{"id":201043,"date":"2025-12-24T14:12:18","date_gmt":"2025-12-24T14:12:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/201043\/"},"modified":"2025-12-24T14:12:18","modified_gmt":"2025-12-24T14:12:18","slug":"cozinhar-com-atencao-plena-melhora-a-saude-mental-24-12-2025-equilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/201043\/","title":{"rendered":"Cozinhar com aten\u00e7\u00e3o plena melhora a sa\u00fade mental &#8211; 24\/12\/2025 &#8211; Equil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/12\/alta-de-infeccoes-no-fim-do-ano-pode-estar-ligada-a-preparos-na-cozinha.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> rotina acelerada<\/a>, ao avan\u00e7o do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/rogeriogentile\/2025\/11\/guerra-do-delivery-justica-condena-99food-por-concorrencia-desleal.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">delivery<\/a> e \u00e0s refei\u00e7\u00f5es cada vez mais feitas diante de telas, uma pr\u00e1tica cotidiana volta a ganhar novo significado: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/o-melhor-de-sao-paulo\/2025\/restaurantes-bares-e-cozinha\/2025\/08\/serie-de-videos-da-folha-acompanha-reporter-aprendendo-a-cozinhar.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">cozinhar<\/a>. N\u00e3o apenas como forma de preparar alimentos, mas como<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/10\/festival-de-bem-estar-propoe-atencao-a-saude-mental-em-meio-ao-caos-cotidiano.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> estrat\u00e9gia de cuidado emocional,<\/a> reconex\u00e3o sensorial e promo\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/datafolha.folha.uol.com.br\/opiniao-e-sociedade\/2024\/09\/7-dos-brasileiros-avaliam-sua-saude-mental-como-ruim-ou-pessima.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">sa\u00fade mental.<\/a><\/p>\n<p>Conhecida como mindful cooking ou terapia na cozinha, a abordagem prop\u00f5e transformar o ato de cozinhar em uma experi\u00eancia de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/saude-mental\/2024\/08\/10-minutos-diarios-de-mindfulness-sao-suficientes-para-melhorar-ansiedade-aponta-estudo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">aten\u00e7\u00e3o plena<\/a>, com efeitos que v\u00e3o al\u00e9m do prato e alcan\u00e7am o bem-estar psicol\u00f3gico, os v\u00ednculos sociais e a rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p>&#8220;A gente perdeu o momento presente do cozinhar&#8221;, afirma o psiquiatra Marcus Zanetti, doutor em ci\u00eancias pela USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) e pesquisador da rela\u00e7\u00e3o entre nutri\u00e7\u00e3o,<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/02\/segundo-cerebro-o-que-a-ciencia-ja-sabe-sobre-a-importancia-do-intestino-na-saude-da-mente.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> eixo intestino-c\u00e9rebro<\/a> e sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>Ao recorrer ao delivery, diz o psiquiatra, delega-se todo o processo alimentar. Enquanto isso, as pessoas continuam respondendo mensagens, navegando nas redes sociais, e a comida chega embalada em pl\u00e1stico ou papel\u00e3o impermeabilizado com subst\u00e2ncias qu\u00edmicas.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos cada vez mais distantes das necessidades do corpo e mais expostos a fatores ambientais invis\u00edveis, como toxinas, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/saude-mental\/2023\/04\/estresse-cronico-e-estopim-para-transtornos-e-pode-atrofiar-estruturas-cerebrais.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">estresse<\/a> e excesso de est\u00edmulos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para Zanetti, cozinhar ativa um conjunto de experi\u00eancias sensoriais raramente acessadas na vida cotidiana. &#8220;\u00c9 toque, cheiro, vis\u00e3o, paladar, audi\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma massagem dos sentidos muito completa. Do ponto de vista neurol\u00f3gico, isso tem um impacto enorme.&#8221;<\/p>\n<p>Essa ativa\u00e7\u00e3o sensorial \u00e9 um dos pilares do mindful cooking, explica a nutricionista Vera Salvo, co-coordenadora do projeto nacional de mindful eating do Departamento de Psicobiologia da Unifesp (Universidade Federal de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<p>&#8220;Quando a gente fala em aten\u00e7\u00e3o plena, a cozinha \u00e9 um grande laborat\u00f3rio. Ali voc\u00ea tem aromas, cores, sons, texturas. Utilizar os cinco sentidos \u00e9 uma forma muito potente de se ancorar no momento presente&#8221;, afirma.<\/p>\n<blockquote class=\"c-quote\">\n<p class=\"c-quote__content\">Quando a gente fala em aten\u00e7\u00e3o plena, a cozinha \u00e9 um grande laborat\u00f3rio. Ali voc\u00ea tem aromas, cores, sons, texturas. Utilizar os cinco sentidos \u00e9 uma forma muito potente de se ancorar no momento presente<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Segundo ela, esse processo \u00e9 especialmente relevante para crian\u00e7as, mas funciona igualmente para adultos. &#8220;O simples ato de cortar, refogar, ouvir o som do alimento na panela, tocar e manusear os ingredientes j\u00e1 traz presen\u00e7a. \u00c9 sair da mente acelerada e voltar para o corpo.&#8221;<\/p>\n<p>Zanetti observa que a ind\u00fastria de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/08\/entenda-o-que-sao-os-ultraprocessados-e-quais-alimentos-recaem-nessa-categoria.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">alimentos ultraprocessados<\/a> explora intensamente o sistema de recompensa do c\u00e9rebro, criando <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2024\/01\/por-que-e-tao-dificil-parar-de-comer-alimentos-hiperpalataveis.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">sabores hiperestimulantes <\/a>que dificultam o reconhecimento do gosto natural dos alimentos, especialmente entre crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>&#8220;O c\u00e9rebro se acostuma a est\u00edmulos muito intensos. Quando a pessoa prova um alimento simples, acha sem gra\u00e7a. Isso n\u00e3o \u00e9 natural, \u00e9 condicionado&#8221;, afirma. Cozinhar, segundo ele, ajuda a &#8220;reeducar o paladar&#8221; e a reduzir a depend\u00eancia desses produtos.<\/p>\n<p>Para Salvo, a pandemia evidenciou esse potencial terap\u00eautico da cozinha. &#8220;Muitas pessoas encontraram ali um ref\u00fagio para sair do <a href=\"https:\/\/saudemental.blogfolha.uol.com.br\/2021\/11\/25\/pensamentos-intrusivos-afetam-mais-pessoas-com-toc-e-podem-levam-a-abuso-de-substancias-explica-psiquiatra\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">excesso de pensamentos<\/a>. Cozinhar com aten\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma de mindfulness aplicada ao cotidiano.&#8221;<\/p>\n<p>A nutricionista Adriana Kachani, doutora pela USP e refer\u00eancia em nutri\u00e7\u00e3o funcional, v\u00ea no mindful cooking uma ferramenta poderosa tanto de <a href=\"https:\/\/f5.folha.uol.com.br\/viva-bem\/2022\/10\/comida-e-saude-saia-do-piloto-automatico-e-veja-quando-parar-de-comer.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">educa\u00e7\u00e3o alimentar<\/a> quanto de cuidado emocional. &#8220;Cozinhar com aten\u00e7\u00e3o plena \u00e9 estar presente no momento do preparo. \u00c9 transformar uma atividade rotineira em algo especial&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ela explica que, ao prestar aten\u00e7\u00e3o na resist\u00eancia da cenoura ao ser cortada, no som da faca na t\u00e1bua ou no cheiro do molho borbulhando, a rela\u00e7\u00e3o com a comida muda completamente. &#8220;Se a refei\u00e7\u00e3o vira um momento especial, voc\u00ea planeja melhor, escolhe melhor os ingredientes. Isso tem efeitos diretos na sa\u00fade.&#8221;<\/p>\n<p>Kachani ressalta que o mindful cooking n\u00e3o exige receitas elaboradas nem t\u00e9cnicas sofisticadas. &#8220;Pode ser algo simples, como lavar o arroz com aten\u00e7\u00e3o ou montar um prato colorido. O foco n\u00e3o \u00e9 performance, \u00e9 presen\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica tamb\u00e9m contribui para reduzir a rigidez e a autocr\u00edtica, comuns em pessoas com<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2022\/07\/nao-fazer-dieta-e-seguir-uma-alimentacao-intuitiva-pode-ser-a-saida-para-emagrecer.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> rela\u00e7\u00e3o conflituosa com a comida<\/a>. &#8220;Nem sempre d\u00e1 certo, e tudo bem. Cozinhar desenvolve criatividade, flexibilidade e uma rela\u00e7\u00e3o mais gentil consigo mesmo&#8221;, afirma. Para ela, esse aspecto \u00e9 especialmente relevante em um contexto de dietas restritivas, culpa alimentar e idealiza\u00e7\u00e3o do &#8220;corpo perfeito&#8221;.<\/p>\n<p>Salvo refor\u00e7a que essa mudan\u00e7a vai al\u00e9m do prato ou da balan\u00e7a. Em seu p\u00f3s-doutorado, desenvolvido em unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade da periferia da zona sul de S\u00e3o Paulo, ela acompanhou grupos de mulheres com excesso de peso em programas de mindfulness e mindful eating.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas chegavam achando que era s\u00f3 um programa de alimenta\u00e7\u00e3o, mas percebiam que estavam aprendendo coisas para a vida. Mudavam a<a href=\"https:\/\/f5.folha.uol.com.br\/viva-bem\/2023\/07\/paciencia-e-essencial-para-um-processo-de-emagrecimento-saudavel-diz-psicologa.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> rela\u00e7\u00e3o com o corpo<\/a>, com os filhos, com o companheiro&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Segundo ela, os relatos de transforma\u00e7\u00e3o foram profundos. &#8220;Elas diziam: \u2018aprendi que n\u00e3o preciso gostar, s\u00f3 preciso aceitar\u2019. \u00c9 uma mudan\u00e7a que acontece de dentro para fora.&#8221;<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o afetiva da comida tamb\u00e9m aparece com for\u00e7a. Zanetti lembra da av\u00f3 italiana e do sabor de um nhoque reencontrado d\u00e9cadas depois. &#8220;A mem\u00f3ria afetiva estava toda ali. A comida conecta com identidade, pertencimento e hist\u00f3ria.&#8221;<\/p>\n<p>Salvo observa que comer junto potencializa esse efeito. &#8220;O comer em companhia faz parte do nosso Guia Alimentar Brasileiro. Em \u00e9pocas como o Natal, isso fica ainda mais evidente. O alimento aproxima pessoas, cria afeto, fortalece v\u00ednculos.&#8221;<\/p>\n<p>Ela ressalta que n\u00e3o \u00e9 preciso preparar pratos sofisticados. &#8220;O que quer que eu esteja cozinhando pode ser feito de forma atenta ou autom\u00e1tica. A diferen\u00e7a est\u00e1 na presen\u00e7a.&#8221; Segundo ela, mesmo um alimento preparado com cuidado pode perder seu sentido se quem come estiver ausente. &#8220;A aten\u00e7\u00e3o precisa estar tanto no preparo quanto no comer.&#8221;<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o tem inspirado iniciativas estruturadas no Brasil. O Le Cordon Bleu S\u00e3o Paulo lan\u00e7ou recentemente o programa <a href=\"https:\/\/globalac.cordonbleu.edu\/therapy-by-cooking\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Therapy by Cooking<\/a>, uma imers\u00e3o de cinco dias que prop\u00f5e a culin\u00e1ria como pr\u00e1tica de equil\u00edbrio emocional, mental e f\u00edsico, integrando conceitos de mindfulness, neurogastronomia e nutri\u00e7\u00e3o consciente.<\/p>\n<p>&#8220;A ideia \u00e9 resgatar a consci\u00eancia do ato de cozinhar como forma de cuidado&#8221;, afirma Patrick Martin, diretor t\u00e9cnico e executivo do<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/comida\/2024\/05\/escola-le-cordon-bleu-faz-festival-com-feira-de-produtores-aulas-e-jantar.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Le Cordon Bleu Brasil<\/a>. &#8220;Cozinhar \u00e9 um ato de presen\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>Para Salvo, o interesse crescente por essas abordagens reflete um desconforto mais amplo com a alimenta\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. &#8220;A forma como nos alimentamos influencia como nos relacionamos conosco e com os outros. O alimento \u00e9 um caminho de autoconhecimento e autocuidado.&#8221;<\/p>\n<p>Zanetti concorda. &#8220;Comemos r\u00e1pido, sozinhos, distra\u00eddos. E depois n\u00e3o entendemos por que estamos ansiosos, cansados, desconectados. A cozinha pode ser um espa\u00e7o de pausa, regula\u00e7\u00e3o emocional e reconex\u00e3o.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em meio \u00e0 rotina acelerada, ao avan\u00e7o do delivery e \u00e0s refei\u00e7\u00f5es cada vez mais feitas diante de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":201044,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[2369,547,1468,1031,4533,1029,33682,236,116,32,1494,33,117,1030],"class_list":["post-201043","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-alimentacao","tag-alimentacao-saudavel","tag-alimentos","tag-autocuidado","tag-comida","tag-cuide-se","tag-equilibrio","tag-folha","tag-health","tag-portugal","tag-producao-todas","tag-pt","tag-saude","tag-saude-mental"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115774956660183456","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201043","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=201043"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201043\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/201044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=201043"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=201043"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=201043"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}