{"id":207907,"date":"2025-12-30T13:12:09","date_gmt":"2025-12-30T13:12:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/207907\/"},"modified":"2025-12-30T13:12:09","modified_gmt":"2025-12-30T13:12:09","slug":"taxa-de-carbono-custara-28-milhoes-de-euros-aos-agricultores-portugueses-ameacando-o-setor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/207907\/","title":{"rendered":"Taxa de carbono custar\u00e1 28 milh\u00f5es de euros aos agricultores portugueses amea\u00e7ando o setor"},"content":{"rendered":"<p>        Novas taxas ambientais podem aumentar os pre\u00e7os dos fertilizantes entre 40 e 144 euros por tonelada colocando em causa a viabilidade da agricultura ar\u00e1vel na Uni\u00e3o Europeia e em Portugal. Se a UE n\u00e3o recuar a partir de 1 de janeiro a fatura chegar\u00e1 tamb\u00e9m ao prato dos portugueses.    <\/p>\n<p>O in\u00edcio de um novo ano costuma trazer promessas de recome\u00e7os e decis\u00f5es estruturais. Mas para muitos agricultores europeus \u2014 em particular os que dependem fortemente dos fertilizantes para as suas culturas \u2014 2026 come\u00e7a sob o signo da incerteza. E, claro, para os agricultores portugueses n\u00e3o \u00e9 diferente.<\/p>\n<p>No centro das aten\u00e7\u00f5es est\u00e1 o CBAM, Carbon Border Adjustment Mechanism, a nova regra da Uni\u00e3o Europeia (UE) que pretende taxar as importa\u00e7\u00f5es de mat\u00e9rias-primas em fun\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono geradas na sua produ\u00e7\u00e3o. Em termos simples: quanto mais poluente for o processo produtivo, mais caro ser\u00e1 colocar o produto no mercado europeu. A medida pretende proteger o clima e evitar a chamada \u201cfuga de carbono\u201d. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, amea\u00e7a agravar a press\u00e3o sobre o setor agr\u00edcola j\u00e1 fragilizado.<\/p>\n<p>A partir de 1 de janeiro de 2026, as empresas que importem fertilizantes para a UE ter\u00e3o de adquirir certificados de carbono correspondentes \u00e0s emiss\u00f5es de CO\u2082 associadas \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o fora do espa\u00e7o comunit\u00e1rio pagando, desta forma, pela polui\u00e7\u00e3o gerada. A cobran\u00e7a s\u00f3 come\u00e7ar\u00e1 formalmente em 2027, mas como explica o jornal espanhol \u201cABC\u201d, o imposto incidir\u00e1 sobre as emiss\u00f5es do ano anterior, o que dever\u00e1 levar os operadores a antecipar os custos e a repercuti-los desde j\u00e1 nos pre\u00e7os finais.<\/p>\n<p>O impacto sobre a agricultura pode ser significativo. Para Lu\u00eds Mira, secret\u00e1rio-geral da Confedera\u00e7\u00e3o dos Agricultores de Portugal (CAP), esta medida vai provocar um aumento de custos inaceit\u00e1vel para ser suportado pelos agricultores portugueses.<\/p>\n<p>Os fertilizantes azotados representam cerca de 46% do consumo total na UE, sendo que mais de 30% s\u00e3o importados. O CBAM implicar\u00e1 a aplica\u00e7\u00e3o de uma taxa de CO\u2082 a essas importa\u00e7\u00f5es. \u201cCerca de 50% dos fertilizantes usados na UE s\u00e3o origin\u00e1rios de pa\u00edses terceiros. A ind\u00fastria europeia pode aumentar a produ\u00e7\u00e3o, mas nunca conseguir\u00e1 substituir totalmente estas importa\u00e7\u00f5es\u201d, explica Isabel van Zeller Basto, analista pol\u00edtica da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Cooperativas Agr\u00edcolas e do Cr\u00e9dito Agr\u00edcola de Portugal (Confagri), em Bruxelas. Segundo a respons\u00e1vel, os impactos poder\u00e3o variar entre 40 e 144 euros por tonelada. Um estudo do Rabobank estima que, at\u00e9 2030, o pre\u00e7o dos fertilizantes azotados importados possa subir cerca de 50% devido ao CBAM.<\/p>\n<p>A analista reconhece que a legisla\u00e7\u00e3o associada ao Pacto Ecol\u00f3gico Europeu \u00e9 virtuosa no plano te\u00f3rico, mas alerta para as dificuldades da sua aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. \u201cFoi publicada, \u00e0 pressa legisla\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria para mitigar os impactos, mas trata-se de um regime transversal a v\u00e1rios setores, assente em f\u00f3rmulas matem\u00e1ticas para as quais ainda n\u00e3o existe base de c\u00e1lculo. Algumas metodologias s\u00f3 est\u00e3o previstas para 2027\u201d, explica.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que os elementos t\u00e9cnicos essenciais continuam indefinidos. Os benchmarks de refer\u00eancia ainda n\u00e3o foram publicados, os dados por defeito e os acordos bilaterais s\u00f3 dever\u00e3o ser clarificados em 2026 e a plataforma de compra de certificados CBAM apenas ficar\u00e1 operacional em 2027. At\u00e9 l\u00e1, a Comiss\u00e3o Europeia admite aplicar o custo de forma retroativa, com base na m\u00e9dia trimestral do mercado de carbono \u2014 o que significa que, no momento da importa\u00e7\u00e3o, os operadores n\u00e3o saber\u00e3o qual ser\u00e1 o encargo final.<\/p>\n<p>Num contexto j\u00e1 marcado pelo aumento dos custos de produ\u00e7\u00e3o, pela instabilidade clim\u00e1tica e pela quebra de produtividade, Isabel van Zeller Basto considera imperativo adiar a aplica\u00e7\u00e3o do CBAM aos fertilizantes. \u201cSem condi\u00e7\u00f5es para o c\u00e1lculo e sem salvaguardas adequadas, esta legisla\u00e7\u00e3o pode ser o fim da linha para muitas realidades agr\u00edcolas nacionais\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Nuno Serra, secret\u00e1rio-geral da Confragi, diz que ainda h\u00e1 esperan\u00e7a de que a Comiss\u00e3o Europeia recue na aplica\u00e7\u00e3o do CBAM aos fertilizantes, devido \u00e0 falta de uma avalia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica rigorosa, resultante da inexist\u00eancia de dados sobre a plataforma de custos dos certificados CBAM em 2026.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9, mais uma vez, inexplic\u00e1vel esta \u201curg\u00eancia\u201d da Comiss\u00e3o Europeia em sobrecarregar os agricultores com mais custos, sem que existam estudos rigorosos de impacto econ\u00f3mico, nem dados com certifica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre cr\u00e9ditos ou m\u00e9tricas do pre\u00e7o carb\u00f3nico europeu\u201d, salienta. Na sua opini\u00e3o, avan\u00e7ar para um aumento significativo dos custos na produ\u00e7\u00e3o agroalimentar sem compensar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola europeia \u00e9 mais do que um ataque \u00e0 competitividade europeia: \u00e9 uma investida contra o rendimento e a sobreviv\u00eancia dos agricultores.<\/p>\n<p>Lu\u00eds Mira defende ainda que a Europa se deveria focar mais na gest\u00e3o eficiente da \u00e1gua, uma vez que todos os investimentos feitos nesta mat\u00e9ria t\u00eam retorno direto para os cidad\u00e3os. \u201cN\u00e3o que o problema do carbono n\u00e3o seja importante, claro que \u00e9, mas a Europa representa 6% das emiss\u00f5es, logo tem de haver bom senso. A UE anda a fazer a cruzada do carbono pelo mundo, enquanto os outros assobiam para o lado\u201d.<\/p>\n<p>O CBAM surge num momento particularmente sens\u00edvel. Os agricultores enfrentam uma redu\u00e7\u00e3o de cerca de 20% nos apoios da Pol\u00edtica Agr\u00edcola Comum, o que representa menos dois mil milh\u00f5es de euros dispon\u00edveis para investimento. Num setor com margens cada vez mais estreitas, o risco \u00e9 que a transi\u00e7\u00e3o verde se transforme num fator de exclus\u00e3o econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>Nuno Serra afirma que a PAC j\u00e1 est\u00e1 praticamente esgotada financeiramente e que, por esse motivo, dificilmente qualquer compensa\u00e7\u00e3o para absorver este custo ser\u00e1 acomodada no atual quadro financeiro. \u201cNeste caso, o que me parece acertado, se o CBAM avan\u00e7ar, \u00e9 que o Governo fa\u00e7a um estudo de impacto econ\u00f3mico transversal a todo o setor, e avalie o valor expect\u00e1vel para absorver estes custos e, dentro do per\u00edmetro do or\u00e7amento de Estado, possa fazer chegar ao terreno estas compensa\u00e7\u00f5es aos agricultores.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, nem sempre as regras s\u00e3o justas para ambos os lados da barricada. Existem outros continentes que n\u00e3o enfrentam as mesmas exig\u00eancias da Europa no que diz respeito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Surge, assim, a d\u00favida: como pode a Uni\u00e3o Europeia justificar a penaliza\u00e7\u00e3o dos produtores europeus quando os produtos agr\u00edcolas importados continuam a entrar no mercado sem exig\u00eancias ambientais equivalentes?<\/p>\n<p>Para Nuno Serra \u00e9 injustific\u00e1vel! \u201cEspero que, nos acordos comerciais com outros blocos econ\u00f3micos \u2014 que s\u00e3o muito importantes \u2014, seja exigido que cumpram n\u00e3o s\u00f3 as regras ambientais impostas aos produtores europeus, mas tamb\u00e9m as normas de bem-estar animal e, mais importante ainda, as mesmas obriga\u00e7\u00f5es sociais para com o capital humano, como, felizmente, temos na Europa. Se assim n\u00e3o for, qualquer importa\u00e7\u00e3o para o espa\u00e7o europeu representa uma subvers\u00e3o das regras de mercado e um desrespeito pelos produtores europeus.\u201d<\/p>\n<p><strong>Impacto no bolso dos agricultores portugueses<\/strong><\/p>\n<p>Marco Morais, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Produtores e Importadores de Fertilizantes (ANPIFERT) explica que o azoto ser\u00e1 o nutriente mais afetado pela taxa e que, na base desta medida, est\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o de proteger a ind\u00fastria europeia de outras geografias que n\u00e3o produzem de uma forma t\u00e3o sustent\u00e1vel. \u201cEntendemos o princ\u00edpio, mas claro que vai ter um impacto no aumento do pre\u00e7o dos fertilizantes, logo vai-se refletir nos custos de produ\u00e7\u00e3o dos agricultores.\u201d<\/p>\n<p>O presidente da ANPIFERT afirma que Portugal apresenta um consumo anual na ordem das 500 mil toneladas de fertilizantes, nomeadamente adubos minerais, sendo que o consumo de azoto ronda aproximadamente as 200 mil toneladas. Neste contexto, a Argus projeta um aumento de custos na cadeia de aproximadamente 8% para os produtos afetados. \u201cEm Portugal, esses produtos representam um mercado (pre\u00e7o final) de cerca de 350 milh\u00f5es de euros, o que se traduz num impacto aproximado de 28 milh\u00f5es de euros.\u201d<\/p>\n<p>Apesar de Portugal ser, segundo o Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE), o Estado-Membro da Uni\u00e3o Europeia com menor consumo de fertilizantes minerais (azoto e f\u00f3sforo), registando, em 2019 um consumo aparente de 31 kg por hectare de Superf\u00edcie Agr\u00edcola Utilizada (SAU) \u2014 menos de metade da m\u00e9dia da UE27 (68 kg por hectare de SAU) \u2014, a verdade \u00e9 que agricultores e produtores j\u00e1 andam a sentir os efeitos do aumento dos pre\u00e7os dos fertilizantes desde 2021, intensificados com a guerra entre a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia. As san\u00e7\u00f5es impostas pela UE \u00e0 R\u00fassia e \u00e0 Bielorr\u00fassia foram decisivas, a que se juntaram pol\u00edticas de exporta\u00e7\u00e3o e restri\u00e7\u00e3o, especialmente na China, que diminu\u00edram a oferta no mercado. Refira-se que a China tem um peso entre 29% e 39% das exporta\u00e7\u00f5es globais de fertilizantes.<\/p>\n<p>\u201cO consumo aparente de fertilizantes em Portugal, segundo as estat\u00edsticas agr\u00edcolas do INE, cresceu 16,5% em 2024. Este aumento significa que qualquer varia\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o deste fator de produ\u00e7\u00e3o ter\u00e1 um impacto direto no rendimento dos agricultores. Por outro lado, a n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o de fertilizantes compromete a produtividade por hectare, retirando competitividade \u00e0s explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas e dificultando a cobertura dos custos de produ\u00e7\u00e3o\u201d, considera Nuno Serra.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral da Confragi afirma tamb\u00e9m que as medidas que conduzem ao aumento dos custos de produ\u00e7\u00e3o e que dificilmente s\u00e3o repercutidas ao longo da cadeia de valor acabam por penalizar exclusivamente o agricultor. Sem a implementa\u00e7\u00e3o de mecanismos compensat\u00f3rios, o risco de agravamento da perda de rendimentos e, consequentemente, de abandono da atividade agr\u00edcola torna-se elevado.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel defende ainda que neste contexto, \u00e9 urgente que, a n\u00edvel nacional, existam pol\u00edticas p\u00fablicas que equiparem os custos energ\u00e9ticos e dos combust\u00edveis aos praticados pelos nossos principais concorrentes europeus. \u201cOs produtores portugueses n\u00e3o podem assistir, do outro lado da fronteira, \u00e0 exist\u00eancia de energia e combust\u00edveis mais baratos, sob pena de ficarem progressivamente para tr\u00e1s na escala da competitividade no mercado europeu\u201d, conclui. Lu\u00eds Mira partilha esta opini\u00e3o e defende que o Governo tem de criar condi\u00e7\u00f5es para atenuar este aumento de custos.<\/p>\n<p>Que culturas poder\u00e3o ser mais afetadas por esta taxa de carbono? O impacto ser\u00e1 transversal, mas os cereais poder\u00e3o estar entre os mais afetados. No caso do milho, Jorge Neves, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS), considera que esta taxa tem um impacto negativo na conta de explora\u00e7\u00e3o deste cereal. \u201c\u00c9 mais um fator de perda de competitividade.\u201d Na sua opini\u00e3o, mais do que o impacto econ\u00f3mico \u2014 que ser\u00e1 certamente significativo \u2014 destaca-se o efeito de desincentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de cereais. Portugal aprovou uma estrat\u00e9gia de aumento da produ\u00e7\u00e3o cereal\u00edfera, e a Europa poder\u00e1 impor as taxas que considerar relevantes, desde que posteriormente os agricultores sejam compensados e n\u00e3o tenham de suportar a fatura.<\/p>\n<p><strong>Mas, por<\/strong><strong> que raz\u00e3o <\/strong><strong>est\u00e3o os fertilizantes na boca do lobo?<\/strong><\/p>\n<p>Lu\u00eds Mira explica que um dos principais problemas reside no custo de fabrico dos fertilizantes, o qual \u00e9 essencialmente energia. Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Fertilizantes (IFA), a produ\u00e7\u00e3o desses compostos \u00e9 respons\u00e1vel por 94% do consumo energ\u00e9tico total da produ\u00e7\u00e3o. Os principais combust\u00edveis utilizados s\u00e3o o g\u00e1s natural (73%) e o carv\u00e3o mineral (27%), ambos f\u00f3sseis, cujas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono (CO\u2082) contribuem para o desequil\u00edbrio do efeito de estufa, e por conseguinte para aquecimento global, deixando uma pegada de carbono significativa.<\/p>\n<p>No entanto, embora o aumento dos custos seja transversal \u2014 combust\u00edvel, produtos fitossanit\u00e1rios, m\u00e3o de obra ou maquinaria \u2014, os fertilizantes s\u00e3o o fator determinante. Estes representam entre 15% e 30% dos custos de produ\u00e7\u00e3o das culturas ar\u00e1veis e registaram aumentos hist\u00f3ricos desde 2020: +71% nos fertilizantes azotados, +108% nos fosfatados e +34% na potassa.<\/p>\n<p>\u201cSe olharmos para os n\u00fameros desde o in\u00edcio da guerra na Ucr\u00e2nia, os pre\u00e7os dos fertilizantes subiram a ponto de representarem entre 15 e 20% do custo total de produ\u00e7\u00e3o do setor prim\u00e1rio europeu\u201d, avan\u00e7a ainda o ABC. A situa\u00e7\u00e3o agravou-se ainda mais com as san\u00e7\u00f5es comerciais \u00e0 R\u00fassia e \u00e0 Bielorr\u00fassia. A partir de julho de 2025, a Uni\u00e3o Europeia introduziu tarifas adicionais progressivas sobre fertilizantes importados desses pa\u00edses, que se somam a um direito ad valorem de 6,5%. Embora estas medidas sejam politicamente compreens\u00edveis no contexto geopol\u00edtico, traduzem-se num aumento de 10% a 15% no pre\u00e7o dos fertilizantes de todas as origens, incluindo os produzidos na pr\u00f3pria UE.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia importa cerca de 50% dos fertilizantes que consome \u2014 uma percentagem que tem vindo a aumentar \u2014 sendo que, antes da guerra, a R\u00fassia representava quase um ter\u00e7o dessas importa\u00e7\u00f5es. A capacidade de produ\u00e7\u00e3o interna n\u00e3o \u00e9 suficiente para compensar eventuais falhas no abastecimento. A m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que os dados da Copa-Cogeca, associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane todas as organiza\u00e7\u00f5es europeias do setor, revelam que as reservas de fertilizantes na Europa correspondem a cerca de 60% das necessidades para o pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Segundo a YCharts, uma plataforma de an\u00e1lise de dados financeiros e econ\u00f3micos, o \u00edndice de pre\u00e7os dos fertilizantes \u2014 ponderado por azoto, f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio \u2014 situou-se nos 140,5 pontos em novembro de 2025. Este valor indica que os pre\u00e7os estavam cerca de 40% acima do n\u00edvel do per\u00edodo de refer\u00eancia do \u00edndice, representando ainda uma subida aproximada de 17% face ao ano anterior.<\/p>\n<p><strong>Porque <\/strong><strong>raz\u00e3o <\/strong><strong>s\u00e3o os fertilizantes<\/strong><strong> t\u00e3o procurados<\/strong><strong>?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 at\u00e9 agricultores que j\u00e1 lhes chamam o ouro do S\u00e9culo XXI. As plantas alimentam-se de elementos minerais, nomeadamente de nitrog\u00e9nio, f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio, depois ingerem ainda c\u00e1lcio, magn\u00e9sio, enxofre, entre outros nutrientes. Como as culturas extraem estes elementos do solo e os removem com as colheitas, \u00e9 fundamental devolv\u00ea-los \u00e0 terra para se poder iniciar uma nova produ\u00e7\u00e3o. A reposi\u00e7\u00e3o de nutrientes no solo \u00e9 fundamental para manter a agricultura sustent\u00e1vel. Os fertilizantes s\u00e3o a forma de o conseguir.<\/p>\n<p>Existem duas categorias: os fertilizantes minerais e os org\u00e2nicos. O desafio consiste em determinar qual deles consegue fornecer nutrientes suficientes para sustentar a produ\u00e7\u00e3o em larga escala. At\u00e9 ao momento, os fertilizantes minerais t\u00eam ganho essa batalha. Da\u00ed a elevada procura e a preocupa\u00e7\u00e3o crescente. De acordo com um relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO), \u201cser\u00e1 dif\u00edcil alimentar 10 mil milh\u00f5es de pessoas, em 2050, sem o uso de fertilizantes minerais\u201d. At\u00e9 que o mundo encontre uma solu\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o alternativa \u00e0 escala global, estes produtos continuam a estar na base da seguran\u00e7a alimentar \u2014 e, inevitavelmente, a refletir-se no prato do consumidor final.<\/p>\n<p>Neste contexto, organiza\u00e7\u00f5es como a Copa-Cogeca, que representa agricultores e cooperativas agr\u00edcolas europeias, apelam ao adiamento da aplica\u00e7\u00e3o do CBAM aos fertilizantes. N\u00e3o se trata de rejeitar os objetivos clim\u00e1ticos da Uni\u00e3o Europeia, mas de reconhecer que a transi\u00e7\u00e3o tem de ser ger\u00edvel e justa.<\/p>\n<p>As reivindica\u00e7\u00f5es s\u00e3o claras: garantir previsibilidade de pre\u00e7os no momento da importa\u00e7\u00e3o; suspender o CBAM para os fertilizantes at\u00e9 que toda a infraestrutura t\u00e9cnica esteja operacional; criar mecanismos de compensa\u00e7\u00e3o para os agricultores; e ponderar mesmo a isen\u00e7\u00e3o dos fertilizantes, dada a sua import\u00e2ncia estrat\u00e9gica para a seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias n\u00e3o se limitariam aos agricultores, mas sim a toda a cadeia agroalimentar e, inevitavelmente, aos consumidores. Num momento em que a Uni\u00e3o Europeia discute soberania alimentar, resili\u00eancia econ\u00f3mica e transi\u00e7\u00e3o verde, ignorar os sinais vindos do terreno pode sair caro. Muito caro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Novas taxas ambientais podem aumentar os pre\u00e7os dos fertilizantes entre 40 e 144 euros por tonelada colocando em&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":207908,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[38827,562,40939,88,8654,40940,89,90,32,33,15153],"class_list":{"0":"post-207907","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-agricultores","9":"tag-agricultura","10":"tag-ajuda-financeira","11":"tag-business","12":"tag-carbono","13":"tag-confragi","14":"tag-economy","15":"tag-empresas","16":"tag-portugal","17":"tag-pt","18":"tag-taxa"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115808694686761812","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207907","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=207907"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207907\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/207908"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=207907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=207907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=207907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}