{"id":208482,"date":"2025-12-30T21:01:17","date_gmt":"2025-12-30T21:01:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/208482\/"},"modified":"2025-12-30T21:01:17","modified_gmt":"2025-12-30T21:01:17","slug":"a-dupla-explosao-que-nunca-antes-foi-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/208482\/","title":{"rendered":"a dupla explos\u00e3o que nunca antes foi vista"},"content":{"rendered":"<p>Uma equipa de astr\u00f3nomos, recorrendo a numerosos telesc\u00f3pios, descobriu uma poss\u00edvel superkilonova que explodiu n\u00e3o uma, mas duas vezes. As evid\u00eancias mostram que este evento invulgar poder\u00e1 ser uma superkilonova in\u00e9dita, ou seja, uma kilonova desencadeada por uma supernova. Os astr\u00f3nomos j\u00e1 tinham teorizado a exist\u00eancia de um fen\u00f3meno deste tipo, mas nunca tinha sido observado at\u00e9 agora.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/superkilonova00.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/superkilonova00-720x405.webp.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1095979\"  \/><\/a><\/p>\n<p>O trabalho foi publicado na revista <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ae2000\" rel=\"nofollow noopener\">The Astrophysical Journal Letters<\/a>, a 15 de dezembro de 2025.<\/p>\n<p>Supernovas e kilonovas<\/p>\n<p>Quando as estrelas mais massivas chegam ao fim das suas vidas, explodem em espetaculares supernovas, semeando o Universo com elementos mais pesados, como o carbono e o ferro.<\/p>\n<p>Outro tipo de explos\u00e3o, a <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Kilonova\" rel=\"nofollow noopener\">kilonova<\/a>, ocorre quando um par de estrelas densas e mortas, <strong>chamadas estrelas de neutr\u00f5es<\/strong>, colide, formando elementos ainda mais pesados, como o ouro e o ur\u00e2nio. Os elementos pesados criados por ambos os tipos de explos\u00e3o est\u00e3o entre os blocos fundamentais da <strong>forma\u00e7\u00e3o de estrelas e planetas<\/strong>.<\/p>\n<p>At\u00e9 \u00e0 data, apenas uma kilonova foi confirmada de forma inequ\u00edvoca: o evento hist\u00f3rico conhecido como <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/GW170817\" rel=\"nofollow noopener\">GW170817<\/a>, ocorrido em 2017. Nesse caso, <strong>duas estrelas de neutr\u00f5es colidiram<\/strong>, enviando ondula\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o-tempo, conhecidas como ondas gravitacionais, bem como ondas de luz, atrav\u00e9s do cosmos.<\/p>\n<p>O observat\u00f3rio LIGO, da National Science Foundation, e o seu parceiro europeu Virgo detetaram as ondas gravitacionais da explos\u00e3o. Dezenas de telesc\u00f3pios terrestres e espaciais, em todo o mundo, observaram o evento em luz.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/superkilonova01.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1095978\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/superkilonova01-720x405.webp.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"size-medium wp-image-1095978\"  \/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-1095978\" class=\"wp-caption-text\">As tr\u00eas fases de uma superkilonova te\u00f3rica s\u00e3o imaginadas nesta conce\u00e7\u00e3o art\u00edstica. O colapso de uma estrela massiva em r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o cria duas pequenas estrelas de neutr\u00f5es (uma das quais com menos massa do que o nosso Sol), que imediatamente entram em espiral e se fundem, gerando uma kilonova rica em metais pesados. Cr\u00e9dito: Caltech\/K. Miller e R. Hurt (IPAC)<\/p>\n<p>Uma supernova veio primeiro<\/p>\n<p>O curioso caso do candidato AT2025ulz \u00e9 complexo. Pensa-se que tenha tido origem numa explos\u00e3o de supernova ocorrida horas antes, que acabou por obscurecer a observa\u00e7\u00e3o dos astr\u00f3nomos e tornar o caso mais dif\u00edcil de interpretar.<\/p>\n<blockquote>\n<p>No in\u00edcio, durante cerca de tr\u00eas dias, a erup\u00e7\u00e3o parecia exatamente igual \u00e0 primeira kilonova de 2017. Toda a gente estava intensamente a tentar observ\u00e1-la e analis\u00e1-la, mas depois come\u00e7ou a parecer mais uma supernova, e alguns astr\u00f3nomos perderam o interesse. N\u00f3s n\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Disse a autora principal Kasliwal, do Caltech e do Observat\u00f3rio Palomar.<\/p>\n<p>Efeitos gravitacionais<\/p>\n<p>Em agosto de 2025, os <strong>detetores LIGO e Virgo captaram um novo sinal<\/strong> de ondas gravitacionais. Em poucos minutos, foi enviado um alerta \u00e0 comunidade astron\u00f3mica, contendo um mapa aproximado da origem do sinal e indicando que tinham sido registadas ondas gravitacionais provenientes do que parecia ser a fus\u00e3o de dois objetos, sendo pelo menos um deles invulgarmente pequeno.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a identifica\u00e7\u00e3o inicial pelo <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.ztf.caltech.edu\/\" rel=\"nofollow noopener\">Zwicky Transient Facility<\/a>, no Observat\u00f3rio Palomar, Kasliwal coordenou com o astr\u00f3nomo do Observat\u00f3rio Keck, Michael Lundquist, a realiza\u00e7\u00e3o de uma observa\u00e7\u00e3o r\u00e1pida do tipo Target of Opportunity (ToO) de AT2025ulz.<\/p>\n<p>Este processo permite aos cientistas <strong>solicitar acesso imediato para observar eventos c\u00f3smicos<\/strong> de curta dura\u00e7\u00e3o. O pedido ToO de Mansi possibilitou um seguimento espectrosc\u00f3pico imediato com o espectr\u00f3grafo de baixa resolu\u00e7\u00e3o LRIS.<\/p>\n<p>A explos\u00e3o desvaneceu-se rapidamente<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es confirmaram que a erup\u00e7\u00e3o luminosa se desvaneceu rapidamente e brilhou em comprimentos de onda vermelhos, tal como tinha acontecido com a GW170817 oito anos antes.<\/p>\n<p>No caso da kilonova GW170817, as cores vermelhas resultaram da <strong>presen\u00e7a de elementos pesados, como o ouro<\/strong>. Estes \u00e1tomos possuem mais n\u00edveis de energia eletr\u00f3nica do que os elementos leves, bloqueando a luz azul e <strong>deixando passar a luz vermelha<\/strong>.<\/p>\n<p>Dias depois da explos\u00e3o inicial, a <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/images\/AT2025ulz_unannotated\/\" rel=\"nofollow noopener\">AT2025ulz<\/a> come\u00e7ou novamente a intensificar-se, <strong>tornou-se azul e revelou hidrog\u00e9nio nos seus espectros<\/strong>. Todos estes s\u00e3o sinais t\u00edpicos de uma supernova, e n\u00e3o de uma kilonova, mais concretamente uma supernova de colapso do n\u00facleo com envelope removido.<\/p>\n<p>Supernovas em gal\u00e1xias distantes n\u00e3o s\u00e3o, em geral, esperadas gerar ondas gravitacionais suficientemente fortes para serem detetadas pelo LIGO e pelo Virgo, ao contr\u00e1rio das kilonovas. Isto levou alguns astr\u00f3nomos a concluir que a AT2025ulz teria sido desencadeada por uma supernova comum e n\u00e3o estaria relacionada com o sinal de ondas gravitacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p>O que poder\u00e1 estar a acontecer<\/p>\n<p>Kasliwal afirmou que v\u00e1rios ind\u00edcios lhe mostraram que <strong>algo de invulgar tinha ocorrido<\/strong>. Embora a AT2025ulz n\u00e3o se assemelhasse \u00e0 kilonova cl\u00e1ssica GW170817, tamb\u00e9m n\u00e3o parecia uma supernova comum. Al\u00e9m disso, os dados de ondas gravitacionais do LIGO-Virgo revelaram que pelo menos uma das estrelas de neutr\u00f5es envolvidas na fus\u00e3o tinha uma massa inferior \u00e0 do Sol.<\/p>\n<p>Este facto sugeria que <strong>uma ou duas estrelas de neutr\u00f5es pequenas poderiam ter-se fundido<\/strong> para produzir uma kilonova.<\/p>\n<p>As <strong>estrelas de neutr\u00f5es s\u00e3o os restos deixados por estrelas massivas que explodem<\/strong> como supernovas. Os astr\u00f3nomos estimam que tenham dimens\u00f5es semelhantes \u00e0s de uma grande cidade, cerca de 22 a 30 quil\u00f3metros de di\u00e2metro, e massas que variam entre 1,2 e cerca de 3 vezes a massa do Sol.<\/p>\n<p>Alguns te\u00f3ricos propuseram mecanismos atrav\u00e9s dos quais as estrelas de neutr\u00f5es poderiam ser ainda mais pequenas, com massas inferiores \u00e0 do Sol, mas at\u00e9 agora nenhuma foi observada com essas caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>Os te\u00f3ricos invocam dois cen\u00e1rios para explicar como uma estrela de neutr\u00f5es poderia ser t\u00e3o pequena. Num deles, uma estrela massiva em rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida explode como supernova e depois divide-se em duas pequenas estrelas de neutr\u00f5es subsolares por fiss\u00e3o.<\/p>\n<p>No segundo cen\u00e1rio, a fragmenta\u00e7\u00e3o, a estrela em r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m explode como supernova, mas desta vez forma-se um disco de material em torno da estrela em colapso. O material irregular do disco acaba por se aglutinar, formando uma pequena estrela de neutr\u00f5es, de forma semelhante \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos planetas.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/superkilonova02.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1095980\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/superkilonova02-720x405.webp.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"size-medium wp-image-1095980\"  \/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-1095980\" class=\"wp-caption-text\">Inicialmente, uma estrela massiva explode numa supernova, que gera elementos como carbono e ferro. Em seguida, nascem duas estrelas de neutr\u00f5es, sendo que pelo menos uma delas \u00e9 considerada menos massiva do que o nosso Sol. As estrelas de neutr\u00f5es espiralam juntas, enviando ondas gravitacionais que se propagam pelo cosmos, antes de se fundirem numa dram\u00e1tica Kilonovas.<\/p>\n<p>Colis\u00e3o de estrelas de neutr\u00f5es<\/p>\n<p>Com o <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.ligo.caltech.edu\/\" rel=\"nofollow noopener\">LIGO<\/a> e o <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.virgo-gw.eu\/\" rel=\"nofollow noopener\">Virgo<\/a> a detetarem pelo menos uma estrela de neutr\u00f5es subsolar, \u00e9 poss\u00edvel, segundo teorias propostas pelo coautor Brian Metzger, da Universidade de Columbia, que <strong>duas estrelas de neutr\u00f5es rec\u00e9m-formadas tenham colidido entre si<\/strong>.<\/p>\n<p>Esta colis\u00e3o teria causado a erup\u00e7\u00e3o da kilonova que enviou ondas gravitacionais atrav\u00e9s do cosmos. \u00c0 medida que a kilonova produzia elementos pesados, teria inicialmente brilhado em luz vermelha, tal como observaram o ZTF e outros telesc\u00f3pios.<\/p>\n<p>Os detritos em expans\u00e3o da explos\u00e3o inicial da supernova teriam obscurecido a vis\u00e3o dos astr\u00f3nomos sobre a kilonova. Por outras palavras, <strong>uma supernova poder\u00e1 ter dado origem a duas jovens estrelas de neutr\u00f5es<\/strong> que, posteriormente, se fundiram para formar uma kilonova.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma equipa de astr\u00f3nomos, recorrendo a numerosos telesc\u00f3pios, descobriu uma poss\u00edvel superkilonova que explodiu n\u00e3o uma, mas duas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":208483,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,41026,32,33,105,103,104,40048,38519,106,110],"class_list":{"0":"post-208482","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-kilonova","12":"tag-portugal","13":"tag-pt","14":"tag-science","15":"tag-science-and-technology","16":"tag-scienceandtechnology","17":"tag-superkilonova","18":"tag-supernova","19":"tag-technology","20":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115810539228492676","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208482","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=208482"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208482\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/208483"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=208482"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=208482"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=208482"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}