{"id":198271,"date":"2025-12-22T11:40:08","date_gmt":"2025-12-22T11:40:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/198271\/"},"modified":"2025-12-22T11:40:08","modified_gmt":"2025-12-22T11:40:08","slug":"gelatina-o-negocio-que-cresce-sem-tremer-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/198271\/","title":{"rendered":"Gelatina, o neg\u00f3cio que cresce sem tremer em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>        Com um mercado nacional acima dos 100 milh\u00f5es de euros e crescimento a dois d\u00edgitos, o ingrediente mais simples da despensa torna-se estrat\u00e9gico para v\u00e1rias ind\u00fastrias.    <\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, a gelatina parece um produto simples, quase infantil. Mas por detr\u00e1s das cores vibrantes e da textura tremelicante, esconde-se um neg\u00f3cio s\u00f3lido \u2014 e em crescimento. Em Portugal, o mercado da gelatina gerou cerca de 107 milh\u00f5es de euros em 2024 e dever\u00e1 aproximar-se dos 200 milh\u00f5es de euros at\u00e9 2030, segundo a Grand View Research, o que corresponde a uma taxa m\u00e9dia de crescimento anual superior a 11,2%. Embora represente apenas cerca de 1,7% do mercado global, Portugal tem vindo a consolidar a sua posi\u00e7\u00e3o no contexto europeu, impulsionado pela procura nos setores alimentar, farmac\u00eautico e cosm\u00e9tico.<\/p>\n<p>O crescimento \u00e9 impulsionado por tr\u00eas grandes motores: Alimenta\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de sobremesas, confeitaria e produtos processados. Depois, a ind\u00fastria farmac\u00eautica, atrav\u00e9s da procura por c\u00e1psulas, suplementos e medicamentos de f\u00e1cil absor\u00e7\u00e3o. A cosm\u00e9tica tamb\u00e9m ocupa uma parcela importante, afinal o colag\u00e9nio est\u00e1 na moda, seja em cremes ou s\u00e9runs, valorizando a gelatina como ingrediente funcional. Al\u00e9m disso, os produtos prontos a consumir continuam presentes na maioria dos lares portugueses, refor\u00e7ando o car\u00e1cter tradicional deste ingrediente.<\/p>\n<p><strong>Quem compra mais e quem vende mais?<\/strong><\/p>\n<p>O pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 um grande produtor, mas assume um papel interm\u00e9dio nas cadeias de valor. Segundo o Report Linker, as importa\u00e7\u00f5es dever\u00e3o atingir 3,4 milh\u00f5es de quilos at\u00e9 2026, enquanto as exporta\u00e7\u00f5es, embora mais modestas, mant\u00eam destinos diversificados, como S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, Tanz\u00e2nia e Estados Unidos. A integra\u00e7\u00e3o nos mercados europeus e a efici\u00eancia log\u00edstica ajudam a explicar esta posi\u00e7\u00e3o. A mesma fonte diz ainda que o pa\u00eds ocupa uma posi\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia nos rankings globais de consumo, ficando atr\u00e1s de pot\u00eancias como Alemanha, Reino Unido e B\u00e9lgica, mas beneficiando de fortes cadeias de distribui\u00e7\u00e3o europeias e da integra\u00e7\u00e3o em mercados regionais.<\/p>\n<p>No mercado nacional, operam marcas hist\u00f3ricas como a Condi Alimentar, pioneira nas gelatinas sem a\u00e7\u00facar, a Solibom, especializada em gelatina em folhas, ou a F\u00e1brica Lusitana, detentora da marca Branca de Neve. S\u00e3o exemplos de um setor tradicional que tem sabido adaptar-se, ainda que de forma gradual. A n\u00edvel global, o estudo TBRC, Gelatin Global Market Report 2025\u20132034 aponta que o valor da gelatina dever\u00e1 ultrapassar os 3,4 mil milh\u00f5es de euros at\u00e9 2029, crescendo a uma CAGR de cerca de 7%. A Europa Ocidental lidera a n\u00edvel regional e os Estados Unidos dominam a n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p><strong>De que \u00e9 feita a gelatina?<\/strong><\/p>\n<p>Em termos de mat\u00e9rias-primas, a gelatina de pele de porco domina, representando cerca de 45% do mercado global, enquanto a fun\u00e7\u00e3o de estabilizador \u00e9 a mais relevante em aplica\u00e7\u00f5es industriais, respondendo por 46% do valor do mercado global. Alimenta\u00e7\u00e3o e bebidas continuam a ser o principal destino, com cerca de 57% do mercado global, o que confirma que a gelatina n\u00e3o \u00e9 apenas \u201cuma sobremesa colorida\u201d, mas um ingrediente funcional estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>Apesar de existirem alternativas vegetais \u2014 \u00e0 base de algas, por exemplo \u2014, a gelatina de origem animal domina o consumo em Portugal, sobretudo proveniente de colag\u00e9nio bovino e su\u00edno. Algumas marcas nacionais oferecem op\u00e7\u00f5es veganas, mas os n\u00fameros de quota de mercado destas alternativas n\u00e3o s\u00e3o claros publicamente, revela a Nutrip\u00e9dia.<\/p>\n<p>At\u00e9 2029, espera-se que os segmentos mais promissores sejam a gelatina de pele de porco, aplica\u00e7\u00f5es como estabilizador e setor alimentar e de bebidas. Em conjunto, estes segmentos dever\u00e3o gerar mais de 1,7 mil milh\u00f5es de euros em valor adicional no mercado global, refletindo a diversifica\u00e7\u00e3o das aplica\u00e7\u00f5es da gelatina. Com um crescimento anual s\u00f3lido, importa\u00e7\u00f5es em expans\u00e3o e exporta\u00e7\u00f5es promissoras, a gelatina prova que, \u00e0s vezes, o que parece inst\u00e1vel pode ser economicamente s\u00f3lido.<\/p>\n<p><strong>Desafios estruturais<\/strong><\/p>\n<p>Apesar do crescimento, o setor enfrenta desafios estruturais. Dados da Business Research Insights revelam que a mudan\u00e7a nos h\u00e1bitos de consumo, a prefer\u00eancia por r\u00f3tulos mais simples e a procura por certifica\u00e7\u00f5es como halal (certifica\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica), kosher (certifica\u00e7\u00e3o de acordo com as regras alimentares judaicas) ou n\u00e3o OGM (que n\u00e3o cont\u00eam alimentos geneticamente modificados) est\u00e3o a pressionar os produtores a inovar. Estima-se que quase um ter\u00e7o dos consumidores privilegie este tipo de garantias. Tend\u00eancia que come\u00e7a a refletir-se tamb\u00e9m em segmentos portugueses mais exigentes.<\/p>\n<p>As alternativas existem, mas ainda s\u00e3o marginais. A gelatina de peixe, por exemplo, representa apenas 4% do mercado, enquanto as de origens bovina e su\u00edna continuam a dominar. Ainda assim, cerca de 22% dos fabricantes j\u00e1 introduziram solu\u00e7\u00f5es de origem marinha, sinal de que a moderniza\u00e7\u00e3o, embora lenta, est\u00e1 em curso.<\/p>\n<p>Num setor onde tradi\u00e7\u00e3o e funcionalidade caminham lado a lado, a gelatina prova que at\u00e9 os produtos mais simples podem esconder neg\u00f3cios robustos \u2014 desde que saibam adaptar-se a um consumidor cada vez mais exigente. Sem fazer tremer os lucros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com um mercado nacional acima dos 100 milh\u00f5es de euros e crescimento a dois d\u00edgitos, o ingrediente mais&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":198272,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,89,90,39560,42,13220,32,33],"class_list":{"0":"post-198271","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-economy","10":"tag-empresas","11":"tag-gelatina","12":"tag-mercado","13":"tag-negocio","14":"tag-portugal","15":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115763034404196033","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=198271"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198271\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/198272"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=198271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=198271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=198271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}