{"id":205948,"date":"2025-12-29T09:39:08","date_gmt":"2025-12-29T09:39:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/205948\/"},"modified":"2025-12-29T09:39:08","modified_gmt":"2025-12-29T09:39:08","slug":"seis-filmes-essenciais-para-recordar-brigitte-bardot-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/205948\/","title":{"rendered":"Seis filmes essenciais para recordar Brigitte Bardot \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>As outras precisavam do nome ou de uma alcunha. A BrigitteBardot bastavam as iniciais, B.B., para ser reconhecida em todo o mundo. <strong>De uma beleza fora deste mundo, uma feminilidade exuberante e uma sensualidade ardente, que nunca exclu\u00edram a alegria e a do\u00e7ura, <\/strong>espont\u00e2nea no seu erotismo como no seu comportamento, independente e desempoeirada, BrigitteBardot antecipou a modernidade para as mulheres, a revolu\u00e7\u00e3o dos costumes e o feminismo (que, ali\u00e1s, execrava). E foi uma das maiores express\u00f5es vivas da pujan\u00e7a, do optimismo, da confian\u00e7a e da afirma\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a gaulista e das \u201ctrente glorieuses\u201d, as tr\u00eas d\u00e9cadas de progresso e prosperidade do pa\u00eds desde os anos 50 at\u00e9 ao fim dos anos 70.<\/p>\n<p>Supremo objecto de desejo dos homens, admirada, invejada e imitada pelas mulheres, B.B. foi um dos mais poderosos e importantes s\u00edmbolos, e representantes culturais e da imagem da Fran\u00e7a no estrangeiro, tendo de Gaulle dito que era t\u00e3o valiosa para o PIB do pa\u00eds como a Renault. <strong>Admirada e elogiada por figuras t\u00e3o diversas como Jean Cocteau\u00a0<\/strong>(\u201cEla vive como toda a gente n\u00e3o sendo igual a ningu\u00e9m\u201d) <strong>e Roland\u00a0Barthes\u00a0<\/strong>(\u201cEla n\u00e3o \u00e9 mais licenciosa do que qualquer outra, mas simplesmente mais libertada\u201d)<strong>, <\/strong>Bardot dominou olimpicamente o cinema franc\u00eas dos finais da d\u00e9cada de 50, quando irrompeu em E Deus Criou a Mulher (1956), de RogerVadim, o seu Pigmali\u00e3o e primeiro marido, at\u00e9 1973, quando se fartou dos filmes \u2013 <strong>tinha s\u00f3 39 anos \u2013 e decidiu sair de cena, e dedicar-se inteiramente \u00e0 sua funda\u00e7\u00e3o para a defesa dos animais<\/strong>.<\/p>\n<p>Gaulista ferrenha e grande patriota, B.B. nunca teve papas na l\u00edngua quando se tratou de apontar os males de que a Fran\u00e7a padecia e de que se ressente cada vez mais, por culpa de sucessivas gera\u00e7\u00f5es de pol\u00edticos, e por isso sofreu a indignidade de ser condenada e multada v\u00e1rias vezes por \u201cafirma\u00e7\u00f5es racistas\u201d. Mas mau-grado a azia de boa parte da classe pol\u00edtica e o esc\u00e1rnio da esquerda bem-pensante, a esmagadora maioria dos franceses continuou a admir\u00e1-la e a acarinh\u00e1-la, <strong>ela que foi escolhida para ser o modelo do busto de Marianne, <\/strong>a personifica\u00e7\u00e3o feminina da Rep\u00fablica, corporizou como nenhuma outra a mulher francesa do s\u00e9culo XX e foi a sua mais avassaladora manifesta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>Emblema superior do cinema franc\u00eas, al\u00e7ada a alturas m\u00edticas e a uma eternidade s\u00f3 atingidas por nomes como Jean Gabin, Alain Delon, Jean-Paul Belmondo, Jeanne Moreau ou Catherine Deneuve, B.B. era uma actriz natural e instintiva que sabia compreender as personagens, e as suas qualidades inatas de \u201cestrela\u201d supriam quaisquer limita\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas que tivesse. Como as maiores e mais genu\u00ednas \u201cestrelas\u201d, bastava-lhe ser ela mesma, interpretar-se a si pr\u00f3pria, passear todo o seu esplendor feminino e deixar que a c\u00e2mara a celebrasse.<strong> Eis seis filmes fundamentais de BrigitteBardot.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2018E Deus Criou a Mulher\u2019, de Roger Vadim (1956)<\/strong> \u2013 Brigitte Bardot j\u00e1 tinha aparecido em v\u00e1rios filmes antes deste, mas foi E Deus Criou a Mulher, do seu ent\u00e3o marido Roger Vadim, que a transformou de starlette e gamine sensual de 22 anos em estrela de cinema e s\u00edmbolo sexual de dimens\u00e3o mundial. Ela \u00e9 Juliete Hardy, a loira de cintura de vespa e andar provocadoramente ondulante, que obceca homens velhos e novos ao mesmo tempo, passeando-se por Saint-Tropez e dan\u00e7ando arrebatadamente em Technicolor. Vadim tinha criado a mulher do p\u00f3s-guerra e do s\u00e9culo XX por excel\u00eancia, e um dos mitos supremos do cinema. E em pouco tempo B.B. fugiria ao seu controle de marido e gestor de carreira.<\/p>\n<p><strong>\u2018Um Caso Perdido\u2019, de Claude Autant-Lara (1958)<\/strong> \u2013 Antes de contracenar com B.B. em Um Caso Perdido, adaptado de um livro de Georges Simenon, Jean Gabin chamava-lhe \u201caquela coisa que se passeia nua\u201d. Depois, passou a gabar-lhe o seu \u201cverdadeiro profissionalismo\u201d. O monstro sagrado do cinema franc\u00eas inclinava-se ante este jovem e capitoso fen\u00f3meno da tela. Bardot interpreta Yvette Maudet, uma ladra que n\u00e3o hesita em jogar a cartada da carnalidade para sobreviver, e que \u00e9 defendida por Andr\u00e9 Gobillot (Gabin), um advogado prestigiado, casado e muito mais velho que ela, e com o qual acaba por se envolver e levar a violar a \u00e9tica profissional. Causou esc\u00e2ndalo \u00e0 \u00e9poca a sequ\u00eancia em que Yvette levanta o vestido sem ter nada por baixo.<\/p>\n<p><strong>\u2018A Verdade\u2019, de Henri-Georges Clouzot (1960)<\/strong> \u2013 A rodagem deste policial jur\u00eddico foi tempestuosa devido aos extremos de exig\u00eancia a que Clouzot submetia os actores com que trabalhava. Ele e B.B. chegaram a andar \u00e0 bofetada, e a actriz tentou suicidar-se depois das filmagens, alegadamente pela forma como foi tratada pelo rigoros\u00edssimo autor de O Sal\u00e1rio do Medo e As Diab\u00f3licas. Mas Bardot \u00e9 fabulosa no papel de Dominique, uma rapariga da prov\u00edncia que mata o seu amante, n\u00e3o se sabendo se o crime foi premeditado ou acidental. E n\u00e3o se deixa intimidar pela presen\u00e7a de actores com o arcaboi\u00e7o de Charles Vanel ou de Paul Meurisse, este interpretando o advogado de acusa\u00e7\u00e3o que atormenta Dominique em tribunal.<\/p>\n<p><strong>\u2018Vida Privada\u2019, de Louis Malle (1962)<\/strong> \u2013 Brigitte Bardot contracena com Marcello Mastroianni nesta fita em que Louis Malle a p\u00f4s a interpretar uma estrela de cinema chamada Jill cuja vida privada se ressente da sua celebridade e da forma como os f\u00e3s e os jornalistas a perseguem. Malle transp\u00f4s assim para a tela, e com o necess\u00e1rio exagero e as liberdades exigidas para fins dram\u00e1ticos, a situa\u00e7\u00e3o pessoal de B.B. perante o seu estrelato e a dimens\u00e3o mundial da sua fama, bem como face \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social e \u00e0 forma como era tratada e representada por esta. Bardot aceitou e venceu este desafio, e ela e Mastroianni v\u00e3o mesmo muito bem um com o outro, e Louis Malle haveria de a dirigir em mais dois filmes.<\/p>\n<p><strong>\u2018O Desprezo\u2019, de Jean-Luc Godard (1963)<\/strong> \u2013 Muitos dos admiradores de B.B. torcem o nariz a este filme de Jean-Luc Godard, enquanto que boa parte dos incondicionais do realizador acham que Bardot nunca esteve t\u00e3o bem como quando foi aqui dirigida por ele. B.B. personifica a bel\u00edssima mulher de um argumentista (Michel Piccoli) que est\u00e1 a escrever um filme de Fritz Lang (interpretado pelo pr\u00f3prio), e cujo casamento come\u00e7a a ser posto em causa quando ela sente que o marido a est\u00e1 a usar para cair nas gra\u00e7as do produtor (Jack Palance). Bardot n\u00e3o gostou de trabalhar com Godard e ficou com p\u00e9ssima impress\u00e3o dele (\u201cUm homem sinistro\u201d, diria), mas mesmo apesar disso, O Desprezo \u00e9 um dos momentos maiores e mais duradouros da sua filmografia.<\/p>\n<p><strong> \u2018O Urso e a Boneca\u2019, de Michel Deville (1970)<\/strong> \u2013 Tr\u00eas anos antes de se retirar do cinema, \u00e0 beira de celebrar o seu quadrag\u00e9simo anivers\u00e1rio, e de entrar para a lenda em definitivo, Brigitte Bardot contracenou com Jean-Pierre Cassel nesta com\u00e9dia rom\u00e2ntica da vertente \u201cguerra entre os sexos\u201d, passeando de novo os seus dotes c\u00f3micos para quem ainda n\u00e3o tinha reparado neles. Ela \u00e9 Felicia, a \u201cboneca\u201d, uma parisiense rica, sedutora e senhora do seu nariz, Cassel \u00e9 Gaspard, o \u201curso\u201d, um m\u00fasico que vive numa mans\u00e3o no campo com o filho e tr\u00eas sobrinhas, e gosta de calma e de ser deixado em paz. Um dia, os seus carros chocam, um choque que \u00e9 tamb\u00e9m entre dois mundos completamente diferentes. E Felicia decide seduzir Gaspard, porque ele n\u00e3o quer nada com ela e com o que representa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As outras precisavam do nome ou de uma alcunha. 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