{"id":202699,"date":"2025-12-26T01:49:16","date_gmt":"2025-12-26T01:49:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/202699\/"},"modified":"2025-12-26T01:49:16","modified_gmt":"2025-12-26T01:49:16","slug":"loja-de-musica-piranha-resiste-ha-30-anos-no-porto-gracas-a-um-nicho-muito-fiel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/202699\/","title":{"rendered":"Loja de m\u00fasica Piranha resiste h\u00e1 30 anos no Porto gra\u00e7as a um &#8220;nicho muito fiel&#8221;"},"content":{"rendered":"<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"inread\">Ao fundo da galeria comercial localizada em plena rua de J\u00falio Dinis, ouvem-se os Sisters of Mercy pela m\u00e3o de Armando Marques, trabalhador na Piranha, e Miguel Teixeira chega para contar a hist\u00f3ria do seu local de trabalho, que \u00e9 tamb\u00e9m a sua paix\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Eu sou o dono da loja, fundei a loja originalmente em 1995, na altura n\u00e3o estava sozinho, estava com outras pessoas que entretanto sa\u00edram&#8221;, conta \u00e0 Lusa, recordando que no in\u00edcio se chamava Carbono, fruto de uma parceria com uma loja de Lisboa.<\/p>\n<p>\u00c0 data, Miguel Teixeira era &#8220;um consumidor da Carbono e ia algumas vezes a Lisboa comprar m\u00fasica, n\u00e3o s\u00f3 l\u00e1 como a outros&#8221; espa\u00e7os, tendo &#8220;surgido a ideia de criar a loja&#8221; quase &#8220;como se fosse uma filial da Carbono&#8221; no Porto.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro1\">Por\u00e9m, as origens da Piranha s\u00e3o ainda mais profundas, remontando ao tempo das fanzines, nomeadamente da Peresg\u00f3tika de Miguel Teixeira, e da colabora\u00e7\u00e3o com a r\u00e1dio Nova Era, ent\u00e3o r\u00e1dio pirata, a partir do final dos anos 80.<\/p>\n<p>&#8220;Convidaram-me para ter um programa, se eu queria, e eu nunca fui locutor, nunca tive voz para isso, tive que aprender alguma coisa, e pronto, comecei a fazer um programa, fiz v\u00e1rios. O que durou mais tempo e o mais conhecido foi um programa chamado O Arco do Cego. S\u00f3 esse programa durou mais de 10 anos na Nova Era, portanto \u00e9 algo significativo&#8221;, relata.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"ngx-body\" guid=\"9120d65d-4875-4bb0-8057-6c504d972b5a\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766713755_284_image.webp\" width=\"100%\"\/><\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro2\">Fruto da sua atividade no meio musical, Miguel Teixeira &#8220;recebia muito material promocional&#8221;, num tempo em que as coisas funcionavam de maneira diferente, e numa altura em que a Internet, em Portugal, era pouco mais que uma utopia.<\/p>\n<p>&#8220;Lembro-me que tinha um contacto de uma editora na Su\u00ed\u00e7a em que eles tinham um cat\u00e1logo com centenas e centenas de concertos gravados de bandas e depois n\u00f3s troc\u00e1vamos isso, mas isso era s\u00f3 trading [troca], trading mesmo&#8221;, sem dinheiro \u00e0 mistura. &#8220;Era a m\u00fasica mesmo pela m\u00fasica que n\u00f3s viv\u00edamos. N\u00e3o havia qualquer tipo de neg\u00f3cio&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Com a exposi\u00e7\u00e3o a realidades diferentes no estrangeiro que chegavam mais tarde a Portugal, Miguel &#8220;j\u00e1 tinha bastante dificuldade em encontrar m\u00fasica que queria&#8221;, surgindo uma quest\u00e3o \u00f3bvia.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro3\">&#8220;Porque \u00e9 que eu, em vez de estar a divulgar isto noutro s\u00edtio, porque \u00e9 que n\u00e3o fa\u00e7o eu isto, realmente, se \u00e9 isto que eu quero e \u00e9 isto que eu gosto?&#8221;, interrogou-se ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim surge a Carbono no Porto, cujo nome se mant\u00e9m durante alguns anos at\u00e9 se transformar em Piranha, pois a portuense e a lisboeta acabaram, segundo Miguel Teixeira, por n\u00e3o ter &#8220;a mesma vis\u00e3o de neg\u00f3cio&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Eles tinham uma vis\u00e3o de neg\u00f3cio e n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos uma vis\u00e3o &#8211; se calhar, \u00e9ramos mais na\u00eff &#8211; propriamente de neg\u00f3cio da m\u00fasica. N\u00f3s quer\u00edamos ser um bocado&#8230; n\u00e3o elitistas, porque isso acho que nunca fomos, mas um pouco mais alternativos e explorar um nicho, porque sen\u00e3o ir\u00edamos ser como as outras todas&#8221;, conta.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro4\">A loja cresce na \u00e9poca do ocaso do vinil e da vulgariza\u00e7\u00e3o do CD, sendo isso ainda vis\u00edvel na loja hoje em dia: se com o ressurgimento do vinil na \u00faltima d\u00e9cada e meia muitas lojas se viram ocupadas por ele, a Piranha mant\u00e9m orgulhosamente a sua tra\u00e7a original, muito marcada pelo CD, ainda que aberta a todos os formatos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"ngx-body\" guid=\"6f07a2a0-678c-449c-a9fe-b898ae1cab5a\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766713756_868_image.webp\" width=\"100%\"\/><\/p>\n<p>O boom do CD na Piranha &#8220;foi uma loucura&#8221; durante &#8220;uns 10 anos&#8221;. &#8220;Nessa altura, s\u00f3 para ter uma ideia, n\u00f3s cheg\u00e1vamos a ter per\u00edodos em que t\u00ednhamos que ter uma pessoa aqui \u00e0 porta, porque a loja \u00e9 pequena&#8221;, em que &#8220;sa\u00edam duas e entravam duas pessoas&#8221; de cada vez.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro5\">O aparecimento da Internet &#8211; e, com ela, da pirataria &#8211; foi um rombo para a Piranha, que hoje vive tanto da clientela fiel como das encomendas online.<\/p>\n<p>&#8220;Sustent\u00e1vel ainda \u00e9, sen\u00e3o n\u00e3o estar\u00edamos aqui h\u00e1 30 anos. N\u00f3s exploramos um nicho e temos a perfeita no\u00e7\u00e3o que \u00e9 um nicho muito pequeno. Mas esse nicho muito pequeno, felizmente, ainda \u00e9 muito fiel&#8221;, conta, falando numa legi\u00e3o n\u00e3o &#8220;fan\u00e1tica no mau sentido&#8221;, mas &#8220;fiel&#8221; e &#8220;que continua a gostar do que \u00e9 f\u00edsico, do que tem qualidade&#8221;.<\/p>\n<p>Em termos de g\u00e9neros, a Piranha foca-se sobretudo no espectro do post-punk, punk, e g\u00f3tico at\u00e9 \u00e0s &#8220;500 mil vertentes&#8221; do metal, e &#8220;mais recentemente aqueles subg\u00e9neros &#8211; darkwave, synthpop, essas coisas todas&#8221;.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro6\">Para assinalar os 30 anos, durante o ano realizaram &#8220;a apresenta\u00e7\u00e3o e o lan\u00e7amento de um livro relacionado com o metal, chamado A F\u00faria do C\u00e9u&#8221; e ainda fizeram o lan\u00e7amento do \u00e1lbum da banda Portuguesa Radiant Though.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"ngx-body\" guid=\"d5cb0ebe-85f8-47bf-bd23-215051289359\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766713756_80_image.webp\" width=\"100%\"\/><\/p>\n<p>Em 2026, est\u00e1 prevista a realiza\u00e7\u00e3o de uma exposi\u00e7\u00e3o com o tema &#8220;30 anos, 30 \u00e1lbuns&#8221;, um projeto &#8220;muito pessoal&#8221; alicer\u00e7ado no gosto de Miguel e Armando, sendo &#8220;uma exposi\u00e7\u00e3o com as capas desses \u00e1lbuns&#8221;, em frente \u00e0 loja.<\/p>\n<p>A Piranha vai tentar tamb\u00e9m realizar um encontro com uns dos maiores representantes do darkwave e post-punk atual, os turcos She Past Away, que t\u00eam concerto marcado para o Porto no dia 23 de janeiro, e em Lisboa no dia seguinte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ao fundo da galeria comercial localizada em plena rua de J\u00falio Dinis, ouvem-se os Sisters of Mercy pela&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":202700,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,20018,15,16,14,25,26,21,22,150,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-202699","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-concelho-porto","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-latest-news","15":"tag-latestnews","16":"tag-main-news","17":"tag-mainnews","18":"tag-musica","19":"tag-news","20":"tag-noticias","21":"tag-noticias-principais","22":"tag-noticiasprincipais","23":"tag-portugal","24":"tag-principais-noticias","25":"tag-principaisnoticias","26":"tag-pt","27":"tag-top-stories","28":"tag-topstories","29":"tag-ultimas","30":"tag-ultimas-noticias","31":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115783359990325790","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/202699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=202699"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/202699\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/202700"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=202699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=202699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=202699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}