{"id":204286,"date":"2025-12-27T06:40:43","date_gmt":"2025-12-27T06:40:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/204286\/"},"modified":"2025-12-27T06:40:43","modified_gmt":"2025-12-27T06:40:43","slug":"queijo-pode-proteger-contra-a-demencia-estudo-aponta-possivel-beneficio-mas-especialistas-pedem-cautela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/204286\/","title":{"rendered":"Queijo pode proteger contra a dem\u00eancia? Estudo aponta poss\u00edvel benef\u00edcio, mas especialistas pedem cautela"},"content":{"rendered":"<p>A manchete \u00e9 irresist\u00edvel para qualquer f\u00e3 de latic\u00ednios: consumir mais queijos e cremes com alto teor de gordura estaria associado a um risco menor de desenvolver dem\u00eancia. A conclus\u00e3o vem de um novo estudo que rapidamente ganhou destaque, mas, como costuma acontecer em pesquisas desse tipo, a realidade \u00e9 bem mais complexa do que o t\u00edtulo sugere.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1536\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-210.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-136071\"  \/><\/p>\n<p>A pesquisa foi liderada por Emily Sonestedt, epidemiologista nutricional da Universidade de Lund, na Su\u00e9cia. Segundo ela, durante d\u00e9cadas o discurso nutricional colocou alimentos ricos em gordura sob suspeita, muitas vezes tratando o queijo como algo a ser evitado. O estudo, por\u00e9m, sugere que certos latic\u00ednios mais gordurosos podem estar ligados a um risco menor de dem\u00eancia, o que desafia algumas ideias antigas sobre gordura e sa\u00fade cerebral. Para quem ama queijo, soa quase como m\u00fasica, mas especialistas alertam que \u00e9 cedo para comemorar.<\/p>\n<p>O trabalho analisou dados de 27.670 pessoas acompanhadas por pelo menos 18 anos, desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990. Todos os participantes tinham entre 45 e 73 anos e viviam na Su\u00e9cia. No in\u00edcio, eles responderam question\u00e1rios detalhados, passaram por entrevistas sobre h\u00e1bitos alimentares e mantiveram um di\u00e1rio alimentar de sete dias. Anos depois, em 2014 e 2020, os pesquisadores cruzaram essas informa\u00e7\u00f5es com registros nacionais de sa\u00fade para identificar quem havia desenvolvido dem\u00eancia ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Quando os n\u00fameros foram analisados, o resultado chamou aten\u00e7\u00e3o. Entre os participantes que relataram consumir ao menos 50 gramas de queijo gorduroso por dia, cerca de uma em cada dez pessoas desenvolveu dem\u00eancia at\u00e9 2020. J\u00e1 entre aqueles que consumiam menos de 15 gramas di\u00e1rios, a propor\u00e7\u00e3o passou de um em cada oito. Em termos pr\u00e1ticos, maior consumo de queijo foi associado a menor incid\u00eancia da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Mesmo levando em conta fatores como tabagismo, consumo de \u00e1lcool, \u00edndice de massa corporal, press\u00e3o arterial, n\u00edvel educacional, estado civil e doen\u00e7as como diabetes, os pesquisadores ainda observaram uma redu\u00e7\u00e3o de 13% no risco de dem\u00eancia entre quem consumia mais queijo gorduroso. No caso espec\u00edfico da dem\u00eancia vascular, essa redu\u00e7\u00e3o chegou a 29%. O efeito n\u00e3o apareceu apenas no queijo. Pessoas que consumiam cerca de 20 gramas ou mais de creme de leite integral por dia tamb\u00e9m apresentaram um risco 16% menor de desenvolver dem\u00eancia em compara\u00e7\u00e3o com quem n\u00e3o consumia esse tipo de produto.<\/p>\n<p>Um detalhe importante \u00e9 que o poss\u00edvel efeito protetor n\u00e3o foi observado em latic\u00ednios com baixo teor de gordura nem em outros derivados do leite. Segundo Sonestedt, isso sugere que, quando o assunto \u00e9 sa\u00fade do c\u00e9rebro, nem todo latic\u00ednio \u00e9 igual. A ideia n\u00e3o \u00e9 totalmente in\u00e9dita. Estudos anteriores j\u00e1 haviam associado maior consumo de latic\u00ednios a menor incid\u00eancia de dem\u00eancia em popula\u00e7\u00f5es asi\u00e1ticas e africanas, e algumas an\u00e1lises retrospectivas indicaram algo semelhante na Europa. Ainda assim, outras pesquisas n\u00e3o encontraram rela\u00e7\u00e3o alguma, o que acende um alerta.<\/p>\n<p>O primeiro ponto cr\u00edtico \u00e9 que se trata de um estudo observacional. Isso significa que ele identifica associa\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o consegue provar causa e efeito. \u00c9 poss\u00edvel que o queijo tenha algum papel protetor, mas tamb\u00e9m pode ser que pessoas com sa\u00fade mais fr\u00e1gil ou maior risco de doen\u00e7as tenham optado por reduzir gorduras ao longo da vida, migrando para vers\u00f5es light por recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Nesse cen\u00e1rio, o menor consumo de queijo seria consequ\u00eancia de problemas de sa\u00fade, n\u00e3o a causa deles.<\/p>\n<p>Outro fator relevante \u00e9 o contexto sueco. Vacas criadas na Su\u00e9cia costumam ser alimentadas com mais pasto do que em outros pa\u00edses, o que resulta em leite com maior teor de \u00f4mega 3, um tipo de gordura associado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro. Isso levanta a possibilidade de que queijos e cremes suecos n\u00e3o sejam equivalentes aos consumidos em outros lugares, como os Estados Unidos ou o Brasil. Al\u00e9m disso, o tipo de queijo tamb\u00e9m varia bastante. Na Su\u00e9cia, predominam queijos duros e fermentados, enquanto em outros pa\u00edses o consumo de queijos ultraprocessados ou associados a fast food \u00e9 maior.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda limita\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas importantes. A dieta dos participantes foi avaliada de forma detalhada apenas no in\u00edcio do estudo. Anos depois, eles apenas informaram se haviam mudado significativamente seus h\u00e1bitos alimentares. Como qualquer pesquisa baseada em autorrelato, existe margem para erros de mem\u00f3ria, omiss\u00f5es e imprecis\u00f5es. Por isso, especialistas defendem cautela na interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados e refor\u00e7am que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar que queijo e creme sejam, por si s\u00f3, neuroprotetores.<\/p>\n<p>Mesmo os n\u00fameros apresentados n\u00e3o s\u00e3o unanimidade. Alguns pesquisadores apontam que os resultados ficaram no limite da signific\u00e2ncia estat\u00edstica e que muitos alimentos diferentes foram analisados, o que aumenta a chance de associa\u00e7\u00f5es surgirem por acaso. Al\u00e9m disso, uma an\u00e1lise mais cuidadosa sugere que o benef\u00edcio observado pode estar menos ligado ao queijo em si e mais ao fato de ele substituir alimentos de pior qualidade nutricional, como carnes vermelhas processadas e ricas em gordura.<\/p>\n<p>Diante disso tudo, a conclus\u00e3o \u00e9 bem menos empolgante do que a manchete d\u00e1 a entender. O estudo \u00e9 interessante e contribui para o debate sobre alimenta\u00e7\u00e3o e sa\u00fade do c\u00e9rebro, mas n\u00e3o justifica sair aumentando o consumo de queijo sem crit\u00e9rio. Os pr\u00f3prios autores reconhecem que s\u00e3o necess\u00e1rias novas pesquisas, em diferentes pa\u00edses e popula\u00e7\u00f5es, para confirmar se certos latic\u00ednios realmente oferecem algum tipo de prote\u00e7\u00e3o contra a dem\u00eancia.<\/p>\n<p>Por enquanto, o melhor conselho continua sendo o de sempre: equil\u00edbrio, variedade e cautela com conclus\u00f5es f\u00e1ceis. O estudo foi publicado na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/www.neurology.org\/doi\/10.1212\/WNL.0000000000214343\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Neurology <\/a>e, apesar de levantar hip\u00f3teses curiosas, ainda est\u00e1 longe de transformar o queijo em um superalimento para o c\u00e9rebro.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/nerdizmo.ig.com.br\/category\/mundo-geek\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Leia mais!<\/a><\/p>\n<p>\n\tRelacionado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A manchete \u00e9 irresist\u00edvel para qualquer f\u00e3 de latic\u00ednios: consumir mais queijos e cremes com alto teor de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":204287,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[109,2041,116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-204286","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-ciencia","9":"tag-demencia","10":"tag-health","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115790166687720399","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204286","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=204286"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204286\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/204287"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=204286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=204286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=204286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}