{"id":200393,"date":"2025-12-23T22:46:21","date_gmt":"2025-12-23T22:46:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/200393\/"},"modified":"2025-12-23T22:46:21","modified_gmt":"2025-12-23T22:46:21","slug":"secil-a-cimenteira-centenaria-vai-ter-novos-donos-espanhois-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/200393\/","title":{"rendered":"Secil, a cimenteira centen\u00e1ria vai ter novos donos espanh\u00f3is \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Cinco anos mais tarde, em 1930, a 18 de junho, a Companhia Geral de Cal e Cimento e a Secil eram fusionadas, dando origem \u00e0 Secil \u2013 Companhia Geral de Cal e Cimento, Lda. E, assim, \u00e9 dada \u201cforma jur\u00eddica definitiva a uma atividade industrial que j\u00e1 decorria na zona do Out\u00e3o desde pelo menos 1904\u201d, escrevia-se, em 2010, numa breve hist\u00f3ria da Secil numa revista da empresa.<\/p>\n<p>A empresa tinha acionistas portugueses mas tamb\u00e9m s\u00f3cios dinamarqueses \u2014 a F.L. Smidth e a Hojgaard &amp; Schultz \u2014 o que a livrou, em 1974, da nacionaliza\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<p>\u201cA funda\u00e7\u00e3o da empresa, nos termos em que foi efetuada, entre empres\u00e1rios nacionais e empresas dinamarquesas que ent\u00e3o constru\u00edam o Porto de Set\u00fabal, foi um ato de confian\u00e7a no futuro, uma vez que estes empreendedores anteviram o enorme potencial geol\u00f3gico e log\u00edstico que aquela localiza\u00e7\u00e3o encerrava, compreendendo a necessidade de produ\u00e7\u00e3o nacional de um bem essencial ao conforto, seguran\u00e7a e patrim\u00f3nio das popula\u00e7\u00f5es \u2013 o cimento Portland \u2013 cujo consumo era, em 1930, de apenas 17 quilos por habitante e que atingiu o seu m\u00e1ximo hist\u00f3rico de 1.101 quilos no ano de 2001\u201d, descreve a mesma publica\u00e7\u00e3o da Secil.<\/p>\n<p>Em outubro de 1931 era, ent\u00e3o, posto em funcionamento o novo forno rotativo. \u00c9 o come\u00e7o da nova vida da f\u00e1brica que passava a ter uma capacidade de 46 mil toneladas.<\/p>\n<p>Foi igualmente no rescaldo da I Guerra Mundial que se iniciou a constru\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica da Maceira-Liz. Decorreu de 1919 a 1923. Nascia, assim em Maceira, a 13 quil\u00f3metro de Leiria, pela m\u00e3o de dois empres\u00e1rios \u2014 Jos\u00e9 Os\u00f3rio da Rocha e Mello e Henrique Ara\u00fajo Sommer. A explora\u00e7\u00e3o de pedreiras n\u00e3o era novidade na zona. Remontam ao s\u00e9culo XIX as ra\u00edzes da ind\u00fastria cimenteira naquela regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cJo\u00e3o Henriques Teixeira Guedes, natural de Minde, estudou bem o tipo de pedra existente em Maceira, fazendo-se acompanhar de t\u00e9cnicos e, entre eles, de um engenheiro franc\u00eas. Ap\u00f3s an\u00e1lises laboratoriais em Lisboa e na Alemanha, de que recolheu as melhores informa\u00e7\u00f5es, decidiu fundar uma empresa de cimentos no s\u00edtio da G\u00e2ndara junto dos jazigos de pedra, em 1891. A sociedade Guedes &amp; Lopes que formou com Frederico de Sequeira Lopes, residente em Lisboa, foi dissolvida, mas Jo\u00e3o Guedes n\u00e3o desistiu. Mediante contrato de arrendamento, Jo\u00e3o Guedes montou na G\u00e2ndara a sua \u00abFabrica de Cimentos de Maceira\u00bb, \u2018cimentos naturaes\u2019 tipo Portland, cal-cimento e cal hidr\u00e1ulica\u201d, segundo uma <a href=\"https:\/\/freguesiademaceira.pt\/conteudos\/industria-cimenteira\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">informa\u00e7\u00e3o<\/a> da Junta de Freguesia de Maceira que ainda d\u00e1 conta de outro projeto de Jo\u00e3o Luiz de Souza, que \u201cmontou uma f\u00e1brica de cimentos na cave da sua casa, com moinhos movidos pela \u00e1gua da ribeira que por ali passava, n\u00e3o longe da Quinta do Para\u00edso\u201d, para onde a f\u00e1brica de G\u00e2ndara se tinha mudado.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Luiz de Souza e Jo\u00e3o Henriques Guedes ter\u00e3o formado uma sociedade cimenteira, ao fusionarem as duas empresas. A sociedade resultado foi vendida, em 1928, a Henrique Sommer. Conta-se ainda no site da Junta de Freguesia que o empres\u00e1rio, no entanto, \u201cn\u00e3o honrou os seus compromissos\u201d com o explodir da crise econ\u00f3mica de 1929. \u201c\u00c9 a pouca sorte!\u201d, ter\u00e1 dito Henrique Sommer deixando assim a justifica\u00e7\u00e3o para que a unidade passasse a ser conhecida como a \u201cF\u00e1brica da Pouca-Sorte\u201d. Sommer n\u00e3o entrou no neg\u00f3cio nessa altura, mas mais tarde com Rocha e Mello fazem, ent\u00e3o, o projeto da Empresa de Cimentos Liz.<\/p>\n<p>Como se escreve <a href=\"https:\/\/24noticias.sapo.pt\/vida\/artigos\/um-arrabalde-de-utopia-ou-a-historia-de-uma-ideia-revolucionaria-que-mudou-a-maceira-leiria-e-portugal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">num artigo publicado no Sapo<\/a>, \u201cos dois fundadores do projeto t\u00eam pap\u00e9is distintos na hist\u00f3ria. Henrique Sommer traz o dinheiro, o jovem engenheiro civil Jos\u00e9 Os\u00f3rio da Rocha e Mello traz a ideia e o saber fazer, nomeadamente com o que tinha visto no pa\u00eds onde ir\u00e1 mais tarde buscar oper\u00e1rios qualificados, a Alemanha\u201d. Houve que construir um bairro habitacional para os trabalhadores e um ramal ferrovi\u00e1rio para permitir o transporte de cimento.<\/p>\n<p>A f\u00e1brica passou pela II Guerra Mundial e outras dificuldades mas foi seguindo caminho. Em 1942 viu entrar na administra\u00e7\u00e3o Ant\u00f3nio de Sommer Champalimaud, sobrinho de Henrique. Tinha 24 anos. Dois anos depois o tio morreu. Ant\u00f3nio, ent\u00e3o com 26 anos, assumiu a lideran\u00e7a da empresa. Henrique Sommer j\u00e1 tinha, em 1935, tomado a maior posi\u00e7\u00e3o na Companhia Cimentos Tejo, a tal que tinha a f\u00e1brica de Alhandra.<\/p>\n<p>Henrique Sommer morre sem deixar filhos, <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/quando-marcello-caetano-impediu-antonio-champalimaud-de-engolir-um-terco-da-banca-portuguesa\/#title-4\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">deixando ao sobrinho a heran\u00e7a<\/a> que acabou em tribunal a ser disputada pelos irm\u00e3os de Ant\u00f3nio Champalimaud. Henrique, Carlos e Maria Ana apresentaram queixa contra o irm\u00e3o que acabou fugido do pa\u00eds e anos mais tarde a disputar a heran\u00e7a em tribunal. Mas foi Ant\u00f3nio que ficou dono e senhor do imp\u00e9rio dos cimentos, depois de ainda ter comprado a Companhia de Carv\u00f5es e Cimentos do Cabo Mondego.<\/p>\n<p>Por volta do ano em que Ant\u00f3nio Champalimaud assumiu responsabilidades na Maceira, era iniciada, a 26 de junho de 1946, a constru\u00e7\u00e3o da F\u00e1brica de Cimentos Cibra, em Pataias, na regi\u00e3o de Alcoba\u00e7a. Inaugurada em 1950 para a produ\u00e7\u00e3o de cimento branco, veria a sua produ\u00e7\u00e3o alargada, em 1961, ao cimento Portland (o designado cimento cinzento). Joaquim Matias (1899-1981) foi o empres\u00e1rio que deu origem a esta cimenteira, numa altura em que tomava a gest\u00e3o da f\u00e1brica de mosaicos hidr\u00e1ulicos e m\u00e1rmores artificiais (SCIAL).<\/p>\n<p>As duas empresas, nacionalizadas a 9 de Maio de 1975, vieram a integrar o universo Cimpor, que resultou da organiza\u00e7\u00e3o do setor cimenteiro nacionalizado.<\/p>\n<p>A Cimpor foi <a href=\"https:\/\/diariodarepublica.pt\/dr\/detalhe\/decreto-lei\/217-b-1976-383271\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">criada<\/a> a 26 de mar\u00e7o de 1976. Resultou da fus\u00e3o de sete cimenteiras nacionalizadas no ano anterior: Cisul, Cinorte, Empresa de Cimentos de Leiria, Companhia de Cimentos Tejo, Companhia de Carv\u00f5es e Cimentos do Cabo Mondego, Sagres \u2013 Companhia de Cimentos do Algarve e Cibra \u2013 Companhia Portuguesa de Cimentos Brancos.<\/p>\n<p>Na mesma altura foi nacionalizada a posi\u00e7\u00e3o portuguesa da Secil, de 51%. Ficaram \u201ca salvo\u201d as participa\u00e7\u00f5es das empresas dinamarquesas. \u201cS\u00e3o nacionalizadas as a\u00e7\u00f5es da Secil \u2013 Companhia Geral de Cal e Cimentos, S. A. R. L., salvo as pertencentes a indiv\u00edduos de nacionalidade estrangeira que as tenham adquirido mediante importa\u00e7\u00e3o de capitais devidamente autorizada ou a sociedades que n\u00e3o re\u00fanam os requisitos de nacionalidade portuguesa\u201d, l\u00ea-se no decreto de nacionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nacionalizadas no p\u00f3s-25 de Abril, foi no mandato de An\u00edbal Cavaco Silva que se preparou a venda da Cimpor. Uma guerra aberta com o secret\u00e1rio de Estado Seixas da Costa inquinou a venda. Pedro Queiroz Pereira, filho de Manuel Queiroz Pereira, ex-dono da Cinorte, queria que o setor cimenteiro fosse um duop\u00f3lio, repartido. Mas havia d\u00favidas sobre vender a Cimpor, no seu conjunto, ou fazer alguma cis\u00e3o. O desfecho foi uma venda da participa\u00e7\u00e3o da Secil em conjunto com a CMP \u2013 Cimentos de Maceira e Pataias.<\/p>\n<p>Pedro Queiroz Pereira foi \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o. Tinha como concorrente o empres\u00e1rio macaense Stanley Ho, <a href=\"https:\/\/visao.pt\/atualidade\/economia\/2018-09-22-quem-sao-e-como-foram-preparadas-as-tres-herdeiras-de-pedro-queiroz-pereira\/#&amp;gid=0&amp;pid=1\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">recordou<\/a> a Vis\u00e3o quando Pedro Queiroz Pereira morreu. Acabou por comprar a Secil\/CMP por 80 milh\u00f5es de contos (cerca de 400 milh\u00f5es de euros) em 19 de abril de 1994. Foi por esta altura que se foi agudizando a rela\u00e7\u00e3o do empres\u00e1rio Queiroz Pereira com o grupo Banco Esp\u00edrito Santos e, em particular, com Ricardo Salgado e algum confronto com as suas irm\u00e3s. A Cimpor tamb\u00e9m entra em bolsa em 1994, mas j\u00e1 n\u00e3o teria os ex-donos no seu capital, mas nunca deixou de ser cobi\u00e7ada por gigantes do setor e sempre por Pedro Queiroz Pereira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cinco anos mais tarde, em 1930, a 18 de junho, a Companhia Geral de Cal e Cimento e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":200394,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,476,89,90,7269,18303,32,33],"class_list":{"0":"post-200393","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-economia","10":"tag-economy","11":"tag-empresas","12":"tag-indu00fastria","13":"tag-negu00f3cios","14":"tag-portugal","15":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115771315829355613","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=200393"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200393\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/200394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=200393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=200393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=200393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}