{"id":211053,"date":"2026-01-01T21:12:20","date_gmt":"2026-01-01T21:12:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/211053\/"},"modified":"2026-01-01T21:12:20","modified_gmt":"2026-01-01T21:12:20","slug":"uma-especie-de-vietname-revelado-o-plano-de-guerra-com-20-anos-da-venezuela-contra-os-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/211053\/","title":{"rendered":"&#8220;Uma esp\u00e9cie de Vietname&#8221;. Revelado o plano de guerra com 20 anos da Venezuela contra os EUA"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Ronald Pena R. \/ EPA<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-617404 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/d72409bc5637371c92ccc8c411c9cbcb-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Nicol\u00e1s Maduro vence elei\u00e7\u00f5es presidenciais na Venezuela<\/p>\n<p><strong>Desde a tentativa de golpe de Estado contra Ch\u00e1vez em 2002 que a Venezuela se prepara para um conflito armado com Washington. A estrat\u00e9gia \u00e9 clara: como n\u00e3o podem ganhar militarmente, v\u00e3o tornar o pa\u00eds imposs\u00edvel de governar.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 medida que as tens\u00f5es entre Washington e Caracas aumentam, a lideran\u00e7a venezuelana acredita estar a entrar na fase inicial de um <strong>confronto h\u00e1 muito antecipado<\/strong> com os Estados Unidos, um cen\u00e1rio para o qual se prepara desde o in\u00edcio dos anos 2000.<\/p>\n<p>O alerta surge num contexto de <strong>forte intensifica\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a militar<\/strong> norte-americana nas Cara\u00edbas, incluindo a chegada, em novembro, do USS Gerald R. Ford, o maior porta-avi\u00f5es do mundo, \u00e0s \u00e1guas ao largo da costa venezuelana, bem como a apreens\u00e3o de um petroleiro que Caracas denunciou como \u201c<a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/eua-apreendem-petroleiro-venezuelano-716284\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">pirataria internacional<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>O Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou ainda um bloqueio total a todos os navios petrol\u00edferos sancionados que entram e saem da Venezuela, tendo tamb\u00e9m oferecido<strong>\u00a0uma recompensa multimilion\u00e1ria<\/strong> pela captura do Presidente Nicol\u00e1s Maduro. Mais recentemente, Trump confirmou o <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/trump-confirma-primeiro-ataque-dos-eua-a-territorio-da-venezuela-719656\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">primeiro ataque<\/a> norte-americano a territ\u00f3rio venezuelano.<\/p>\n<p>\u201cEste tem sido um per\u00edodo algo surreal\u201d, afirmou <strong>Pablo Oshua<\/strong>, estudante de doutoramento no Instituto das Am\u00e9ricas da University College London (UCL). \u201cAcho que estamos, de certa forma, a <strong>caminhar son\u00e2mbulos para esta situa\u00e7\u00e3o<\/strong>, porque ela avan\u00e7a de forma discreta em dire\u00e7\u00e3o a algo muito perigoso.\u201d<\/p>\n<p>Em declara\u00e7\u00f5es ao podcast <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/how-venezuela-has-been-preparing-for-a-us-invasion-for-more-than-two-decades-272304\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">The Conversation Weekly<\/a>, Oshua explicou que a Venezuela encara a atual escalada como o <strong>culminar de anos de press\u00e3o<\/strong> e de um dossi\u00ea inacabado para Trump, que repetidamente descreveu o pa\u00eds como uma oportunidade perdida durante o seu primeiro mandato.<\/p>\n<p>\u201c<strong>A Venezuela \u00e9 um assunto inacabado para Donald Trump<\/strong>\u201d, disse Oshua, recordando declara\u00e7\u00f5es em que Trump afirmou que as san\u00e7\u00f5es impostas entre 2017 e 2019 quase levaram o pa\u00eds ao colapso. \u201cHavia sempre essa sensa\u00e7\u00e3o de que Donald Trump poderia regressar agora com uma estrat\u00e9gia real.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o investigador, a prepara\u00e7\u00e3o da Venezuela para uma invas\u00e3o norte-americana <strong>remonta a 2002<\/strong>, quando uma <strong>tentativa de golpe de Estado<\/strong> afastou temporariamente do poder o ent\u00e3o Presidente Hugo Ch\u00e1vez. Embora Ch\u00e1vez tenha sido restitu\u00eddo ao cargo em menos de 48 horas, o epis\u00f3dio foi decisivo e levou a uma transforma\u00e7\u00e3o profunda no planeamento militar venezuelano.<\/p>\n<p>\u201cAs investiga\u00e7\u00f5es que se seguiram ao golpe revelaram que muito dinheiro proveniente dos contribuintes norte-americanos foi <strong>enviado para organiza\u00e7\u00f5es da oposi\u00e7\u00e3o venezuelana<\/strong> que estiveram diretamente envolvidas no golpe\u201d, afirmou Oshua. \u201cPor isso, apesar de o golpe ter sido um assunto interno, foi em grande medida feito e conduzido com o apoio dos Estados Unidos.\u201d<\/p>\n<p>A partir desse momento, Ch\u00e1vez passou a encarar a seguran\u00e7a nacional como um projeto <strong>simultaneamente militar e social<\/strong>. \u201cA seguran\u00e7a n\u00e3o era apenas a sua pr\u00f3pria prote\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Oshua, \u201cmas tamb\u00e9m como garantir que as pessoas tinham comida, como distribuir o petr\u00f3leo e como assegurar que os militares n\u00e3o fariam outro golpe contra ele\u201d.<\/p>\n<p>Ch\u00e1vez <strong>afastou opositores das For\u00e7as Armadas<\/strong>, promoveu aliados e reformulou a doutrina militar com base em tr\u00eas inimigos percebidos: os Estados Unidos, a Col\u00f4mbia, que era aliada pr\u00f3xima de Washington, e a oposi\u00e7\u00e3o interna. Crucialmente, aceitou que a Venezuela n\u00e3o poderia derrotar militarmente os EUA.<\/p>\n<p>\u201cEles n\u00e3o v\u00e3o derrotar os Estados Unidos\u201d, disse Oshua. \u201cPor isso, t\u00eam de criar algum tipo de enquadramento de <strong>guerra assim\u00e9trica<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>Inspirado nos conflitos do Vietname e do Iraque, Ch\u00e1vez procurou garantir que qualquer for\u00e7a invasora teria enorme dificuldade em governar o pa\u00eds. \u201cA ideia b\u00e1sica aqui \u00e9 que a luta n\u00e3o \u00e9 apenas ex\u00e9rcito contra ex\u00e9rcito\u201d, afirmou Oshua. \u201c<strong>\u00c9 uma luta de um ex\u00e9rcito contra o povo<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>Esse pensamento levou, em 2008, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da <strong>Mil\u00edcia Bolivariana<\/strong>, uma for\u00e7a de base civil que se tornou entretanto o quinto ramo das For\u00e7as Armadas venezuelanas. A mil\u00edcia, que segundo o governo conta atualmente com cerca de cinco milh\u00f5es de membros, foi concebida como o n\u00facleo de uma resist\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 forma de treinar estas pessoas como soldados ao mesmo n\u00edvel\u201d, disse Oshua. \u201cPor isso, a mil\u00edcia assenta na ideia de que, se algum ex\u00e9rcito entrar, eles criar\u00e3o a resist\u00eancia. \u00c9 a isso que chamam <strong>a segunda fase da guerra<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>O especialista considera que as autoridades venezuelanas j\u00e1 poder\u00e3o ver o atual momento como a \u201cprimeira fase\u201d desse conflito. A segunda fase, explicou, seria uma insurg\u00eancia prolongada.<\/p>\n<p>\u201cO que eles est\u00e3o a tentar simular<strong> \u00e9 uma esp\u00e9cie de Vietname<\/strong>\u201d, afirmou. \u201cQuerem garantir que nenhuma for\u00e7a consiga controlar grande parte do territ\u00f3rio, o suficiente para criar muito caos e tornar extremamente dispendioso para os americanos permanecerem.\u201d<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia <strong>intensificou-se ap\u00f3s a morte de Ch\u00e1vez<\/strong>, em 2013, e a ascens\u00e3o de Maduro, que n\u00e3o herdou o mesmo dom\u00ednio eleitoral e passou a depender mais fortemente dos militares para se manter no poder. \u201cAntes, Ch\u00e1vez n\u00e3o tinha de escolher entre autoritarismo e democracia porque ganhava elei\u00e7\u00f5es\u201d, disse Oshua. \u201cCom Maduro, come\u00e7a-se a ver o recurso a um manual diferente.\u201d<\/p>\n<p>Sob Maduro, os militares expandiram o seu papel na distribui\u00e7\u00e3o de alimentos, na gest\u00e3o econ\u00f3mica e na seguran\u00e7a interna, enquanto redes de vigil\u00e2ncia de bairro e aplica\u00e7\u00f5es de den\u00fancia transformaram civis naquilo que o Presidente chamou \u201c<strong>os olhos e ouvidos da revolu\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNum cen\u00e1rio vol\u00e1til, esta ideia de que os espi\u00f5es podem estar em todo o lado refor\u00e7a-se\u201d, afirmou Oshua, observando que algumas opera\u00e7\u00f5es policiais j\u00e1 s\u00e3o apelidadas de \u201c<strong>Opera\u00e7\u00e3o Tunt\u00fan<\/strong>\u201d, em refer\u00eancia \u00e0s batidas noturnas \u00e0s portas.<\/p>\n<p>Apesar disso, Oshua n\u00e3o v\u00ea sinais de que nem a administra\u00e7\u00e3o Trump nem a oposi\u00e7\u00e3o venezuelana compreendam plenamente a dimens\u00e3o da resist\u00eancia que tal sistema poderia gerar. \u201cFala-se de poder como se bastasse trocar a pessoa no pal\u00e1cio presidencial\u201d, disse. \u201cMas <strong>a tarefa seria sustentar<\/strong>. Tem de ir para al\u00e9m de Maduro, para al\u00e9m das principais figuras.\u201d<\/p>\n<p>A n\u00edvel regional, uma invas\u00e3o dos americanos teria efeitos profundamente desestabilizadores.\u00a0\u201cUma invas\u00e3o americana \u00e9 <strong>algo obviamente inaceit\u00e1vel<\/strong> para a maioria dos l\u00edderes. Mas eles teriam de gerir as implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas internas para definir a posi\u00e7\u00e3o exata\u201d, especialmente num contexto em que os pa\u00edses vizinhos na Am\u00e9rica Latina acolhem milhares de imigrantes venezuelanos.<\/p>\n<p>Para a lideran\u00e7a venezuelana, por\u00e9m, o c\u00e1lculo parece claro: a sobreviv\u00eancia n\u00e3o depende de vencer uma guerra, mas de <strong>torn\u00e1-la imposs\u00edvel de concluir<\/strong>.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_545_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_770_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389372_556_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ronald Pena R. \/ EPA Nicol\u00e1s Maduro vence elei\u00e7\u00f5es presidenciais na Venezuela Desde a tentativa de golpe de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":211054,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,269,92,413,15,16,14,25,26,21,22,62,12,3025,13,19,20,4007,23,24,17,18,29,30,31,3023,63,64,65],"class_list":{"0":"post-211053","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-capa","11":"tag-donald-trump","12":"tag-eua","13":"tag-featured-news","14":"tag-featurednews","15":"tag-headlines","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-mundo","21":"tag-news","22":"tag-nicolas-maduro","23":"tag-noticias","24":"tag-noticias-principais","25":"tag-noticiasprincipais","26":"tag-politica-internacional","27":"tag-principais-noticias","28":"tag-principaisnoticias","29":"tag-top-stories","30":"tag-topstories","31":"tag-ultimas","32":"tag-ultimas-noticias","33":"tag-ultimasnoticias","34":"tag-venezuela","35":"tag-world","36":"tag-world-news","37":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115821906761025393","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211053","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=211053"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211053\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/211054"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=211053"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=211053"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=211053"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}