{"id":198574,"date":"2025-12-22T15:58:13","date_gmt":"2025-12-22T15:58:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/198574\/"},"modified":"2025-12-22T15:58:13","modified_gmt":"2025-12-22T15:58:13","slug":"aldeia-cabo-verdiana-convive-com-navio-naufragado-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/198574\/","title":{"rendered":"Aldeia cabo-verdiana convive com navio naufragado \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>O Pentalina B est\u00e1 naufragado h\u00e1 onze anos e meio perto de Moia Moia, na costa leste da ilha de Santiago, em Cabo Verde, e a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 se habitou a conviver com o navio defunto e os curiosos.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas chegam c\u00e1 e perguntam: onde est\u00e1 o <strong>Pentalina<\/strong>? N\u00f3s mostramos o caminho, eles tiram fotografias e at\u00e9 j\u00e1 vieram artistas para fazer v\u00eddeos\u201d, explica Fl\u00e1vio Carvalho, 29 anos, residente na aldeia, trabalhador agr\u00edcola e da constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os residentes tamb\u00e9m costumam passear pelos destro\u00e7os: \u201cVamos l\u00e1, entramos, passeamos dentro do navio, tomamos banho no mar, ao lado, fazemos piqueniques. Para n\u00f3s, pode ficar ali, porque atrai muitos turistas\u201d. \u201cAs pessoas chegam aqui porque viram na Internet e v\u00e3o dizendo umas \u00e0s outras\u201d, descreve.<\/p>\n<p>Mas Fl\u00e1vio reconhece que, com o passar dos anos, a ferrugem, a estrutura corro\u00edda e o casco arrancado por desconhecidos tornam o Pentalina \u201cmais perigoso, porque est\u00e1 a cair\u201d.<\/p>\n<p>Da aldeia at\u00e9 ao barco, o percurso \u00e9 feito de carro, em modo o todo-o-terreno, <strong>durante uns 10 minutos<\/strong> \u2014 ou numa caminhada a p\u00e9 de cerca de <strong>meia-hora<\/strong>.<\/p>\n<p>Quem ali habita, como Vanilson, jovem de 15 anos, com a sua bicicleta, sabe as coordenadas, para evitar valas ou outras surpresas. Hoje \u00e9 ele que vai \u00e0 frente.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a \u00faltima curva, o <strong>Pentalina <\/strong>salta \u00e0 vista: \u00e9 uma gigante carca\u00e7a com 74 metros de comprimento por 13 de largura, com diferentes andares que acolhiam passageiros e largas \u00e1reas para carga e ve\u00edculos.<\/p>\n<p>Os registos dispon\u00edveis na Internet mostram que o navio foi constru\u00eddo na Esc\u00f3cia, na d\u00e9cada de 1970, onde serviu como \u201c<strong>ferry<\/strong>\u201d entre v\u00e1rias ilhas do pa\u00eds, at\u00e9 ser substitu\u00eddo e vendido para uma empresa que fazia liga\u00e7\u00f5es interilhas em Cabo Verde.<\/p>\n<p>Numa dessas liga\u00e7\u00f5es, em 05 de junho de 2014, quando j\u00e1 se aproximava da capital, Praia, o navio encalhou, durante a noite, no local onde hoje se encontra.<\/p>\n<p>Levava carga e 85 pessoas a bordo e todas foram retiradas da embarca\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s um valente susto, com um estrondo na escurid\u00e3o que inclinou o navio, um epis\u00f3dio retratado ao longo do tempo em v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Maria Moreira, 69 anos, moradora em Moia Moia, lembra-se bem daquela noite. \u201cUm senhor que mora mais na ponta da aldeia \u00e9 que nos avisou. Encontr\u00e1mos pessoas a chorar, com crian\u00e7as. Os que conseguiram, come\u00e7aram a saltar, Lev\u00e1mos roupa, demos apoio\u201d at\u00e9 chegar \u201cajuda da cidade da Praia\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Depois do naufr\u00e1gio, foi improvisada uma estrada e uma rampa, com terra e pedras do local, para remover toda a carga: as aplica\u00e7\u00f5es na Internet com hist\u00f3rico de imagens de sat\u00e9lite mostram a evolu\u00e7\u00e3o do s\u00edtio.<\/p>\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o locais deram conta de dilig\u00eancias para tentar remover, reparar e colocar o Pentalina B de novo ao servi\u00e7o, mas o que est\u00e1 \u00e0 vista s\u00e3o destro\u00e7os corro\u00eddos e largos peda\u00e7os de chapa arrancada \u2014 cortes recentes, que n\u00e3o surgiam em v\u00eddeos publicados no YouTube, em 2021, por exemplo.<\/p>\n<p>Na noite do naufr\u00e1gio, \u201cajud\u00e1mos as pessoas a sair, havia muita gente\u201d, lembra Jo\u00e3o Fonseca, 59 anos. \u201cNo momento, deviam t\u00ea-lo retirado dali\u201d, ao navio, mas agora \u00e9 indiferente, diz: \u201cde vez em quando, chegam pessoas para tirar fotografias e n\u00f3s tamb\u00e9m l\u00e1 vamos pescar, ver como est\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Um casal espanhol aproxima-se do barco. Deixaram o carro na aldeia e caminharam, acompanhados por uma pessoa com quem estabeleceram contacto na Internet e que conhece o caminho para o Pentalina.<\/p>\n<p>\u201cEstamos a passar uma semana na ilha de Santiago, \u00e0 procura de s\u00edtios que n\u00e3o tenham turismo massificado e vimos este na Internet. Parece-nos muito interessante, sobretudo pela paisagem. \u00c9 impressionante estarmos aqui sozinhos\u201d, descreve Rodrigo Vasquez. \u201cVamos nos aproximar o m\u00e1ximo poss\u00edvel\u201d, descreve o jovem de 24 anos, a caminho do Pentalina.<\/p>\n<p>A Lusa tentou obter informa\u00e7\u00e3o adicional sobre a situa\u00e7\u00e3o do navio junto das autoridades cabo-verdianas, nomeadamente atrav\u00e9s do Instituto Mar\u00edtimo Portu\u00e1rio (IMP), mas n\u00e3o obteve respostas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Pentalina B est\u00e1 naufragado h\u00e1 onze anos e meio perto de Moia Moia, na costa leste da&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":198575,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,2714,1814,15,16,14,39590,25,26,186,21,22,62,12,13,19,20,23,24,58,17,18,1456,1064,29,30,31,1080,63,64,65],"class_list":{"0":"post-198574","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-cabo-verde","11":"tag-escapadinhas","12":"tag-featured-news","13":"tag-featurednews","14":"tag-headlines","15":"tag-insu00f3lito","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-lifestyle","19":"tag-main-news","20":"tag-mainnews","21":"tag-mundo","22":"tag-news","23":"tag-noticias","24":"tag-noticias-principais","25":"tag-noticiasprincipais","26":"tag-principais-noticias","27":"tag-principaisnoticias","28":"tag-sociedade","29":"tag-top-stories","30":"tag-topstories","31":"tag-turismo","32":"tag-u00c1frica","33":"tag-ultimas","34":"tag-ultimas-noticias","35":"tag-ultimasnoticias","36":"tag-viagens","37":"tag-world","38":"tag-world-news","39":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115764048888553151","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198574","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=198574"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198574\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/198575"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=198574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=198574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=198574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}