{"id":207923,"date":"2025-12-30T13:25:32","date_gmt":"2025-12-30T13:25:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/207923\/"},"modified":"2025-12-30T13:25:32","modified_gmt":"2025-12-30T13:25:32","slug":"a-humanidade-pode-um-dia-ser-esquecida-para-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/207923\/","title":{"rendered":"A humanidade pode um dia ser esquecida para sempre?"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/global.oup.com\/academic\/product\/discarded-9780192869333?cc=pt&amp;lang=en\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" class=\"ext-link\">Sarah Gabbott, Jan Zalasiewicz<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-719581 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/f0f6ba4b5e0000340312d33c212c3ae8-1140x1857-e1767024216186-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"\/><\/p>\n<p><strong>A probabilidade de nos tornarmos f\u00f3sseis \u00e9 baixa, mas podemos deixar vest\u00edgios diferentes. Eis o que pode chamar a aten\u00e7\u00e3o dos nossos exploradores de um futuro distante.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s, seres humanos, sempre fomos fascinados pelo passado. Desenterr\u00e1mos in\u00fameros f\u00f3sseis do solo, rel\u00edquias dos 4,5 mil milh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria da Terra, que nos d\u00e3o pistas sobre como viviam esp\u00e9cies antigas muito antes de existirmos.<\/p>\n<p>Mas, se n\u00f3s pr\u00f3prios f\u00f4ssemos extintos e outra esp\u00e9cie inteligente surgisse daqui a milh\u00f5es de anos, ser\u00e1 que esta<strong> saberia que existimos <\/strong>ou como era a nossa civiliza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos contar com a hip\u00f3tese de paleont\u00f3logos futuros encontrarem os nossos f\u00f3sseis, diz <strong>Adam Frank<\/strong>, professor de astrof\u00edsica na Universidade de Rochester, nos EUA.<\/p>\n<p>\u201cApenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o da vida na Terra se fossilizou, sobretudo se a sua civiliza\u00e7\u00e3o foi breve\u201d, explica.<\/p>\n<p>Um artigo de 2018, coassinado por Frank, assinala que at\u00e9 hoje foram encontrados poucos f\u00f3sseis quase completos de dinossauros, que vaguearam pela Terra durante 165 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Assim, o artigo sugere que, dado que a nossa esp\u00e9cie existe h\u00e1 apenas cerca de 300 mil anos, talvez n\u00e3o deixemos uma marca muito expressiva no registo f\u00f3ssil. Mas <strong>podemos deixar vest\u00edgios diferentes.<\/strong><\/p>\n<p>Alterar a qu\u00edmica da Terra<\/p>\n<p>Como parte da geologia natural do planeta, as rochas s\u00e3o continuamente depositadas no solo em camadas, ou estratos. A composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de cada estrato est\u00e1 relacionada com as condi\u00e7\u00f5es do planeta nesse momento.<\/p>\n<p>Segundo Frank, o aumento das temperaturas e as mudan\u00e7as do n\u00edvel do mar devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas provocadas pelo ser humano afetar\u00e3o o que fica depositado nas rochas \u2014 algo que ser\u00e1 detet\u00e1vel \u201cprovavelmente daqui a centenas de milh\u00f5es de anos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cVer\u00edamos que havia uma diferen\u00e7a nos is\u00f3topos de oxig\u00e9nio e nos is\u00f3topos de carbono, pelo facto de o sistema clim\u00e1tico da Terra ter mudado por causa da atividade humana\u201d, diz o astrof\u00edsico.<\/p>\n<p>Remodelar a evolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Mesmo que os nossos pr\u00f3prios ossos n\u00e3o apare\u00e7am muito no registo f\u00f3ssil, \u00e9 bem poss\u00edvel que tenhamos alterado os f\u00f3sseis de outras esp\u00e9cies atrav\u00e9s das plantas e dos animais que transport\u00e1mos pelo globo, ou da biodiversidade que modific\u00e1mos.<\/p>\n<p>Um estudo de 2018 concluiu que <strong>96% de todos os mam\u00edferos do mundo s\u00e3o humanos ou o nosso gado<\/strong>, medidos pela biomassa. Mais de dois ter\u00e7os da biomassa de aves do mundo provinha de aves dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>Abatemos mais de 75 mil milh\u00f5es de galinhas todos os anos, de acordo com a publica\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos Our World in Data.<\/p>\n<p>Assim, os f\u00f3sseis de todas estas aves quase id\u00eanticas, morrendo em grande n\u00famero, podem muito bem causar surpresa no futuro.<\/p>\n<p><strong>\u201cAlter\u00e1mos o curso da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica\u201d<\/strong>, diz <strong>Jan Zalasiewicz<\/strong>, ge\u00f3logo, paleont\u00f3logo e professor em\u00e9rito na Universidade de Leicester, no Reino Unido.<\/p>\n<p>\u201cOs nossos exploradores de um futuro distante v\u00e3o perguntar-se: \u2018O que aconteceu? Porque aconteceu?\u2019\u201d, sugere. \u201cE v\u00e3o concentrar-se na camada onde tudo isto come\u00e7ou \u2014 e essa \u00e9 a nossa camada.\u201d<\/p>\n<p>O nosso \u201clegado final\u201d<\/p>\n<p>Em Discarded: How Technofossils Will Be Our Ultimate Legacy, Zalasiewicz e a sua colega da Universidade de Leicester, <strong>Sarah Gabbott<\/strong>, defendem que ser\u00e3o os objetos do quotidiano a persistir no registo geol\u00f3gico da Terra.<\/p>\n<p>Chamam-lhes tecnof\u00f3sseis \u2014 seja uma lata de alum\u00ednio, uma camisola de poli\u00e9ster ou um lugar de estacionamento subterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Um estudo de 2020 estimou que produzimos 30 gigatoneladas de objetos por ano. Isto equivale a cada pessoa na Terra produzir, por semana, mais do que o seu pr\u00f3prio peso corporal.<\/p>\n<p>Na verdade, os autores conclu\u00edram que hoje <strong>existe no mundo mais \u201ccoisa\u201d feita pelo ser humano do que seres vivos<\/strong>, quando se compara o seu peso seco.<\/p>\n<p>A maior propor\u00e7\u00e3o de produtos humanos vem do <strong>bet\u00e3o<\/strong>, que poder\u00e1 n\u00e3o parecer muito natural a futuros descobridores.<\/p>\n<p>\u201cUma das formas como fazemos bet\u00e3o hoje em dia \u00e9 adicionar cinzas volantes\u2026 ao microsc\u00f3pio, [esse material] parece absolutamente bizarro\u201d, diz Zalasiewicz.<\/p>\n<p>\u201cSe as bordas de edif\u00edcios de bet\u00e3o e as lajes de pavimenta\u00e7\u00e3o se tornarem formas fossilizadas, [os arque\u00f3logos do futuro] ver\u00e3o que \u00e9 algo muito diferente de um estrato natural.\u201d<\/p>\n<p>Muitos dos nossos materiais <strong>permanecer\u00e3o durante muito tempo.<\/strong><\/p>\n<p>O <strong>pl\u00e1stico<\/strong> \u201cprovavelmente pode durar n\u00e3o apenas milhares de anos, mas potencialmente milh\u00f5es de anos\u201d, diz Gabbott. Produzimos tanto deste material que, at\u00e9 2050, poder\u00e1 haver mais pl\u00e1stico do que peixes no oceano, segundo as Na\u00e7\u00f5es Unidas. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>\u201cTemos rochas com quatro mil milh\u00f5es de anos que cont\u00eam <strong>grafite<\/strong>\u201d, continua Gabbott. \u201cPor isso, a grafite na forma de um l\u00e1pis poderia durar quatro mil milh\u00f5es de anos.\u201d<\/p>\n<p>A paleont\u00f3loga refere que j\u00e1 foram encontradas folhas fossilizadas com centenas de milh\u00f5es de anos. \u201cO <strong>papel<\/strong> \u00e9 feito de celulose, que \u00e9 a mesma subst\u00e2ncia das folhas. E, portanto\u2026 o papel, no ambiente certo, provavelmente poderia durar centenas de milh\u00f5es de anos\u201d, especula.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as \u00e0 escala planet\u00e1ria<\/p>\n<p>\u00c9 bem poss\u00edvel que os seres humanos j\u00e1 tenham deixado uma marca enorme na geologia da Terra. Se outra esp\u00e9cie inteligente a ver\u00e1 um dia, muito depois do nosso desaparecimento, \u00e9 uma <strong>inc\u00f3gnita<\/strong>.<\/p>\n<p>Mas far\u00e1 sentido imaginar o nosso legado daqui a milh\u00f5es de anos? O professor Frank acredita que sim.<\/p>\n<p>\u201cAcho vital ultrapassarmos este per\u00edodo de imaturidade tecnol\u00f3gica e sermos capazes de pensar na hist\u00f3ria de longo prazo da Terra\u201d, defende.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o mudan\u00e7as \u00e0 escala planet\u00e1ria que ter\u00e3o consequ\u00eancias por s\u00e9culos, mil\u00e9nios, dezenas de mil\u00e9nios\u201d, afirma.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_545_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_770_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389372_556_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sarah Gabbott, Jan Zalasiewicz A probabilidade de nos tornarmos f\u00f3sseis \u00e9 baixa, mas podemos deixar vest\u00edgios diferentes. 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