{"id":20298,"date":"2025-08-07T21:08:09","date_gmt":"2025-08-07T21:08:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/20298\/"},"modified":"2025-08-07T21:08:09","modified_gmt":"2025-08-07T21:08:09","slug":"5-livros-para-saber-mais-sobre-a-subcultura-greaser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/20298\/","title":{"rendered":"5 livros para saber mais sobre a subcultura Greaser"},"content":{"rendered":"<p>O que hoje chamamos de subcultura, um estilo de vida dentro de uma cultura de maior escala, surge sem um nome espec\u00edfico e, geralmente, sem pretens\u00f5es. No final dos anos 1940, in\u00edcio da Guerra Fria, um bando de jovens come\u00e7ava a ver o mundo de forma diferente das gera\u00e7\u00f5es anteriores.\u00a0<\/p>\n<p>Eles usavam brilhantina (na \u00e9poca chamada de <strong>grease<\/strong> [literalmente \u201cgraxa\u201d] atualmente substitu\u00edda pelas pomadas) para pentear seus cabelos, que ficavam com aspecto engraxado; se juntavam em grupos nas ruas para beber, escapar das realidades e imposi\u00e7\u00f5es de suas casas. Para prote\u00e7\u00e3o tinham canivetes italianos, correntes, peda\u00e7os de madeira e seus pr\u00f3prios punhos. Pela primeira vez na Hist\u00f3ria esses jovens tinham pessoas que admiravam no cinema e no emergente rock\u2019n\u2019roll.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Bruce-Davidson.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Bruce-Davidson.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-61494\"  \/><\/a>(Foto: Bruce Davidson, Brooklyn Gang, 1959)<\/p>\n<p>Esses jovens passaram a ser conhecidos como <strong>greasers<\/strong> de forma pejorativa pela imprensa (que n\u00e3o fazia a menor ideia do que eles eram ou representavam) e foram classificados pelo governo americano como \u201cdelinquentes juvenis\u201d. Foram tratados muitas vezes como ing\u00eanuos e inocentes numa tentativa frustrada de muitos escritores e produtores fonogr\u00e1ficos de \u201camans\u00e1-los\u201d assim como fizeram com o rock\u2026 mas por que? De onde vinha esse medo que os adultos tinham dessa nova forma de encarar a vida? Para eles era uma amea\u00e7a ao status quo, aos \u201cbons\u201d(?) costumes e ao \u201cnascer, crescer, trabalhar, casar e morrer\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Algu\u00e9m aqui se pergunta de onde vinha essa rebeldia juvenil? O mundo simplesmente estava l\u00e1, dividido entre o aparente fim do fascismo e a guerra ideol\u00f3gica do \u201ccomunismo vs capitalismo\u201d, quando o big bang aconteceu e apareceram um milh\u00e3o de garotas e garotos usando jaquetas de couro e cal\u00e7as jeans? Bem, essas quest\u00f5es um dia tomaram minha mente e procurei nos livros a resposta. Hoje compartilho com voc\u00ea cinco dos livros que me ajudaram a entender, compreender e admirar o que hoje chamamos de subcultura greaser.<\/p>\n<p>5 livros para conhecer a subcultura Greaser<\/p>\n<p>1 \u2013 Brooklyn Gang, Bruce Davidson<\/p>\n<p>Em 1959, o fot\u00f3grafo e jornalista da Magnum Photos, <strong>Bruce Davidson<\/strong>, j\u00e1 atento aquela nova onda de jovens que n\u00e3o aceitavam as imposi\u00e7\u00f5es da sociedade, aproximou-se de uma das maiores gangues de rua que j\u00e1 existiram em Nova York: <strong>The Jokers<\/strong>. Durante meses, com seus j\u00e1 30 anos, Davidson conviveu diariamente com aqueles rapazes de jeans e aquelas meninas que n\u00e3o usavam fitinhas em seus cabelos.\u00a0<\/p>\n<p>Com habilidade, respeito e intelig\u00eancia, Bruce conquistou a confian\u00e7a deles e retratou em suas fotos e relatos o dia a dia dos \u201cdelinquentes juvenis\u201d. O resultado disso foram os mais viscerais e honestos que j\u00e1 vi em minha vida e se tornaram um dos livros mais raros de todos os tempos (e, consequentemente, mais caros nos dias de hoje). Brooklyn Gang, pois era de onde os Jokers vinham, n\u00e3o \u00e9 apenas uma leitura interessante, mas um mergulho em uma \u00e9poca em que ser rebelde era perigoso. <\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Integrantes-dos-Jokers-em-Long-Island.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Integrantes-dos-Jokers-em-Long-Island.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-61479\"  \/><\/a>(Integrantes dos Jokers em Long Island | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>2 \u2013 The Wanderers, Richard Price<\/p>\n<p>Para mim o caminho dos livros \u00e9 geralmente o inverso. Primeiro assisti <strong>Clube da Luta<\/strong> para ler a obra, antes assisti <strong>O Grande Gatsby<\/strong> (a vers\u00e3o com Carey Mulligan e Di Caprio) para depois ler o livro. Com <strong>The Wanderers <\/strong>foi a mesma coisa. O filme de 1979 sobre uma gangue de rua de nome fict\u00edcio mas de hist\u00f3rias reais me levou ao livro escrito por <strong>Richard Price<\/strong>, um dos maiores romancistas americanos.\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/the-wanderes.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/the-wanderes.png\" alt=\"Filme The Wanderers\" class=\"wp-image-61480\" style=\"width:840px;height:auto\"  \/><\/a>\u00a0(Filme The Wanderers lan\u00e7ado em 1979 | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>Price, que convivia com <strong>greasers <\/strong>e gangues de rua em sua vizinhan\u00e7a, captou diversas hist\u00f3rias extremamente pessoais e cruas, condensando-as numa gangue do Brooklyn chamada <strong>The Wanderers <\/strong>(Os Vagabundos). Apesar do nome n\u00e3o ter existido, personagens reais como os <strong>Lester Avenue Boys<\/strong> e os <strong>Fordham Baldies<\/strong> (gangues de mafiosos e skinheads, respectivamente) aparecem entre as p\u00e1ginas com detalhes que jamais poderiam ser imaginados sen\u00e3o por quem estivesse l\u00e1. \u00c9 um relato sobre a sociedade, racismo e sexualidade na Nova York do in\u00edcio dos anos 1960.<\/p>\n<p>3 \u2013 The Outsiders, Susan E. Hinton<\/p>\n<p>Outro romance baseado em hist\u00f3rias reais e que tem um dos melhores t\u00edtulos de todos: <strong>The Outsiders<\/strong> (Os Marginais). <strong>Susan E. Hinton,<\/strong> na \u00e9poca, uma garota no in\u00edcio de sua carreira como escritora, traz a hist\u00f3ria n\u00e3o de uma gangue de rua propriamente dita, mas de um grupo de amigos greasers no Meio-Oeste americano.\u00a0<\/p>\n<p>No grupo h\u00e1 o bandido, <strong>Dallas Winston<\/strong>, o irm\u00e3o mais velho que cuida do mais novo e ambos ficaram \u00f3rf\u00e3os dos pais, Darrel e Ponyboy, do menino que \u00e9 frentista e faz sucesso com as garotas (ricas ou n\u00e3o), Steve, e das batalhas literais que travam com os playboys riquinhos da cidade, chamados socs (oriundo de \u201csocials\u201d, ou, em portugu\u00eas, \u201csociais\u201d).\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/The-Outsiders-de-1983.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/The-Outsiders-de-1983.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-61483\"  \/><\/a>(The Outsiders de 1983)<\/p>\n<p>Susan traduziu em sua linguagem direta e cheia de g\u00edrias a vida de v\u00e1rios amigos seus com os quais cresceu e sentiu-se familiarizada. Em 1983, <strong>The Outsiders<\/strong> foi lindamente adaptado para o cinema por Francis Ford Coppola e muito bem interpretado por g\u00eanios como Patrick Swayze, Matt Dillon e Diane Lane.\u00a0<\/p>\n<p>4 \u2013 Rumble Fish, Susan E. Hinton<\/p>\n<p>A genialidade de Susan Hinton n\u00e3o se deteve em retratar os<strong> greasers <\/strong>em sua \u00e9poca mais conhecida, os anos 1950, mas se estendeu aos anos 1980 onde nem todos os garotos usavam mais brilhantina em seus cabelos, mas os medos, preocupa\u00e7\u00f5es e ang\u00fastias permaneciam os mesmos.\u00a0<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, n\u00e3o se sabe se foi uma hist\u00f3ria real ou um relato criado pela autora (ela nunca deixou claro), mas Rumble Fish \u00e9 um dos livros favoritos em pres\u00eddios e reformat\u00f3rios americanos. A hist\u00f3ria de dois irm\u00e3os, o Motoqueiro (sem nome), mais velho, e Rusty-James, o mais novo, \u00e9 o centro de uma narrativa que questiona seriamente a raz\u00e3o de tantas gangues brigarem entre si quando o inimigo (o governo representado por um policial opressor) os esmaga pouco a pouco.\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Rumble-Fish.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Rumble-Fish.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-61484\"  \/><\/a>(Rumble Fish | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>Rumble Fish tamb\u00e9m foi muito bem adaptado ao cinema por Francis Ford Coppola logo depois de Outsiders, e traz parte do elenco do primeiro filme como Matt Dillon e Diane Lane. Outra teoria n\u00e3o confirmada e que salta aos olhos \u00e9 que Rumble Fish seria a continua\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de Outsiders, ambos ambientados em Tulsa, Oklahoma.<\/p>\n<p>5 \u2013 The Bikeriders, Danny Lyon<\/p>\n<p>A imagem \u201crebelde\u201d dos anos 1950 retratada pela ind\u00fastria fonogr\u00e1fica atual, cabelos engraxados, jaquetas de couro e motocicletas, tudo em um \u201cpacote\u201d pronto pro consumo, tem uma certa raz\u00e3o de ser e at\u00e9 faz sentido quando voc\u00ea l\u00ea <strong>The Bikeriders<\/strong>, do autor Danny Lyon.\u00a0<\/p>\n<p>Ex-integrante da gangue de greasers e motoqueiros (sim, eles eram os dois grupos em um s\u00f3) <strong>Chicago Outlaws<\/strong>, Lyon estudou fotografia na faculdade e decidiu retratar o seu bando de desajustados para mais tarde escrever um livro sobre. Um trabalho muito parecido com o de Bruce Davidson, com a diferen\u00e7a que Danny j\u00e1 fazia parte da gangue, foi registrado em fotos e depoimentos gravados com aqueles gravadores imensos. Danny n\u00e3o editou seu material, deixando-o extremamente honesto e fiel ao que aquela gangue de motoqueiros vivia diariamente.\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/O-verdadeiro-Benny-interpretado-no-filme-por-Austin-Butler.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/O-verdadeiro-Benny-interpretado-no-filme-por-Austin-Butler.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-61486\"  \/><\/a>(O verdadeiro Benny, interpretado no filme por Austin Butler, em foto de 1965)<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 empolgante e triste ao mesmo tempo. Foi adaptada para o cinema em 2023 no longa<strong> The Bikeriders<\/strong> e tem Austin Butler, Tom Hardy e Jodie Comier nos pap\u00e9is principais. O livro \u00e9 fascinante e o filme \u00e9 uma mistura (nua e crua) de The Wild One e Rebel Without a Cause onde, por mais que voc\u00ea se revolte com alguns personagens (todos realmente existiram) voc\u00ea consegue entender de onde vem aquela revolta e aquela viol\u00eancia. Ah, n\u00e3o poderia deixar de citar: o diretor de Bikeriders, Jeff Nichols, de forma maestral, captou v\u00e1rias cenas inspiradas diretamente das fotografias de Danny Lyon.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O que hoje chamamos de subcultura, um estilo de vida dentro de uma cultura de maior escala, surge&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20299,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-20298","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20298"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20298\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}