{"id":203007,"date":"2025-12-26T09:37:20","date_gmt":"2025-12-26T09:37:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/203007\/"},"modified":"2025-12-26T09:37:20","modified_gmt":"2025-12-26T09:37:20","slug":"argelia-aprova-lei-que-criminaliza-colonizacao-francesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/203007\/","title":{"rendered":"Arg\u00e9lia aprova lei que criminaliza coloniza\u00e7\u00e3o francesa"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Government_place,_Algiers,_Algeria-LCCN2001697813.jpg\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" class=\"ext-link\">Library of Congress \/ Wikipedia<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-718873\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2a6571da26602a67be14ea8c5ab82349-5-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Pal\u00e1rio governamental em Argel, capital da Arg\u00e9lia, em 1899<\/p>\n<p><strong>A nova lei enumera os \u201ccrimes da coloniza\u00e7\u00e3o francesa\u201d, testes nucleares, execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais, tortura f\u00edsica e psicol\u00f3gica e \u201ca pilhagem sistem\u00e1tica de recursos\u201d, e estipula que a compensa\u00e7\u00e3o integral por todos os danos materiais e morais \u00e9 um direito inalien\u00e1vel do Estado e do povo argelino.<\/strong><\/p>\n<p>O parlamento da Arg\u00e9lia aprovou esta quarta-feira por unanimidade uma lei que criminaliza a coloniza\u00e7\u00e3o francesa (1830-1962) e exige \u00e0 Fran\u00e7a um pedido oficial de desculpas, o que pode agravar a crise j\u00e1 existente entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>O presidente da Assembleia Nacional Popular, <strong>Brahim Boughali<\/strong>, saudou a aprova\u00e7\u00e3o un\u00e2nime da lei, que responsabiliza legalmente o Estado franc\u00eas pelo seu passado colonial na Arg\u00e9lia e pelas trag\u00e9dias que gerou, e que foi aplaudida de p\u00e9 pelos deputados argelinos, usando len\u00e7os com as cores da bandeira, segundo a ag\u00eancia noticiosa France-Presse (AFP).<\/p>\n<p>A nova lei enumera os \u201c<strong>crimes da coloniza\u00e7\u00e3o francesa<\/strong>\u201c, considerados imprescrit\u00edveis, \u201ctestes nucleares\u201d, \u201cexecu\u00e7\u00f5es extrajudiciais\u201d, \u201ca pr\u00e1tica generalizada de tortura f\u00edsica e psicol\u00f3gica\u201d e \u201ca pilhagem sistem\u00e1tica de recursos\u201d, e estipula que \u201ca compensa\u00e7\u00e3o integral e equitativa por todos os danos materiais e morais causados pela coloniza\u00e7\u00e3o francesa \u00e9 um direito inalien\u00e1vel do Estado e do povo argelino\u201d.<\/p>\n<p><strong>Este projecto n\u00e3o \u00e9 in\u00e9dito<\/strong> na Arg\u00e9lia, nota a <a href=\"https:\/\/www.rfi.fr\/pt\/mundo\/20251224-parlamento-argelino-adopta-lei-que-criminaliza-a-coloniza%C3%A7%C3%A3o-francesa\" data-wpel-link=\"exclude\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" target=\"_blank\">RFI<\/a>. O texto j\u00e1 tinha sido apresentado duas vezes ao parlamento antes da sua adop\u00e7\u00e3o esta quarta-feira. Para os deputados que est\u00e3o na origem do texto, este projecto de lei \u00e9 um \u201cacto de soberania e fidelidade \u00e0 hist\u00f3ria nacional\u201d.<\/p>\n<p>Apesar da sua <strong>dimens\u00e3o simb\u00f3lica<\/strong>, o impacto real da lei ao n\u00edvel das reivindica\u00e7\u00f5es de repara\u00e7\u00f5es pode ser limitado.<\/p>\n<p>\u201cLegalmente, <strong>esta lei n\u00e3o tem alcance internacional<\/strong> e, por isso, n\u00e3o pode vincular a Fran\u00e7a\u201d, disse \u00e0 AFP <strong>Hosni Kitouni<\/strong>, investigador em hist\u00f3ria colonial na Universidade de Exeter, no Reino Unido, acrescentando que, ainda assim, \u201cmarca um ponto de viragem na rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com a Fran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Questionado na semana passada sobre a vota\u00e7\u00e3o, o porta-voz do Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros franc\u00eas, <strong>Pascal Confavreux<\/strong>, afirmou que n\u00e3o iria comentar \u201c<strong>debates pol\u00edticos que ocorram em pa\u00edses estrangeiros<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>Boughali declarou, por seu turno, que a iniciativa \u201cn\u00e3o tinha como alvo nenhum povo, <strong>nem procurava vingan\u00e7a ou incitar o ressentimento<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>A vota\u00e7\u00e3o surge numa altura em que Paris e Argel continuam mergulhados numa <strong>crise diplom\u00e1tica<\/strong>, devido ao reconhecimento pela Fran\u00e7a, no ver\u00e3o de 2024, do plano de <strong>autonomia para o Saara Ocidental de Marrocos<\/strong>, que prev\u00ea que o territ\u00f3rio fique sob a soberania de Rabat.<\/p>\n<p>V\u00e1rios acontecimentos desde ent\u00e3o e<strong>xacerbaram as tens\u00f5es<\/strong>, como a condena\u00e7\u00e3o e <strong>pris\u00e3o do escritor franco-argelino Boualem Sansal<\/strong>, que acabou por ser perdoado gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o da Alemanha.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da coloniza\u00e7\u00e3o francesa na Arg\u00e9lia continua a ser uma das principais fontes de tens\u00e3o entre Paris e Argel.<\/p>\n<p>A <strong>conquista da Arg\u00e9lia, iniciada em 1830<\/strong>, foi marcada por assassinatos em massa e pela <strong>destrui\u00e7\u00e3o das suas estruturas socioecon\u00f3micas<\/strong>, bem como por deporta\u00e7\u00f5es em grande escala, segundo os historiadores.<\/p>\n<p>Numerosas revoltas foram reprimidas antes da sangrenta guerra da independ\u00eancia (1954-1962), que matou <strong>1,5 milh\u00f5es de argelinos, segundo a Arg\u00e9lia<\/strong>, e 500 mil pessoas, incluindo 400 mil argelinos, segundo historiadores franceses.<\/p>\n<p>Em 2021, o presidente franc\u00eas <strong>Emmanuel Macron<\/strong> <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/franca-reconhecer-passado-colonial-argelia-374474\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">afirmou<\/a> que a Fran\u00e7a iria adotar <strong>\u201catos simb\u00f3licos\u201d destinados a reconhecer os erros<\/strong> da era colonial francesa na Arg\u00e9lia, mas que<strong> n\u00e3o estava a considerar o pedido de \u201cdesculpas\u201d<\/strong> oficial pretendido por Argel.<\/p>\n<p>Para o Eliseu, que pretende melhorar a complexa rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses, o importante \u00e9 <strong>\u201csair do n\u00e3o dito e da nega\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong> sobre a guerra da Arg\u00e9lia (1954-1962), que continua a dividir as duas margens do Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Esta foi uma \u201ciniciativa de reconhecimento da verdade, mas est\u00e1 fora de quest\u00e3o um arrependimento ou apresentar desculpas\u201d, disse o Eliseu, numa refer\u00eancia ao relat\u00f3rio que cita como exemplo o precedente das <strong>desculpas apresentadas pelo Jap\u00e3o<\/strong> \u00e0 Coreia do Sul e \u00e0 China sobre a Segunda Guerra Mundial, que n\u00e3o reconciliaram estes pa\u00edses.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" 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href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389372_556_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Library of Congress \/ Wikipedia Pal\u00e1rio governamental em Argel, capital da Arg\u00e9lia, em 1899 A nova lei 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