{"id":203093,"date":"2025-12-26T11:08:25","date_gmt":"2025-12-26T11:08:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/203093\/"},"modified":"2025-12-26T11:08:25","modified_gmt":"2025-12-26T11:08:25","slug":"universitaria-condenada-por-ciberbulliyng-esta-a-ser-investigada-em-mais-casos-se-nao-a-pararem-ela-nao-vai-parar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/203093\/","title":{"rendered":"Universit\u00e1ria condenada por ciberbulliyng est\u00e1 a ser investigada em mais casos. &#8220;Se n\u00e3o a pararem, ela n\u00e3o vai parar&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\t                V\u00e1rias queixas, v\u00e1rias v\u00edtimas, diferentes institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. H\u00e1 casos com quatro, cinco anos e outros mais recentes. Sofia (nome fict\u00edcio) foi condenada num processo, mas \u00e9 suspeita noutras investiga\u00e7\u00f5es. Quem ainda vive este pesadelo fala em &#8220;desespero total&#8221;<\/p>\n<p>Sofia (nome fict\u00edcio) foi condenada a <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/ciberbullying\/condenada\/inventou-a-morte-da-vitima-e-mandou-o-obituario-a-familia-como-uma-jovem-foi-condenada-por-ciberbullying-a-mais-de-sete-anos-de-prisao-num-caso-nunca-visto\/20250421\/67d16dbad34ef72ee4435469\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">quase oito anos de pris\u00e3o<\/a>, em fevereiro de 2025, por ciberbulliyng. Mas ainda decorria o julgamento e outras queixas iam surgindo. Sofia \u00e9 suspeita em mais investiga\u00e7\u00f5es e nem a condena\u00e7\u00e3o parece ter tido efeito na pr\u00e1tica de eventuais novos crimes. L. \u00e9 uma dessas v\u00edtimas, e pede para n\u00e3o ser identificada. &#8220;Se n\u00e3o a pararem, ela n\u00e3o vai parar&#8221;, afirma \u00e0 CNN Portugal, sem esconder o &#8220;desespero&#8221;. Tal como no processo onde foi condenada, Sofia ter\u00e1 ido atr\u00e1s da fam\u00edlia da v\u00edtima, dos amigos, dos amigos dos amigos. Milhares de mensagens, emails, acusa\u00e7\u00f5es, montagens de v\u00eddeos pornogr\u00e1ficos, dezenas de contas falsas criadas.<\/p>\n<p>A CNN Portugal sabe que h\u00e1 v\u00e1rias queixas, v\u00e1rias v\u00edtimas e que as investiga\u00e7\u00f5es ainda decorrem. H\u00e1 v\u00edtimas de, pelo menos, tr\u00eas universidades de Lisboa. &#8220;Aquela mulher \u00e9 louca&#8221;, desabafa L., que desde 2024 diz n\u00e3o ter descanso. Depois de condenada a sete anos e nove meses de pris\u00e3o, Sofia recorreu para o Tribunal da Rela\u00e7\u00e3o de Lisboa, que\u00a0<a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/search?pagina=1&amp;pesquisa=ciberbulliyng\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">confirmou a pena<\/a>. Com o caminho a estreitar-se, Sofia fez agora um pedido de &#8220;argui\u00e7\u00e3o de nulidade&#8221;, no qual pede que o ac\u00f3rd\u00e3o que confirmou a condena\u00e7\u00e3o seja declarado &#8220;nulo&#8221;.<\/p>\n<p>Isso mesmo tamb\u00e9m confirmou \u00e0 CNN Portugal David Silva Ramalho, advogado da principal v\u00edtima do processo j\u00e1 julgado: &#8220;Foi arguida a nulidade do ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, e que est\u00e1 a correr prazo para os demais sujeitos processuais se pronunciarem. A argui\u00e7\u00e3o de nulidade \u00e9 um direito dos sujeitos processuais, quando considerem que a decis\u00e3o tem algum v\u00edcio, e a arguida exerceu-o. Na nossa perspetiva o ac\u00f3rd\u00e3o \u00e9 irrepreens\u00edvel e n\u00e3o padece de qualquer nulidade, mas faremos chegar a nossa posi\u00e7\u00e3o ao Tribunal, que \u00e9 a sede pr\u00f3pria para detalharmos os nossos fundamentos.&#8221;<\/p>\n<p>L. decidiu falar por se sentir &#8220;num desespero total&#8221;, mas n\u00e3o s\u00f3. Mais do que ter a sua queixa investigada e uma acusa\u00e7\u00e3o pronta, a condena\u00e7\u00e3o de fevereiro de Sofia deu-lhe esperan\u00e7a: &#8220;Porque se ela for presa, n\u00e3o tem acesso \u00e0 tecnologia.&#8221; E \u00e9 este desejo que vai alimentando os seus dias.\u00a0&#8220;Se n\u00e3o a pararem, ela n\u00e3o vai parar&#8221;, reafirma.<\/p>\n<p>No caso de L., Sofia n\u00e3o se cruzou no seu caminho como colega, como aconteceu no caso em que foi condenada, mas como funcion\u00e1ria numa universidade, cargo a que se candidatou ap\u00f3s terminar o curso. Trabalhava num gabinete que dava apoio a alunos. &#8220;Nunca tinha falado com ela&#8221; at\u00e9 come\u00e7ar a receber &#8220;mensagens absurdas&#8221; do g\u00e9nero &#8220;sei o que fizeste ontem \u00e0 noite&#8221;. Foi apenas o in\u00edcio e o ponto de partida foram as redes sociais.<\/p>\n<p>Tal como no processo que j\u00e1 foi a julgamento, nas novas queixas, Sofia ter\u00e1 acompanhado de perto o resultado das suas a\u00e7\u00f5es, prestando ajuda a v\u00edtimas, mostrando-se &#8220;muito interessada&#8221; e declarando-se ela pr\u00f3pria como alvo. Trabalhar num gabinete de apoio a estudantes facilitava essa proximidade e ela &#8220;ofereceu ajuda&#8221;. L. soube mais tarde que o seu nome j\u00e1 tinha sido referido em conversas com outras v\u00edtimas, mesmo antes de receber a primeira mensagem.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma impot\u00eancia gigante. Ela acha que nunca vai ser apanhada&#8221; <\/p>\n<p>Neste momento, Sofia j\u00e1 n\u00e3o trabalha na universidade. Em fevereiro, ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o, ter\u00e1 sido aberto um processo disciplinar e o afastamento foi inevit\u00e1vel. Na verdade, j\u00e1 havia queixas mais antigas naquela institui\u00e7\u00e3o, com descri\u00e7\u00f5es quase tiradas a papel qu\u00edmico, mas nunca ningu\u00e9m suspeitou de Sofia, at\u00e9 porque ela tamb\u00e9m se apresentou como v\u00edtima.<\/p>\n<p>Apesar da surpresa inicial do apoio oferecido por Sofia e de a definir como uma pessoa &#8220;estranha&#8221;, L. nunca imaginou que poderia ser algo mais do que uma perce\u00e7\u00e3o. Quando um dia algu\u00e9m lhe sugeriu o nome de Sofia, respondeu r\u00e1pido: &#8220;N\u00e3o&#8221;. Durante algum tempo acreditou que fosse uma &#8220;brincadeira est\u00fapida de algu\u00e9m muito parvo&#8221;. Inicialmente, suspeitou mesmo que era &#8220;a turma&#8221; que estava a &#8220;fazer palha\u00e7ada&#8221;.<\/p>\n<p>S\u00f3 que quanto mais tempo passava &#8220;a brincadeira&#8221; foi-se tornando &#8220;pesadelo&#8221; e chegou al\u00e9m dos limites imagin\u00e1veis. A fam\u00edlia, os amigos, os amigos dos amigos. Todos come\u00e7aram a ser perseguidos. Contas falsas nas redes, emails ofensivos, emails para entidades empregadoras, mensagens SMS, montagens pornogr\u00e1ficas com pessoas pr\u00f3ximas, entre outras coisas. L. tem tentado gerir as coisas como pode e tenta levar uma vida normal. H\u00e1 dias melhores e dias piores.<\/p>\n<p>L. conhece uma situa\u00e7\u00e3o de 40 pizas entregues numa noite, numa morada. Com a campainha sempre a tocar, mesmo n\u00e3o sendo um ato agressivo, n\u00e3o deixa de ser &#8220;preocupante e assustador&#8221;. Al\u00e9m de que mostra que sabe as moradas de algumas v\u00edtimas e muitas informa\u00e7\u00f5es pessoais. Do que tem conhecimento, quase todos os anos, desde 2020, foram apresentadas queixas por persegui\u00e7\u00e3o contra desconhecidos, com o padr\u00e3o de comportamento e atua\u00e7\u00e3o de Sofia.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o dezenas de v\u00edtimas e ela foi condenada num processo&#8221;, desabafa L., que n\u00e3o deixa de se surpreender que algu\u00e9m &#8220;alvo de buscas&#8221;, com um &#8220;julgamento a correr&#8221;, possa, caso se prove que \u00e9 ela, continuar a perseguir pessoas. &#8220;\u00c9 uma impot\u00eancia gigante. Ela acha que nunca vai ser apanhada&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p>Apesar de acreditar na justi\u00e7a, sabe que n\u00e3o ser\u00e1 para breve: &#8220;O meu caso s\u00f3 vai ficar resolvido daqui a n\u00e3o sei quantos anos.&#8221; O seu \u00fanico desejo \u00e9 que Sofia perca o acesso a tecnologia porque\u00a0&#8220;s\u00f3 isso vai fazer com que acabem os e-mails, acabem as chamadas telef\u00f3nicas, as mensagens&#8221;. E as mensagens chegam &#8220;\u00e0s tr\u00eas, quatro, seis da manh\u00e3&#8221;, indica, quem as envia\u00a0&#8220;est\u00e1 sempre naquilo, a sua vida \u00e9 aquilo&#8221;.<\/p>\n<p>A primeira vez de Sofia como arguida: o processo arquivado de 2015 <\/p>\n<p>A CNN Portugal teve acesso a um processo, de 2015, onde Sofia foi constitu\u00edda arguida. Ter\u00e1 sido a primeira vez. Este processo foi apenso ao julgamento que terminou com a sua condena\u00e7\u00e3o. O caso acabou arquivado, mas poder\u00e1 revelar quando tudo come\u00e7ou.<\/p>\n<p>Quando Maria (nome fict\u00edcio), aluna de uma universidade de Lisboa, tentava aceder aos seus dados acad\u00e9micos n\u00e3o conseguia. Algu\u00e9m tinha alterado o email e a palavra-passe.<\/p>\n<p>Fez queixa na institui\u00e7\u00e3o e foi informada que &#8220;desconhecidos tinham criado um email falso com os seus dados&#8221;. Deixaram-na ver a informa\u00e7\u00e3o que tinham. Foram usados dados pessoais seus para criar aquele endere\u00e7o eletr\u00f3nico. O &#8220;email tinha nome, data de nascimento e outros dados pessoais verdadeiros&#8221;, algu\u00e9m se tinha feito passar por si, para &#8220;ter acesso \u00e0s suas informa\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>No dia 13 de outubro de 2015 foi \u00e0 GNR da sua zona de resid\u00eancia e apresentou queixa contra desconhecidos. N\u00e3o fazia ideia de quem podia ter sido o autor, mas a denunciante acreditava que &#8220;visava prejudic\u00e1-la&#8221; e tinha medo de que a pessoa tivesse acesso &#8220;a todos os seus dados acad\u00e9micos&#8221; e &#8220;talvez outros&#8221; que n\u00e3o sabia.<\/p>\n<p>No desenrolar da investiga\u00e7\u00e3o foi identificado o IP [Internet Protocol] respons\u00e1vel pela &#8220;origem das altera\u00e7\u00f5es do email&#8221; da queixosa. Estava em nome de algu\u00e9m do sexo masculino da fam\u00edlia de Sofia, que vivia na sua casa. Todos alegaram desconhecer o sucedido, mas Sofia foi constitu\u00edda arguida, provavelmente por tamb\u00e9m estar inscrita na mesma universidade da denunciante.<\/p>\n<p>Quando foi ouvida, Sofia garantiu que desconhecia a v\u00edtima, que n\u00e3o tinha sido ela a criar o falso email e n\u00e3o sabia quem o podia ter feito. A institui\u00e7\u00e3o de ensino superior at\u00e9 acabou por assumir que havia mais casos, mas nunca se tinha apurado a responsabilidade dessas altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Neste caso existia apenas a altera\u00e7\u00e3o de email de uma conta e estaria em causa\u00a0&#8220;um crime de falsidade inform\u00e1tica&#8221;. As autoridades acabaram por arquivar o processo\u00a0&#8220;por ser imposs\u00edvel atribuir o ato \u00e0 arguida ou a outra pessoa&#8221;.<\/p>\n<p>Passaram dez anos. Sofia, agora com 29 anos, acabou mesmo condenada\u00a0a sete anos e nove meses de pris\u00e3o <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/ciberbullying\/condenada\/inventou-a-morte-da-vitima-e-mandou-o-obituario-a-familia-como-uma-jovem-foi-condenada-por-ciberbullying-a-mais-de-sete-anos-de-prisao-num-caso-nunca-visto\/20250421\/67d16dbad34ef72ee4435469\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">por 18 crimes<\/a>. Uma pena pesada para um processo \u00fanico na justi\u00e7a portuguesa. Foram dados como provados sete crimes de persegui\u00e7\u00e3o, na forma consumada; oito crimes de falsidade inform\u00e1tica, na forma consumada; e ainda tr\u00eas crimes de den\u00fancia caluniosa, na forma consumada.<\/p>\n<p>Sofia foi igualmente condenada a duas penas acess\u00f3rias: proibi\u00e7\u00e3o de contactos por qualquer meio com as v\u00edtimas, pelo per\u00edodo de tr\u00eas anos, incluindo o afastamento da resid\u00eancia e do local de trabalho das mesmas; e obriga\u00e7\u00e3o de frequ\u00eancia de programa espec\u00edfico de preven\u00e7\u00e3o de condutas t\u00edpicas da persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"V\u00e1rias queixas, v\u00e1rias v\u00edtimas, diferentes institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. 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