{"id":203534,"date":"2025-12-26T17:02:17","date_gmt":"2025-12-26T17:02:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/203534\/"},"modified":"2025-12-26T17:02:17","modified_gmt":"2025-12-26T17:02:17","slug":"porque-tantos-jovens-na-china-estao-a-abracar-arvores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/203534\/","title":{"rendered":"Porque tantos jovens na China est\u00e3o a abra\u00e7ar \u00e1rvores?"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Xiaoyand<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-718618\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/b2368cda326f23d1b55edf6d1e49ed04-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">A terapeuta florestal Xinjun Yang gosta de abra\u00e7ar \u00e1rvores em Pequim<\/p>\n<p><strong>Abra\u00e7ar uma \u00e1rvore \u00e9 uma arte<\/strong>, <strong>uma forma de ter toque na vida, uma terapia emocional, partilhada por jovens e idosas, m\u00e3es e filhas, amigos e amantes, \u00e0 procura de al\u00edvio para as tens\u00f5es do dia-a-dia.<\/strong><\/p>\n<p>No distrito central de Pequim, as \u00e1rvores <strong>est\u00e3o por todo o lado<\/strong>: nos parques, ao longo das bermas das estradas e nos p\u00e1tios das casas das pessoas. Muitas s\u00f3 foram plantadas nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Outra, de troncos largos, existem h\u00e1 s\u00e9culos e s\u00e3o reconfortantes ao toque: \u00e9 poss\u00edvel formar com um amigo uma <strong>corrente de bra\u00e7os<\/strong> \u00e0 volta delas, percorrer a casca com a ponta dos dedos ou encostar o ouvido ao tronco para escutar o trabalho silencioso da \u00e1rvore por dentro.<\/p>\n<p><strong> Abra\u00e7ar uma \u00e1rvore \u00e9 uma arte<\/strong>. Esta capacidade n\u00e3o surge de forma instintiva. Aprende-se, diz <strong>Akanksha Awal<\/strong>, antrop\u00f3loga da University of London, num artigo no <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/why-so-many-young-people-in-china-are-hugging-trees-269832\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">The Conversation<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cAbra\u00e7ar \u00e1rvores <strong>\u00e9 uma forma de ter toque na vida<\/strong>\u201d, contou \u00e0 antrop\u00f3loga a l\u00edder de uma comunidade de terapia florestal em Pequim, <strong>Xiaoyang Wong<\/strong>, de 35 anos.<\/p>\n<p>Wong, que trabalhava na \u00e1rea do cinema, reconverteu-se recentemente em <strong>terapeuta florestal<\/strong>, depois de a pandemia de COVID a ter deixado com uma <strong>sensa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o e isolamento<\/strong>.<\/p>\n<p>Ao princ\u00edpio, conta, muitas pessoas<strong> sentem-se constrangidas<\/strong> com a ideia de abra\u00e7ar uma \u00e1rvore. Mas, nas terapias florestais, Wong incentiva-as a <strong>compreender os m\u00faltiplos mundos da \u00e1rvore<\/strong> observando-a de perto, acompanhando as formigas e outros insetos enquanto entram e saem, entrela\u00e7ando-se nos sulcos da casca.<\/p>\n<p>S\u00f3 depois de se <strong>deixarem levar pela curiosidade<\/strong> e de \u201cfalarem\u201d com a \u00e1rvore, encoraja as pessoas a <strong>decidir se querem tocar-lhe ou at\u00e9 abra\u00e7\u00e1-la<\/strong>.<\/p>\n<p>Em Pequim,<strong> a maioria das \u00e1rvores antigas est\u00e1 vedada<\/strong> pelo governo local, para as proteger de danos; as mais recentes, por\u00e9m, continuam acess\u00edveis, para que as pessoas lhes toquem e se juntem \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p>\u00c0 procura de al\u00edvio<\/p>\n<p>Aos fins-de-semana, e at\u00e9 tarde da noite, Awal deparou-se com pessoas, jovens e idosas, <strong>m\u00e3es e filhas, amigos e amantes, a abra\u00e7ar \u00e1rvores<\/strong> ou a encostar as costas a um tronco,<strong> \u00e0 procura de al\u00edvio<\/strong> para as tens\u00f5es do dia-a-dia.<\/p>\n<p>Essas press\u00f5es<strong> intensificaram-se, sobretudo ap\u00f3s a pandemia de COVID<\/strong>, quando a solid\u00e3o e o isolamento se tornaram comuns. Al\u00e9m disso, \u00e0 medida que muitas jovens mulheres na China <strong>contestam a ideia do casamento<\/strong>, procuram amizades e novas formas de perseguir uma vida boa.<\/p>\n<p>As \u00e1rvores, defendem alguns acad\u00e9micos, fazem os jovens sentirem-se <strong>\u201cenraizados\u201d e \u201cvivos\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>Nas entrevistas que realizou a mais de 25 jovens mulheres e homens, no \u00e2mbito de uma investiga\u00e7\u00e3o em curso, Awal descobriu que <strong>eram mais as mulheres<\/strong> do que os homens a recorrer \u00e0 terapia florestal, procurando tanto amizade com as \u00e1rvores <strong>como com outras pessoas<\/strong>.<\/p>\n<p>Nestas terapias, Wong <strong>adaptou pr\u00e1ticas tradicionais de \u201cbanho de floresta<\/strong>\u201d, acrescentando ideias pr\u00f3prias para aumentar o envolvimento das pessoas. Entre elas, a \u201cencena\u00e7\u00e3o vegetal\u201d, em que cada participante podia<strong> adotar o nome<\/strong> da sua \u00e1rvore preferida e ser tratado por esse nome durante todo o dia.<\/p>\n<p>Wong incentiva os participantes na terapia a <strong>partilhar um gesto<\/strong> que associem \u00e0 planta escolhida, um gesto que descreva como imaginam que a \u00e1rvore se moveria.<\/p>\n<p>Nestas sess\u00f5es, Wong conta com a colabora\u00e7\u00e3o de outras mulheres que tamb\u00e9m tinham <strong>desistido de carreiras exigentes<\/strong> e, em vez disso, abra\u00e7avam este trabalho a tempo parcial para cuidar de pessoas, \u00e1rvores e plantas na cidade.<\/p>\n<p>Numa dessas sess\u00f5es, um praticante de abra\u00e7os a \u00e1rvores,<strong> Florian Mo<\/strong>, exprimia frustra\u00e7\u00e3o por <strong>n\u00e3o conseguir encontrar e manter o amor na sua vida<\/strong>. Defendia que um dos problemas centrais da sociedade chinesa era a <strong>estigmatiza\u00e7\u00e3o<\/strong> da procura do amor em idades jovens.<\/p>\n<p>Mo, de 28 ano, ainda estava a <strong>recuperar de uma separa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Mas, para o jovem, isso acontecia apenas porque nunca aprendera a amar na adolesc\u00eancia. Se o tivesse feito, n\u00e3o s\u00f3 seria hoje um melhor companheiro, como tamb\u00e9m conseguiria <strong>ultrapassar mais facilmente a desilus\u00e3o<\/strong> amorosa que o consumia.<\/p>\n<p>Para jovens como Wong e Mo, as \u00e1rvores surgiram como espa\u00e7os para se <strong>explorarem a si pr\u00f3prios e para constru\u00edrem liga\u00e7\u00f5es<\/strong> entre si.<\/p>\n<p>E, embora a hist\u00f3ria da urbaniza\u00e7\u00e3o chinesa seja frequentemente contada atrav\u00e9s de<strong> imagens de ar, \u00e1gua e solos polu\u00eddos<\/strong>, jovens como Wong e Mo oferecem uma <strong>narrativa alternativa<\/strong>: a de que as novas gera\u00e7\u00f5es chinesas procuram reparar o ambiente urbano, ligando-se aos outros enquanto cuidam, nutrem e at\u00e9 abra\u00e7am as \u00e1rvores, com amigos e desconhecidos.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_545_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_770_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389372_556_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Xiaoyand A terapeuta florestal Xinjun Yang gosta de abra\u00e7ar \u00e1rvores em Pequim Abra\u00e7ar uma \u00e1rvore \u00e9 uma arte,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":203535,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[3440,27,28,358,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,4740,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-203534","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-antropologia","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-china","12":"tag-featured-news","13":"tag-featurednews","14":"tag-headlines","15":"tag-latest-news","16":"tag-latestnews","17":"tag-main-news","18":"tag-mainnews","19":"tag-mundo","20":"tag-news","21":"tag-noticias","22":"tag-noticias-principais","23":"tag-noticiasprincipais","24":"tag-principais-noticias","25":"tag-principaisnoticias","26":"tag-psicologia","27":"tag-top-stories","28":"tag-topstories","29":"tag-ultimas","30":"tag-ultimas-noticias","31":"tag-ultimasnoticias","32":"tag-world","33":"tag-world-news","34":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115786950132876212","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/203534","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=203534"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/203534\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/203535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=203534"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=203534"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=203534"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}