{"id":209194,"date":"2025-12-31T13:11:07","date_gmt":"2025-12-31T13:11:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/209194\/"},"modified":"2025-12-31T13:11:07","modified_gmt":"2025-12-31T13:11:07","slug":"ha-drones-aquaticos-kamikaze-e-simples-redes-de-pesca-guerra-na-ucrania-mostra-que-a-tecnologia-e-o-improviso-estao-a-reescrever-as-regras-do-combate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/209194\/","title":{"rendered":"H\u00e1 drones aqu\u00e1ticos &#8220;kamikaze&#8221; e simples redes de pesca. Guerra na Ucr\u00e2nia mostra que a tecnologia e o improviso est\u00e3o a reescrever as regras do combate"},"content":{"rendered":"<p>\t                Da intelig\u00eancia artificial que planeia ataques em minutos \u00e0s solu\u00e7\u00f5es antigas que travam tecnologia de ponta, passando pela ciberespionagem silenciosa: eis o guia essencial para compreender as profundas transforma\u00e7\u00f5es que est\u00e3o a mudar a face da guerra moderna<\/p>\n<p style=\"text-align:justify; margin-bottom:11px\">Quando Volodymyr Zelensky subiu ao p\u00falpito das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em setembro, fez um aviso que passou despercebido. O mundo corre o risco de &#8220;ver drones de combate a atacar infraestruturas e pessoas, totalmente aut\u00f3nomos e sem qualquer envolvimento humano&#8221;, alertou o presidente de um pa\u00eds que desafia diariamente as regras da guerra. S\u00f3 que Zelensky n\u00e3o estava a descrever um futuro distante, mas a evolu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica de um conflito que se transformou no maior laborat\u00f3rio de tecnologia militar da hist\u00f3ria. Estes s\u00e3o alguns dos aspetos que est\u00e3o a mudar na guerra, tal como a conhecemos.<\/p>\n<p>O olho que tudo v\u00ea<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7a na capacidade de ver. Desde drones que n\u00e3o conseguem ser intercetados por armas de guerra eletr\u00f3nica, a sistemas de processamento maci\u00e7o de informa\u00e7\u00e3o que permitem melhorar o planeamento e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, salvar vidas. Um exemplo disso acontece num centro de intelig\u00eancia artificial do Minist\u00e9rio da Defesa ucraniano. Todos os meses, este departamento recebe dezenas de milhares de v\u00eddeos da linha da frente que s\u00e3o analisados por Intelig\u00eancia Artificial (IA). Esta capacidade permite processar a informa\u00e7\u00e3o numa escala sem precedentes, identificando alvos e integrando tudo num s\u00f3 mapa, em tempo real.<\/p>\n<p>A IA consegue cruzar imagens de sat\u00e9lites comerciais, relat\u00f3rios de espi\u00f5es no terreno, sinais de r\u00e1dio intercetados, v\u00eddeos de drones e at\u00e9 publica\u00e7\u00f5es de redes sociais para criar um &#8220;g\u00e9meo digital&#8221; do campo de batalha. Esta \u00e9 uma aut\u00eantica revolu\u00e7\u00e3o quando comparada aos m\u00e9todos utilizados h\u00e1 poucos anos, onde um oficial tinha de desenhar tudo no papel, com a informa\u00e7\u00e3o a demorar horas a chegar.<\/p>\n<p>Hoje, sistemas como os desenvolvidos pela empresa americana Palantir s\u00e3o capazes de reduzir o ciclo de planeamento militar de horas para minutos. Estes sistemas n\u00e3o se limitam a detetar o alvo: eles calculam, com base nas capacidades log\u00edsticas dispon\u00edveis, qual a melhor arma para o destruir no menor tempo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Ex\u00e9rcitos de Droids <\/p>\n<p>Na Ucr\u00e2nia, um pa\u00eds onde a necessidade de defesa casa na perfei\u00e7\u00e3o com uma enorme quantidade de pessoas formadas em tecnologia de informa\u00e7\u00e3o, existem empresas dedicadas a resolver o problema principal do ex\u00e9rcito: a falta de infantaria. Kiev tem tido dificuldade em contrariar a superioridade num\u00e9rica de Moscovo na linha da frente e h\u00e1 empresas, como a DevDroid, que trabalham para criar sistemas de automatiza\u00e7\u00e3o de metralhadoras pesadas, capazes de detetar pessoas, rastre\u00e1-las e abrir fogo caso um operador humano decida disparar.<\/p>\n<p>Uma das \u00e1reas onde a Intelig\u00eancia Artificial poder\u00e1 ter maior impacto, j\u00e1 durante o pr\u00f3ximo ano, \u00e9 no campo dos drones de interce\u00e7\u00e3o. O software a bordo destas muni\u00e7\u00f5es a\u00e9reas \u00e9 capaz de detetar alvos antes de um humano o conseguir fazer e movimentar-se com uma agilidade superior \u00e0 de um piloto. Este tipo de sistemas ainda n\u00e3o est\u00e1 a ser utilizado em massa, mas segundo os programadores que desenvolvem a tecnologia, \u00e9 poss\u00edvel que comecem a operar j\u00e1 no final de 2026.<\/p>\n<p>Mas a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas a\u00e9rea e terrestre. A Ucr\u00e2nia expandiu a utiliza\u00e7\u00e3o de sistemas n\u00e3o tripulados ao dom\u00ednio mar\u00edtimo (USVs), utilizando drones &#8220;kamikaze&#8221; aqu\u00e1ticos para desafiar o controlo naval russo no Mar Negro e atacar infraestruturas offshore, provando que \u00e9 poss\u00edvel paralisar uma marinha convencional sem ter navios de guerra tradicionais.<\/p>\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o &#8220;low-tech&#8221; <\/p>\n<p>Enquanto ex\u00e9rcitos de engenheiros lutam diariamente para encontrar a solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica mais avan\u00e7ada, na linha da frente surgem solu\u00e7\u00f5es simples para contrariar os avan\u00e7os de topo. Um dos melhores exemplos encontra-se nas cidades ucranianas pr\u00f3ximas da frente de combate: toneladas de redes de pesca descartadas, outrora usadas para capturar peixe, est\u00e3o agora a ser enviadas para &#8220;pescar&#8221; drones russos.<\/p>\n<p>A ideia original surgiu do lado russo, o primeiro a ter de lidar com ataques de drones em massa. Hoje, milhares de quil\u00f3metros de vias ucranianas est\u00e3o a ser &#8220;tapadas&#8221; com estas redes, feitas para aguentar o impacto de peixes fortes. Estas estruturas desempenham um papel crucial na prote\u00e7\u00e3o de trincheiras, estradas e at\u00e9 hospitais, mudando por completo o aspeto visual da guerra com &#8220;t\u00faneis&#8221; de rede cada vez mais comuns.<\/p>\n<p>O conceito \u00e9 simples: as redes funcionam como teias de aranha gigantes. Quando os drones tentam atingir os alvos, as suas h\u00e9lices ficam emaranhadas na malha resistente, inutilizando o aparelho antes da detona\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A fronteira \u00e9tica <\/p>\n<p>Para j\u00e1, praticamente todas as solu\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas que envolvem a utiliza\u00e7\u00e3o de Intelig\u00eancia Artificial s\u00e3o criadas com o conceito &#8220;human-on-the-loop&#8221;, ou seja, a decis\u00e3o final de disparo pertence sempre ao ser humano. A ind\u00fastria e as organiza\u00e7\u00f5es internacionais temem que sistemas completamente aut\u00f3nomos \u2014 denominados &#8220;human-out-of-the-loop&#8221; \u2014 possam violar as regras da guerra, sendo incapazes de diferenciar civis ou soldados que se rendem.<\/p>\n<p>A guerra pela Informa\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>Contudo, hoje tudo \u00e9 uma arma e um dos principais campos de batalha \u00e9 o da informa\u00e7\u00e3o. Pa\u00edses como a R\u00fassia e a China desenvolveram estruturas complexas capazes de surtir efeitos que lhes permitem atingir objetivos estrat\u00e9gicos sem disparar um tiro. A invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia foi muito al\u00e9m das plan\u00edcies do Donbass; Moscovo lan\u00e7ou uma vasta campanha de desinforma\u00e7\u00e3o com o objetivo de minar o apoio ocidental a Kiev.<\/p>\n<p>Esta tend\u00eancia veio para ficar e as ferramentas de IA vieram intensific\u00e1-la. Segundo analistas do MIT Technology Review, este cen\u00e1rio poder\u00e1 ser utilizado com particular efic\u00e1cia em 2027, data em que a maior parte dos analistas militares acredita que a China poder\u00e1 lan\u00e7ar uma ofensiva contra Taiwan. Ao mesmo tempo que dezenas de milhares de drones tentariam sobrecarregar as defesas a\u00e9reas da ilha, uma vasta campanha de desinforma\u00e7\u00e3o, levada a cabo por &#8220;f\u00e1bricas de bots&#8221;, inundaria as redes sociais para quebrar a vontade de defesa taiwanesa.<\/p>\n<p>Salt Typhoon<\/p>\n<p>A Intelig\u00eancia Artificial cria ainda mais complica\u00e7\u00f5es para as democracias no campo cibern\u00e9tico. Em 2023, os Estados Unidos, a principal pot\u00eancia tecnol\u00f3gica global, foram atingidos pela opera\u00e7\u00e3o &#8220;Salt Typhoon&#8221;. Um grupo de hackers ligado aos servi\u00e7os secretos chineses conseguiu infiltrar-se nas principais empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es americanas. Os piratas inform\u00e1ticos utilizaram routers e servidores comprometidos para se moverem atrav\u00e9s das redes e encontrarem posi\u00e7\u00f5es de espionagem vantajosas.<\/p>\n<p>O ataque permitiu algo que as autoridades americanas nunca pensaram ser poss\u00edvel: copiar conversas e mapear os movimentos de membros dos servi\u00e7os secretos e agentes dedicados \u00e0 contraespionagem. Num artigo na revista Foreign Affairs, Anne Neuberger, vice-conselheira de Seguran\u00e7a Nacional para a Ciberseguran\u00e7a, alerta que esta tend\u00eancia vai intensificar-se com as capacidades geradas pela IA.<\/p>\n<p>A IA como escudo <\/p>\n<p>Por\u00e9m, a mesma tecnologia que ataca \u00e9 a que defende. Atualmente, a IA j\u00e1 \u00e9 utilizada para detetar padr\u00f5es e anomalias em redes em tempo real. Se uma v\u00e1lvula numa esta\u00e7\u00e3o de tratamento de \u00e1gua digital atuar de forma estranha, a IA deteta a intrus\u00e3o antes que esta cause danos f\u00edsicos. Em vez de tentar &#8220;tapar todos os buracos&#8221;, a IA ajuda a identificar quais as vulnerabilidades cr\u00edticas que, se exploradas, causariam falhas em cascata. Nesta nova era, a vit\u00f3ria n\u00e3o depender\u00e1 apenas de quem tem o m\u00edssil mais r\u00e1pido, mas de quem tiver o algoritmo mais resiliente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Da intelig\u00eancia artificial que planeia ataques em minutos \u00e0s solu\u00e7\u00f5es antigas que travam tecnologia de ponta, passando pela&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":209195,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[609,836,611,27,28,586,607,608,333,832,604,135,610,476,41120,15,16,301,830,14,933,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,52,32,23,24,110,17,18,29,30,31,1893,63,64,65],"class_list":{"0":"post-209194","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alerta","9":"tag-analise","10":"tag-ao-minuto","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-ciberseguranca","14":"tag-cnn","15":"tag-cnn-portugal","16":"tag-comentadores","17":"tag-costa","18":"tag-crime","19":"tag-desporto","20":"tag-direto","21":"tag-economia","22":"tag-fabricas-de-bots","23":"tag-featured-news","24":"tag-featurednews","25":"tag-governo","26":"tag-guerra","27":"tag-headlines","28":"tag-inteligencia-artificial","29":"tag-justica","30":"tag-latest-news","31":"tag-latestnews","32":"tag-live","33":"tag-main-news","34":"tag-mainnews","35":"tag-mais-vistas","36":"tag-marcelo","37":"tag-mundo","38":"tag-negocios","39":"tag-news","40":"tag-noticias","41":"tag-noticias-principais","42":"tag-noticiasprincipais","43":"tag-opiniao","44":"tag-pais","45":"tag-politica","46":"tag-portugal","47":"tag-principais-noticias","48":"tag-principaisnoticias","49":"tag-tecnologia","50":"tag-top-stories","51":"tag-topstories","52":"tag-ultimas","53":"tag-ultimas-noticias","54":"tag-ultimasnoticias","55":"tag-virus","56":"tag-world","57":"tag-world-news","58":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/209194","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=209194"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/209194\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/209195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=209194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=209194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=209194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}