{"id":210907,"date":"2026-01-01T19:00:08","date_gmt":"2026-01-01T19:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/210907\/"},"modified":"2026-01-01T19:00:08","modified_gmt":"2026-01-01T19:00:08","slug":"critica-de-anaconda-o-vicio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/210907\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica de Anaconda &#8211; O V\u00edcio"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-yoast-seo-estimated-reading-time yoast-reading-time__wrapper\">Estimated reading time: 4 minutos<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma d\u00e9cada inteira dominada por homens de collant que voam e disparam raios pelas m\u00e3os, Hollywood mergulhou em uma profunda crise de identidade quando a crise sanit\u00e1ria de 2020 bagun\u00e7ou as pe\u00e7as do tabuleiro. Somado ao cansa\u00e7o dos super-her\u00f3is e das grandes fantasias, surgiu a competi\u00e7\u00e3o voraz do streaming, for\u00e7ando os est\u00fadios a tentarem uma reconex\u00e3o com as bases do passado. \u00c9 por isso que tantas franquias ressurgiram; <a href=\"https:\/\/ovicio.com.br\/tag\/anaconda\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Anaconda (2025)<\/a> \u00e9 o puro suco dessa crise de meia-idade da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>A <strong>Sony <\/strong>apostou na vis\u00e3o de <strong>Tom Gormican <\/strong>para injetar na franquia a novidade nada original do terror\/com\u00e9dia com metalinguagem \u2014 algo que <strong>Wes Craven<\/strong> j\u00e1 fez em <strong>P\u00e2nico <\/strong>e <strong>A Hora do Pesadelo<\/strong>. A decis\u00e3o, certamente, foi impulsionada pela repercuss\u00e3o de <strong>O Peso do Talento (2022)<\/strong>, que j\u00e1 era esse del\u00edrio sobre a imagem nost\u00e1lgica e angelical de<strong> Nicolas Cage<\/strong>. O resultado n\u00e3o poderia ser outro: para o bem e para o mal, os dois filmes dividem o mesmo DNA e os mesmos v\u00edcios.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"859\" height=\"477\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/20251229-anaconda-critica-foto-1.webp.webp\" alt=\"Cr\u00edtica de Anaconda\" class=\"lazyload wp-image-883507\"  data-\/>Reprodu\u00e7\u00e3o\/Sony Pictures<\/p>\n<p><strong>Gormican <\/strong>n\u00e3o \u00e9, nem de longe, o que eu definiria como um bom diretor de com\u00e9dia. Tanto <strong>Anaconda (2025) <\/strong>quanto<strong> O Peso do Talento (2022) <\/strong>s\u00e3o ref\u00e9ns do que \u00e9 dito, com quebras de expectativa t\u00e3o previs\u00edveis que s\u00e3o vis\u00edveis a quil\u00f4metros. O problema \u00e9 que ele falha em estabelecer uma atmosfera clara: n\u00e3o assume a galhofa e nem d\u00e1 peso real ao drama. \u00c9 um eterno banho-maria.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, seria injusto dizer que <strong>Anaconda (2025) <\/strong>n\u00e3o encontra divers\u00e3o pelo caminho. No meio do caos, temos<strong> Jack Black<\/strong> e <strong>Steve Zahn<\/strong> se esfor\u00e7ando genuinamente para resgatar aquele esp\u00edrito das com\u00e9dias do in\u00edcio dos anos 2000. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a divertida adi\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/ovicio.com.br\/Selton-Mello\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Selton Mello<\/a>; como j\u00e1 sabemos, ele possui uma fisicalidade \u00fanica para o humor, entregando um carisma que o restante do filme nem sempre consegue acompanhar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/20251010-image-13-1024x576.png\" alt=\"Anaconda: Selton Mello foge da cobra gigante em p\u00f4ster oficial\" class=\"lazyload wp-image-839485\"  data-\/>Reprodu\u00e7\u00e3o\/Sony Pictures<\/p>\n<p>H\u00e1 um certo charme em essa reimagina\u00e7\u00e3o<strong> <\/strong>ser quase t\u00e3o ruim quanto o filme original de 1997. O longa de <strong>Gormican <\/strong>ocupa esse lugar bizarro de ser, ao mesmo tempo, s\u00e1tira e satirizado \u2014 um monumento ao cinismo de uma Hollywood que faz piada da pr\u00f3pria falta de inventividade para n\u00e3o ter que resolv\u00ea-la. Talvez esse projeto novo, mas nada original, se torne mais palat\u00e1vel se encarado assim: como uma piada involunt\u00e1ria sobre uma ind\u00fastria que est\u00e1 questionando a pr\u00f3pria exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Como terror, a obra naufraga por ser incapaz de sustentar qualquer senso de urg\u00eancia; h\u00e1 um conforto inc\u00f4modo na narrativa que nos d\u00e1 a certeza precoce de que todos os principais sair\u00e3o ilesos. Como com\u00e9dia, tem l\u00e1 seus momentos de gra\u00e7a.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/20251229-anaconda-critica-foto-2-1024x576.webp.webp\" alt=\"Cr\u00edtica de Anaconda\" class=\"lazyload wp-image-883506\"  data-\/>Reprodu\u00e7\u00e3o\/Sony Pictures<\/p>\n<p>Preciso reconhecer um m\u00e9rito: o longa \u00e9 genuinamente est\u00fapido, e n\u00e3o finge ser est\u00fapido para tentar for\u00e7ar a gra\u00e7a \u2014 um v\u00edcio insuport\u00e1vel que Hollywood abra\u00e7ou recentemente. Existe uma honestidade nessa idiotice que falta em muitos filmes que tentam a todo custo imitar <strong>Trov\u00e3o Tropical (2008)<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Anaconda (2025) <\/strong>\u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, o del\u00edrio adolescente de uma ind\u00fastria em plena crise de meia-idade. O resultado \u00e9 aquele limbo: nem divertido o suficiente para ser indispens\u00e1vel, nem ruim o bastante para n\u00e3o ser assist\u00edvel. \u00c9 o cinema do tanto faz.<\/p>\n<p>Leia mais sobre Anaconda:<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Estimated reading time: 4 minutos Ap\u00f3s uma d\u00e9cada inteira dominada por homens de collant que voam e disparam&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":210908,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[140],"tags":[16768,37440,114,115,147,148,16772,146,4420,32,33,4349,12897],"class_list":{"0":"post-210907","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-filmes","8":"tag-anaconda","9":"tag-daniela-melchior","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-film","13":"tag-filmes","14":"tag-jack-black","15":"tag-movies","16":"tag-paul-rudd","17":"tag-portugal","18":"tag-pt","19":"tag-selton-mello","20":"tag-sony-pictures"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115821387766103248","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210907","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=210907"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210907\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/210908"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=210907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=210907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=210907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}