{"id":198128,"date":"2025-12-22T09:23:09","date_gmt":"2025-12-22T09:23:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/198128\/"},"modified":"2025-12-22T09:23:09","modified_gmt":"2025-12-22T09:23:09","slug":"planta-japonesa-atrai-moscas-com-cheiro-de-formiga-morta-22-12-2025-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/198128\/","title":{"rendered":"Planta japonesa atrai moscas com cheiro de formiga morta &#8211; 22\/12\/2025 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/toquio\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">T\u00f3quio<\/a> descobriu que uma planta t\u00edpica do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/japao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Jap\u00e3o<\/a> imita o odor de formigas feridas ou mortas por aranhas para atrair uma esp\u00e9cie de mosca que serve como polinizadora.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.cell.com\/current-biology\/abstract\/S0960-9822(25)01126-1\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">estudo <\/a>conduzido pelo professor Ko Mochizuki saiu em outubro deste ano na revista <a href=\"https:\/\/www.cell.com\/current-biology\/home\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Current Biology<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 a primeira vez que s\u00e3o encontradas evid\u00eancias de formigas como modelo de mimetiza\u00e7\u00e3o, e o achado pode contribuir para o entendimento da adapta\u00e7\u00e3o sensorial com fins reprodutivos.<\/p>\n<p>A mosca atra\u00edda \u00e9 cleptoparasita \u2013rouba restos de alimentos capturados por outro predador. Quando a Vincetoxicum nakaianum, um tipo de erva japonesa, libera o cheiro da ca\u00e7a, as moscas pousam nas folhas pensando encontrar a presa abatida. Depois, v\u00e3o embora levando, para al\u00e9m da frustra\u00e7\u00e3o, o p\u00f3len do vegetal.<\/p>\n<p>Mochizuki conta que \u00e9 dif\u00edcil identificar esse mecanismo por causa da diversidade ecol\u00f3gica. Existem esp\u00e9cies que simulam frutas, por exemplo. Agora, imitar formigas machucadas por aranhas \u00e9 muito espec\u00edfico.<\/p>\n<p>&#8220;O primeiro obst\u00e1culo \u00e9 que analisar os aromas florais \u00e9 complicado&#8221;, conta o docente. &#8220;\u00c9 preciso usar cromatografia gasosa-espectrometria de massas (GC\u2013MS), que n\u00e3o foi amplamente introduzida no campo da ecologia. H\u00e1 tamb\u00e9m o obst\u00e1culo de adquirir um equipamento t\u00e3o caro. Tive a sorte de superar isso porque uma doa\u00e7\u00e3o generosa me permitiu adquirir um GC-MS para o meu laborat\u00f3rio.&#8221;<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o \u00e9 que, como explica o bot\u00e2nico, nem sequer era conhecido que moscas cleptoparasitas consumiam formigas. &#8220;Quando vi moscas clorop\u00eddeas reunindo-se nos esp\u00e9cimes de Vincetoxicum nakaianum, comecei a suspeitar que as flores pudessem estar imitando algum tipo de inseto ferido.&#8221;<\/p>\n<p>Tanto \u00e9 que a descoberta \u00e9 fruto do acaso. O estudioso pesquisava outra coisa quando reparou a frequ\u00eancia constante de mosquinhas. &#8220;Por\u00e9m, n\u00e3o importa o quanto eu observava, n\u00e3o conseguia identificar os polinizadores, o que me deixou perdido.&#8221;<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que decidiu testar o experimento. &#8220;No ano seguinte, observei muitas moscas clorop\u00eddeas visitando as flores da V. nakaianum que floresciam no jardim bot\u00e2nico. Essa observa\u00e7\u00e3o fortuita marcou o come\u00e7o da minha pesquisa.&#8221;<\/p>\n<p>Para isso, foram feitas an\u00e1lises qu\u00edmicas dos aromas florais. Mas foi imposs\u00edvel, em um primeiro momento, provar que as pr\u00f3prias formigas servem como potenciais recursos alimentares para essas moscas. Al\u00e9m disso, na revis\u00e3o por pares foi apontado que n\u00e3o havia sido demonstrado se os clorop\u00eddeos polinizadores eram realmente cleptoparasitas.<\/p>\n<p>Acontece que inexistia bibliografia sobre a rela\u00e7\u00e3o notada. Mochizuki precisou recorrer a v\u00eddeos de amadores nas redes sociais. Ele combinava palavras-chave como &#8220;aranha&#8221;, &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/formiga\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">formiga<\/a>&#8221; e &#8220;moscas&#8221; para encontrar registros fotogr\u00e1ficos. &#8220;A experi\u00eancia me mostrou que para compreender complexas rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas \u00e9 essencial consultar pesquisas sistem\u00e1ticas de cientistas profissionais, mas tamb\u00e9m as observa\u00e7\u00f5es de amadores. Ambos jogam um importante papel revelando a vida escondida das flores&#8221;, afirmou ele.<\/p>\n<p>&#8220;Para preencher essas lacunas, recorri a recursos online, como blogs e redes sociais. No Jap\u00e3o, h\u00e1 uma forte comunidade de entusiastas de insetos, e muitos amadores publicam observa\u00e7\u00f5es detalhadas. Gra\u00e7as a esse contexto cultural, consegui acessar informa\u00e7\u00f5es cruciais que formaram uma parte importante da l\u00f3gica do meu artigo.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma pesquisa da Universidade de T\u00f3quio descobriu que uma planta t\u00edpica do Jap\u00e3o imita o odor de formigas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":198129,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[4614,109,107,108,5775,236,24041,3534,461,39539,23427,3536,9767,32,33,105,103,104,106,110,20829,3062],"class_list":{"0":"post-198128","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-biologia","9":"tag-ciencia","10":"tag-ciencia-e-tecnologia","11":"tag-cienciaetecnologia","12":"tag-ecologia","13":"tag-folha","14":"tag-formigas","15":"tag-insetos","16":"tag-japao","17":"tag-mosca","18":"tag-odor","19":"tag-pesquisa-cientifica","20":"tag-planta","21":"tag-portugal","22":"tag-pt","23":"tag-science","24":"tag-science-and-technology","25":"tag-scienceandtechnology","26":"tag-technology","27":"tag-tecnologia","28":"tag-toquio","29":"tag-universidade"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115762495684076107","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=198128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198128\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/198129"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=198128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=198128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=198128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}