{"id":205732,"date":"2025-12-28T13:00:04","date_gmt":"2025-12-28T13:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/205732\/"},"modified":"2025-12-28T13:00:04","modified_gmt":"2025-12-28T13:00:04","slug":"em-dez-eleicoes-cinco-presidentes-moldaram-a-politica-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/205732\/","title":{"rendered":"Em dez elei\u00e7\u00f5es, cinco presidentes moldaram a pol\u00edtica portuguesa"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ramalho Eanes<\/strong><br \/>Militares na linha da frente<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"inread\">As primeiras elei\u00e7\u00f5es presidenciais em democracia foram disputadas em junho de 1976 e, na senda da revolu\u00e7\u00e3o de 1974, tr\u00eas dos principais candidatos eram militares, Ramalho Eanes, Otelo Saraiva de Carvalho e Pinheiro de Azevedo. O \u00fanico civil nesta corrida eleitoral foi Oct\u00e1vio Pato, apoiado pelo PCP, que ficaria em quarto lugar nas urnas (com 7,5% dos votos), com o general Ant\u00f3nio Ramalho Eanes a ganhar destacado (com 61,5%) e o major Otelo Saraiva de Carvalho em segundo lugar (com 16,4%).<\/p>\n<p>O almirante Pinheiro de Azevedo foi o terceiro mais votado (14% dos votos), depois de ter passado os \u00faltimos dias da agitada campanha no hospital, na sequ\u00eancia de um ataque card\u00edaco sofrido pouco depois de uma confer\u00eancia de imprensa no Porto.<\/p>\n<p>A morte de Francisco S\u00e1 Carneiro e de Adelino Amaro da Costa a 4 de dezembro de 1980 marcou as presidenciais que viriam a ter lugar tr\u00eas dias depois, disputadas por Ramalho Eanes e Soares Carneiro. A Comiss\u00e3o Nacional de Elei\u00e7\u00f5es (CNE) decidiu que a situa\u00e7\u00e3o decorrente da morte do primeiro-ministro n\u00e3o constituiu &#8220;fundamento legal para o adiamento do ato eleitoral&#8221; e este realizou-se como previsto a 7 de dezembro de 1980. O general foi reeleito presidente da Rep\u00fablica com 56,4% dos votos, ficando Soares Carneiro com 40,2%.<\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio Soares<\/strong><br \/>Da divis\u00e3o ao presidente de todos<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro1\"><img decoding=\"async\" class=\"ngx-body\" guid=\"9c61f365-20b6-4ac0-b799-709976053065\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766926803_468_image.webp\" width=\"100%\"\/><\/p>\n<p>A campanha eleitoral para as presidenciais de 1986 foi a mais longa at\u00e9 agora, dado que o presidente da Rep\u00fablica s\u00f3 seria escolhido na segunda volta (primeira e \u00fanica vez que tal aconteceu), disputada por M\u00e1rio Soares e Freitas do Amaral. No in\u00edcio da campanha, cinco candidatos estavam na linha de partida, todos civis, mas s\u00f3 quatro foram a votos a 26 de janeiro de 1986. \u00c2ngelo Veloso, candidato do PCP, desistiu a favor de Salgado Zenha, que foi apoiado tamb\u00e9m pelo PRD.<\/p>\n<p>A primeira volta acabou por ser as prim\u00e1rias da Esquerda, disputadas pela independente Maria de Lurdes Pintasilgo, Salgado Zenha e M\u00e1rio Soares, apoiado pelo PS, enquanto \u00e0 Direita Freitas do Amaral congregava os apoios de PSD e CDS e surgia como o favorito.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro2\">Na campanha, Soares foi agredido na Marinha Grande num protesto com palavras de ordem contra os sal\u00e1rios em atraso, um incidente que mais tarde seria considerado um ponto de viragem na candidatura. Na segunda volta, a Esquerda uniu-se para travar Freitas. A 16 de fevereiro de 1986, M\u00e1rio Soares ganhou com 51,1% dos votos e Freitas do Amaral ficou com 48,8%, a menos de 140 mil votos.<\/p>\n<p>Em 1991, Soares conseguiu quase 3,5 milh\u00f5es de votos e seria eleito para um segundo mandato ultrapassando o recorde de 3,2 milh\u00f5es de votos obtido por Ramalho Eanes quando foi reeleito em 1980.<\/p>\n<p><strong>Jorge Sampaio<\/strong><br \/>O discurso do di\u00e1logo e da estabilidade<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"ngx-body\" guid=\"f6c98365-ea51-4e51-891e-f4b2a82c0f19\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766926803_193_image.webp\" width=\"100%\"\/><\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro3\">O socialista Jorge Sampaio sucedeu ao socialista M\u00e1rio Soares no Pal\u00e1cio de Bel\u00e9m, em 1996, ano em que bateu, \u00e0 Direita, Cavaco Silva. Ap\u00f3s meses de tabu, Cavaco, primeiro-ministro durante dez anos, lan\u00e7ou-se na corrida presidencial de 1996 para defrontar Sampaio, numa campanha em que se falou do &#8220;Portugal cat\u00f3lico&#8221;, de di\u00e1logo e de abrang\u00eancia. Jer\u00f3nimo de Sousa, apoiado pelo PCP, e Alberto Matos, da UDP, estiveram na linha de partida, mas n\u00e3o chegaram a ir a votos. Jorge Sampaio foi eleito \u00e0 primeira volta com 53,91% dos votos e Cavaco ficou com 46,09% e esperou mais dez anos para chegar a Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>Jorge Sampaio foi reeleito presidente da Rep\u00fablica a 14 de janeiro de 2001, com uma elevada absten\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s uma campanha contaminada pela pol\u00e9mica do uso de ur\u00e2nio empobrecido no Kosovo. Garcia Pereira, Ferreira do Amaral, Fernando Rosas, Ant\u00f3nio Abreu e Jorge Sampaio surgiram por esta ordem no boletim de voto dessas presidenciais, as primeiras em que os emigrantes puderam votar. Sampaio tornou-se o terceiro presidente da Rep\u00fablica a ser reeleito (conseguiu 55,5 por cento dos votos).<\/p>\n<p><strong>Cavaco Silva<\/strong><br \/>Bateu Soares e &#8220;trope\u00e7ou&#8221; no caso BPN<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"ngx-body\" guid=\"45939629-c8c3-4bc8-babc-94be4cfc8bc9\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766926803_690_image.webp\" width=\"100%\"\/><\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro4\">Cavaco Silva venceu as presidenciais de 2006, com os socialistas divididos, numa elei\u00e7\u00e3o em que reencontrou M\u00e1rio Soares, o presidente com quem o antigo primeiro-ministro do PSD coabitou durante dez anos. Cavaco, Soares e Manuel Alegre foram os principais candidatos, com o primeiro a dramatizar a import\u00e2ncia das elei\u00e7\u00f5es e os dois socialistas a disputarem o mesmo espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es disputadas a 22 de janeiro, Cavaco Silva foi eleito logo na primeira volta, ao alcan\u00e7ar 50,54%, Manuel Alegre surpreendeu em segundo lugar com 20,74% e M\u00e1rio Soares surgiu apenas na terceira posi\u00e7\u00e3o com 14,31%.<\/p>\n<p>O caso BPN e os sinais crescentes de crise estiveram patentes na campanha para as presidenciais de janeiro de 2011, com Cavaco Silva a recandidatar-se, tendo como principal advers\u00e1rio o socialista Manuel Alegre. A crise foi outro assunto em destaque ao longo do per\u00edodo eleitoral.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro5\">A 23 de janeiro de 2011, Cavaco Silva foi reeleito com 52,95% dos votos, Alegre alcan\u00e7ou 19,76%, Fernando Nobre 14%, Francisco Lopes 7,14%, Jos\u00e9 Manuel Coelho 4,5% e Defensor Moura 1,5%.<\/p>\n<p><strong>Marcelo Rebelo de Sousa<\/strong><br \/>Ensaiou com selfies presid\u00eancia dos afetos<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"ngx-body\" guid=\"ae0aae12-f95f-4a39-b2e7-5875046a18cc\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766926803_14_image.webp\" width=\"100%\"\/><\/p>\n<p>Marcelo Rebelo de Sousa fez duas campanhas pouco convencionais, ganhou as elei\u00e7\u00f5es presidenciais e em 2021 viu emergir as for\u00e7as da extrema-direita e Andr\u00e9 Ventura. O ex-l\u00edder do PSD que, anos a fio, &#8220;entrou&#8221; pela televis\u00e3o na casa dos portugueses como comentador pol\u00edtico, ganhou as presidenciais de 2016 praticamente sozinho, sem cartazes nem com\u00edcios.<\/p>\n<p>Numa elei\u00e7\u00e3o com n\u00famero recorde de candidatos &#8211; dez &#8211; a Esquerda dividiu-se. E o PS, rec\u00e9m-chegado ao poder com o Governo de Ant\u00f3nio Costa, n\u00e3o apoiou formalmente ningu\u00e9m. No dia das elei\u00e7\u00f5es, em 24 de janeiro de 2016, o professor de Direito Constitucional teve mais de metade dos votos expressos (52%). Em 2021, sem surpresa, foi reeleito com 61%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ramalho EanesMilitares na linha da frente As primeiras elei\u00e7\u00f5es presidenciais em democracia foram disputadas em junho de 1976&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":205733,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,29297,15,16,14,40138,25,26,21,22,588,9067,619,12,13,19,20,32,5215,23,24,33,35746,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-205732","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-cavaco-silva","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-jorge-sampaio","15":"tag-latest-news","16":"tag-latestnews","17":"tag-main-news","18":"tag-mainnews","19":"tag-marcelo-rebelo-de-sousa","20":"tag-mario-soares","21":"tag-nacional","22":"tag-news","23":"tag-noticias","24":"tag-noticias-principais","25":"tag-noticiasprincipais","26":"tag-portugal","27":"tag-presidenciais","28":"tag-principais-noticias","29":"tag-principaisnoticias","30":"tag-pt","31":"tag-ramalho-eanes","32":"tag-top-stories","33":"tag-topstories","34":"tag-ultimas","35":"tag-ultimas-noticias","36":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115797323583798735","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=205732"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205732\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/205733"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=205732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=205732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=205732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}