{"id":205528,"date":"2025-12-28T09:12:08","date_gmt":"2025-12-28T09:12:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/205528\/"},"modified":"2025-12-28T09:12:08","modified_gmt":"2025-12-28T09:12:08","slug":"foguetes-reutilizaveis-abrem-o-sistema-solar-a-humanidade-28-12-2025-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/205528\/","title":{"rendered":"Foguetes reutiliz\u00e1veis abrem o Sistema Solar \u00e0 humanidade &#8211; 28\/12\/2025 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>O espa\u00e7o nunca mais ser\u00e1 o mesmo depois do primeiro quarto do s\u00e9culo 21. Pela primeira vez, a humanidade dominou com sucesso a tecnologia considerada como o Santo Graal da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ciencia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ci\u00eancia<\/a> de foguetes: a reutiliza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Foguetes, em sua forma rudimentar, j\u00e1 existem desde a Antiguidade. A partir do in\u00edcio do s\u00e9culo 20, gra\u00e7as aos trabalhos de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2017\/10\/1925257-programa-espacial-sovietico-teve-ideal-social-e-pai-anonimo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Konstantin Tsiolkovsky<\/a>, ficou claro que esse instrumento viabilizaria as viagens espaciais, o que se tornou realidade com os V-2 suborbitais desenvolvidos por Wernher Von Braun para a Alemanha nazista, em 1944, como arma de guerra (foram os primeiros foguetes a atingir o espa\u00e7o), e mais tarde consolidaram seu uso dual, tamb\u00e9m \u00fatil para fins pac\u00edficos, com o lan\u00e7amento do Sputnik, o primeiro sat\u00e9lite artificial, pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, em 1957, e de<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2021\/04\/apos-voltar-do-espaco-iuri-gagarin-viveu-dias-de-pop-star-no-brasil.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Iuri Gagarin<\/a>, o primeiro homem a deixar a Terra, em 1961.<\/p>\n<p>Apesar de sua efetividade, obtida por meio da combina\u00e7\u00e3o de propuls\u00e3o por combust\u00e3o qu\u00edmica (combust\u00edvel e oxidante s\u00e3o queimados numa c\u00e2mara e produzem um jato de exaust\u00e3o poderoso que impulsiona o ve\u00edculo na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria) e o esquema de est\u00e1gios (em que partes do foguete s\u00e3o descartadas ao longo do voo, reduzindo a massa final a ser empurrada at\u00e9 as velocidades necess\u00e1rias para voo orbital ou interplanet\u00e1rio), esses lan\u00e7adores tinham uma diferen\u00e7a fundamental com rela\u00e7\u00e3o a quaisquer outros ve\u00edculos j\u00e1 desenvolvidos pela humanidade: apesar de enormes e car\u00edssimos para sua constru\u00e7\u00e3o, eram descartados ap\u00f3s um \u00fanico uso.<\/p>\n<p>Foi basicamente essa realidade que impediu, durante d\u00e9cadas, o voo espacial de atingir uma frequ\u00eancia e um alcance similar \u00e0 do transporte a\u00e9reo.<\/p>\n<p>Como os foguetes, avi\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o m\u00e1quinas car\u00edssimas. Diferentemente deles, um \u00fanico avi\u00e3o pode fazer milhares de voos com manuten\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e modesta, amortizando o custo do ve\u00edculo em um uso que pode se estender por d\u00e9cadas. \u00c9 o que permite que mesmo pobres mortais como n\u00f3s possam viajar de avi\u00e3o de vez em quando. E pro\u00edbe, ainda hoje, todos, exceto os mais ricos, de viajar de foguete.<\/p>\n<p>Transi\u00e7\u00e3o dif\u00edcil<\/p>\n<p>N\u00e3o escapou aos gestores dos programas espaciais pelo mundo esse fato. Com efeito, ap\u00f3s os EUA vencerem a corrida contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2022\/08\/como-foi-a-missao-comandada-por-neil-armstrong-a-lua.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">colocando astronautas na superf\u00edcie da Lua<\/a> e trazendo-os de volta \u00e0 Terra em seguran\u00e7a em 1969, a decis\u00e3o emanada do governo americano era reduzir custos, desenvolvendo o que viria a ser o primeiro foguete reutiliz\u00e1vel. Estamos falando dos \u00f4nibus espaciais.<\/p>\n<p>Desenvolvidos nos anos 1970 e lan\u00e7ados pela primeira vez ao espa\u00e7o em 1981, esses ve\u00edculos subiam como foguetes e desciam como avi\u00f5es. Todo o sistema era essencialmente reutiliz\u00e1vel, exceto pelo imenso tanque de combust\u00edvel acoplado ao orbitador, que era descartado no oceano ap\u00f3s ter esgotado seu conte\u00fado, mas era relativamente barato e podia ser fabricado em massa.<\/p>\n<p>A ambi\u00e7\u00e3o original da Nasa para eles era traz\u00ea-los um passo mais perto da din\u00e2mica da avia\u00e7\u00e3o, realizando at\u00e9 52 voos por ano. Ainda muito diferente de uma aeronave de passageiros, que faz uma parada de alguns minutos no aeroporto para reabastecimento e checagens, antes de fazer o pr\u00f3ximo voo, mas bem melhor do que a realidade anterior do voo espacial, com ve\u00edculos descart\u00e1veis.<\/p>\n<p>Essa ambi\u00e7\u00e3o, contudo, jamais se realizou. A manuten\u00e7\u00e3o entre voos dos ve\u00edculos da frota era lenta, e o recorde de &#8220;turnaround&#8221; (tempo entre voos) de um mesmo \u00f4nibus espacial foi estabelecido em 1985 \u2013&#8221;apenas&#8221; seis semanas. Contando todos os ve\u00edculos, o recorde de voos em um ano foi naquele mesmo 1985: nove.<\/p>\n<p>Isso j\u00e1 for\u00e7ando ao limite os crit\u00e9rios de seguran\u00e7a. Tanto que, em janeiro de 1986, viria a trag\u00e9dia do \u00f4nibus espacial Challenger, que explodiu pouco ap\u00f3s a decolagem matando os sete astronautas a bordo.<\/p>\n<p>O \u00f4nibus espacial, em contraste com os avi\u00f5es, oferecia riscos inerentes ao design, que n\u00e3o podiam ser completamente eliminados. Ainda assim, a Nasa os manteve em opera\u00e7\u00e3o at\u00e9 2011, passando por mais um acidente fatal com o Columbia, em 2003, a fim de concluir a constru\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/11\/ocupacao-da-estacao-espacial-internacional-completa-25-anos-em-clima-de-fim-de-festa.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional<\/a>.<\/p>\n<p>Estava claro, \u00e0quela altura, que, apesar de reutiliz\u00e1veis, os \u00f4nibus espaciais exigiam tanta manuten\u00e7\u00e3o e traziam tantos riscos que sua opera\u00e7\u00e3o era mais cara at\u00e9 do que voos com os convencionais foguetes descart\u00e1veis, como predominou na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e, mais tarde, na R\u00fassia.<\/p>\n<p>Por sinal, os sovi\u00e9ticos chegaram a desenvolver seu equivalente do \u00f4nibus espacial, o Buran, mas realizaram apenas um voo espacial, sem tripula\u00e7\u00e3o, antes de aposent\u00e1-lo e manter o programa apenas com foguetes e c\u00e1psulas descart\u00e1veis Soyuz.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo 20, simplesmente n\u00e3o havia tecnologia dispon\u00edvel capaz de realizar o sonho dos ve\u00edculos espaciais reutiliz\u00e1veis. E tanto governos quanto a ind\u00fastria se acostumaram \u00e0 ideia de que o espa\u00e7o seria mesmo um ambiente de opera\u00e7\u00e3o para poucos, a custos exorbitantes.<\/p>\n<p>De volta para o futuro<\/p>\n<p>Os entusiastas da explora\u00e7\u00e3o espacial, para n\u00e3o falar nos f\u00e3s de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica (que viram um &#8220;espa\u00e7oplano&#8221; da Pan Am voar para uma esta\u00e7\u00e3o em \u00f3rbita lunar no cl\u00e1ssico &#8220;2001: Uma Odisseia no Espa\u00e7o&#8221;, de 1968), evidentemente n\u00e3o estavam satisfeitos com esse estado de coisas. O que poderia ser feito para mudar essa din\u00e2mica?<\/p>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o veio, de novo, dos prim\u00f3rdios da avia\u00e7\u00e3o, em que os pioneiros eram incentivados a inovar e aprimorar seus ve\u00edculos (assumindo muitos riscos) em busca de pr\u00eamios. Em 1996, o engenheiro Peter Diamandis criou o Pr\u00eamio X, que pagaria US$ 10 milh\u00f5es ao primeiro grupo privado que conseguisse desenvolver um ve\u00edculo suborbital (capaz de voo espacial, mas sem atingir velocidade orbital) que levasse um piloto em dois voos, separados por n\u00e3o mais que duas semanas.<\/p>\n<p>O projeto mais tarde seria rebatizado de Pr\u00eamio X Ansari, ap\u00f3s uma doa\u00e7\u00e3o multimilion\u00e1ria do casal Anousheh e Amir Ansari, e o vencedor surgiria em 2004, com a SpaceShipOne, projeto do engenheiro Burt Rutan com financiamento de Paul Allen, cofundador da Microsoft.<\/p>\n<p>Essa nave, por sinal, tornou-se a base para os ve\u00edculos da empresa<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2024\/06\/virgin-galactic-faz-ultimo-voo-espacial-antes-de-pausa-de-dois-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Virgin Galactic<\/a>, que usaria mais tarde (e com muita dificuldade) a tecnologia para realizar voos tur\u00edsticos suborbitais, a partir de 2023 (ap\u00f3s v\u00e1rios voos de teste, inclusive um que matou o piloto, em 2014), mostrando que, mesmo na escala suborbital, naves reutiliz\u00e1veis ainda ofereciam desafios consider\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em paralelo, sem participar da disputa pelo Pr\u00eamio X, outro gigante da inform\u00e1tica, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/jeff-bezos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Jeff Bezos<\/a> (o dono da Amazon), abria sua pr\u00f3pria empresa espacial, a Blue Origin. Inicialmente cercada de segredos, ela pretendia completar a escadinha de desenvolvimento que ia do voo suborbital ao orbital por meio de foguetes reutiliz\u00e1veis. A essa altura, n\u00e3o mais com espa\u00e7oplanos, como eram o \u00f4nibus espacial e as naves da Virgin Galactic, mas com modelos mais tradicionais de foguetes, tentando o que por muito tempo parecia imposs\u00edvel: al\u00e9m da decolagem, realizar o pouso tamb\u00e9m na vertical, usando propuls\u00e3o.<\/p>\n<p>Pouco se menciona, mas o primeiro foguete a realizar um pouso vertical controlado ap\u00f3s impulsionar uma c\u00e1psula ao espa\u00e7o (embora apenas em voo suborbital) foi o New Shepard, em 23 de novembro de 2015. Mas a lideran\u00e7a duraria pouqu\u00edssimo tempo.<\/p>\n<p>O X da quest\u00e3o<\/p>\n<p>Ap\u00f3s in\u00fameros experimentos (e uma s\u00e9rie de fracassos, como se \u00e9 de esperar no desenvolvimento de uma nova tecnologia), a empresa <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/spacex\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">SpaceX<\/a>, de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/elon-musk\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Elon Musk<\/a>, realizou o primeiro pouso vertical de um de seus primeiros est\u00e1gios do foguete Falcon 9 em 21 de dezembro de 2015, praticamente um m\u00eas depois do New Shepard. A diferen\u00e7a entre os feitos, contudo, era colossal.<\/p>\n<p>Enquanto um foguete suborbital s\u00f3 sobe at\u00e9 a beirada do espa\u00e7o (100 km de altitude) e desce de volta, atingindo quando muito uns 5.000 km\/h, um foguete que impulsionar\u00e1 um ve\u00edculo at\u00e9 a \u00f3rbita precisa atingir uma velocidade muito maior, cerca de 27 mil km\/h. Isso implica desafios muito maiores quando um est\u00e1gio desse foguete precisa reentrar na atmosfera e guiar-se para um pouso vertical controlado.<\/p>\n<p>Somente uma combina\u00e7\u00e3o de poder computacional de processamento r\u00e1pido e grande quantidade de sensores embarcados torna essa jornada poss\u00edvel. O desafio era t\u00e3o grande que, at\u00e9 a SpaceX demonstrar o pouso, muitos engenheiros aeroespaciais consideravam o feito imposs\u00edvel, ou, no m\u00ednimo, impratic\u00e1vel, com mais falhas do que acertos.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a SpaceX demonstrou profici\u00eancia na manobra, recuperando seus primeiros est\u00e1gios centenas de vezes. Ainda assim, como visto na hist\u00f3ria dos \u00f4nibus espaciais, isso era s\u00f3 uma parte do jogo. A outra era o custo de recauchutagem dos foguetes para re\u00faso. De novo, muitos engenheiros na concorr\u00eancia se mostraram c\u00e9ticos, apostando que tudo n\u00e3o passava de um truque, e que o pre\u00e7o de recondicionar os foguetes seria superior ao de fabricar novos. Mais uma vez, enganaram-se.<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 est\u00e1gios do Falcon 9 que realizaram 31 voos, e o recorde atual de turnaround entre dois voos do mesmo est\u00e1gio \u00e9 de 9 dias. De novo, n\u00e3o \u00e9 como o de um avi\u00e3o, medido em minutos, mas j\u00e1 \u00e9 suficientemente revolucion\u00e1rio para colocar a empresa de Musk como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/04\/spacex-domina-mercado-de-foguetes-ao-criar-sua-propria-demanda.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">l\u00edder absoluta de lan\u00e7amentos comerciais no mundo todo<\/a>. A SpaceX hoje lan\u00e7a mais foguetes que o resto do mundo, inclusive concorrentes americanos, combinado. Com um pre\u00e7o imbat\u00edvel.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos 25 anos<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias disso s\u00f3 agora come\u00e7am a ser sentidas. Para in\u00edcio de conversa, a redu\u00e7\u00e3o radical no custo dos lan\u00e7amentos permitiu \u00e0 SpaceX realizar um projeto cuja escala estava al\u00e9m das possibilidades mesmo de governos: uma megaconstela\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites em \u00f3rbita baixa para fornecimento de sinal de internet r\u00e1pida de baixa lat\u00eancia em escala global. Lan\u00e7ando seus sat\u00e9lites \u00e0s d\u00fazias com os foguetes Falcon 9, a companhia j\u00e1 tem mais desses artefatos no espa\u00e7o do que o resto do mundo combinado. S\u00e3o neste momento cerca de 8.000 sat\u00e9lites da rede em \u00f3rbita, mais de 65% do total em opera\u00e7\u00e3o hoje.<\/p>\n<p>Com isso, ela literalmente inventou um novo mercado de explora\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. E outros concorrentes v\u00eam a\u00ed para disput\u00e1-lo. A Amazon tem sua pr\u00f3pria iniciativa semelhante, Projeto Kuiper. Os chineses tamb\u00e9m planejam suas megaconstela\u00e7\u00f5es em \u00f3rbita baixa. A correria \u00e9 tanta que j\u00e1 h\u00e1 grandes preocupa\u00e7\u00f5es sobre o sobre\u00faso dessa regi\u00e3o do espa\u00e7o, com risco de colis\u00f5es que poderiam aumentar exponencialmente o problema do lixo espacial. Falta regulamenta\u00e7\u00e3o, porque era um problema virtualmente inexistente at\u00e9 uma d\u00e9cada atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Essa, naturalmente, \u00e9 s\u00f3 a ponta do iceberg. Diversas outras iniciativas at\u00e9 ent\u00e3o consideradas &#8220;imposs\u00edveis&#8221; passam a ser vi\u00e1veis com o barateamento dos foguetes. Exemplos: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/turismo-espacial\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">turismo espacial<\/a> em larga escala ou mesmo <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/01\/mineracao-na-lua-tem-mais-perguntas-do-que-respostas-mas-muitos-querem-tentar.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">minera\u00e7\u00e3o da Lua<\/a> e de asteroides. Hoje vemos pa\u00edses se digladiarem por reservas de terras raras por aqui. Amanh\u00e3, poder\u00e3o estar disputando esses mesmos recursos em solo lunar. Sem falar em outras aplica\u00e7\u00f5es como gera\u00e7\u00e3o de energia limpa a partir do espa\u00e7o e mesmo coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de ser engolida pela SpaceX, a concorr\u00eancia come\u00e7a a tentar recuperar o terreno perdido. Na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/china\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">China<\/a>, diversas startups espaciais est\u00e3o tentando desenvolver seus pr\u00f3prios foguetes reutiliz\u00e1veis. A Blue Origin <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/11\/blue-origin-lanca-foguete-com-sondas-para-investigar-historia-climatica-de-marte.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">conseguiu recuperar em novembro o primeiro est\u00e1gio de seu lan\u00e7ador New Glenn<\/a>, com o qual espera replicar em escala orbital o sucesso obtido com o pequenino New Shepard. Os europeus, antes confort\u00e1veis com o sucesso da empresa Arianespace em lan\u00e7amentos comerciais, j\u00e1 falam em urg\u00eancia no desenvolvimento de ve\u00edculos reutiliz\u00e1veis.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a SpaceX segue dois passos \u00e0 frente da concorr\u00eancia, com o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/10\/segundo-voo-perfeito-do-starship-abre-nova-fase-no-programa.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">desenvolvimento do Starship<\/a> \u2013o maior foguete j\u00e1 constru\u00eddo. Em contraste com o Falcon 9, ele pretende ser totalmente reutiliz\u00e1vel. Enquanto seu predecessor s\u00f3 recupera o primeiro est\u00e1gio (que corresponde a 90% do custo do foguete), o Starship pretende recuperar os dois, e proceder com r\u00e1pido turnaround, a\u00ed sim \u00e0 moda dos avi\u00f5es. O plano \u00e9 trazer os dois est\u00e1gios de volta \u00e0 plataforma, reabastecer e coloc\u00e1-los novamente para voar, talvez com um intervalo de uma hora entre pouso e decolagem.<\/p>\n<p>O programa de desenvolvimento evolui a passos mais lentos do que desejaria Musk, mas evolui. Talvez seja um passo maior que a perna, a exemplo dos antigos \u00f4nibus espaciais, mas mesmo como sucesso parcial j\u00e1 ser\u00e1 um n\u00edvel de acesso ao espa\u00e7o diferente de tudo que veio antes. Capacidade de transportar at\u00e9 200 toneladas de cada vez \u00e0 superf\u00edcie da Lua ou de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/marte\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Marte<\/a>, para citar o tamanho da revolu\u00e7\u00e3o. Voos frequentes. Capacidade de voo ponto a ponto na pr\u00f3pria Terra. Isso permitir\u00e1 um aumento exponencial das atividades espaciais.<\/p>\n<p>E o modelo naturalmente ser\u00e1 replicado. J\u00e1 tem gente na China desenvolvendo clones do Starship. O que significa que essa \u00e9 uma transforma\u00e7\u00e3o que vir\u00e1 para ficar. Voar ao espa\u00e7o pode, nos pr\u00f3ximos 25 anos, tornar-se quase t\u00e3o comum quanto viajar de avi\u00e3o. E a transforma\u00e7\u00e3o de paradigma, abrindo as portas do Sistema Solar \u00e0 humanidade, aconteceu exatamente neste primeiro quarto do s\u00e9culo 21.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O espa\u00e7o nunca mais ser\u00e1 o mesmo depois do primeiro quarto do s\u00e9culo 21. 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