{"id":210287,"date":"2026-01-01T10:50:23","date_gmt":"2026-01-01T10:50:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/210287\/"},"modified":"2026-01-01T10:50:23","modified_gmt":"2026-01-01T10:50:23","slug":"f-se-nao-sabia-que-ela-defendia-isto-o-lado-negro-de-brigitte-bardot","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/210287\/","title":{"rendered":"&#8220;F***-se, n\u00e3o sabia que ela defendia isto!&#8221;. O lado negro de Brigitte Bardot"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/62100938@N02\/8655589291\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" class=\"ext-link\">John Irving\/Flickr<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-719772 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/d5d581618a3182e06a675ccccba31ba7-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Alain Delon segura o queixo de Brigitte Bardot em Hist\u00f3rias Extraordin\u00e1rias (1968)<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o por tr\u00e1s, mas mesmo ao lado do grande ecr\u00e3, ic\u00f3nica atriz e modelo nunca escondeu as suas opini\u00f5es anti-imigra\u00e7\u00e3o e liga\u00e7\u00e3o \u00e0 extrema-direita, consideradas \u00f3dio racial por cinco vezes em tribunal.<\/strong><\/p>\n<p>A francesa<strong> Brigitte Bardot<\/strong>, que <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/morreu-brigitte-bardot-719348\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">morreu<\/a> este domingo aos 91 anos, foi sem qualquer d\u00favida uma figura incontorn\u00e1vel do cinema. Foi, por isso, adorada por milh\u00f5es de pessoas. Muitas delas que s\u00f3 com a not\u00edcia da sua morte ficaram a saber do lado menos popular da ic\u00f3nica atriz e modelo.<\/p>\n<p>Uma das surpreendidas f\u00e3s foi a cantora norte-americana Chappell Roan, que depois de partilhar uma homenagem \u00e0 eterna \u201cB.B.\u201d nas redes sociais, apagou-a.<\/p>\n<p>\u201cF***-se\u201d, come\u00e7a por desabafar a artista, \u201ceu n\u00e3o sabia que a Sra. Bardot defendia essas m***as todas\u201d, exclamou. \u201cObviamente, n\u00e3o concordo com isso. \u00c9 muito dececionante saber disso\u201d, escreveu depois, numa hist\u00f3ria no Instagram.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade: em paralelo com a inquestion\u00e1vel enorme carreira art\u00edstica que levou como atriz, de 1952 a 1974, Bardot seguiu caminhos mais pol\u00e9micos, marcados por posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/brigitte-bardot-comentarios-racistas-247445\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">associadas<\/a> \u00e0 extrema-direita e por declara\u00e7\u00f5es que a levaram a ser <strong>condenada, por cinco vezes, por<\/strong> <strong>incitamento ao \u00f3dio racial<\/strong>.<\/p>\n<p>Liga\u00e7\u00f5es \u00e0 extrema-direita e condena\u00e7\u00f5es em tribunal<\/p>\n<p>Essa trajet\u00f3ria prolongou-se por cerca de tr\u00eas d\u00e9cadas e foi tida como um caso peculiar no espa\u00e7o cultural franc\u00eas, isto porque Brigitte Bardot n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o escondeu simpatias pela extrema-direita, como as assumiu repetidamente em interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e textos.<\/p>\n<p>Segundo o jornal <a href=\"https:\/\/www.lemonde.fr\/en\/obituaries\/article\/2025\/12\/28\/brigitte-bardot-s-30-years-of-sympathy-for-the-far-right_6748895_15.html\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">Le Monde<\/a>, o afastamento de Bardot dos est\u00fadios e sets a partir dos anos 1990 teve muito a ver com as suas posi\u00e7\u00f5es consideradas nacionalistas, homof\u00f3bicas e racistas, numa Fran\u00e7a que considerava perdida.<\/p>\n<p>Depois de tr\u00eas casamentos e div\u00f3rcios, Bardot <strong>casou-se e ficou at\u00e9 ao fim da vida com Bernard d\u2019Ormale, conselheiro de Jean-Marie Le Pen<\/strong>, l\u00edder hist\u00f3rico da extrema-direita francesa, fundador do Front National (FN) e antecessor do atual Rassemblement National, tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/morreu-jean-marie-le-pen-lider-historico-da-extrema-direita-francesa-652051\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">falecido<\/a> este ano.<\/p>\n<p>Le Pen recorda, nas suas mem\u00f3rias, um primeiro encontro com Bardot no final dos anos 1950, quando regressava da Guerra da Arg\u00e9lia e desempenhava fun\u00e7\u00f5es parlamentares ligadas ao or\u00e7amento militar.<\/p>\n<p><strong>\u201cAo lado dela, Marilyn Monroe parecia uma empregada de mesa\u201d<\/strong>, escreveu o l\u00edder de extrema-direita, pai da tamb\u00e9m ex-l\u00edder do RN, Marine Le Pen. Jean-Marie escrevia que Bardot e ele \u201ctinham mais em comum do que parece. Ela sente nostalgia de uma Fran\u00e7a limpa\u201d.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, os la\u00e7os entre o universo Le Pen e Bardot aprofundaram-se. Jean-Louis Bouguereau, dirigente do RN no Var, no sul de Fran\u00e7a, se tornou advogado de Bardot e da Funda\u00e7\u00e3o Brigitte Bardot, dedicada \u00e0 defesa dos direitos dos animais. Foi num jantar em Saint-Tropez, em 1992, organizado por Jany Le Pen e Bouguereau, que Bardot ter\u00e1 conhecido Bernard d\u2019Ormale. A partir da\u00ed, ao lado de um militante com responsabilidades partid\u00e1rias, a atriz passou a afirmar de forma mais estruturada as suas convic\u00e7\u00f5es e acompanhou a ascens\u00e3o da extrema-direita.<\/p>\n<p>A sua causa central \u2014 o <strong>bem-estar animal<\/strong> \u2014 articulou-se com um discurso dirigido sobretudo contra mu\u00e7ulmanos, recorrendo a refer\u00eancias a pr\u00e1ticas religiosas ligadas ao abate ritual. Uma carta publicada no jornal de extrema-direita Pr\u00e9sent tornou-se emblem\u00e1tica: Bardot alertava para o Eid al-Kebir e descrevia, em termos alarmistas, a <strong>possibilidade de o territ\u00f3rio franc\u00eas ser \u201censopado\u201d com sangue de ovelhas abatidas<\/strong>. Nesse mesmo texto, associava a pr\u00e1tica religiosa a uma imagem de amea\u00e7a generalizada e de transforma\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria do pa\u00eds. Foi neste contexto que surgiu a sua<strong> primeira condena\u00e7\u00e3o, em 1997, e a uma segunda, em 1998.<\/strong><\/p>\n<p>A mais recente condena\u00e7\u00e3o foi em <strong>2021<\/strong>, depois de se referir aos habitantes da ilha da Reuni\u00e3o, do \u00cdndico, como \u201cabor\u00edgenes que mantiveram os genes dos selvagens\u201d ao denunciar\u00a0 o \u201ctratamento b\u00e1rbaro de animais por uma popula\u00e7\u00e3o degenerada\u201d.<\/p>\n<p>Hostilidade \u00e0 esquerda e oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia caracterizavam essa faceta da atriz. \u00c9 tamb\u00e9m mencionada pelo Le Monde sua <strong>admira\u00e7\u00e3o por Vladimir Putin. <\/strong>Mas havia casos \u00e0 parte: Bardot apoiava a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez e considerava Jean-Marie Le Pen por vezes excessivo, nomeadamente pelas suas declara\u00e7\u00f5es revisionistas. Com o tempo, <strong>a sua prefer\u00eancia passou a recair sobre a filha, Marine Le Pen<\/strong>, que chegou a qualificar como \u201ca Joana d\u2019Arc do s\u00e9culo XXI\u201d.<\/p>\n<p>Nos anos mais recentes, Bardot ter\u00e1 procurado afirmar que o bem-estar animal era o seu principal crit\u00e9rio pol\u00edtico, chegando a dizer, numa entrevista ao mesmo jornal franc\u00eas, em 2018, que tamb\u00e9m contactara Jean-Luc M\u00e9lenchon por causa do vegetarianismo e de propostas contra matadouros. Nessa ocasi\u00e3o, garantiu que j\u00e1 n\u00e3o apoiava ningu\u00e9m. Ainda assim, tr\u00eas anos depois, numa entrevista \u00e0 revista Valeurs actuelles, voltou a elogiar Marine Le Pen e o candidato presidencial \u00c9ric Zemmour.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_545_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_770_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389372_556_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"John Irving\/Flickr Alain Delon segura o queixo de Brigitte Bardot em Hist\u00f3rias Extraordin\u00e1rias (1968) N\u00e3o por tr\u00e1s, mas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":210288,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85],"tags":[207,7620,269,211,470,315,114,115,208,1481,603,4007,32,33,11099,21377],"class_list":{"0":"post-210287","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-entretenimento","8":"tag-arte","9":"tag-ativismo","10":"tag-capa","11":"tag-celebridades","12":"tag-cinema","13":"tag-cultura","14":"tag-entertainment","15":"tag-entretenimento","16":"tag-franca","17":"tag-imigracao","18":"tag-justica","19":"tag-politica-internacional","20":"tag-portugal","21":"tag-pt","22":"tag-racismo","23":"tag-xenofobia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115819460919397331","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=210287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210287\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/210288"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=210287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=210287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=210287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}