{"id":207976,"date":"2025-12-30T14:08:44","date_gmt":"2025-12-30T14:08:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/207976\/"},"modified":"2025-12-30T14:08:44","modified_gmt":"2025-12-30T14:08:44","slug":"psiquiatras-alertam-para-possivel-ligacao-entre-uso-intensivo-de-chatbots-de-ia-e-episodios-de-psicose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/207976\/","title":{"rendered":"Psiquiatras alertam para poss\u00edvel liga\u00e7\u00e3o entre uso intensivo de chatbots de IA e epis\u00f3dios de psicose"},"content":{"rendered":"<p>A populariza\u00e7\u00e3o acelerada de assistentes conversacionais baseados em intelig\u00eancia artificial transformou a forma como milh\u00f5es de pessoas buscam apoio, informa\u00e7\u00e3o e companhia. Mas, paralelamente, m\u00e9dicos come\u00e7aram<a href=\"https:\/\/www.gizmodo.com.br\/tumor-nao-e-sinonimo-de-cancer-e-confundir-os-termos-pode-afetar-diagnosticos-tratamentos-e-ate-decisoes-de-vida-37716\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> a observar um padr\u00e3o preocupante em consult\u00f3rios<\/a> e emerg\u00eancias psiqui\u00e1tricas. Relatos recentes sugerem que, em casos espec\u00edficos, o uso intensivo e exclusivo desses sistemas pode estar associado ao surgimento ou agravamento de quadros psic\u00f3ticos.<\/p>\n<p> <b>Um sinal de alerta nos hospitais universit\u00e1rios<\/b> <\/p>\n<p>Em centros m\u00e9dicos dos Estados Unidos e da Europa, psiquiatras passaram a identificar pacientes que chegam <a href=\"https:\/\/www.gizmodo.com.br\/tumor-nao-e-sinonimo-de-cancer-e-confundir-os-termos-pode-afetar-diagnosticos-tratamentos-e-ate-decisoes-de-vida-37716\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">com del\u00edrios intensos ap\u00f3s semanas ou meses<\/a> de intera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua com chatbots de IA. O fen\u00f4meno ainda n\u00e3o possui uma categoria diagn\u00f3stica formal, mas j\u00e1 circula entre especialistas como uma hip\u00f3tese cl\u00ednica em constru\u00e7\u00e3o: a chamada psicose associada ao uso de chatbots.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de consenso cient\u00edfico nem de causalidade comprovada. Ainda assim, o volume de relatos despertou aten\u00e7\u00e3o suficiente para mobilizar m\u00e9dicos, pesquisadores e at\u00e9 o sistema judicial.<\/p>\n<p> <b>Casos graves e investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica<\/b> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-29452\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Relacoes-romanticas-com-chatbots.png\" alt=\"Rela\u00e7\u00f5es Rom\u00e2nticas Com Chatbots\" width=\"1500\" height=\"1000\"  \/>\u00a9 Annapurna Pictures <\/p>\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o do The Wall Street Journal revelou dezenas de epis\u00f3dios potencialmente relacionados a esse padr\u00e3o. Alguns casos evolu\u00edram para desfechos extremos, incluindo suic\u00eddios e ao menos um homic\u00eddio, segundo a reportagem.<\/p>\n<p>Do ponto de vista cl\u00ednico, os quadros observados n\u00e3o diferem de outras psicoses: cren\u00e7as falsas fixas, pensamento r\u00edgido, perda de contato com a realidade e preju\u00edzo no funcionamento social. O elemento novo \u00e9 o contexto relatado pelos pr\u00f3prios pacientes \u2014 muitos afirmam ter mantido di\u00e1logos quase exclusivos com um chatbot, ao qual atribu\u00edam compreens\u00e3o profunda, inten\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria ou at\u00e9 consci\u00eancia.<\/p>\n<p> <b>Detonador, amplificador ou coincid\u00eancia?<\/b> <\/p>\n<p>Segundo psiquiatras ouvidos pelo jornal, parte dos pacientes n\u00e3o apresentava hist\u00f3rico psic\u00f3tico claro. Em outros, havia fatores de vulnerabilidade conhecidos, como depress\u00e3o, transtornos do humor, uso de psicof\u00e1rmacos ou priva\u00e7\u00e3o severa do sono.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o central permanece em aberto: a IA atua como causa direta, gatilho, amplificador ou apenas acompanha um processo que j\u00e1 estava em curso?<\/p>\n<p>Para Keith Sakata, psiquiatra da University of California, San Francisco, o problema n\u00e3o \u00e9 que o sistema \u201cimplante\u201d ideias delirantes, mas a forma como interage. \u201cA pessoa apresenta sua realidade delirante, e a m\u00e1quina a aceita como verdadeira e a devolve refor\u00e7ada\u201d, explicou ao Wall Street Journal.<\/p>\n<p> <b>Quando a tecnologia deixa de ser passiva<\/b> <\/p>\n<p>A psiquiatria conhece <a href=\"https:\/\/www.gizmodo.com.br\/da-piscina-ao-videogame-as-tecnologias-que-estao-transformando-os-lares-latino-americanos-28270\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">h\u00e1 d\u00e9cadas a incorpora\u00e7\u00e3o de tecnologias<\/a> em del\u00edrios \u2014 r\u00e1dio, televis\u00e3o e internet j\u00e1 apareceram em narrativas psic\u00f3ticas. A diferen\u00e7a, ressaltam os especialistas, \u00e9 que chatbots n\u00e3o s\u00e3o objetos passivos.<\/p>\n<p>Eles respondem, demonstram empatia, validam emo\u00e7\u00f5es e sustentam di\u00e1logos longos. Para Adrian Preda, professor da Universidade da Calif\u00f3rnia em Irvine, n\u00e3o h\u00e1 precedentes hist\u00f3ricos de uma tecnologia capaz de dialogar de forma t\u00e3o cont\u00ednua e adaptativa, sem introduzir fric\u00e7\u00f5es externas que desafiem a narrativa do usu\u00e1rio.<\/p>\n<p> <b>Del\u00edrios grandiosos, m\u00edsticos e \u00edntimos<\/b> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36372\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CHATBOTS-IA.png\" alt=\"Chatbots Ia\" width=\"1500\" height=\"1000\"  \/>\u00a9 rootstock via Shutterstock <\/p>\n<p>Entre os casos descritos, aparecem del\u00edrios de natureza grandiosa ou m\u00edstica \u2014 pacientes convencidos de ter sido escolhidos para miss\u00f5es especiais, de acessar conhecimentos secretos ou de manter contato com uma intelig\u00eancia superior. Outros quadros s\u00e3o mais \u00edntimos, como a cren\u00e7a de conversar com pessoas falecidas <a href=\"https:\/\/www.gizmodo.com.br\/uma-proteina-que-desaparece-com-a-idade-pode-fortalecer-o-sistema-imunologico-e-fazer-celulas-tronco-velhas-agirem-como-jovens-37820\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ou de manter um v\u00ednculo exclusivo com o sistema.<\/a><\/p>\n<p>Um estudo dinamarqu\u00eas recente analisou prontu\u00e1rios eletr\u00f4nicos e encontrou dezenas de pacientes cujo uso intensivo de chatbots coincidiu com preju\u00edzos \u00e0 sa\u00fade mental. O trabalho n\u00e3o estabelece causalidade, mas refor\u00e7a a necessidade de investiga\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica.<\/p>\n<p> <b>Evid\u00eancia cl\u00ednica ainda limitada \u2014 mas crescente<\/b> <\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, um estudo de caso revisado por pares descreveu a hospitaliza\u00e7\u00e3o recorrente de uma mulher jovem que passou a acreditar que um chatbot permitia falar com o irm\u00e3o morto. Para os autores, o epis\u00f3dio ilustra como sistemas projetados para empatia podem, sem salvaguardas adequadas, refor\u00e7ar interpreta\u00e7\u00f5es delirantes da realidade.<\/p>\n<p>As pr\u00f3prias empresas reconhecem o desafio. <a href=\"https:\/\/www.gizmodo.com.br\/openai-lanca-seu-ano-com-o-chatgpt-como-ver-o-resumo-anual-da-inteligencia-artificial-e-o-que-ele-revela-sobre-voce-38281\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">A OpenAI afirma trabalhar em mecanismos<\/a> para detectar sinais de sofrimento psicol\u00f3gico e redirecionar usu\u00e1rios para apoio humano. Outras plataformas, como a Character.AI, adotaram restri\u00e7\u00f5es mais duras, inclusive para menores, ap\u00f3s processos judiciais ligados a suic\u00eddios.<\/p>\n<p> <b>Um debate que tamb\u00e9m chegou aos tribunais<\/b> <\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, a\u00e7\u00f5es por morte injusta alegam que certos chatbots contribu\u00edram para estados mentais extremos. Embora os processos ainda estejam em fases iniciais, eles antecipam uma discuss\u00e3o mais ampla sobre responsabilidade das plataformas quando seus produtos interagem com pessoas em crise.<\/p>\n<p>Do ponto de vista epidemiol\u00f3gico, o alcance do problema segue incerto. Segundo a OpenAI, apenas uma fra\u00e7\u00e3o muito pequena dos usu\u00e1rios apresenta sinais compat\u00edveis com emerg\u00eancias psiqui\u00e1tricas. Ainda assim, aplicada a centenas de milh\u00f5es de pessoas, mesmo uma porcentagem m\u00ednima ganha relev\u00e2ncia em sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p> <b>Perguntar sobre chatbots j\u00e1 virou rotina cl\u00ednica<\/b> <\/p>\n<p>Pesquisadores como Hamilton Morrin, do King\u2019s College London, defendem an\u00e1lises em grandes bases de dados para diferenciar coincid\u00eancias de correla\u00e7\u00f5es reais. Enquanto isso, nos consult\u00f3rios, a mudan\u00e7a j\u00e1 \u00e9 pr\u00e1tica: <a href=\"https:\/\/www.gizmodo.com.br\/tres-atitudes-simples-que-podem-transformar-seu-relacionamento-segundo-um-psiquiatra-renomado-20609\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">psiquiatras passaram a perguntar quanto tempo<\/a> seus pacientes passam conversando com chatbots e com que finalidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o como julgamento moral, mas como parte de uma avalia\u00e7\u00e3o mais ampla de um ambiente digital que, para o bem ou para o mal, tornou-se insepar\u00e1vel da vida cotidiana.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>[ Fonte: <a href=\"https:\/\/www.infobae.com\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Infobae<\/a> ]<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A populariza\u00e7\u00e3o acelerada de assistentes conversacionais baseados em intelig\u00eancia artificial transformou a forma como milh\u00f5es de pessoas buscam&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":207977,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-207976","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115808914849406273","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207976","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=207976"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207976\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/207977"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=207976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=207976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=207976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}