{"id":204366,"date":"2025-12-27T09:07:08","date_gmt":"2025-12-27T09:07:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/204366\/"},"modified":"2025-12-27T09:07:08","modified_gmt":"2025-12-27T09:07:08","slug":"para-aumentar-colonia-formigas-economizam-com-operarias-27-12-2025-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/204366\/","title":{"rendered":"Para aumentar col\u00f4nia, formigas &#8216;economizam&#8217; com oper\u00e1rias &#8211; 27\/12\/2025 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A evolu\u00e7\u00e3o das formigas parece ter sido palco de um fen\u00f4meno no qual valeu a pena trocar a qualidade pela quantidade, aponta um novo estudo. Ao aumentar o n\u00famero de oper\u00e1rias em cada formigueiro, o &#8220;investimento&#8221; na camada protetora que recobre o corpo de cada inseto foi ficando cada vez menor.<\/p>\n<p>\u00c9 como se cada col\u00f4nia de formigas decidisse produzir pe\u00e7as numerosas e descart\u00e1veis, em vez de poucos componentes de excel\u00eancia. Ao menos em termos evolutivos, a aposta parece ter funcionado: as linhagens dos insetos que seguiram essa estrat\u00e9gia inconsciente se diversificaram mais do que as que n\u00e3o adotaram esse caminho.<\/p>\n<p>As <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.adx8068\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">conclus\u00f5es <\/a>sa\u00edram no \u00faltimo dia 19 na revista especializada <a href=\"https:\/\/www.science.org\/journal\/sciadv\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Science Advances<\/a>, num trabalho coordenado por Arthur Matte, da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> de Cambridge (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/reino-unido\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Reino Unido<\/a>), e Evan Economo, da Universidade de Maryland (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/estados-unidos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Estados Unidos<\/a>).<\/p>\n<p>A dupla e seus colegas investigaram a variabilidade da espessura da cut\u00edcula, a resistente camada externa da anatomia dos insetos que os protege de ataques de predadores e de outros tipos de danos mec\u00e2nicos, al\u00e9m de servir de barreira contra micr\u00f3bios, varia\u00e7\u00f5es de temperatura e perda de umidade.<\/p>\n<p>As fun\u00e7\u00f5es da cut\u00edcula t\u00eam semelhan\u00e7as com a da pele humana, mas ela \u00e9 ainda mais essencial para a sobreviv\u00eancia dos insetos, al\u00e9m de exigir um investimento consider\u00e1vel de nutrientes para ser produzida pelo organismo. O detalhe intrigante \u00e9 que, nas formigas, a espessura dessa camada apresenta uma varia\u00e7\u00e3o de cerca de cem vezes (entre 1,3 micr\u00f4metro e 110 micr\u00f4metros \u2013cada micr\u00f4metro corresponde a um milion\u00e9simo de metro).<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese aventada pelos pesquisadores \u00e9 que tamanha variabilidade provavelmente tem a ver com diferentes tipos de investimento de cada esp\u00e9cie na produ\u00e7\u00e3o da cut\u00edcula. Esse tipo de racioc\u00ednio econ\u00f4mico \u00e9 bastante comum nos estudos evolutivos.<\/p>\n<p>Embora os seres vivos n\u00e3o sejam capazes de escolher conscientemente como vai se desenrolar seu desenvolvimento (e, mesmo que o compreendessem, n\u00e3o conseguiriam control\u00e1-lo), a sele\u00e7\u00e3o natural faz isso por eles. Isso porque ela acaba diferenciando entre as estrat\u00e9gias que produzem muitos descendentes e as que t\u00eam menos sucesso. S\u00f3 as primeiras se perpetuam na popula\u00e7\u00e3o e, na pr\u00e1tica, equivalem a um investimento bem-sucedido.<\/p>\n<p>Para testar a ideia, os pesquisadores usaram t\u00e9cnicas de microtomografia para mapear a cut\u00edcula de uma variedade consider\u00e1vel de esp\u00e9cies de formigas. Trabalharam com 880 indiv\u00edduos, com as oper\u00e1rias representadas em 440 esp\u00e9cies diferentes, as rainhas em 136 esp\u00e9cies e os machos em 73 esp\u00e9cies. Al\u00e9m disso, compararam a cut\u00edcula das formigas com a de insetos &#8220;primos&#8221; delas, como as vespas.<\/p>\n<p>Entender as diferen\u00e7as entre rainhas e oper\u00e1rias, de um lado, e entre os sexos, de outro, \u00e9 importante porque tanto rainhas quanto machos passam quase todo o seu ciclo de vida protegidos dentro do formigueiro, enquanto as oper\u00e1rias desempenham uma grande variedade de tarefas, muitas vezes fora do ninho, o que poderia afetar a necessidade de desenvolver a cut\u00edcula.<\/p>\n<p>De fato, a an\u00e1lise dos pesquisadores confirmou a exist\u00eancia de uma varia\u00e7\u00e3o tremenda nas cut\u00edculas das oper\u00e1rias. Nas duas esp\u00e9cies com maior e menor investimento nessa parte da anatomia, o tegumento corresponde a 35% e 6,6% do volume do corpo dos bichos, respectivamente. A quest\u00e3o era saber se havia uma associa\u00e7\u00e3o entre padr\u00f5es evolutivos e essa variabilidade, coisa que os pesquisadores buscaram analisar levando em conta as rela\u00e7\u00f5es de parentesco entre as esp\u00e9cies e fatores como tamanho da col\u00f4nia, habitat, dieta e presen\u00e7a de espinhos defensivos na cut\u00edcula.<\/p>\n<p>Em tese, diferen\u00e7as no habitat poderiam influenciar a espessura cuticular, j\u00e1 que em certos contextos a tend\u00eancia a perder umidade do organismo \u00e9 bem mais alta, o que exigiria mais prote\u00e7\u00e3o externa. Os espinhos defensivos exigiriam mais investimento tamb\u00e9m, enquanto a dieta poderia interferir na disponibilidade de nutrientes necess\u00e1rios para &#8220;montar&#8221; a cut\u00edcula ao longo do desenvolvimento.<\/p>\n<p>Tanto as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do habitat quanto a alimenta\u00e7\u00e3o est\u00e3o associadas com essas varia\u00e7\u00f5es \u2013esp\u00e9cies de lugares mais quentes, ou as que s\u00e3o carn\u00edvoras ou se alimentam de fungos, tendem a ter cut\u00edculas mais espessas, em m\u00e9dia. Mas o fator com associa\u00e7\u00e3o mais forte com as varia\u00e7\u00f5es na cut\u00edcula \u00e9 mesmo o tamanho da col\u00f4nia: quanto mais indiv\u00edduos no formigueiro, em geral, mais fina \u00e9 a camada externa do corpo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores calculam que essa vari\u00e1vel explica quase metade da variabilidade entre as esp\u00e9cies de formigas. E, mais importante, que h\u00e1 uma associa\u00e7\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o em larga escala de oper\u00e1rias &#8220;de segunda&#8221; e a diversifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies de formigas ao longo do tempo.<\/p>\n<p>A equipe de cientistas prop\u00f5e que esse processo pode ter facilitado o aumento da complexidade social dos formigueiros e a coloniza\u00e7\u00e3o de ambientes mais pobres em recursos pelos bichos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A evolu\u00e7\u00e3o das formigas parece ter sido palco de um fen\u00f4meno no qual valeu a pena trocar a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":204367,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[1353,219,2780,4614,109,107,108,236,24041,3534,3536,32,33,105,103,104,106,110,3062],"class_list":["post-204366","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-animais","tag-bichos","tag-biodiversidade","tag-biologia","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-folha","tag-formigas","tag-insetos","tag-pesquisa-cientifica","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia","tag-universidade"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115790744320645771","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204366","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=204366"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204366\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/204367"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=204366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=204366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=204366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}