{"id":20867,"date":"2025-08-08T09:21:09","date_gmt":"2025-08-08T09:21:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/20867\/"},"modified":"2025-08-08T09:21:09","modified_gmt":"2025-08-08T09:21:09","slug":"pitaya-fermentada-com-probioticos-ativa-gene-que-previne-inflamacoes-no-intestino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/20867\/","title":{"rendered":"Pitaya fermentada com probi\u00f3ticos ativa gene que previne inflama\u00e7\u00f5es no intestino"},"content":{"rendered":"<p> 1 <\/p>\n<p>Conhecida por seus benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade, a pitaya vermelha tem despertado o interesse da comunidade cient\u00edfica pelo seu potencial terap\u00eautico. Rica em compostos antioxidantes, como a betacianina e a rutina, que possuem propriedades anti-inflamat\u00f3rias, a fruta vem sendo estudada por seu poss\u00edvel uso coadjuvante no tratamento de doen\u00e7as inflamat\u00f3rias do intestino. Uma pesquisa da USP identificou que a polpa da pitaya vermelha fermentada com probi\u00f3ticos \u00e9 capaz de ativar o gene ATG16L1, respons\u00e1vel pela regula\u00e7\u00e3o da autofagia \u2013 processo biol\u00f3gico de \u201climpeza\u201d celular que remove componentes danificados e ajuda a prevenir inflama\u00e7\u00f5es, especialmente no intestino.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada na Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas (FCF) da USP em parceria com o Food Research Center (FoRC) e utilizou as cepas probi\u00f3ticas Lacticaseibacillus paracasei F-19 e Bifidobacterium animalis BB-12. O resultado foi um aumento de duas vezes na express\u00e3o do gene ATG16L1 em c\u00e9lulas de c\u00e2ncer do c\u00f3lon cultivadas em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>De acordo com a autora do estudo, Juliana Yumi Suzuki, essa ativa\u00e7\u00e3o da autofagia \u00e9 essencial n\u00e3o s\u00f3 para manter a sa\u00fade celular, mas tamb\u00e9m para ajudar na preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as inflamat\u00f3rias intestinais, como a retrocolite ulcerativa e a doen\u00e7a de Crohn. \u201cAl\u00e9m disso, o processo retarda o envelhecimento celular\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Mecanismo alternativo de ativa\u00e7\u00e3o do gene independe da vitamina D<\/strong><br \/>Um dos achados mais importantes da pesquisa foi a constata\u00e7\u00e3o de que a ativa\u00e7\u00e3o do gene ATG16L1, respons\u00e1vel pela autofagia, ocorreu sem necessidade da participa\u00e7\u00e3o do receptor de vitamina D, o VDR, que \u00e9 uma prote\u00edna geralmente envolvida nesse tipo de regula\u00e7\u00e3o. Juliana explica que, at\u00e9 ent\u00e3o, acreditava-se que o VDR fosse essencial para a ativa\u00e7\u00e3o desse gene, mas os experimentos revelaram um novo mecanismo de a\u00e7\u00e3o dos alimentos fermentados.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, embora seja mais conhecido por sua atua\u00e7\u00e3o na sa\u00fade dos ossos, o receptor da vitamina D (VDR) tamb\u00e9m desempenha pap\u00e9is importantes no organismo, como regular o sistema imunol\u00f3gico, controlar a multiplica\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas, manter a integridade da barreira do intestino e ajudar a equilibrar a microbiota intestinal. Juliana diz que \u201co receptor VDR, presente em quase todas as c\u00e9lulas do organismo \u2014 especialmente no intestino delgado e no c\u00f3lon \u2014, atua como um receptor nuclear e funciona como um \u2018interruptor gen\u00e9tico\u2019 que regula a express\u00e3o de genes quando ativado por alguns tipos de mol\u00e9culas\u201d. \u201cPor estar amplamente distribu\u00eddo no organismo, o VDR desempenha diversas fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, muitas ainda n\u00e3o totalmente compreendidas. Entre seus pap\u00e9is conhecidos, est\u00e1 a regula\u00e7\u00e3o de genes ligados \u00e0 autofagia, o processo de limpeza celular que remove componentes danificados e ajuda a controlar inflama\u00e7\u00f5es\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cEssa descoberta \u00e9 relevante, pois abre possibilidades para o uso de alimentos fermentados na regula\u00e7\u00e3o da sa\u00fade celular por caminhos at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o descritos\u201d, destaca a pesquisadora, que defendeu tese na FCF sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Susana Marta Isay Saad. Os resultados foram publicados na revista cient\u00edfica Food Bioscience.<\/p>\n<p>A escolha de c\u00e9lulas de c\u00e2ncer colorretal humano nos experimentos foi estrat\u00e9gica, relata a professora Susana, orientadora do estudo. Ela diz que a linhagem HCT-116, embora derivada de tumor de c\u00f3lon, \u00e9 amplamente utilizada em pesquisas sobre sa\u00fade intestinal, inclusive em estudos que n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00e3o direta com o c\u00e2ncer. \u201cAs c\u00e9lulas HCT-116 s\u00e3o um modelo importante porque expressam naturalmente o receptor de vitamina D (VDR), que \u00e9 o foco principal da investiga\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. Por serem originadas do c\u00f3lon humano, essas c\u00e9lulas permitem avaliar como o intestino responde a processos inflamat\u00f3rios e ajudam a compreender as vias de sinaliza\u00e7\u00e3o envolvidas nesses mecanismos.<\/p>\n<p><strong>Propriedades anti-inflamat\u00f3rias<\/strong><br \/>De acordo a pesquisa, a pitaya vermelha se destaca por ser rica em betacianinas \u2014 pigmentos naturais que d\u00e3o \u00e0 fruta sua colora\u00e7\u00e3o rosa-avermelhada intensa \u2014 e em rutina, um tipo de flavonoide. Estudos anteriores j\u00e1 haviam mostrado que o extrato da fruta reduz les\u00f5es no c\u00f3lon e diminui marcadores inflamat\u00f3rios em modelos experimentais. Al\u00e9m disso, os probi\u00f3ticos usados no estudo s\u00e3o conhecidos por melhorar a composi\u00e7\u00e3o da microbiota intestinal e fortalecer o sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Outro trabalho demonstrou que algumas cepas probi\u00f3ticas tamb\u00e9m estimulam a express\u00e3o do VDR. No entanto, no caso da pitaya fermentada com F-19 e BB12 a ativa\u00e7\u00e3o do VDR n\u00e3o ocorreu. Uma das hip\u00f3teses, segundo Juliana, \u00e9 que a rutina presente na fruta n\u00e3o foi convertida em quercetina, composto que normalmente ativa o VDR.<\/p>\n<p>\u201cOutra possibilidade \u00e9 que a pr\u00f3pria fermenta\u00e7\u00e3o tenha gerado subst\u00e2ncias capazes de inibir ou bloquear esse receptor\u201d, diz, completando que \u201cainda n\u00e3o se compreende totalmente como esses microrganismos modulam a sinaliza\u00e7\u00e3o do VDR e contribuem para a redu\u00e7\u00e3o de processos inflamat\u00f3rios, tema que segue em estudo\u201d.<\/p>\n<p>Entre os resultados, Juliana diz que a descoberta cient\u00edfica mais relevante foi a constata\u00e7\u00e3o de que a polpa de pitaya fermentada tanto com os probi\u00f3ticos F-19 quanto BB-12 aumentou a ativa\u00e7\u00e3o do gene ATG16L1, independentemente do receptor de vitamina D (VDR).<\/p>\n<p>\u201cO resultado revela um mecanismo alternativo e in\u00e9dito de controle da autofagia, o que abre novas possibilidades para o uso de alimentos fermentados na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade celular\u201d, relata a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>Aroma floral de rosas<\/strong><br \/>Al\u00e9m dos efeitos da polpa fermentada, a pesquisadora tamb\u00e9m analisou os compostos qu\u00edmicos da fruta antes e depois da fermenta\u00e7\u00e3o. Em compara\u00e7\u00e3o com a polpa in natura, as vers\u00f5es fermentadas apresentaram n\u00edveis mais elevados de betacianina \u2014 pigmento com propriedades antioxidantes \u2014 e maior estabilidade desse composto por at\u00e9 28 dias de armazenamento, o que contribui para a conserva\u00e7\u00e3o e valor nutricional do produto. Adicionalmente, a fermenta\u00e7\u00e3o com a cepa F-19 tamb\u00e9m gerou altera\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas na formula\u00e7\u00e3o, formando o 2-feniletanol, um composto org\u00e2nico com propriedades antif\u00fangicas, antimicrobianas e aroma floral suave, semelhante ao de rosas. Segundo a pesquisadora, esse composto pode ser empregado amplamente em ind\u00fastrias cosm\u00e9ticas, farmac\u00eauticas e aliment\u00edcias.<\/p>\n<p>Ainda sobre a aplicabilidade da pesquisa, a professora Susana destaca que os resultados s\u00e3o promissores e podem, no futuro, impulsionar o desenvolvimento de alimentos ou produtos funcionais com alto valor nutritivo, capazes de oferecer os mesmos benef\u00edcios observados nos testes laboratoriais. Segundo ela, o estudo tamb\u00e9m considerou o uso de probi\u00f3ticos em diferentes matrizes alimentares, incluindo op\u00e7\u00f5es de origem vegetal. Com isso, ampliam-se as possibilidades de consumo para p\u00fablicos como veganos, flexitarianos (alimenta\u00e7\u00e3o predominantemente vegetariana) e pessoas com alergia \u00e0 prote\u00edna do leite.<\/p>\n<p>O artigo Gene expression analysis and metabolomics of red pitaya fermented with probiotic strains: Implications for vitamin D receptor and inflammatory pathways foi publicado na Food Bioscience em junho de 2025.<\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es: suzuki.jyumi@gmail.com, com Juliana Yumi Suzuki, e susaad@usp.br, com Susana Saad<\/strong><\/p>\n<p><strong>*Estagi\u00e1rio sob orienta\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s Dorado<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mat\u00e9ria \u2013 Jornal da USP, Texto: Ivanir Ferreira<\/strong><br \/><strong>Arte: Gustavo Radaelli*<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"1 Conhecida por seus benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade, a pitaya vermelha tem despertado o interesse da comunidade cient\u00edfica pelo&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20868,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[116,7608,7609,32,1461,7610,33,117],"class_list":{"0":"post-20867","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-health","9":"tag-inflamacoes-no-intestino","10":"tag-pitaya-fermentada","11":"tag-portugal","12":"tag-prevencao","13":"tag-probioticos","14":"tag-pt","15":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20867","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20867"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20867\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20868"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20867"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20867"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20867"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}