do Nepal e como as cirurgias demoradas limitavam o n\u00famero de doentes que podiam ser tratados. &#8220;Por isso, costumava imaginar: como \u00e9 que posso trazer a cirurgia que est\u00e1 dispon\u00edvel em Nova Iorque e Londres para esta parte do mundo?\u201d<\/p>\n<p>O jovem m\u00e9dico enfrentou dois grandes obst\u00e1culos. Em primeiro lugar, a necessidade de uma t\u00e9cnica cir\u00fargica simplificada que pudesse ser executada rapidamente em ambientes variados e, em segundo lugar, uma lente de substitui\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica cir\u00fargica <\/p>\n<p>O padr\u00e3o da ind\u00fastria na d\u00e9cada de 1980 n\u00e3o funcionaria para os pacientes que Ruit queria ajudar. No Ocidente, estava a ser desenvolvida e aperfei\u00e7oada uma nova t\u00e9cnica que utilizava ondas ultra-s\u00f3nicas para quebrar a lente turva, permitindo que os detritos fossem aspirados atrav\u00e9s de uma pequena incis\u00e3o. \u201cEstava fora de quest\u00e3o para mim\u201d, devido ao dispendioso equipamento necess\u00e1rio, explicou \u00e0 CNN.<\/p>\n<p>  <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766328740_715_600.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>    Sanduk Ruit examina o olho de um paciente ap\u00f3s uma cirurgia num campo de cataratas em Tapethok, Nepal, a 5 de mar\u00e7o de 2023 (Sebastien Berger\/AFP\/Getty Images\/Arquivo) <\/p>\n<p>Limitado tamb\u00e9m pelos ambientes diversos em que operava, Ruit concentrou-se antes em aperfei\u00e7oar a t\u00e9cnica que era popular no mundo em desenvolvimento. O problema era que essas cirurgias exigiam frequentemente suturas e demoravam mais tempo a cicatrizar. O m\u00e9dico conseguiu, ent\u00e3o, diminuir significativamente o tamanho da incis\u00e3o para remover a lente danificada, bem como o tempo necess\u00e1rio. Garante que a sua t\u00e9cnica pode ser usada em apenas 10 minutos.<\/p>\n<p>Juntamente com acad\u00e9micos norte-americanos, Sanduk Ruit foi, em 2006, o autor de um estudo que concluiu que o seu m\u00e9todo era t\u00e3o eficaz como a alternativa ocidental, mas era tamb\u00e9m \u201csignificativamente mais r\u00e1pido, menos dispendioso e menos dependente da tecnologia\u201d.<\/p>\n<p>Foco na acessibilidade <\/p>\n<p>Na altura, as LIOs custavam cerca de 150 d\u00f3lares cada &#8211; demasiado caras para Ruit e para os seus doentes. Por isso, ele e um amigo, o oftalmologista neozeland\u00eas-australiano Fred Hallows &#8211; com quem Ruit teve forma\u00e7\u00e3o e trabalhou na Austr\u00e1lia no final dos anos 80 &#8211; decidiram fabric\u00e1-las no Nepal.<\/p>\n<p>Foi um longo processo: angariar fundos, construir as instala\u00e7\u00f5es e quatro anos de tentativas e erros, mas o Instituto Tilganga come\u00e7ou a produzir LIOs em 1994. No in\u00edcio, eram vendidas a 50 d\u00f3lares, depois a 10 d\u00f3lares. Atualmente, s\u00e3o vendidas por menos de 4 d\u00f3lares (3,4 euros).<\/p>\n<p>&#8220;E estas (lentes) n\u00e3o foram todas para os olhos de pessoas ricas, mas para pessoas marginalizadas que de outra forma n\u00e3o as poderiam pagar, diz Ruit.<\/p>\n<p>  <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766328741_356_600.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>    Equipamento no Instituto de Oftalmologia de Tilganga em Katmandu, Nepal. Projeto (DR: Cure Blindness\/ CNN) <\/p>\n<p>O plano de Ruit <\/p>\n<p>O m\u00e9dico fundou uma s\u00e9rie de empresas e organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos que deram continuidade a esta miss\u00e3o. O Cure Blindness Project, por exemplo, com escrit\u00f3rios nos EUA e no Nepal, j\u00e1 rastreou e operou 19 milh\u00f5es de pacientes em todo o mundo.<\/p>\n<p>Aqueles que trabalham com Sanduk Ruit sentem imediatamente a sua dedica\u00e7\u00e3o e simpatia. Durante um evento de sensibiliza\u00e7\u00e3o nas zonas rurais do Nepal, Emily Newick, diretora de opera\u00e7\u00f5es do Cure Blindness Project, elogiou a rela\u00e7\u00e3o entre Ruit e todos os envolvidos no projeto, desde os motoristas e cozinheiros aos estagi\u00e1rios e cirurgi\u00f5es. \u201cEle estava profundamente envolvido com todos \u00e0 sua volta\u201d, disse Emily Newick por email \u00e0 CNN.<\/p>\n<p>Partilhar as suas compet\u00eancias <\/p>\n<p>Depois de ter dedicado quase quatro d\u00e9cadas da sua vida a esta causa, Ruit v\u00ea o seu futuro a mudar. Espera afastar-se do seu papel de gestor no Instituto Tilganga e passar mais tempo com a sua fam\u00edlia. Segundo ele, nada se compara \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de ver a alegria que a recupera\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o traz aos seus doentes. No entanto, no futuro quer concentrar-se nas suas outras paix\u00f5es, a orienta\u00e7\u00e3o e o ensino.<\/p>\n<p>  <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766328741_356_600.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>    Ruit examina os olhos de um paciente atrav\u00e9s de um microsc\u00f3pio enquanto realiza uma opera\u00e7\u00e3o para remover cataratas no Tilganga Eye Center em Katmandu, Nepal, a 25 de abril de 2012 (Navesh Chitrakar\/Reuters\/Arquivo) <\/p>\n<p>Sanduk Ruit viajou para muitos pa\u00edses para ensinar as suas t\u00e9cnicas, e o impacto j\u00e1 \u00e9 vis\u00edvel. Lembra-se de receber uma encomenda do Vietname anos depois de ter ensinado nesse pa\u00eds. Quando o abriu, encontrou um bilhete e uma estatueta de um cavalo de m\u00e1rmore lindamente esculpido. A nota dizia simplesmente que o cavalo tinha sido esculpido por um doente que o aluno tinha operado. \u201cOs vossos alunos permitem-vos multiplicar o vosso efeito em todo o mundo\u201d, disse Ruit. \u201cDe milhares, a centenas de milhares, a milh\u00f5es.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O oftalmologista Sanduk Ruit encontrou uma maneira de tratar as cataratas com tecnologia acess\u00edvel em todo o mundo&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":197165,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[609,2642,611,27,28,39433,5953,607,608,2646,2641,2644,610,2645,2643,981,15,16,14,2648,25,26,5409,39434,570,21,22,2647,62,11875,12,13,19,20,12224,23,24,117,1030,216,2649,17,18,29,30,31,2640,63,64,65],"class_list":{"0":"post-197164","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alerta","9":"tag-amor","10":"tag-ao-minuto","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-cataratas","14":"tag-cirurgia","15":"tag-cnn","16":"tag-cnn-portugal","17":"tag-conselhos","18":"tag-covid-19","19":"tag-dicas","20":"tag-direto","21":"tag-especialistas","22":"tag-estudos","23":"tag-familia","24":"tag-featured-news","25":"tag-featurednews","26":"tag-headlines","27":"tag-hospitais","28":"tag-latest-news","29":"tag-latestnews","30":"tag-lentes","31":"tag-lios","32":"tag-live","33":"tag-main-news","34":"tag-mainnews","35":"tag-medicos","36":"tag-mundo","37":"tag-nepal","38":"tag-news","39":"tag-noticias","40":"tag-noticias-principais","41":"tag-noticiasprincipais","42":"tag-oftalmologia","43":"tag-principais-noticias","44":"tag-principaisnoticias","45":"tag-saude","46":"tag-saude-mental","47":"tag-sexo","48":"tag-sns","49":"tag-top-stories","50":"tag-topstories","51":"tag-ultimas","52":"tag-ultimas-noticias","53":"tag-ultimasnoticias","54":"tag-vida-saudavel","55":"tag-world","56":"tag-world-news","57":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197164","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=197164"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197164\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/197165"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=197164"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=197164"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=197164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}