{"id":211589,"date":"2026-01-02T08:36:07","date_gmt":"2026-01-02T08:36:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/211589\/"},"modified":"2026-01-02T08:36:07","modified_gmt":"2026-01-02T08:36:07","slug":"a-subida-dos-faceis-despedimentos-coletivos-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/211589\/","title":{"rendered":"A subida dos &#8220;f\u00e1ceis&#8221; despedimentos coletivos \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Acordou uma hora antes de o turno come\u00e7ar por estar a trabalhar a partir de casa e quando abriu a caixa de email reparou em tr\u00eas mensagens, duas do CEO da empresa a convocar uma reuni\u00e3o \u201cmandat\u00f3ria\u201d e uma terceira a confirmar que as mensagens anteriores eram leg\u00edtimas. Ao contr\u00e1rio de muitos colegas, n\u00e3o perdeu imediatamente o acesso aos canais de comunica\u00e7\u00e3o que usava diariamente. Trabalhou um par de horas nesse final de manh\u00e3 at\u00e9 ser informado por uma superior direta, atrav\u00e9s de uma videochamada e\u00a0j\u00e1 depois da pausa de almo\u00e7o, que fazia parte do <strong>grupo de mais de 200 pessoas abrangidas pelo despedimento coletivo<\/strong> em curso.<\/p>\n<p>V\u00edtor Ribeiro, de 45 anos, foi um dos trabalhadores da Teleperformance a ser dispensado em meados de outubro. Trabalhava na empresa h\u00e1 quatro anos e j\u00e1 tinha participado em v\u00e1rios projetos e exercido diversas fun\u00e7\u00f5es dentro da empresa de call center \u2013 da modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fados em redes sociais ao servi\u00e7o de apoio ao cliente por telefone e email.<\/p>\n<p>N\u00e3o teve pistas de que aquilo que ia acontecer. No dia em que o despedimento de mais de duas centenas de trabalhadores foi anunciado, houve quem, como V\u00edtor, tivesse a cortesia de uma reuni\u00e3o informativa com um superior hier\u00e1rquico, mas muitos s\u00f3 tiveram mesmo a surpresa de ver os seus acessos inform\u00e1ticos cortados de um dia para o outro, sem possibilidade de trabalhar a partir de casa a partir dessa segunda-feira. Os despedimentos coletivos t\u00eam, por lei, de ser precedidos por aviso pr\u00e9vio. Nesse dia, os acessos foram cortados, mas o contrato cessou apenas no final de novembro.<\/p>\n<p>\t\t    \t\t         Quais os prazos para o pr\u00e9-aviso? <\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2193 Mostrar<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2191 Esconder<\/p>\n<p>A lei prev\u00ea que haja um pr\u00e9-aviso aos trabalhadores abrangidos pelo despedimento coletivo. E esse prazo depende do n\u00famero de anos ao servi\u00e7o da empresa. Assim, de acordo com a lei o empregador tem de comunicar por escrito a inten\u00e7\u00e3o de proceder a um despedimento coletivo, mencionando\u00a0o motivo, a data de cessa\u00e7\u00e3o do contrato e indica\u00e7\u00e3o do pagamento da compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 prazos que t\u00eam de ser cumpridos. Assim, a anteced\u00eancia m\u00ednima do aviso face \u00e0 data da cessa\u00e7\u00e3o ter\u00e1 de ser::<\/p>\n<ul>\n<li>15 dias, no caso de trabalhador com antiguidade inferior a um ano;<\/li>\n<li>30 dias, no caso de trabalhador com antiguidade igual ou superior a um ano e inferior a cinco anos;<\/li>\n<li>60 dias, no caso de trabalhador com antiguidade igual ou superior a cinco anos e inferior a 10 anos;<\/li>\n<li>75 dias, no caso de trabalhador com antiguidade igual ou superior a 10 anos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Estas mais de 200 pessoas v\u00e3o somar-se aos<strong> 5.774 trabalhadores <\/strong>que em 2025 foram despedidos no \u00e2mbito de um processo de despedimento coletivo. Ainda n\u00e3o surgem nas estat\u00edsticas da Dire\u00e7\u00e3o-Geral do Emprego e das Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho (DGERT), com <a href=\"https:\/\/www.dgert.gov.pt\/dados-de-2024-relativos-aos-processos-de-despedimentos-coletivos\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">relat\u00f3rios mensais publicados at\u00e9 ao m\u00eas de outubro.<\/a> A entidade confirma ao Observador que o processo de despedimento coletivo na empresa Teleperformance \u201cdeu entrada nos servi\u00e7os da DGERT em 16 de outubro de 2025, encontrando-se ainda em curso \u00e0 presente data, pelo que n\u00e3o se encontra refletido nos dados disponibilizados\u201d at\u00e9 final de outubro.<\/p>\n<p>Mas mesmo sem os contabilizar, <strong>s\u00e3o j\u00e1 mais os trabalhadores despedidos em 2025 at\u00e9 outubro do que em todo o ano de 2024,<\/strong> que registou 5.758 pessoas despedidas por esta via. Os valores deste ano, e faltando ainda as estat\u00edsticas referentes a novembro e dezembro, supera j\u00e1, com exce\u00e7\u00e3o do ano pand\u00e9mico de 2020, todos os anos at\u00e9 2013, \u00faltimo ano em que a troika esteve presente em Portugal, altura de desemprego elevado.<\/p>\n<p>O aumento \u00e9 claro no n\u00famero de processos de despedimentos coletivos comunicados \u00e0 DGERT, tendo em conta os dados dos tr\u00eas primeiros trimestres do ano em compara\u00e7\u00e3o com os respetivos per\u00edodos hom\u00f3logos. Assiste-se a uma tend\u00eancia crescente na utiliza\u00e7\u00e3o desta via de cessa\u00e7\u00e3o de contratos de trabalho desde 2021 e tudo indica que os dados finais de 2025 apontem para um novo recorde de dispensas em grupo dos \u00faltimos cinco anos. Este ano os 5.774 trabalhadores despedidos, de forma coletiva, at\u00e9 outubro resultam de 471 casos, tendo a maioria (186) acontecido em pequenas empresas, seguindo-se os 163 despedimentos em microempresas. Restam 74 despedimentos em m\u00e9dias empresas e 48 em grandes.<\/p>\n<p>Especialistas ouvidos pelo Observador consideram ser \u201cf\u00e1cil\u201d proceder a despedimentos coletivos em Portugal, lembrando que a decis\u00e3o unilateral \u00e9 sempre contest\u00e1vel e pode inclusivamente vir a mudar com as altera\u00e7\u00f5es propostas pelo Governo \u00e0 lei laboral.<\/p>\n<p class=\"tinymceh1\">\u201cH\u00e1 v\u00e1rios fatores que t\u00eam aumentado a incerteza e que t\u00eam criado mudan\u00e7as na estrutura da pr\u00f3pria economia que poder\u00e3o estar a explicar algum deste crescimento\u201d, afirma ao Observador Pedro Martins, professor catedr\u00e1tico da Nova SBE, especialista em economia do trabalho e antigo secret\u00e1rio de Estado do Emprego.<\/p>\n<p>O economista n\u00e3o deixa de ressalvar que, mesmo apesar da evolu\u00e7\u00e3o crescente deste tipo de despedimentos, o seu n\u00famero \u00e9 ainda \u201crelativamente pequeno\u201d no total do mercado de trabalho, referindo a propor\u00e7\u00e3o de cerca de 6 mil despedidos por ano em rela\u00e7\u00e3o aos mais de cinco milh\u00f5es de pessoas no mercado de trabalho atualmente.<\/p>\n<p>Ainda assim, entre as raz\u00f5es para o aumento refere o <strong>crescimento da utiliza\u00e7\u00e3o da Intelig\u00eancia Artificial<\/strong>, \u201cque torna certas profiss\u00f5es menos atrativas para as empresas\u201d, o que origina reestrutura\u00e7\u00f5es. H\u00e1 ainda \u201cquest\u00f5es do com\u00e9rcio internacional\u201d, como as <strong>tarifas aduaneiras implementadas pelos EUA<\/strong> que produzem mudan\u00e7as e que podem originar altera\u00e7\u00f5es nos processos produtivos e a afetar empresas, \u201csobretudo no setor secund\u00e1rio\u201d, acabando a promover a utiliza\u00e7\u00e3o do despedimento coletivo.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas relat\u00f3rios trimestrais da DGERT relativos a 2025 apontam todos o setor da ind\u00fastria transformadora como aquele em que mais trabalhadores foram despedidos. No primeiro trimestre contam-se 719 trabalhadores dispensados, no segundo 1.045 e no terceiro 821. No total dos tr\u00eas trimestres, a maioria (1.522) s\u00e3o mulheres.<\/p>\n<p>No distrito de Castelo Branco, no in\u00edcio do m\u00eas, o Grupo Val\u00e9rius despediu 22 trabalhadores (s\u00f3 um deles homem) da Dielmar em Alcains, Castelo Branco, <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/12\/02\/grupo-valerius-despede-22-trabalhadores-da-dielmar-em-alcains-castelo-branco\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">alegando uma situa\u00e7\u00e3o financeira fr\u00e1gil e falta de encomendas para ocupar todas as linhas de produ\u00e7\u00e3o<\/a>. Marisa Tavares, presidente do Sindicato T\u00eaxtil da Beira Interior, <strong>n\u00e3o tinha mem\u00f3ria de um despedimento coletivo na regi\u00e3o na \u00e1rea t\u00eaxtil \u201ch\u00e1 mais de 10 anos\u201d<\/strong> \u2014 apesar da insolv\u00eancia pela qual passou a Dielmar que reduziu postos de trabalho \u2014 at\u00e9 o sindicato ser convocado para se reunir com a administra\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica de confe\u00e7\u00e3o t\u00eaxtil.<\/p>\n<p>Segundo a dirigente sindical, a empresa come\u00e7ou por, no in\u00edcio do ano, propor rescis\u00f5es por m\u00fatuo acordo e s\u00f3 depois avan\u00e7ou para o despedimento coletivo das mais de duas dezenas de trabalhadoras, que se efetivou no dia 29 de dezembro.<\/p>\n<p>\u201cA empresa pediu-nos uma reuni\u00e3o urgente para nos passar a informa\u00e7\u00e3o de que iam proceder ao despedimento coletivo, porque estavam com uma redu\u00e7\u00e3o de trabalho. Alegavam estar em crise empresarial e que precisavam de fazer um reajuste \u00e0 empresa, seguiram todos os mecanismos e apresentaram a carta\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Marisa Tavares diz ter conhecimento de que na ind\u00fastria do vestu\u00e1rio, principalmente na regi\u00e3o Norte, \u201ctem havido algumas empresas a comunicar dificuldades financeiras e que t\u00eam tido uma quebra de encomendas, avan\u00e7ando para algumas redu\u00e7\u00f5es em termos de n\u00famero de trabalhadores\u201d. A superar o Norte, s\u00f3 mesmo a regi\u00e3o de Lisboa e Vale do Tejo regista um maior n\u00famero de despedimentos coletivos em 2025.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Acordou uma hora antes de o turno come\u00e7ar por estar a trabalhar a partir de casa e quando&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":211590,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,1167,476,89,618,90,32,33,849],"class_list":{"0":"post-211589","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-despedimentos","10":"tag-economia","11":"tag-economy","12":"tag-emprego","13":"tag-empresas","14":"tag-portugal","15":"tag-pt","16":"tag-trabalho"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115824596245713166","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=211589"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211589\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/211590"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=211589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=211589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=211589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}