{"id":204224,"date":"2025-12-27T04:29:32","date_gmt":"2025-12-27T04:29:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/204224\/"},"modified":"2025-12-27T04:29:32","modified_gmt":"2025-12-27T04:29:32","slug":"seguranca-do-tramadol-na-dor-cronica-em-debate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/204224\/","title":{"rendered":"Seguran\u00e7a do tramadol na dor cr\u00f4nica em debate"},"content":{"rendered":"<p> 108 <\/p>\n<p data-start=\"334\" data-end=\"676\">A <strong data-start=\"336\" data-end=\"376\">seguran\u00e7a do tramadol na dor cr\u00f4nica<\/strong> tem sido questionada por evid\u00eancias recentes que indicam benef\u00edcio cl\u00ednico modesto e aumento relevante do risco de eventos adversos, especialmente cardiovasculares. Uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica publicada na literatura cient\u00edfica reacende o debate sobre o uso rotineiro desse opioide amplamente prescrito.<\/p>\n<p data-start=\"678\" data-end=\"1082\">O tramadol \u00e9 frequentemente classificado como uma op\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria no manejo da dor cr\u00f4nica, por atuar tanto em receptores opioides quanto na modula\u00e7\u00e3o da recapta\u00e7\u00e3o de serotonina e noradrenalina. No entanto, a nova an\u00e1lise de ensaios cl\u00ednicos randomizados aponta que a redu\u00e7\u00e3o da dor, quando comparada ao placebo, \u00e9 pequena e, em muitos casos, abaixo do limiar considerado clinicamente significativo.<\/p>\n<p> Evid\u00eancias cl\u00ednicas e impacto real na pr\u00e1tica assistencial <\/p>\n<p data-start=\"1148\" data-end=\"1534\">A revis\u00e3o avaliou dados de estudos controlados envolvendo pacientes com diferentes condi\u00e7\u00f5es de dor cr\u00f4nica, como lombalgia, osteoartrite e dor musculoesquel\u00e9tica persistente. A an\u00e1lise sistem\u00e1tica, publicada na revista BMJ Evidence-Based Medicine em 2025, intitulada Tramadol versus placebo for chronic pain: a systematic review with meta-analysis and trial sequential analysis, conduzida por Barakji e colaboradores, mostra que, embora o tramadol promova alguma redu\u00e7\u00e3o nos escores de dor, o efeito m\u00e9dio observado \u00e9 discreto e pode n\u00e3o se traduzir em melhora funcional relevante ou qualidade de vida sustentada<\/p>\n<p data-start=\"1536\" data-end=\"1928\">Em contrapartida, os pesquisadores observaram aumento estatisticamente significativo na ocorr\u00eancia de eventos adversos graves entre os pacientes que utilizaram tramadol. Entre os achados mais preocupantes est\u00e3o eventos cardiovasculares, incluindo dor tor\u00e1cica, insufici\u00eancia card\u00edaca e doen\u00e7a arterial coronariana, al\u00e9m de maior incid\u00eancia de interrup\u00e7\u00e3o do tratamento por efeitos colaterais.<\/p>\n<p> Relev\u00e2ncia para seguran\u00e7a do paciente e monitoramento cl\u00ednico <\/p>\n<p data-start=\"1997\" data-end=\"2295\">Al\u00e9m dos riscos cardiovasculares, efeitos adversos j\u00e1 conhecidos, como n\u00e1usea, tontura, constipa\u00e7\u00e3o e sonol\u00eancia, foram mais frequentes no grupo tratado com tramadol. Esses efeitos t\u00eam impacto direto na ades\u00e3o terap\u00eautica, no risco de quedas e na necessidade de acompanhamento cl\u00ednico mais pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p data-start=\"2297\" data-end=\"2575\">Para laborat\u00f3rios cl\u00ednicos e servi\u00e7os de apoio diagn\u00f3stico, o uso disseminado do tramadol tamb\u00e9m traz implica\u00e7\u00f5es indiretas, como a necessidade de interpreta\u00e7\u00e3o criteriosa de exames laboratoriais em pacientes com comorbidades, polifarm\u00e1cia e risco aumentado de eventos adversos.<\/p>\n<p> Implica\u00e7\u00f5es para diretrizes e tomada de decis\u00e3o baseada em evid\u00eancias <\/p>\n<p data-start=\"2652\" data-end=\"3023\">Os autores da revis\u00e3o destacam que os resultados refor\u00e7am a import\u00e2ncia de uma avalia\u00e7\u00e3o rigorosa do risco-benef\u00edcio antes da prescri\u00e7\u00e3o de opioides, mesmo aqueles considerados de menor pot\u00eancia. O uso do tramadol deve ser criterioso, individualizado e, sempre que poss\u00edvel, associado a estrat\u00e9gias n\u00e3o farmacol\u00f3gicas e terapias alternativas para o manejo da dor cr\u00f4nica.<\/p>\n<p data-start=\"3025\" data-end=\"3263\">Do ponto de vista da medicina baseada em evid\u00eancias, os dados sugerem que a percep\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a do tramadol pode estar superestimada na pr\u00e1tica cl\u00ednica, exigindo atualiza\u00e7\u00e3o de protocolos assistenciais e maior vigil\u00e2ncia farmacol\u00f3gica.<\/p>\n<p> Contexto para o sistema de sa\u00fade e a pr\u00e1tica diagn\u00f3stica <\/p>\n<p data-start=\"3327\" data-end=\"3701\">Em um cen\u00e1rio de envelhecimento populacional e aumento da preval\u00eancia de dor cr\u00f4nica, decis\u00f5es terap\u00eauticas precisam equilibrar efic\u00e1cia real, seguran\u00e7a e impacto no sistema de sa\u00fade. Estudos como este contribuem para qualificar o debate cl\u00ednico e apoiar escolhas mais seguras, com reflexos diretos na atua\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, no monitoramento laboratorial e na prote\u00e7\u00e3o do paciente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"108 A seguran\u00e7a do tramadol na dor cr\u00f4nica tem sido questionada por evid\u00eancias recentes que indicam benef\u00edcio cl\u00ednico&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":204225,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[9968,40460,116,40461,27151,32,33,117,20285,27149],"class_list":{"0":"post-204224","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-dor-cronica","9":"tag-farmacovigilancia","10":"tag-health","11":"tag-medicina-baseada-em-evidencias","12":"tag-opioides","13":"tag-portugal","14":"tag-pt","15":"tag-saude","16":"tag-seguranca-do-paciente","17":"tag-tramadol"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115789651218457201","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204224","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=204224"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204224\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/204225"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=204224"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=204224"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=204224"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}