{"id":205486,"date":"2025-12-28T07:29:08","date_gmt":"2025-12-28T07:29:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/205486\/"},"modified":"2025-12-28T07:29:08","modified_gmt":"2025-12-28T07:29:08","slug":"cancer-de-vulva-e-vagina-mata-quase-600-mulheres-em-2025-28-12-2025-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/205486\/","title":{"rendered":"C\u00e2ncer de vulva e vagina mata quase 600 mulheres em 2025 &#8211; 28\/12\/2025 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>O estigma em torno do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2023\/03\/brasil-passa-longe-da-meta-de-vacinacao-contra-o-hpv.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">HPV (papilomav\u00edrus humano)<\/a> \u2014v\u00edrus transmitido principalmente por via sexual, mas tamb\u00e9m por contato pele a pele\u2014 ainda afasta muitas fam\u00edlias da vacina\u00e7\u00e3o e pacientes dos consult\u00f3rios m\u00e9dicos, alertam especialistas. A resist\u00eancia preocupa porque o HPV \u00e9 o principal causador dos<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2024\/09\/casos-de-cancer-de-vulva-mais-que-triplicam-no-brasil-em-uma-decada.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> c\u00e2nceres de vulva e vagina<\/a>, que levaram a 597 mortes no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sus\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">SUS<\/a> (Sistema \u00danico de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sa\u00fade<\/a>) entre janeiro e setembro de 2025.<\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, segundo o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ministerio-da-saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a>, foram registrados 16.559 atendimentos ambulatoriais e 2.161 interna\u00e7\u00f5es relacionadas aos tumores. Os n\u00fameros correspondem a procedimentos, n\u00e3o a pessoas, e n\u00e3o h\u00e1 dados sobre diagn\u00f3sticos. Apesar dos registros, o estigma ainda faz com que muitas pessoas deixem de buscar ajuda.<\/p>\n<p>Para Caetano da Silva Cardial, oncologista da Febrasgo (Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es em Ginecologia e Obstetr\u00edcia), &#8220;todo tumor ligado ao HPV carrega um preconceito importante&#8221;. Segundo a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/oms\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">OMS<\/a> (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade), por\u00e9m, 4,5% de todos os c\u00e2nceres no mundo (630 mil novos casos de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/cancer\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">c\u00e2ncer<\/a> por ano) s\u00e3o atribu\u00edveis ao v\u00edrus.<\/p>\n<p>Entre 2022 e setembro de 2025, foram registradas 1.964 mortes por c\u00e2ncer de vulva no Brasil. O Sul concentra alguns dos maiores \u00edndices, com 400 \u00f3bitos, enquanto o Norte teve 75. S\u00e3o Paulo lidera entre os estados, com 521 mortes. Segundo Cardial, parte da discrep\u00e2ncia pode refletir o fluxo de pacientes em busca de tratamento em regi\u00f5es mais estruturadas.<\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, o pa\u00eds contabilizou 593 mortes por c\u00e2ncer de vagina, sendo 147 delas em 2025 at\u00e9 setembro. A regi\u00e3o Sudeste concentra a maior parte dos \u00f3bitos.<\/p>\n<p>Apesar de serem confundidas com frequ\u00eancia, a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folhateen\/2023\/06\/aprenda-o-que-e-qual-a-funcao-e-como-cuidar-de-cada-parte-da-sua-vulva.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">vulva \u00e9 a parte externa da genit\u00e1lia feminina<\/a>, formada por pele e pelos, enquanto a vagina \u00e9 uma mucosa interna que conecta a vulva ao colo do \u00fatero. Segundo Cardial, existe uma confus\u00e3o entre os termos que \u00e9 comum n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas no mundo.<\/p>\n<p>O c\u00e2ncer de vulva \u00e9 considerado um tumor raro de pele e tem duas principais origens: o HPV, mais comum em mulheres entre 45 e 55 anos, e uma doen\u00e7a autoimune chamada <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/07\/dava-desculpas-ao-meu-marido-para-nao-fazer-sexo-porque-sentia-dor-a-doenca-na-vulva-que-pode-passar-desapercebida.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">l\u00edquen escleroso<\/a>, que costuma afetar mulheres pr\u00e9-adolescentes e p\u00f3s-menopausa, com pico ap\u00f3s os 60 anos.<\/p>\n<p>O l\u00edquen escleroso n\u00e3o tem causa \u00fanica definida, mas especialistas apontam que ele est\u00e1 ligado principalmente a um mecanismo autoimune, quando o sistema imunol\u00f3gico passa a atacar a pr\u00f3pria pele. Fatores hormonais (como baixos n\u00edveis de estrog\u00eanio), predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e traumas repetidos na regi\u00e3o tamb\u00e9m podem contribuir para o surgimento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>    Todas<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Discuss\u00f5es, not\u00edcias e reflex\u00f5es pensadas para mulheres<\/p>\n<p>A doen\u00e7a causa coceira persistente e, sem tratamento, pode evoluir para c\u00e2ncer em at\u00e9 60% dos casos, afirma o oncologista. Com acompanhamento e uso de pomadas \u00e0 base de corticoide, o risco cai drasticamente.<\/p>\n<p>Os sintomas da doen\u00e7a costumam ser inespec\u00edficos: coceira, feridas, \u00falceras, sangramento ou mudan\u00e7a na cor da pele da regi\u00e3o. Por serem queixas comuns a outras condi\u00e7\u00f5es, muitas mulheres demoram a procurar atendimento. Os sinais tamb\u00e9m se confudem com os do tumor, que costumam aparecer nos est\u00e1gios mais avan\u00e7ados do c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Quando identificado no in\u00edcio, com tumores menores que 2 cm e sem linfonodos comprometidos, a chance de cura do c\u00e2ncer de vulva \u00e9 alta com cirurgia. Nos est\u00e1gios avan\u00e7ados, quando j\u00e1 h\u00e1 met\u00e1stase, o tratamento inclui radioterapia e quimioterapia, e a taxa de cura \u00e9 reduzida.<\/p>\n<p>O c\u00e2ncer de vagina \u00e9 ainda menos frequente, com cerca de 500 casos por ano no Brasil, e tem como causa o HPV em 90% dos casos, diz Cardial. Ocorre mais frequentemente entre 40 e 50 anos, enquanto as les\u00f5es precursoras podem aparecer j\u00e1 a partir dos 30 anos.<\/p>\n<p>Como a vagina \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o com rugas e pregas, les\u00f5es podem ficar &#8220;escondidas&#8221;. Muitas mulheres s\u00e3o assintom\u00e1ticas at\u00e9 que o tumor cres\u00e7a, quando podem surgir n\u00f3dulos internos, dor ou sangramento durante a rela\u00e7\u00e3o sexual, al\u00e9m de sangramento fora do per\u00edodo menstrual.<\/p>\n<p>Tumores menores que 2 cm e restritos \u00e0 mucosa podem ser curados com cirurgia. J\u00e1 os tumores mais profundos ou maiores geralmente exigem radioterapia associada \u00e0 quimioterapia.<\/p>\n<p>O especialista explica que, por serem mulheres mais jovens, o impacto na fertilidade e na vida sexual costuma ser maior que no c\u00e2ncer de vulva. A radioterapia pode reduzir a fun\u00e7\u00e3o ovariana, causar ressecamento, atrofia e at\u00e9 estenose vaginal (estreitamento ou encurtamento do canal vaginal), caso a paciente n\u00e3o mantenha atividade sexual ou n\u00e3o utilize moldes durante o tratamento.<\/p>\n<p>Tanto no c\u00e2ncer de vulva quanto no de vagina, o diagn\u00f3stico precoce \u00e9 decisivo. O m\u00e9dico refor\u00e7a que mulheres, especialmente as p\u00f3s-menopausa, devem procurar atendimento se tiverem coceira persistente por mais de duas semanas, feridas, sangramentos anormais ou altera\u00e7\u00f5es vis\u00edveis na vulva.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>Rosana Richtmann, infectologista do laborat\u00f3rio Delboni Salom\u00e3o Zoppi e Lavoisier, destaca que o Brasil avan\u00e7ou no rastreamento dos dois c\u00e2nceres ao incluir testes moleculares de HPV na rede p\u00fablica.<\/p>\n<p>&#8220;Eles s\u00e3o muito <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/04\/sus-comeca-a-substituir-papanicolau-por-teste-de-dna-a-partir-de-maio.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">mais sens\u00edveis que o papanicolau<\/a> [exame usado para identificar les\u00f5es no colo do \u00fatero, como as causadas pelo HPV]. O objetivo \u00e9 detectar o v\u00edrus precocemente para impedir que les\u00f5es progridam para c\u00e2ncer.&#8221;<\/p>\n<p>Vacina contra HPV \u00e9 principal preve\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer de vulva e vagina<\/p>\n<p>Richtmann afirma que a vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor forma de prevenir o c\u00e2ncer de vulva e vagina. Segundo ela, quanto mais jovem, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/05\/conheca-diferencas-entre-as-vacinas-contra-hpv-disponiveis-no-sus-e-na-rede-privada.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">melhor a resposta imunol\u00f3gica<\/a> e menor a chance de j\u00e1 ter tido contato com o v\u00edrus. A vacina quadrivalente, oferecida na rede p\u00fablica, protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18. A vers\u00e3o nonavalente, dispon\u00edvel na rede privada, amplia essa cobertura.<\/p>\n<p>Especialistas apontam que muitas fam\u00edlias ainda evitam vacinar os filhos por acreditarem, de forma equivocada, que a imuniza\u00e7\u00e3o poderia incentivar o in\u00edcio da vida sexual. Para a m\u00e9dica, o estigma tamb\u00e9m faz com que os jovens, ao perceberem algo diferente na regi\u00e3o \u00edntima, sintam vergonha de comentar com os pais ou de buscar ajuda m\u00e9dica.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/projeto-saude-publica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">projeto Sa\u00fade P\u00fablica<\/a> tem apoio da Umane, associa\u00e7\u00e3o civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O estigma em torno do HPV (papilomav\u00edrus humano) \u2014v\u00edrus transmitido principalmente por via sexual, mas tamb\u00e9m por contato&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":205487,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[1031,1776,40567,1029,236,116,12231,2052,2196,1208,32,1494,4802,33,2197,2198,117,896,216],"class_list":{"0":"post-205486","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-autocuidado","9":"tag-cancer","10":"tag-cancer-de-vagina","11":"tag-cuide-se","12":"tag-folha","13":"tag-health","14":"tag-hpv","15":"tag-ist","16":"tag-leucemia","17":"tag-medicina","18":"tag-portugal","19":"tag-producao-todas","20":"tag-projeto-saude-publica","21":"tag-pt","22":"tag-quimioterapia","23":"tag-radioterapia","24":"tag-saude","25":"tag-saude-publica","26":"tag-sexo"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115796021310223401","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=205486"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205486\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/205487"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=205486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=205486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=205486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}