{"id":208782,"date":"2025-12-31T02:08:25","date_gmt":"2025-12-31T02:08:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/208782\/"},"modified":"2025-12-31T02:08:25","modified_gmt":"2025-12-31T02:08:25","slug":"em-2025-o-mundo-despediu-se-do-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/208782\/","title":{"rendered":"Em 2025 o mundo despediu-se do Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p>Estes \u00faltimos dias do ano levam-nos a recordar o Papa Francisco e aquilo que de mais humano e pr\u00f3ximo nos tocou durante o seu pontificado. Sempre com especial aten\u00e7\u00e3o aos marginalizados do mundo, Francisco deixou intensas mem\u00f3rias com os seus gestos e palavras.<\/p>\n<p><b>Rui Saraiva \u2013 Portugal<\/b><\/p>\n<p>Francisco passou por aqui. Pode muito bem ser este o t\u00edtulo que podemos usar para descrevermos a sensibilidade pastoral do Papa durante o seu pontificado. Com uma atitude generosa, impregnada de Evangelho e pronta para o servi\u00e7o, Francisco deixou marca por onde passou. \u00a0<\/p>\n<p>A casa de Francisco nas periferias descartadas <\/p>\n<p>Sempre com especial aten\u00e7\u00e3o aos marginalizados do mundo, tal como fazia em Buenos Aires. Na capital argentina, Bergoglio era visita regular nas \u201cvillas mis\u00e9ria\u201d e as pessoas sabiam o seu nome e viam-no como um deles. Conhecia a realidade. E, por isso, quando esteve em Kangemi, um dos sete bairros de lata de Nairobi a capital do Qu\u00e9nia, na sua visita \u00e0quele pa\u00eds africano, afirmou estar ali como se estivesse \u201cem casa\u201d. \u201cSinto-me em casa, partilhando este momento com irm\u00e3os e irm\u00e3s que t\u00eam um lugar preferencial na minha vida e nas minhas op\u00e7\u00f5es, n\u00e3o me envergonho de o dizer\u201d, disse Francisco a 27 de novembro de 2015.<\/p>\n<p>E o Santo Padre denunciou na ocasi\u00e3o, a riqueza concentrada em minorias, enquanto a maioria vive abandonada e descartada. \u201cS\u00e3o as feridas provocadas pelas minorias que concentram o poder, a riqueza e perduram egoisticamente, enquanto a crescente maioria tem que refugiar-se em periferias abandonadas, polu\u00eddas e descartadas\u201d, afirmou o Santo Padre.<\/p>\n<p>A simplicidade dos gestos <\/p>\n<p>Para a hist\u00f3ria da Igreja ficam os documentos ricos e profundos que afirmam valores como a defesa da Cria\u00e7\u00e3o e a fraternidade humana, em textos papais de grande relevo como \u201cLaudato Si\u201d e \u201cFratelli Tutti\u201d, mas para a mem\u00f3ria de cada um ficam os gestos e atitudes que expressavam o sentir do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com efeito, desde o primeiro momento que o ritmo acelerado do Papa Francisco foi uma marca do seu pontificado. Com um passo decidido e uma naturalidade desconcertante, o Santo Padre desde o primeiro momento deixou claras v\u00e1rias atitudes que n\u00e3o eram apenas um novo estilo ou formato, mas sinais reveladores do conte\u00fado fresco do Evangelho.<\/p>\n<p>E, assim, inesperadamente, o Papa Francisco como que desceu na noite da sua elei\u00e7\u00e3o da varanda da Bas\u00edlica de S. Pedro at\u00e9 junto do seu povo, ao qual se inclinou para receber a ora\u00e7\u00e3o que pede a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus. Um momento \u00fanico, original e inovador que foi um primeiro grande sinal:<\/p>\n<p>\u201cE agora eu gostaria de dar a b\u00ean\u00e7\u00e3o, mas antes\u2026 antes pe\u00e7o-vos um favor: antes de o bispo aben\u00e7oar o povo, pe\u00e7o-vos que rezeis ao Senhor para que Ele me aben\u00e7oe: a ora\u00e7\u00e3o do povo que pede a b\u00ean\u00e7\u00e3o para o seu bispo. Fa\u00e7amos em sil\u00eancio esta ora\u00e7\u00e3o de v\u00f3s por mim\u201d, disse o Papa Francisco a 13 de mar\u00e7o de 2013.<\/p>\n<p>E assim come\u00e7ou a acelerar a din\u00e2mica pastoral pontif\u00edcia logo ali: incluiu o povo no seu caminho, dando um registo de normalidade quotidiana ao pontificado. Come\u00e7ando a anular os resqu\u00edcios principescos da sua fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos primeiros gestos foi saldar a conta que faltava pagar na Residencial Domus Paulus VI e aonde se dirigiu logo no dia a seguir \u00e0 elei\u00e7\u00e3o. E os sapatos que usava Francisco j\u00e1 n\u00e3o eram papais vermelhos, mas pretos e\u2026 ortop\u00e9dicos!<\/p>\n<p>E, claro, depois veio a surpreendente decis\u00e3o de n\u00e3o viver no Pal\u00e1cio Apost\u00f3lico, mas na Casa de Santa Marta. Uma decis\u00e3o que arrepiou os mais indefet\u00edveis da formalidade vaticana e do seu regular funcionamento institucional.<\/p>\n<p>A for\u00e7a das palavras <\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m de palavras intensas, met\u00e1foras criativas e pequenas hist\u00f3rias que se fez o pontificado de Francisco. Umas mais fortes e program\u00e1ticas como \u201cdizer energicamente n\u00e3o a qualquer forma de clericalismo\u201d ou \u201cdesmasculinizar a Igreja\u201d e outras bem mais singelas como por exemplo as palavras com licen\u00e7a, obrigado e desculpa.<\/p>\n<p>Um outro exemplo s\u00e3o as palavras teto, terra e trabalho. Recordamos aqui algumas frases que orientaram o pontificado do Papa Francisco e que foram proferidas nos primeiros dias ap\u00f3s a sua elei\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cQuando caminhamos sem a Cruz, quando edificamos sem a Cruz e quando confessamos um Cristo sem Cruz, n\u00e3o somos disc\u00edpulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papa, mas n\u00e3o disc\u00edpulos do Senhor\u201d. (Missa Pro Ecclesia, 14 de mar\u00e7o 2013).<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o te esque\u00e7as dos pobres!&#8217;. E aquela palavra entrou aqui: os pobres, os pobres. Depois, imediatamente em rela\u00e7\u00e3o aos pobres, pensei em Francisco de Assis. \u00c9 o homem que nos d\u00e1 este esp\u00edrito de paz, o homem pobre&#8230; Ah, como gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres.\u201d (Audi\u00eancia aos Jornalistas, 16 de mar\u00e7o 2013).<\/p>\n<p>\u201cEle, nunca se cansa de perdoar, mas n\u00f3s, por vezes, cansamo-nos de pedir perd\u00e3o. Nunca nos cansemos, nunca nos cansemos! Ele \u00e9 o Pai amoroso que perdoa sempre, que tem um cora\u00e7\u00e3o de miseric\u00f3rdia para todos n\u00f3s.\u201d (Angelus, 17 de mar\u00e7o 2013).<\/p>\n<p>\u201cNunca nos esque\u00e7amos que o verdadeiro poder \u00e9 o servi\u00e7o e que tamb\u00e9m o Papa para exercer o poder deve entrar cada vez mais naquele servi\u00e7o que tem o seu v\u00e9rtice luminoso na Cruz\u201d. (Missa do In\u00edcio Solene do pontificado, 19 de mar\u00e7o 2013).<\/p>\n<p>\u201cE por favor, n\u00e3o deixeis que vos roubem a esperan\u00e7a! N\u00e3o deixeis que roubem a esperan\u00e7a! Aquela que nos d\u00e1 Jesus\u201d. (Domingo de Ramos, 24 de mar\u00e7o 2013).<\/p>\n<p>\u201cIsto eu vos pe\u00e7o: sede pastores com o odor das ovelhas, pastores no meio do pr\u00f3prio rebanho, e pescadores de homens\u201d. (Missa Crismal, 28 de mar\u00e7o 2013).<\/p>\n<p>Em 2025 o mundo despediu-se do Papa Francisco que faleceu no dia 21 de abril.<\/p>\n<p>Laudetur Iesus Christus<\/p>\n<p>\n   Oi\u00e7a aqui a reportagem e partilhe\n  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Estes \u00faltimos dias do ano levam-nos a recordar o Papa Francisco e aquilo que de mais humano e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":208783,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,3178,15,16,14,545,3176,25,26,21,22,3177,62,12,13,19,20,12634,8337,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-208782","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-esperanca","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-igreja-catolica","15":"tag-jovens","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-meio-ambiente","21":"tag-mundo","22":"tag-news","23":"tag-noticias","24":"tag-noticias-principais","25":"tag-noticiasprincipais","26":"tag-papa-francisco","27":"tag-pobreza","28":"tag-principais-noticias","29":"tag-principaisnoticias","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-ultimas","33":"tag-ultimas-noticias","34":"tag-ultimasnoticias","35":"tag-world","36":"tag-world-news","37":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115811746091050856","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=208782"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208782\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/208783"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=208782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=208782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=208782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}