{"id":207960,"date":"2025-12-30T13:53:17","date_gmt":"2025-12-30T13:53:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/207960\/"},"modified":"2025-12-30T13:53:17","modified_gmt":"2025-12-30T13:53:17","slug":"os-humanos-poderao-ser-esquecidos-daqui-a-milhoes-de-anos-29-12-2025-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/207960\/","title":{"rendered":"Os humanos poder\u00e3o ser esquecidos daqui a milh\u00f5es de anos? &#8211; 29\/12\/2025 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>N\u00f3s, humanos, sempre fomos fascinados pelo passado.<\/p>\n<p>Desenterramos <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c74z9jdlvevo?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bfolha%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">in\u00fameros f\u00f3sseis do solo<\/a> \u2014rel\u00edquias dos 4,5 bilh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria da Terra, que nos d\u00e3o pistas sobre como esp\u00e9cies antigas viviam muito antes de existirmos.<\/p>\n<p>Mas se n\u00f3s mesmos f\u00f4ssemos extintos e outra esp\u00e9cie inteligente surgisse daqui a milh\u00f5es de anos, ser\u00e1 que eles saberiam que existimos? Ou como era a nossa civiliza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Pequena chance de virar f\u00f3ssil<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos contar com que paleont\u00f3logos futuros encontrem nossos f\u00f3sseis, diz Adam Frank, professor de astrof\u00edsica da Universidade de Rochester, nos EUA.<\/p>\n<p>&#8220;Apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o da vida na Terra se fossilizou, especialmente se a sua civiliza\u00e7\u00e3o durou apenas um breve per\u00edodo geol\u00f3gico&#8221;, explica ele.<\/p>\n<p>Um artigo de 2018, coescrito por Frank, aponta que, apesar de todos os dinossauros que vagaram pela Terra durante 165 milh\u00f5es de anos, poucos f\u00f3sseis quase completos foram encontrados at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Assim, o artigo sugere que, dado que nossa esp\u00e9cie humana existe h\u00e1 apenas cerca de 300 mil anos (at\u00e9 agora), talvez n\u00e3o deixemos muita marca no registro f\u00f3ssil.<\/p>\n<p>Mas podemos deixar vest\u00edgios diferentes.<\/p>\n<p>Alterando a qu\u00edmica da Terra<\/p>\n<p>Como parte da geologia natural do planeta, as rochas s\u00e3o continuamente depositadas no solo em camadas ou estratos.<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de cada estrato est\u00e1 relacionada condi\u00e7\u00f5es do planeta naquele momento.<\/p>\n<p>Segundo Frank, o aumento das temperaturas e as mudan\u00e7as no n\u00edvel do mar devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas provocadas pelo homem afetar\u00e3o o que ser\u00e1 depositado nas rochas, algo que vai ser detect\u00e1vel &#8220;provavelmente daqui a centenas de milh\u00f5es de anos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ver\u00edamos que havia uma diferen\u00e7a nos is\u00f3topos de oxig\u00eanio e nos is\u00f3topos de carbono devido ao fato de o sistema clim\u00e1tico da Terra ter mudado por causa da atividade humana&#8221;, diz o astrof\u00edsico.<\/p>\n<p>Remodelando a evolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Mesmo que nossos pr\u00f3prios ossos n\u00e3o apare\u00e7am muito no registro f\u00f3ssil, \u00e9 bem poss\u00edvel que tenhamos alterado os f\u00f3sseis de outras esp\u00e9cies por meio das plantas e animais que transportamos pelo globo ou da biodiversidade que alteramos.<\/p>\n<p>Um estudo de 2018 descobriu que 96% de todos os mam\u00edferos do mundo eram n\u00f3s ou nosso gado, medido pela biomassa &#8211; o peso total de toda a mat\u00e9ria viva.<\/p>\n<p>Mais de dois ter\u00e7os da biomassa de aves do mundo vieram de nossas aves dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>Abatemos mais de 75 bilh\u00f5es de galinhas todos os anos, de acordo com a publica\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos Our World in Data.<\/p>\n<p>Portanto, os f\u00f3sseis de todas essas aves quase id\u00eanticas, morrendo em grande n\u00famero, podem muito bem causar surpresa no futuro.<\/p>\n<p>&#8220;Alteramos o curso da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica&#8221;, diz Jan Zalasiewicz, ge\u00f3logo, paleont\u00f3logo e professor em\u00e9rito da Universidade de Leicester, no Reino Unido.<\/p>\n<p>&#8220;Nossos exploradores do futuro distante v\u00e3o se perguntar: &#8216;O que aconteceu? Por que isso aconteceu?'&#8221;, sugere ele. &#8220;E eles v\u00e3o se concentrar na camada onde tudo isso come\u00e7ou, e essa \u00e9 a nossa camada.&#8221;<\/p>\n<p>Nosso &#8216;legado final&#8217;<\/p>\n<p>Em seu livro intitulado &#8220;Discarded: How Technofossils Will Be Our Ultimate Legacy&#8221; (Descartados: Como os Tecnof\u00f3sseis Ser\u00e3o Nosso Legado Final, em tradu\u00e7\u00e3o livre), Zelasiewicz e sua colega da Universidade de Leicester, Sarah Gabbott, argumentam que ser\u00e3o nossos objetos do cotidiano que continuar\u00e3o vivos no registro geol\u00f3gico da Terra.<\/p>\n<p>Eles chamam esses objetos de tecnof\u00f3sseis &#8211; seja uma lata de alum\u00ednio de bebida, um su\u00e9ter de poli\u00e9ster ou uma vaga de estacionamento subterr\u00e2nea.<\/p>\n<p>Um estudo de 2020 estimou que produzimos 30 gigatoneladas de objetos anualmente. Isso equivale a cada pessoa na Terra produzir mais do que o seu pr\u00f3prio peso corporal por semana.<\/p>\n<p>Na verdade, os autores descobriram que agora temos no mundo mais coisas feitas pelo homem do que seres vivos, quando comparamos seu peso seco.<\/p>\n<p>A maior propor\u00e7\u00e3o de produtos humanos vem do concreto, que pode n\u00e3o parecer muito natural para futuros descobridores.<\/p>\n<p>&#8220;Uma das maneiras como fazemos concreto hoje em dia \u00e9 adicionando cinzas volantes&#8230; sob o microsc\u00f3pio, [esse material] parece absolutamente bizarro&#8221;, diz Zelasiewicz.<\/p>\n<p>&#8220;Se as bordas de edif\u00edcios de concreto e lajes de pavimenta\u00e7\u00e3o virarem formas fossilizadas, [os arque\u00f3logos do futuro] ver\u00e3o que \u00e9 algo bem diferente de um estrato natural.&#8221;<\/p>\n<p>Muitos dos nossos materiais permanecer\u00e3o por muito tempo.<\/p>\n<p>O pl\u00e1stico &#8220;provavelmente pode durar n\u00e3o apenas milhares de anos, mas potencialmente milh\u00f5es de anos&#8221;, diz Gabbott.<\/p>\n<p>Produzimos tanto desse material que, at\u00e9 2050, poder\u00e1 haver mais pl\u00e1stico do que peixes no oceano, segundo as Na\u00e7\u00f5es Unidas. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>&#8220;Temos rochas com quatro bilh\u00f5es de anos que cont\u00eam grafite&#8221;, continua Gabbott.<\/p>\n<p>&#8220;Portanto, o grafite na forma de um l\u00e1pis poderia durar quatro bilh\u00f5es de anos.&#8221;<\/p>\n<p>A paleont\u00f3loga afirma que folhas fossilizadas de centenas de milh\u00f5es de anos atr\u00e1s foram encontradas.<\/p>\n<p>&#8220;O papel \u00e9 feito de celulose, que \u00e9 a mesma subst\u00e2ncia das folhas. E ent\u00e3o&#8230; o papel no ambiente certo provavelmente poderia durar centenas de milh\u00f5es de anos&#8221;, especula ela.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as em escala planet\u00e1ria<\/p>\n<p>\u00c9 bem poss\u00edvel que os humanos j\u00e1 tenham deixado uma enorme marca na geologia da Terra. Se outra esp\u00e9cie inteligente a ver\u00e1 um dia, muito depois do nosso desaparecimento, \u00e9 uma inc\u00f3gnita.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 \u00fatil imaginar o nosso legado milh\u00f5es de anos no futuro?<\/p>\n<p>O professor Frank acredita que sim.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que \u00e9 vital para n\u00f3s superarmos este per\u00edodo de imaturidade tecnol\u00f3gica, sermos capazes de pensar na hist\u00f3ria de longo prazo da Terra&#8221;, argumenta ele.<\/p>\n<p>&#8220;Estas s\u00e3o mudan\u00e7as em escala planet\u00e1ria que ter\u00e3o consequ\u00eancias por s\u00e9culos, mil\u00eanios, dezenas de mil\u00eanios&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Baseado em um epis\u00f3dio do podcast <a href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/programmes\/w3ct6st3?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bfolha%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">CrowdScience<\/a> (em ingl\u00eas), do Servi\u00e7o Mundial da BBC. Com reportagem de Ellen Tsang.<\/p>\n<p class=\"tagline\">Esse texto foi originalmente publicado <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cx2dj5zgjj8o\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"N\u00f3s, humanos, sempre fomos fascinados pelo passado. 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