{"id":204935,"date":"2025-12-27T19:00:18","date_gmt":"2025-12-27T19:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/204935\/"},"modified":"2025-12-27T19:00:18","modified_gmt":"2025-12-27T19:00:18","slug":"como-uma-geracao-abriu-as-portas-da-pop-ao-cante-alentejano-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/204935\/","title":{"rendered":"Como uma gera\u00e7\u00e3o abriu as portas da pop ao cante alentejano \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Direitinho encara o cante alentejano, enquanto pr\u00e1tica de comunh\u00e3o coletiva, como uma \u201cresposta cultural\u201d a uma sociedade cada vez mais individualista, em que as comunidades se dilu\u00edram.<\/p>\n<p>\u201cEstamos numa sociedade do culto do \u2018eu\u2019 e as redes sociais vieram trazer uma press\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos seguidores, ao dinheiro, \u00e0s grandes fotografias, aos carros. E a m\u00fasica alentejana, e foi por isso que me apaixonei por ela, reflete muito o h\u00e1bito que temos de receber bem, de partilhar e de fazer os outros sentirem-se em casa. O cante alentejano nem \u00e9 bem um estilo musical, \u00e9 um estilo de vida mesmo, \u00e9 uma cultura muito mais abrangente do que uma sonoridade, \u00e9 um s\u00edtio onde estamos a trabalhar por algo maior. \u00c9 p\u00f4r de lado o \u2018eu tenho que soar bem\u2019, \u2018eu tenho que crescer\u2019, para meter \u00e0 frente o \u2018temos de trabalhar para isto que nos pertence\u2019, \u2018temos esta miss\u00e3o com a nossa cultura de passar isto aos mais novos\u2019. De lhes mostrar que o bonito na vida n\u00e3o \u00e9 chegares ao p\u00e9 do teu av\u00f4 e dizeres que tens um Ferrari, \u00e9 dizeres \u2018av\u00f4, \u2018bora cantar aquela can\u00e7\u00e3o que cantavas para mim quando era pequenino\u2019. Aquelas can\u00e7\u00f5es \u00e0 mesa, na taberna, no Natal\u2026 O cante alentejano vem dar uma resposta muito bonita a esta fase, porque \u00e9 uma resposta cultural, n\u00e3o \u00e9 invasiva. \u00c9 art\u00edstica e leve, de sermos uma comunidade, de podermos dar a m\u00e3o uns aos outros, de cantarmos em conjunto por algo que \u00e9 nosso e que nos une. \u00c9 chegarmos a um s\u00edtio e cantarmos todos juntos, cada um com a sua voz, umas mais agudas, outras mais desafinadas, outras com uma dic\u00e7\u00e3o menos percet\u00edvel, mas quando entra toda a gente est\u00e1 a soar bem \u2014 e isso \u00e9 o reflexo daquilo que deve ser uma comunidade, \u00e9 todos juntos.\u201d<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m se reflete, argumenta o m\u00fasico e manager dos Vizinhos, na maneira como as comunidades alentejanas t\u00eam percecionado o sucesso destes artistas fora de portas. \u201cSente-se que existe esse agradecimento. Hoje em dia entro em restaurantes em \u00c9vora e est\u00e3o l\u00e1 expostos os quadros de platina dos Vizinhos\u2026 h\u00e1 este orgulho. E o nosso trabalho tamb\u00e9m \u00e9 mostrar que \u00c9vora \u00e9 um s\u00edtio espetacular para se viver, para se criar fam\u00edlia e os nossos projetos. Tamb\u00e9m tentar desmistificar com a malta mais nova aquela coisa de que temos de ir para Lisboa para termos sucesso. N\u00e3o, d\u00e1 para fazer c\u00e1. A maior parte da nossa equipa \u00e9 de \u00c9vora, as m\u00fasicas s\u00e3o gravadas no Redondo, os nossos t\u00e9cnicos s\u00e3o quase todos do Alentejo. E a coisa funciona.\u201d<\/p>\n<p>Quando perspetiva o futuro do cante alentejano, Buba Espinho distingue dois eixos. O primeiro passa por \u201cpreservar a mensagem dos ancestrais\u201d e por manter uma liga\u00e7\u00e3o \u00e0s bases. \u201cQuem quer que se apresente como artista de m\u00fasica tradicional do Alentejo tem que estar ligado aos grupos corais ou aos grupos de folclore da sua terra, porque \u00e9 a origem de quase tudo, \u00e9 na banda filarm\u00f3nica ou no grupo coral. Por isso \u00e9 muito justo, nesta fase das nossas carreiras, continuarmos a olhar para tr\u00e1s. Hoje posso convidar um grupo coral e dar-lhe um cachet merecido e \u00e9 o que vou fazer e \u00e9 o que o Zambujo tamb\u00e9m faz. Sinto que, no cante alentejano, nunca houve esta coisa dos mais velhos olharem para os mais jovens e dizerem: \u2018l\u00e1 est\u00e3o os meninos a fazer coisas novas, isso n\u00e3o presta\u2019. Senti sempre o contr\u00e1rio, senti sempre apoio e orgulho, e j\u00e1 gravei can\u00e7\u00f5es muito estranhas, com projetos muito diferentes. Portanto, agora quando temos capacidade para enquadrar os grupos em salas e festivais maiores, vou ser sempre o primeiro a faz\u00ea-lo. N\u00f3s s\u00f3 tamb\u00e9m l\u00e1 cheg\u00e1mos porque eles nos deram identidade, nos deram terra.\u201d<\/p>\n<p>O segundo eixo, aberto \u00e0 modernidade, tem a ver com \u201ccontinuar a fus\u00e3o e experimentar o cante alentejano com outros g\u00e9neros\u201d. A internacionaliza\u00e7\u00e3o do cante alentejano, um objetivo ambicionado por muitos mas que se torna desafiante pelas enormes comitivas dos grupos corais \u2014 o que torna o investimento muito mais dispendioso comparativamente \u00e0 grande maioria dos projetos musicais \u2014 \u00e9 dif\u00edcil, mas n\u00e3o imposs\u00edvel, defende, dando o exemplo de quando em maio deste ano Ant\u00f3nio Zambujo atuou com o Rancho de Cantadores da Aldeia Nova de S\u00e3o Bento na Expo 2025 de Osaka, no Jap\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jo\u00e3o Direitinho encara o cante alentejano, enquanto pr\u00e1tica de comunh\u00e3o coletiva, como uma \u201cresposta cultural\u201d a uma sociedade&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":204936,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85],"tags":[315,114,115,339,32,33],"class_list":{"0":"post-204935","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-entretenimento","8":"tag-cultura","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-mu00fasica","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115793076931126209","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204935","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=204935"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204935\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/204936"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=204935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=204935"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=204935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}