{"id":205713,"date":"2025-12-28T12:41:13","date_gmt":"2025-12-28T12:41:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/205713\/"},"modified":"2025-12-28T12:41:13","modified_gmt":"2025-12-28T12:41:13","slug":"as-abelhas-conseguem-processar-o-tempo-e-esta-descoberta-pode-ajudar-a-resolver-um-debate-antigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/205713\/","title":{"rendered":"As abelhas conseguem processar o tempo. E esta descoberta pode ajudar a resolver um debate antigo"},"content":{"rendered":"<p _d-id=\"81592\">As abelhas s\u00e3o capazes de processar a dura\u00e7\u00e3o dos flashes de luz e utilizar essa informa\u00e7\u00e3o para decidir onde procurar alimento, segundo um novo estudo.<\/p>\n<p _d-id=\"81599\">Esta \u00e9 a primeira evid\u00eancia de tal capacidade em insetos, segundo o estudante de doutoramento Alex Davidson e a sua orientadora Elisabetta Versace, professora catedr\u00e1tica de psicologia na Universidade Queen Mary de Londres. A descoberta poder\u00e1 ajudar a resolver um antigo debate entre os cientistas sobre se os insetos s\u00e3o capazes de processar padr\u00f5es complexos, diz Versace \u00e0 CNN.<\/p>\n<p _d-id=\"81601\">\u201cAntigamente, pensava-se que eram apenas m\u00e1quinas de reflexo muito b\u00e1sicas que n\u00e3o tinham qualquer flexibilidade\u201d, afirma.<\/p>\n<p _d-id=\"81603\">Para chegar a esta conclus\u00e3o, a equipa criou um labirinto atrav\u00e9s do qual as abelhas passavam quando sa\u00edam da colmeia para procurar comida.<\/p>\n<p _d-id=\"81605\">Os investigadores apresentaram aos insetos dois est\u00edmulos visuais: um c\u00edrculo que se iluminava com um breve flash e outro com um flash de luz prolongado.<\/p>\n<p _d-id=\"81607\">Ao aproximarem-se destes c\u00edrculos, as abelhas encontravam num deles um alimento doce de que gostam e no outro um alimento amargo de que n\u00e3o gostam.<\/p>\n<p _d-id=\"81609\">Os c\u00edrculos estavam em posi\u00e7\u00f5es diferentes em cada sala do labirinto, mas mesmo assim as abelhas aprenderam, ao longo de diferentes per\u00edodos de tempo, a voar em dire\u00e7\u00e3o ao curto clar\u00e3o de luz associado ao alimento doce.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"707\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/691f692dd34e2bd5c6d439dd.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Um modelo 3D do labirinto utilizado pelos investigadores (Alex Davidson\/Queen Mary University) <\/p>\n<p _d-id=\"81611\">Davidson e Versace testaram ent\u00e3o o comportamento das abelhas quando n\u00e3o havia alimento presente, para excluir a possibilidade de as abelhas verem ou cheirarem a comida a\u00e7ucarada.<\/p>\n<p _d-id=\"81617\">Descobriram que as abelhas eram capazes de distinguir os c\u00edrculos com base na dura\u00e7\u00e3o dos flashes de luz, em vez de outras pistas.<\/p>\n<p _d-id=\"81619\">\u201cDesta forma, mostramos que a abelha est\u00e1 a processar a diferen\u00e7a de tempo entre eles para orientar a sua escolha de alimenta\u00e7\u00e3o\u201d, aponta Davidson.<\/p>\n<p _d-id=\"81622\">\u201cFic\u00e1mos satisfeitos por ver que, de facto, as abelhas conseguem processar est\u00edmulos que, ao longo da evolu\u00e7\u00e3o, nunca tinham visto antes\u201d, sublinha Versace, referindo-se aos flashes de luz.<\/p>\n<p _d-id=\"81623\">\u201cS\u00e3o capazes de utilizar est\u00edmulos novos que nunca viram antes para resolver tarefas de forma flex\u00edvel\u201d, acrescenta Versace. \u201cPenso que isto \u00e9 realmente not\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p _d-id=\"81625\">Os investigadores afirmam que as abelhas s\u00e3o dos poucos animais, incluindo os humanos e outros vertebrados como os macacos e os pombos, que foram capazes de distinguir entre flashes curtos e longos, neste caso entre 0,5 e cinco segundos.<\/p>\n<p _d-id=\"81627\">Por exemplo, esta capacidade ajuda os humanos a compreender o c\u00f3digo Morse, em que um flash curto \u00e9 utilizado para comunicar a letra \u201cE\u201d e um flash longo a letra \u201cT\u201d.<\/p>\n<p>Mais do que &#8220;apenas m\u00e1quinas&#8221; <\/p>\n<p _d-id=\"81631\">N\u00e3o \u00e9 claro como \u00e9 que as abelhas s\u00e3o capazes de avaliar a dura\u00e7\u00e3o do tempo, mas a equipa planeia agora investigar os mecanismos neurais que permitem que os insetos o fa\u00e7am.<\/p>\n<p _d-id=\"81633\">Os cientistas planeiam tamb\u00e9m realizar uma investiga\u00e7\u00e3o semelhante com abelhas capazes de se movimentar livremente em col\u00f3nias, em vez de individualmente, e investigar as diferen\u00e7as cognitivas que permitem que algumas abelhas aprendam a avaliar a dura\u00e7\u00e3o do tempo mais rapidamente do que outras.<\/p>\n<p _d-id=\"81635\">Davidson espera que os resultados ajudem as pessoas a compreender que as abelhas e outros insetos n\u00e3o s\u00e3o simples \u201cm\u00e1quinas movidas essencialmente pelo instinto\u201d, mas sim \u201canimais complexos com vidas interiores que t\u00eam experi\u00eancias \u00fanicas\u201d.<\/p>\n<p _d-id=\"81637\">\u201cDe facto, possuem uma cogni\u00e7\u00e3o complexa, esta flexibilidade na aprendizagem, na mem\u00f3ria e no comportamento\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p _d-id=\"81639\">Isto pode ajudar as pessoas a ver as abelhas como algo mais do que simples polinizadores, observa Versace.<\/p>\n<p _d-id=\"81641\">\u201cN\u00e3o s\u00e3o apenas m\u00e1quinas para os nossos prop\u00f3sitos\u201d, sublinha Versace.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/691f692dd34e2bd5c6d439df.webp\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>   Os investigadores dizem esperar que as conclus\u00f5es do estudo ajudem as pessoas a ver que as abelhas s\u00e3o mais do que simples polinizadores (Sunbird Images\/imageBROKER\/Shutterstock) <\/p>\n<p _d-id=\"81643\">Segundo Davidson, as descobertas tamb\u00e9m levantam ideias importantes sobre a nossa pr\u00f3pria compreens\u00e3o do tempo.<\/p>\n<p _d-id=\"81649\">\u201c\u00c9 uma parte fundamental das nossas vidas e das vidas de todos os animais\u201d, mas, diz, ainda n\u00e3o compreendemos bem o que \u00e9 o tempo e como lidamos com ele nas nossas mentes.<\/p>\n<p _d-id=\"81651\">\u201cPenso que este estudo \u00e9 muito interessante porque mostra que n\u00e3o se trata apenas de uma quest\u00e3o humana\u201d, argumenta Davidson.<\/p>\n<p _d-id=\"81653\">Os investigadores apresentaram as suas conclus\u00f5es na <a href=\"https:\/\/royalsocietypublishing.org\/doi\/10.1098\/rsbl.2025.0440\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">revista Biology Letters<\/a>.<\/p>\n<p _d-id=\"81655\">O estudo mostra \u201cque as abelhas possuem um sofisticado sentido do tempo\u201d, segundo Cintia Akemi Oi, investigadora de p\u00f3s-doutoramento no Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Biodiversidade e Ambiente da University College London. Oi n\u00e3o esteve envolvida na nova investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p _d-id=\"81657\">\u201cEsta descoberta faz todo o sentido, uma vez que as abelhas t\u00eam de gerir cuidadosamente o seu tempo durante a procura de alimento para maximizar as recompensas e minimizar os custos de regresso \u00e0 colmeia\u201d, explica, prosseguindo: \u201cEstes estudos n\u00e3o s\u00f3 ajudam a compreender a cogni\u00e7\u00e3o dos insetos, como tamb\u00e9m lan\u00e7am luz sobre carater\u00edsticas comuns e \u00fanicas das suas fun\u00e7\u00f5es neuronais, oferecendo informa\u00e7\u00f5es valiosas.\u201d<\/p>\n<p _d-id=\"85867\">Jolyon Troscianko, um ecologista visual da Universidade de Exeter, em Inglaterra, que n\u00e3o esteve envolvido no estudo, disse \u00e0 CNN que os resultados mostram que as abelhas \u201cdevem estar a usar um mecanismo de aprendizagem que permite medir a dura\u00e7\u00e3o do tempo\u201d.<\/p>\n<p _d-id=\"85868\">O m\u00e9todo mostra que as abelhas podem aprender utilizando informa\u00e7\u00f5es fora do seu contexto ecol\u00f3gico habitual, \u201co que \u00e9 fascinante, uma vez que demonstra como este tipo de aprendizagem geral pode ser conseguido com c\u00e9rebros muito mais pequenos do que os das aves e roedores nos quais os trabalhos anteriores se centraram\u201d, aponta.<\/p>\n<p _d-id=\"85870\">\u201cPor conseguinte, nem sempre s\u00e3o necess\u00e1rios c\u00e9rebros maiores para demonstrar capacidades cognitivas realmente impressionantes.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As abelhas s\u00e3o capazes de processar a dura\u00e7\u00e3o dos flashes de luz e utilizar essa informa\u00e7\u00e3o para decidir&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":205714,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[2400,609,836,611,27,109,107,108,607,608,40593,333,832,604,135,610,476,1347,301,830,3534,1173,603,570,831,833,62,834,13,835,602,52,32,33,105,103,104,106,110,29],"class_list":["post-205713","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-abelhas","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-colmeias","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-estudo","tag-governo","tag-guerra","tag-insetos","tag-investigacao","tag-justica","tag-live","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-noticias","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia","tag-ultimas"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205713","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=205713"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205713\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/205714"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=205713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=205713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=205713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}