{"id":206867,"date":"2025-12-29T19:40:23","date_gmt":"2025-12-29T19:40:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/206867\/"},"modified":"2025-12-29T19:40:23","modified_gmt":"2025-12-29T19:40:23","slug":"ha-sete-misteriosas-linguas-que-nunca-foram-decifradas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/206867\/","title":{"rendered":"H\u00e1 sete misteriosas l\u00ednguas que nunca foram decifradas"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:%CE%94%CE%AF%CF%83%CE%BA%CE%BF%CF%82_%CF%84%CE%B7%CF%82_%CE%A6%CE%B1%CE%B9%CF%83%CF%84%CE%BF%CF%8D_%CF%80%CE%BB%CE%B5%CF%85%CF%81%CE%AC_%CE%91_6380.JPG\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" class=\"ext-link\">C messier \/ wikimedia<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-94627 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/948ed95f042b65fc96720851b9e7c049-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Disco de Festo no Museu Arqueol\u00f3gico de Heraklion, Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p><strong>A Escrita do Vale do Indo, a epiolmeca e o Linear A s\u00e3o alguns dos sistemas de escrita de civiliza\u00e7\u00f5es antigas que nunca chegaram a ser compreendidos. Poder\u00e1 a intelig\u00eancia artificial ajudar a decifrar os c\u00f3digos do passado?<\/strong><\/p>\n<p>Imagine receber um c\u00f3digo desconhecido, sem dicion\u00e1rio, gram\u00e1tica ou tradu\u00e7\u00e3o. \u00c9 precisamente este o desafio a que a arqueologia e a lingu\u00edstica se confrontam perante v\u00e1rios sistemas de escrita antigos que continuam a ser um mist\u00e9rio. Revelam civiliza\u00e7\u00f5es avan\u00e7adas cuja escrita <strong>conseguimos ver, mas n\u00e3o entender.<\/strong><\/p>\n<p>A linguista<strong> Svenja Bonmann<\/strong>, da Universidade de Col\u00f3nia, na Alemanha, \u00e9 especialista em lingu\u00edstica hist\u00f3rico-comparativa. Tenta decifrar l\u00ednguas hist\u00f3ricas e reconstruir as suas estruturas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 incrivelmente fascinante ter diante de mim um enigma intelectual t\u00e3o exigente que nem sequer as mentes mais brilhantes conseguiram resolver\u201d, afirma. \u201cEstes registos escritos d\u00e3o-nos acesso a uma cultura que desapareceu h\u00e1 muito tempo.\u201d Diz ainda que, como uma m\u00e1quina do tempo, permitem interagir, ainda que passivamente, com uma cultura estrangeira.<\/p>\n<p>Os obst\u00e1culos da decifra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Bonmann est\u00e1 atualmente a investigar o sistema de <strong>escrita<\/strong> <strong>epiolmeca<\/strong>, usado na costa sul do Golfo do M\u00e9xico na Antiguidade. Inscri\u00e7\u00f5es e s\u00edmbolos individuais da escrita olmeca apontam para um sistema antigo. No entanto, as evid\u00eancias s\u00e3o t\u00e3o escassas e o contexto t\u00e3o incerto que a decifra\u00e7\u00e3o se torna muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m enigm\u00e1tica \u00e9 a <strong>Escrita do Vale do Indo<\/strong>, da civiliza\u00e7\u00e3o harapeana, no atual Paquist\u00e3o e no noroeste da \u00cdndia e de que o ZAP coincidentemente <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/ja-sabemos-como-uma-das-primeiras-grandes-civilizacoes-do-mundo-colapsou-717217\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">escreveu<\/a> este m\u00eas. Surge em centenas de selos e fragmentos de cer\u00e2mica, mas quase sempre apenas em sequ\u00eancias extremamente curtas. Se esta escrita representa uma l\u00edngua plenamente desenvolvida ou um sistema simb\u00f3lico \u00e9 ainda tema de debate.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/o-misterioso-povo-da-ilha-de-pascoa-inventou-do-zero-a-sua-propria-linguagem-585918\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>escrita rongorongo<\/strong><\/a> da <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/as-estatuas-moai-da-ilha-de-pascoa-andaram-ate-ao-seu-destino-704827\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ilha de P\u00e1scoa<\/a> \u00e9 igualmente altamente abstrata. Assemelha-se a uma escrita pictogr\u00e1fica <strong>composta por p\u00e1ssaros, figuras humanas e formas ornamentais<\/strong>, e sobrevive apenas em algumas poucas t\u00e1buas de madeira, muitas vezes danificadas.<\/p>\n<p>A cultura min\u00f3ica de Creta \u00e9-nos mais familiar. Dos seus tr\u00eas sistemas de escrita, apenas o Linear B foi decifrado, por ser uma forma primitiva da l\u00edngua grega. Os <strong>hier\u00f3glifos cretenses<\/strong> e o <strong>Linear A<\/strong>, por outro lado, continuam enigm\u00e1ticos at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>O c\u00e9lebre Disco de Festo, datado do segundo mil\u00e9nio a.C., tamb\u00e9m \u00e9 origin\u00e1rio de Creta. Trata-se de um objeto \u00fanico de argila com s\u00edmbolos estampados dispostos em espiral que, por ser um artefacto isolado, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel decifrar de forma sistem\u00e1tica. No entanto, <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/decifrado-o-misterio-do-disco-de-festo-o-cd-rom-com-4-mil-anos-94626\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">h\u00e1 quem garanta ter decifrado<\/a> o \u201cprimeiro CD\u201d do planeta.<\/p>\n<p>O <strong>etrusco<\/strong>, falado na It\u00e1lia central na Antiguidade, tamb\u00e9m permanece enigm\u00e1tico. Embora o alfabeto seja leg\u00edvel por derivar do grego, a pr\u00f3pria l\u00edngua quase n\u00e3o tem parentes reconhec\u00edveis. Isso dificulta a compreens\u00e3o do que est\u00e1 escrito nas inscri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A <strong>protoelamita<\/strong> foi a mais antiga tradi\u00e7\u00e3o escrita e administrativa conhecida no antigo El\u00e3o, uma regi\u00e3o no oeste e sudoeste do atual Ir\u00e3o. Os sinais est\u00e3o bem catalogados, mas as tabuletas s\u00e3o frequentemente fragment\u00e1rias. O conte\u00fado parece consistir em registos administrativos, e a l\u00edngua subjacente n\u00e3o se encaixa em nenhuma fam\u00edlia lingu\u00edstica conhecida.<\/p>\n<p>Quando as escritas se tornam enigmas insol\u00faveis<\/p>\n<p>Todas estas escritas partilham um problema fundamental: a falta das chamadas <strong>Pedras de Roseta,<\/strong> inscri\u00e7\u00f5es bilingues que cont\u00eam o mesmo texto numa l\u00edngua conhecida e na escrita do enigma. Sem estas chaves, associar s\u00edmbolos a sons, s\u00edlabas ou palavras continua a ser dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel, defende Bonmann, citando a decifra\u00e7\u00e3o do Linear B.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter textos bilingues, mas sim algum tipo de continuidade com os tempos hist\u00f3ricos. Por exemplo, nomes de lugares, governantes ou deuses. Assim, certamente, \u00e9 poss\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p>O problema surge, por\u00e9m, quando existem poucos textos e muito curtos: nesse caso, os padr\u00f5es s\u00e3o dif\u00edceis de reconhecer e as hip\u00f3teses, de testar. O mesmo acontece quando s\u00edtios arqueol\u00f3gicos s\u00e3o destru\u00eddos ou mal documentados.<\/p>\n<p>\u201cEstamos sempre a trabalhar com fragmentos ou peda\u00e7os do passado\u201d, diz Bonmann. Felizmente, a Europa tem um n\u00famero relativamente grande de textos preservados, enquanto em regi\u00f5es como a Am\u00e9rica Central \u00e9 preciso trabalhar com o pouco que \u201cos conquistadores deixaram para tr\u00e1s\u201d, explica a linguista radicada em Col\u00f3nia.<\/p>\n<p>Para a decifra\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m crucial que a l\u00edngua possa ser atribu\u00edda a uma fam\u00edlia lingu\u00edstica conhecida. Sem esse contexto, faltam os sistemas sonoros, as estruturas das palavras e os padr\u00f5es gramaticais t\u00edpicos que podem servir de base para testar hip\u00f3teses.<\/p>\n<p>Intelig\u00eancia artificial ajuda, mas\u2026<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial \u00e9 frequentemente apontada como um potencial \u201cdecifrador de c\u00f3digos\u201d. Estas tecnologias conseguem identificar padr\u00f5es em sequ\u00eancias de caracteres, distinguir variantes, preencher lacunas em trechos danificados e contabilizar frequ\u00eancias.<\/p>\n<p>No entanto, segundo Bonmann, a IA atinge rapidamente os seus limites quando h\u00e1 <strong>quantidades de texto muito pequenas<\/strong>. Precisa de muitos dados para fazer an\u00e1lises robustas. No caso de sistemas de escrita indecifrados, existem, em geral, pouqu\u00edssimas inscri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cNa minha opini\u00e3o, \u00e9 relativamente improv\u00e1vel que venham a ser desenvolvidos, num futuro pr\u00f3ximo, programas capazes de trabalhar com t\u00e3o poucos dados\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a IA recombina sobretudo informa\u00e7\u00e3o j\u00e1 conhecida, em vez de \u201cpensar\u201d algo verdadeiramente novo, argumenta Bonmann: \u201cA IA limita-se a variar certas frases e palavras, sugerindo intelig\u00eancia. Mas, na realidade, trata-se apenas de uma simula\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia. O programa n\u00e3o est\u00e1 realmente a pensar.\u201d<\/p>\n<p>Isto pode gerar interpreta\u00e7\u00f5es que parecem elegantes, mas dificilmente s\u00e3o cientificamente s\u00f3lidas. H\u00e1 ainda o risco de os sistemas refletirem as expectativas inconscientes dos investigadores, por exemplo, quando \u201cdescobrem\u201d rela\u00e7\u00f5es com fam\u00edlias lingu\u00edsticas que eram particularmente frequentes no material de treino, diz Bonmann.<\/p>\n<p>Mist\u00e9rios ser\u00e3o mist\u00e9rios<\/p>\n<p>Talvez seja precisamente a\u00ed que resida o fasc\u00ednio particular destas escritas: mostram que, mesmo na era das m\u00e1quinas aparentemente omniscientes, algumas vozes do passado continuam silenciosas \u2014 pelo menos, por agora.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s, humanos, somos, tanto quanto sabemos, a \u00fanica esp\u00e9cie com consci\u00eancia hist\u00f3rica. Pensamos de onde viemos e para onde vamos\u201d, diz Bonmann.<\/p>\n<p>Para a linguista radicada em Col\u00f3nia, refletir sobre as sociedades do passado, sobre como funcionavam e as raz\u00f5es do seu desaparecimento, \u00e9 essencial para compreender a condi\u00e7\u00e3o humana. Por isso, decifrar estas l\u00ednguas \u00e9 uma quest\u00e3o extremamente relevante e atual.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_545_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_770_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389372_556_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"C messier \/ wikimedia Disco de Festo no Museu Arqueol\u00f3gico de Heraklion, Gr\u00e9cia. 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