{"id":213265,"date":"2026-01-03T11:56:16","date_gmt":"2026-01-03T11:56:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/213265\/"},"modified":"2026-01-03T11:56:16","modified_gmt":"2026-01-03T11:56:16","slug":"a-ue-foi-treinada-para-ser-um-futebolista-fantasticamente-bom-e-de-repente-esta-num-jogo-de-raguebi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/213265\/","title":{"rendered":"A UE foi treinada para ser um futebolista fantasticamente bom e de repente est\u00e1 num jogo de r\u00e2guebi"},"content":{"rendered":"<p>\t                ENTREVISTA || Kiran Klaus Patel tem uma certeza: entre janeiro e dezembro, \u201cas coisas pioraram\u201d a um n\u00edvel que &#8220;n\u00e3o imaginava\u201d. \u00c0 CNN Portugal, o historiador alem\u00e3o faz um balan\u00e7o do annus horribilis 2025 e tenta antever o que poder\u00e1 marcar 2026, num momento de tens\u00f5es geopol\u00edticas e imprevisibilidade em crescendo. \u201cEnquanto cidad\u00e3o, considero a nossa dire\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica e, enquanto acad\u00e9mico, tamb\u00e9m acho que existem bons argumentos hist\u00f3ricos para considerar isto problem\u00e1tico\u201d, diz sobre o que considera ser o maior desafio deste ano \u2013 e para l\u00e1 dele<\/p>\n<p>H\u00e1 um ano, a CNN <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/eua\/china\/ha-duas-coisas-de-que-podemos-ter-a-certeza-donald-trump-vai-surpreender-nos-e-nao-seguira-uma-abordagem-coerente\/20250102\/67726ddcd34e94b829092474\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">entrevistou Kiran Klaus Patel<\/a>, historiador da\u00a0Universidade Ludwig-Maximilians de Munique, na Alemanha, para um balan\u00e7o de 2024 e uma antevis\u00e3o de 2025. Um ano depois, essa entrevista serve de ponto de partida para uma nova conversa sobre a atual situa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica, a come\u00e7ar pelos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA) de Donald Trump. &#8220;Esperava que a pol\u00edtica externa dos EUA fosse ousada, mas n\u00e3o com este n\u00edvel de agressividade, o n\u00edvel de iliberalismo a que temos assistido. E a crise nos EUA e na ordem internacional \u00e9 realmente chocante&#8221;, destaca o investigador da Royal Historical Society.<\/p>\n<p>Numa altura em que a Europa se encontra numa posi\u00e7\u00e3o &#8220;demasiado fraca para simplesmente ignorar os EUA ou propor uma alternativa clara \u00e0s pol\u00edticas americanas&#8221; de Trump, porque os pol\u00edticos do continente &#8220;s\u00e3o cuidadosos com as palavras que usam para n\u00e3o fazer parecer que \u00e9 uma crise muito grande&#8221;, a quest\u00e3o, adianta, \u00e9 que chegou a hora de tirar a cabe\u00e7a da areia e &#8220;reconhecer a mudan\u00e7a dr\u00e1stica que estamos a presenciar&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar da nova doutrina dos EUA, que demonstram como esta administra\u00e7\u00e3o se encara como &#8220;o centro do mundo&#8221;, o historiador alem\u00e3o acredita que &#8220;ainda \u00e9 poss\u00edvel ver a situa\u00e7\u00e3o sob duas perspetivas&#8221;\u00a0\u2013 a do copo meio cheio e a do copo meio vazio. D\u00e1 como exemplo o facto de, a meses de se completarem quatro anos da invas\u00e3o em larga escala da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia, &#8220;o pa\u00eds mant\u00e9m o seu esp\u00edrito e a Uni\u00e3o Europeia (UE) continua unida em apoio a Kiev&#8221;, algo &#8220;impressionante e algo de que a Europa se deveria orgulhar. Poderia sempre ser melhor, poderia ser mais, mas quatro anos n\u00e3o \u00e9 coisa pouca&#8221;.<\/p>\n<p>No futuro, &#8220;a Europa precisa de formatos mais criativos e diferentes&#8221; para encontrar o seu lugar na nova ordem multilateral, adianta Klaus Patel, mas o trabalho que o continente tem pela frente est\u00e1 longe de estar terminado, e nada dever\u00e1 ficar resolvido nem definido em 2026. &#8220;Vai ser complicado, vai ser dif\u00edcil e, at\u00e9 certo ponto, n\u00e3o vamos ter uma estrutura clara e definitiva. Mas acho que solu\u00e7\u00f5es improvisadas s\u00e3o o melhor que podemos obter neste momento.&#8221;<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"401\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/694422b0d34e2bd5c6d54709.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Reputado historiador da Universidade Ludwig-Maximilians de Munique, na Alemanha, Kiran Klaus Patel fundou e dirige o Projeto Casa Europa na mesma universidade e \u00e9 investigador da Royal Historical Society; para 2026, revela \u00e0 CNN, est\u00e1 prevista a publica\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas do seu livro mais recente sobre a hist\u00f3ria da UE. foto The Review of Democracy <\/p>\n<p><strong>O t\u00edtulo da nossa <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/eua\/china\/ha-duas-coisas-de-que-podemos-ter-a-certeza-donald-trump-vai-surpreender-nos-e-nao-seguira-uma-abordagem-coerente\/20250102\/67726ddcd34e94b829092474\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">entrevista no ano passado<\/a>\u00a0foi esta sua frase: \u201cH\u00e1 duas coisas de que podemos ter a certeza\u00a0\u2013 Donald Trump vai surpreender-nos e n\u00e3o seguir\u00e1 uma abordagem coerente\u201d. A maioria das pessoas dir\u00e1 que acertou na muche. Um ano depois, que avalia\u00e7\u00e3o faz do arranque da segunda administra\u00e7\u00e3o Trump e da atual situa\u00e7\u00e3o mundial?<\/strong><\/p>\n<p>O que vimos foi que as coisas pioraram. A rela\u00e7\u00e3o transatl\u00e2ntica \u00e9 um exemplo disso, mas tamb\u00e9m muitos outros problemas dentro dos EUA, \u00e9 claro, com tens\u00f5es pol\u00edticas, pol\u00edticas de imigra\u00e7\u00e3o mais r\u00edgidas, a ascens\u00e3o de pol\u00edticas antiliberais, amea\u00e7as e viola\u00e7\u00f5es da lei da liberdade de express\u00e3o e por a\u00ed fora. Honestamente, est\u00e1 pior do que imaginava.\u00a0<\/p>\n<p>Aqueles de n\u00f3s que se esfor\u00e7aram por se informar e conversar com pessoas sobre o que estava para vir sabiam que haveria um plano e que este governo Trump estaria muito mais bem preparado do que o anterior para realmente executar as suas pol\u00edticas, incluindo criar um certo caos como parte do processo de formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, com cortinas de fumo e jogos de espelhos para diluir a aten\u00e7\u00e3o dos problemas reais. Mas o n\u00edvel de iliberalismo a que temos assistido e a crise, tanto nos EUA quanto na ordem internacional liberal, \u00e9 realmente chocante. E provavelmente todos n\u00f3s j\u00e1 come\u00e7\u00e1mos a ambientar-nos a este mundo, claro.<\/p>\n<p>Os pol\u00edticos, particularmente na Europa, s\u00e3o cuidadosos com as palavras que usam para n\u00e3o fazer parecer que \u00e9 uma crise muito grande, porque tamb\u00e9m \u00e9 claro que a Europa \u00e9 demasiado fraca para simplesmente ignorar os EUA ou propor uma alternativa clara \u00e0s pol\u00edticas americanas. Mas temos de reconhecer a mudan\u00e7a dr\u00e1stica que estamos a presenciar. Novamente, n\u00e3o \u00e9 como se o n\u00famero 2025 fosse o \u00fanico divisor de \u00e1guas, j\u00e1 v\u00ednhamos a prever isto h\u00e1 algum tempo. Mas houve uma acelera\u00e7\u00e3o de tend\u00eancias anteriores com uma velocidade imensa e tamb\u00e9m com uma qualidade imensa em 2025.<\/p>\n<p><strong>A administra\u00e7\u00e3o Trump acaba de apresentar a sua Estrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a Nacional, que marca um novo paradigma refletindo as mudan\u00e7as que refere. Fala-se na Doutrina Donroe, o recuperar da Doutrina Monroe do s\u00e9culo XIX, mas aplicada a este s\u00e9culo e a esta era, com D de Donald. Como olha para o impacto deste documento do ponto de vista do seu potencial geopol\u00edtico?<\/strong><\/p>\n<p>Come\u00e7ando pela Doutrina Monroe, que tamb\u00e9m tem refer\u00eancias no documento, \u00e9 muito interessante que tamb\u00e9m exista algo chamado Corol\u00e1rio Roosevelt, que vem de Teddy Roosevelt, que para aqueles que estudam a pol\u00edtica externa americana e as suas tradi\u00e7\u00f5es \u00e9 claro, mas que n\u00e3o \u00e9 mencionado no documento, saltam diretamente de Monroe para Trump. E isso, claro, parte da auto obsess\u00e3o desta administra\u00e7\u00e3o e do seu presidente, que se veem como o centro do mundo. Para al\u00e9m de que \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica que qualquer pessoa, tamb\u00e9m da perspetiva da Am\u00e9rica Latina, sempre enfatizaria, porque a Doutrina Monroe n\u00e3o \u00e9 vista como algo obviamente positivo, tamb\u00e9m tem sido associada, particularmente nas rep\u00fablicas americanas do s\u00e9culo XIX, a uma empreitada imperialista dos EUA.<\/p>\n<p>Para responder \u00e0 sua quest\u00e3o, o que vemos \u00e9, em certa medida, um retorno \u00e0s pol\u00edticas e \u00e0 pol\u00edtica do s\u00e9culo XIX. Assim, testemunhamos a crise definitiva do sistema internacional baseado em regras, onde a coopera\u00e7\u00e3o internacional e multilateral era vista como um princ\u00edpio fundamental e onde o direito internacional e as organiza\u00e7\u00f5es internacionais eram considerados pilares essenciais. Isso remete para a ideia de enfatizar os interesses nacionais, definindo esferas de influ\u00eancia nacionais, sendo que este \u00e9 apenas um documento de um pa\u00eds. S\u00f3 que, claro, dado o papel dos EUA no cen\u00e1rio mundial, tem impacto noutros pa\u00edses.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/69382072d34e3caad84c2b2a.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   &#8220;\u00c9 muito interessante que o chamado Corol\u00e1rio Roosevelt, que para aqueles que estudam a pol\u00edtica externa americana e as suas tradi\u00e7\u00f5es \u00e9 claro, n\u00e3o seja mencionado [na nova Estrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a Nacional dos EUA], saltam diretamente de Monroe para Trump.&#8221; foto Getty Images <\/p>\n<p><strong>Pass\u00e1mos 2025 a debater se estamos num mundo novamente bipolar, se numa ordem multilateral, se \u00e9 um regresso \u00e0 Guerra Fria ou se \u00e9 uma desordem total\u2026 Com o que \u00e9 que estamos a lidar e como \u00e9 que essa realidade pode mudar ou aprofundar-se em 2026?<\/strong><\/p>\n<p>O que vemos \u00e9 um sistema multipolar. H\u00e1, claro, a China, mas a R\u00fassia n\u00e3o \u00e9 apenas uma emana\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas chinesas. E ainda pode haver esperan\u00e7a de que a Europa tamb\u00e9m tenha uma voz nesse jogo. Tamb\u00e9m n\u00e3o devemos esquecer-nos do papel de pa\u00edses como o Brasil e a \u00cdndia. Nesse sentido, n\u00e3o se trata apenas do antigo sistema bipolar.<\/p>\n<p>As refer\u00eancias hist\u00f3ricas nunca s\u00e3o totalmente corretas. Tudo ser\u00e1 sempre for\u00e7osamente diferente do passado. Mas diria que est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do s\u00e9culo XIX do que do sistema da Guerra Fria, onde havia um sistema bipolar bem definido e tamb\u00e9m, ali\u00e1s,\u00a0um certo n\u00edvel de racionalidade de ambos os lados, tanto nos EUA quanto na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica,\u00a0ao passo que a arbitrariedade das pol\u00edticas de Trump n\u00e3o \u00e9, obviamente, apenas um efeito de car\u00e1ter, mas tamb\u00e9m uma estrat\u00e9gia para fechar os melhores acordos poss\u00edveis, manipulando as outras partes e priorizando acordos de curto prazo em vez de estrat\u00e9gias de longo prazo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m acho interessante que as temporalidades estejam a mudar. Trata-se mais do aqui e agora e do n\u00f3s, do que de objetivos de longo prazo e da busca por solu\u00e7\u00f5es comuns onde h\u00e1 um pouco de concess\u00f5es de parte a parte, e em que as gera\u00e7\u00f5es futuras s\u00e3o tidas em conta. Nesse contexto,\u00a0a crise clim\u00e1tica, que se torna cada vez mais urgente, obviamente, tamb\u00e9m foi deixada de lado nos EUA pelas pol\u00edticas da administra\u00e7\u00e3o. Mas vemos uma tend\u00eancia nesse sentido tamb\u00e9m na Europa.<\/p>\n<p><strong>Ainda sobre a Estrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a Nacional: o comediante John Stewart fez um <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/admiravelmundotrump\/um-plano-tipo-mafia-para-repartir-territorios-entre-potencias-e-um-aviso-drastico-para-os-membros-da-nato\/2025-12-13\/693989a6d34e3caad84c390e\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">resumo muito perspicaz<\/a> do documento, a piada era mais ou menos que o mundo agora \u00e9 governado por uma esp\u00e9cie de fam\u00edlias da m\u00e1fia que repartem territ\u00f3rios entre si, em que a R\u00fassia pode ficar com a Ucr\u00e2nia, a China eventualmente com Taiwan e os EUA ficam com a Venezuela. Acabamos este ano com uma <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/trump\/eua\/trump-nao-se-importaria-de-notificar-o-congresso-antes-de-um-ataque-terrestre-na-venezuela-mas-insiste-nao-tenho-de-lhes-dizer\/20251218\/694464e1d34e3caad84c91d5\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">potencial invas\u00e3o iminente da Venezuela<\/a>, com outros potenciais conflitos \u00e0 vista, e com guerras como a da Ucr\u00e2nia e de Gaza sem fim \u00e0 vista, apesar de Trump se gabar de ter acabado com v\u00e1rios conflitos armados. O que pode acontecer em todas estas frentes de guerra?<\/strong><\/p>\n<p>Isso basicamente demonstra que qualquer ideia de ter respostas r\u00e1pidas para conflitos que muitas vezes t\u00eam uma hist\u00f3ria de d\u00e9cadas est\u00e1 completamente errada. Al\u00e9m disso, mostra que as esperan\u00e7as de Trump e as suas declara\u00e7\u00f5es antes de se tornar presidente, de que poderia acabar com a guerra na Ucr\u00e2nia num dia, eram completamente ing\u00e9nuas, e ele e os seus assessores deveriam saber disso. Portanto, mesmo que ele desejasse um tipo de solu\u00e7\u00e3o ou outro, mesmo que extremo, seria imposs\u00edvel. E o mesmo se aplicar\u00e1 a muitos outros conflitos.<\/p>\n<p>No caso daqueles em que Trump afirma ter criado a paz, vemos que continuam latentes ou voltaram a eclodir. Portanto, nada do que surgiu disso \u00e9 duradouro. Trata-se mais de criar belas imagens para o presente. E ainda h\u00e1 esta obsess\u00e3o com o Pr\u00e9mio Nobel da Paz, mas n\u00e3o se trata de nada sustent\u00e1vel. O que antecipo para 2026 e al\u00e9m \u00e9 que teremos de lidar com um mundo em crise com m\u00faltiplos conflitos. N\u00e3o podemos esquecer-nos do Sud\u00e3o e da situa\u00e7\u00e3o em \u00c1frica, al\u00e9m dos conflitos mencionados. A guerra no Sud\u00e3o \u00e9 uma das piores, sen\u00e3o a pior crise da atualidade.<\/p>\n<p>Estamos a viver num mundo onde precisar\u00edamos de mais coopera\u00e7\u00e3o e esfor\u00e7os conjuntos para encontrar solu\u00e7\u00f5es pac\u00edficas e sustent\u00e1veis, que levam tempo, que buscam negocia\u00e7\u00f5es mais longas entre as diferentes partes, mas infelizmente, afast\u00e1mo-nos desse tipo de mundo, hoje as vit\u00f3rias r\u00e1pidas e as demonstra\u00e7\u00f5es de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas imediatas s\u00e3o mais importantes.<\/p>\n<p>Pegando ainda nesta ideia de Trump ser menos intervencionista do que os seus antecessores \u2013 ele tinha todo aquele discurso sobre o Afeganist\u00e3o ter sido um erro, e assim por diante \u2013 essa ideia tamb\u00e9m est\u00e1 a provar-se errada, porque, por um lado, ele quer retirar as tropas americanas de alguns lugares, enquanto, por outro, tem planos muito agressivos, planos neoimperialistas, seja agora, <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/navio\/petroleiro\/venezuela-envia-petroleo-para-eua-enquanto-washington-persegue-terceiro-petroleiro\/20251222\/6948e16dd34e3caad84caafd\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">novamente, na Venezuela,<\/a>\u00a0seja tamb\u00e9m&#8230; a Gronel\u00e2ndia \u00e9 um exemplo que me vem \u00e0 mente [entre a condu\u00e7\u00e3o desta entrevista e a sua publica\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2025\/dec\/22\/denmark-summon-us-ambassador-trump-greenland-envoy-appointment\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Trump nomeou um enviado especial para a Gronel\u00e2ndia<\/a>, fazendo aumentar os receios de uma potencial anexa\u00e7\u00e3o].<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/67e1264dd34ef72ee443d4ba.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   &#8220;A ideia de Trump como menos intervencionista tamb\u00e9m est\u00e1 a provar-se errada; por um lado, quer retirar as tropas americanas de alguns lugares, por outro tem planos muito agressivos, planos neoimperialistas, seja\u00a0na Venezuela, como referiste, seja na Gronel\u00e2ndia, outro exemplo que me vem \u00e0 mente.&#8221; foto\u00a0Christian Klindt Soelbeck\/AP <\/p>\n<p><strong>Ia precisamente perguntar\u00a0<a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/russia\/satelites\/uma-nova-forma-de-comunicacao-no-espaco-livre-europa-investe-em-sistema-de-lasers-para-enfrentar-ameacas-ciberneticas-da-russia\/20251204\/693040d6d34e3caad84bfa5f\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">pelo \u00c1rtico<\/a>, porque h\u00e1 uma s\u00e9rie de interesses a confluir ali e Trump arrancou o mandato a sugerir que poderia tomar a Gronel\u00e2ndia \u00e0 for\u00e7a&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Certo, o que tamb\u00e9m coloca o direito internacional sob extrema press\u00e3o. E se a principal pot\u00eancia ocidental n\u00e3o respeita mais essas regras internacionais, ent\u00e3o estamos realmente a voltar para a selva.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 um ano, disse que a reelei\u00e7\u00e3o de Trump talvez viesse dar maior import\u00e2ncia \u00e0 UE enquanto derradeira representante dessa ordem multilateral liberal. Um ano depois, muitos argumentariam que a UE falhou em cumprir o seu papel, sendo que as negocia\u00e7\u00f5es em curso sobre a Ucr\u00e2nia s\u00e3o apenas um dos muitos exemplos que o comprovam. 2026 ser\u00e1 um ano ainda mais desafiante neste sentido, a guerra na Ucr\u00e2nia continua sem fim \u00e0 vista, a amea\u00e7a russa mant\u00e9m-se, temos de fortalecer as nossas capacidades de defesa, refor\u00e7ar as nossas ind\u00fastrias e, ao mesmo tempo, evitar graves problemas econ\u00f3micos. Se at\u00e9 agora n\u00e3o temos sido capazes de lidar com tudo isto, o que podemos esperar de 2026?<\/strong><\/p>\n<p>As esperan\u00e7as que tinha em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 UE no ano passado tamb\u00e9m estavam ligadas a um per\u00edodo em que esperava que a pol\u00edtica externa dos EUA fosse ousada, mas n\u00e3o com este n\u00edvel de agressividade, como acab\u00e1mos de mencionar <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/dinamarca\/estados-unidos\/pela-primeira-vez-dinamarca-classifica-eua-como-potencial-ameaca-a-seguranca\/20251210\/6939cc1ed34e2bd5c6d4f4c6\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">sobre a Gronel\u00e2ndia<\/a>, por exemplo. Esperava-se que os EUA fossem menos intervencionistas noutras partes do mundo, mais autocentrados e orientados para pol\u00edticas internas, o que tamb\u00e9m \u00e9 uma parte importante do campo MAGA, que detesta o intervencionismo defendido por Trump. Mas o que aprendemos foi que, novamente, a arbitrariedade e a grande variedade de abordagens tamb\u00e9m t\u00eam esta dimens\u00e3o agressiva a n\u00edvel internacional.<\/p>\n<p>Agora, mais uma vez, isso colocou a UE sob muita press\u00e3o, o mundo n\u00e3o s\u00f3 se tornou menos seguro, como os EUA se retiraram de certos la\u00e7os transatl\u00e2nticos, e a seguran\u00e7a tornou-se ainda mais importante. Em segundo lugar, sabemos muito mais sobre as amea\u00e7as russas \u00e0 seguran\u00e7a da NATO hoje do que sab\u00edamos h\u00e1 um ano.\u00a0<\/p>\n<p>A UE est\u00e1 em crise. Gosto de usar met\u00e1foras e o que vemos \u00e9 uma UE que, na sua hist\u00f3ria, foi treinada para ser um futebolista fantasticamente bom, ou seja, jogava o jogo econ\u00f3mico com base nas regras da coopera\u00e7\u00e3o internacional, da globaliza\u00e7\u00e3o, com uma certa dose de neoliberalismo. E o que temos agora \u00e9 que, de repente, este futebolista fantasticamente treinado est\u00e1 num jogo de r\u00e2guebi. Os jogos mudaram, as regras do jogo mudaram e este \u00e9 um jogo completamente diferente, por assim dizer, onde, novamente, a seguran\u00e7a importa muito mais e o poder coercitivo importa muito mais \u2013 todas as coisas que a UE n\u00e3o faz bem ou n\u00e3o sabe fazer.<\/p>\n<p>\u00c9 esta a crise em que a UE se encontra e n\u00e3o haver\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida para isso. Mas o que \u00e9 not\u00e1vel \u00e9 que ainda \u00e9 poss\u00edvel ver a situa\u00e7\u00e3o sob duas perspetivas. Uma \u00e9 a do copo meio vazio, em que a UE \u00e9 absolutamente incapaz de lidar com as novas amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a e de fornecer o que precisa de ser fornecido em termos de seguran\u00e7a, por exemplo. Por outro lado, tamb\u00e9m \u00e9 incrivelmente abrangente, porque se olharmos para tr\u00e1s, h\u00e1 cinco ou dez anos apenas, podemos observar o que a UE foi capaz de fazer, inclusive na \u00e1rea da seguran\u00e7a. \u00c9 impressionante a quantidade de novos poderes que adquiriu e que ainda se mant\u00eam.<\/p>\n<p>Seria completamente errado ignorar que a UE est\u00e1 a tornar-se mais poderosa \u00e0 medida que falamos e est\u00e1 a tentar resolver certos problemas, mesmo que \u00e0 maneira tipicamente europeia, com longas e tortuosas negocia\u00e7\u00f5es, compromissos complexos, onde h\u00e1 muitos perdedores e alguns vencedores. Mas tamb\u00e9m devemos olhar para o copo meio cheio, ver que ela ainda existe.\u00a0O que considero o pr\u00f3ximo passo mais importante \u00e9 pensar com mais clareza e realismo sobre uma divis\u00e3o de trabalho.<\/p>\n<p><strong>Em que sentido?<\/strong><\/p>\n<p>Uma divis\u00e3o do trabalho entre diferentes f\u00f3runs internacionais. Se analisarmos o ADN, os poderes e a hist\u00f3ria da UE, vemos que ela pode fazer estas coisas muito bem \u2013 retomando a analogia, voltar mais para o \u00e2mbito do futebol, ou seja, cooperar economicamente, tentar cuidar de certas outras dimens\u00f5es, incluindo quest\u00f5es de direitos humanos, e a\u00ed por diante. E tamb\u00e9m pode usar esses poderes para fomentar capacidades militares no sentido de armamento, coopera\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0 ind\u00fastria, embora ache que n\u00e3o ser\u00e1 a institui\u00e7\u00e3o que nos fornecer\u00e1 seguran\u00e7a diretamente, ou seja, n\u00e3o vamos ter um ex\u00e9rcito europeu.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse sentido que falo na divis\u00e3o do trabalho. E penso que a Europa tamb\u00e9m precisa de formatos mais criativos e diferentes, talvez uma NATO sem os EUA, ou outros f\u00f3runs que re\u00fanam os brit\u00e2nicos, os noruegueses, que agora tamb\u00e9m fazem parte de algumas estruturas, a Su\u00e9cia&#8230;<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/68a4257fd34ef72ee44990be.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   &#8220;Penso que a Europa tamb\u00e9m precisa de formatos mais criativos e diferentes, talvez uma NATO sem os EUA, ou outros f\u00f3runs que re\u00fanam os brit\u00e2nicos, os noruegueses, a Su\u00e9cia&#8230;&#8221; foto Alex Brandon\/AP <\/p>\n<p><strong>A dita coliga\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses dispostos\u2026?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, que tamb\u00e9m \u00e9 algo nas linhas da NATO sem os EUA, que \u00e9 algo de que precisamos. E a\u00ed os europeus, europeus com caixa baixa e n\u00e3o alta, tamb\u00e9m t\u00eam de pensar sobre o assunto proactivamente. Vai ser complicado, vai ser dif\u00edcil, e at\u00e9 certo ponto n\u00e3o vamos ter uma estrutura institucional clara e definitiva. Mas solu\u00e7\u00f5es improvisadas s\u00e3o o melhor que podemos obter neste momento. Elas tamb\u00e9m mostram que quest\u00f5es importantes e urgentes t\u00eam sido ignoradas h\u00e1 muito tempo \u2013 e que este n\u00e3o \u00e9 o momento de resolv\u00ea-las.<\/p>\n<p><strong>Em 2026 <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/eua\/europa\/da-hungria-de-orban-aos-eua-de-trump-do-brasil-a-israel-as-eleicoes-que-prometem-marcar-2026\/20260102\/693ff51ed34e2bd5c6d51ce4\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">vamos ter elei\u00e7\u00f5es na Hungria<\/a> e muitos est\u00e3o a encarar a possibilidade de Viktor Orb\u00e1n ser derrotado nas urnas como uma chance de fortalecer a UE, tirando de cena aquela que tem sido a grande for\u00e7a bloqueadora no bloco. Acredita nessa possibilidade caso Pet\u00e9r Magyar derrote Orb\u00e1n?<\/strong><\/p>\n<p>Diria que, para que a Hungria possa voltar a uma dire\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica mais liberal, h\u00e1 a Eslov\u00e1quia, para come\u00e7ar. E se observarmos <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/polonia\/presidenciais\/acabaram-se-os-lideres-que-dizem-verdades-incomodas-mas-que-inspiram-atraves-da-integridade-e-nao-da-conveniencia\/20250602\/683db151d34e3f0bae9ee7f3\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">o que aconteceu na Pol\u00f3nia<\/a>, onde o governo do PiS teve de sair do poder, o que vemos \u00e9 que, tamb\u00e9m com o atual presidente e outros fatores que foram alterados durante o governo do PiS, \u00e9 extremamente dif\u00edcil desfazer as mudan\u00e7as iliberais que foram institu\u00eddas. O mesmo vale para a Hungria.<\/p>\n<p>Por esse motivo, n\u00e3o seria muito otimista de que teremos formas mais f\u00e1ceis de encontrar consenso. Novamente, n\u00e3o estamos a fazer isso apenas para hoje. E nesse sentido, n\u00e3o quero referir-me muito ao passado, mas tamb\u00e9m vimos cl\u00e1usulas de exclus\u00e3o n\u00e3o apenas por parte da Hungria. Temos este grupo a formar-se na UE que continuar\u00e1 a criticar duramente o forte apoio da UE \u00e0 Ucr\u00e2nia, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>Tudo isto \u00e9 um processo que levar\u00e1 tempo. E h\u00e1 quem argumente que a UE n\u00e3o tem hip\u00f3teses de ser um jogador global forte sem a Alemanha voltar a ser uma grande pot\u00eancia econ\u00f3mica e militar. Concorda com esta an\u00e1lise ou est\u00e1, de alguma forma, obsoleta quando pensamos na Europa hoje? E que balan\u00e7o faz deste primeiro ano de chancelaria Merz?<\/strong><\/p>\n<p>Novamente, \u00e9 uma ideia um pouco obsoleta, porque um pa\u00eds sozinho n\u00e3o consegue resolver o problema. A Europa n\u00e3o funciona sem a Alemanha. Mas nunca diria que tudo se resume \u00e0 Alemanha, a ponto de fazer uma grande diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 chancelaria: o que tem corrido bem \u00e9 que este novo chanceler tem sido mais proativo em tentar abordar, at\u00e9 certo ponto, os novos desafios e ser mais claro, tanto no pa\u00eds, sobre quais s\u00e3o os desafios e as amea\u00e7as que enfrentamos, quanto fora, em tentar construir coliga\u00e7\u00f5es, por exemplo, com aquela infame viagem aos EUA no Ver\u00e3o, que certamente nenhum destes pol\u00edticos gostou de fazer \u2013 ter de estar naquela sala com Trump e ser tratado quase como crian\u00e7as, por assim dizer.<\/p>\n<p>Por outro lado, tamb\u00e9m considero problem\u00e1tico que este chanceler demonstre uma falta de esfor\u00e7o na constru\u00e7\u00e3o de coliga\u00e7\u00f5es. As decis\u00f5es que ele tomou em dezembro e na prepara\u00e7\u00e3o dessa cimeira s\u00e3o outra evid\u00eancia de que ele teve uma ideia muito clara sobre como isto deveria prosseguir.<\/p>\n<p><strong>Fala da<a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/admiravelmundotrump\/a-europa-morre\/2025-12-20\/69458839d34e2bd5c6d5552a\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"> negocia\u00e7\u00e3o sobre os ativos russos congelados<\/a>, que Berlim e a Comiss\u00e3o Von der Leyen queriam usar para financiar Kiev?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, os ativos congelados. E acho que n\u00e3o foi muito inteligente Merz fazer isso em primeira inst\u00e2ncia. Era evidente que encontraria forte resist\u00eancia. E embora na imprensa alem\u00e3 o governo tenha apresentado isso como um sucesso para a posi\u00e7\u00e3o alem\u00e3, basicamente, n\u00e3o foi. E acho que era f\u00e1cil prever isso. Teria sido muito mais necess\u00e1rio construir coliga\u00e7\u00f5es e esse \u00e9, claro, um dos grandes desafios tamb\u00e9m para 2026.<\/p>\n<p>Vemos que o governo franc\u00eas tamb\u00e9m est\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.economist.com\/the-world-ahead\/2025\/11\/12\/emmanuel-macron-faces-a-very-difficult-year\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">extremamente enfraquecido por muitos motivos<\/a>, com Macron prestes a deixar o cargo numa posi\u00e7\u00e3o extremamente impopular dentro do pa\u00eds. O governo alem\u00e3o tamb\u00e9m lida com lutas internas na coliga\u00e7\u00e3o e, claro, est\u00e1 enfraquecido pelo desempenho econ\u00f3mico muito fraco do pa\u00eds. E n\u00e3o h\u00e1 outro parceiro \u00f3bvio, no antigo contexto da UE poderia ter sido o Reino Unido, que entretanto saiu. A Pol\u00f3nia, como acab\u00e1mos de falar, tamb\u00e9m est\u00e1 bastante fraca.<\/p>\n<p>Seriam necess\u00e1rios dois ou tr\u00eas parceiros, incluindo a Alemanha, que tentassem, em conjunto, direcionar as coisas para um determinado rumo. E n\u00e3o \u00e9 isso que vejo a acontecer. \u00c9 interessante notar que, mais uma vez, Meloni, na It\u00e1lia, \u00e9 uma figura bastante influente em toda esta conjuntura, o que tamb\u00e9m reflete a fragilidade dos demais. O facto de Alex Stubb, presidente da Finl\u00e2ndia, ter desempenhado um papel t\u00e3o proeminente \u00e9 \u00f3timo para ele, mas tamb\u00e9m reflete uma certa fragilidade na capacidade de forma\u00e7\u00e3o de coliga\u00e7\u00f5es entre as principais pot\u00eancias na UE.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/69404800d34e2bd5c6d5215e.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   &#8220;N\u00e3o foi muito inteligente Merz [tentar for\u00e7ar o uso dos ativos russos congelados] em primeira inst\u00e2ncia. Era evidente que encontraria forte resist\u00eancia. E embora na imprensa alem\u00e3 o governo tenha apresentado isso como um sucesso para a posi\u00e7\u00e3o alem\u00e3, basicamente, n\u00e3o foi, e acho que era f\u00e1cil prever isso. Teria sido muito mais necess\u00e1rio construir coliga\u00e7\u00f5es e esse \u00e9, claro, um dos grandes desafios tamb\u00e9m para 2026.&#8221; foto\u00a0Maryam Majd\/AP <\/p>\n<p><strong>Regressando \u00e0 volatilidade geopol\u00edtica para l\u00e1 da UE. \u00c9 j\u00e1 em janeiro que o derradeiro acordo de controlo de armas nucleares entre os EUA e a R\u00fassia, o NEW Start, vai expirar, sem prolonga\u00e7\u00e3o nem substituto \u00e0 vista \u2013 isto depois de 2025 ter ficado marcado por renovadas amea\u00e7as nucleares e a ordem de Trump para que os EUA retomem os testes nucleares. H\u00e1 quem veja isto como o pren\u00fancio de uma nova corrida global ao armamento, outros mant\u00eam d\u00favidas e dizem que s\u00e3o apenas cortinas de fumo. Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o? Vamos assistir a uma <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/europa\/russia\/a-guerra-na-ucrania-demonstrou-que-as-armas-nucleares-nao-tem-utilidade-militar\/20251122\/691c526ad34e2bd5c6d41ffa\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">nova corrida armamentista<\/a> em 2026?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil perceber o que \u00e9 conversa e o que \u00e9 a\u00e7\u00e3o. Mas pelo que vemos, \u00e9 bem prov\u00e1vel que a R\u00fassia esteja a encetar grandes esfor\u00e7os, n\u00e3o sei qu\u00e3o bem-sucedidos, para expandir as suas capacidades nucleares. Tenho a certeza de que tamb\u00e9m h\u00e1 uma cortina de fumo nas \u00faltimas declara\u00e7\u00f5es de Putin quanto ao n\u00edvel de alerta da R\u00fassia e \u00e0s capacidades das suas for\u00e7as nucleares. Mas acho que tudo isto, \u00e9 importante ter isto em mente, tamb\u00e9m incentiva outros pa\u00edses, al\u00e9m destes dois, a refor\u00e7arem as suas capacidades nucleares ou a constru\u00edrem novas. O Ir\u00e3o seria apenas um exemplo, e n\u00e3o podemos esquecer-nos da <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/coreia-do-norte\/submarino\/coreia-do-norte-divulga-novas-imagens-do-seu-primeiro-submarino-movido-a-energia-nuclear\/20251226\/694e5036d34e3caad84ccb4c\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Coreia do Norte<\/a>\u2026<\/p>\n<p><strong>E ainda temos a China, que j\u00e1 tem vindo a refor\u00e7ar o seu arsenal h\u00e1 muito tempo\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Exato, era o pr\u00f3ximo da minha lista. Nesse sentido, estamos a assistir a outra corrida armamentista, mas n\u00e3o \u00e9 mais uma corrida armamentista bipolar, bilateral. Al\u00e9m disso, isto parece confirmar a minha ideia de que estamos a encaminhar-nos numa dire\u00e7\u00e3o muito mais multipolar, logo ainda mais perigosa, onde qualquer governo insano pode amea\u00e7ar a paz e a pr\u00f3pria vida neste planeta, a um ponto que \u00e9 muito dif\u00edcil de imaginar. E portanto, qualquer esfor\u00e7o que possa trazer isto de volta ao n\u00edvel de negocia\u00e7\u00f5es internacionais ser\u00e1 mais do que bem-vindo. Mas n\u00e3o vejo que isso seja particularmente realista. Embora seja algo que adoraria ver, n\u00e3o acho que v\u00e1 acontecer em 2026.<\/p>\n<p><strong>Gostava de abordar os desafios tecnol\u00f3gicos: por um lado, os relacionados com a Intelig\u00eancia Artificial (IA), que tamb\u00e9m j\u00e1 t\u00ednhamos discutido no ano passado, mas tamb\u00e9m a quest\u00e3o das plataformas digitais e as rede sociais. 2025 come\u00e7ou com Mark Zuckerberg a seguir o caminho de Elon Musk na X e a acabar com o fact-checking no Facebook logo em janeiro. E h\u00e1 pouco tempo vimos a <a href=\"https:\/\/english.aawsat.com\/technology\/5208978-eu-bows-pressure-loosening-ai-privacy-rules\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">UE ceder \u00e0s press\u00f5es de Trump<\/a> quanto \u00e0s regras de supervis\u00e3o e privacidade nestas plataformas, pelo menos parcialmente \u2013 sendo que o ano fechou com os EUA a fazerem <a href=\"https:\/\/subscriber.politicopro.com\/article\/2025\/12\/us-trade-office-threatens-eu-with-fines-over-digital-rules-00692996\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">novas amea\u00e7as<\/a> aos europeus. O que podemos esperar neste campo em 2026?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o esperaria nenhuma mudan\u00e7a fantasticamente grande. A quest\u00e3o quanto \u00e0 IA mant\u00e9m-se, sobre a chamada bolha da IA e se vai rebentar, o que nos conduziria a uma enorme crise econ\u00f3mica. Sou um historiador, o meu conhecimento desta \u00e1rea \u00e9 limitado, mas pelo que tenho lido n\u00e3o diria que este seja um cen\u00e1rio prov\u00e1vel, que a bolha v\u00e1 rebentar. Nesse sentido, penso que vamos assistir a uma continua\u00e7\u00e3o das querelas legais e regulat\u00f3rias tamb\u00e9m entre os EUA e a Europa. E a Europa, claro, est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o cada vez mais fr\u00e1gil para insistir em controlos rigorosos.\u00a0<\/p>\n<p>O que tamb\u00e9m vimos \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 um n\u00edvel de soberania na UE, ou na Europa em geral, no que diz respeito a alternativas claras a todas as plataformas digitais fornecidas n\u00e3o s\u00f3 no setor financeiro, mas tamb\u00e9m na comunica\u00e7\u00e3o, por empresas americanas. Nesse sentido, se quisessem, essas plataformas poderiam desligar-nos da ficha facilmente, n\u00e3o apenas em quest\u00f5es de seguran\u00e7a, mas tamb\u00e9m em muitas outras coisas que n\u00e3o se resumem a lazer e a comunicar por divers\u00e3o, mas que t\u00eam tamb\u00e9m a ver com pilares fundamentais das nossas economias.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nesse aspeto, sei que a Comiss\u00e3o tem muito cuidado para n\u00e3o exagerar, porque sabe que, no fim de contas, a Europa est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o muito mais fr\u00e1gil do que gostaria. E desenvolver essas capacidades \u00e9 algo que a UE almeja, mas que n\u00e3o pode ser feito da noite para o dia. Portanto, n\u00e3o haver\u00e1 mudan\u00e7as fundamentais no prazo de um ano, at\u00e9 porque n\u00e3o \u00e9 um ano em que a economia esteja a ir excecionalmente bem, o que nos daria muito dinheiro extra para desenvolver essas capacidades e ainda dar resposta a todos os outros desafios, como por exemplo o refor\u00e7o da seguran\u00e7a e o apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia que, obviamente, tamb\u00e9m consomem muitos recursos.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/678e7b0ad34ea1acf273176a.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   &#8220;N\u00e3o h\u00e1 um n\u00edvel de soberania na UE, ou na Europa em geral, no que diz respeito a alternativas claras a todas as plataformas digitais fornecidas n\u00e3o s\u00f3 no setor financeiro, mas tamb\u00e9m na comunica\u00e7\u00e3o, por empresas americanas. Se quisessem, essas plataformas poderiam desligar-nos da ficha facilmente.&#8221; foto\u00a0Julia Demaree Nikhinson, Pool\/AP <\/p>\n<p><strong>H\u00e1 quem defenda que a fiscaliza\u00e7\u00e3o digital e o combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o as duas \u00e1reas em que a UE, mesmo em crise, ainda pode desempenhar um papel importante para nos manter no rumo certo. No ano passado, apontava as quest\u00f5es ambientais como o grande desafio global sem resposta e isso n\u00e3o mudou em 2025. Pelo contr\u00e1rio, assistimos a coisas algo surpreendentes at\u00e9, por exemplo, <a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2025\/10\/28\/business\/bill-gates-climate-change\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">ver Bill Gates argumentar<\/a> que devemos mudar o foco das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas para a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida das popula\u00e7\u00f5es, e analistas a defender que este t\u00f3pico deve ser posto de parte pelos pol\u00edticos moderados se querem derrotar o populismo. De outro prisma, o chamado Sul Global est\u00e1 a apostar em for\u00e7a em tecnologia limpa e muitas empresas est\u00e3o perto de atingir ou at\u00e9 superar as suas metas clim\u00e1ticas. Como olha para tudo isto?<\/strong><\/p>\n<p>Essa an\u00e1lise sumariza muito bem os desenvolvimentos do \u00faltimo ano. E fico muito feliz por voltarmos \u00e0 quest\u00e3o ambiental nesta entrevista, porque penso que h\u00e1 uma tend\u00eancia para marginalizar este assunto.<\/p>\n<p>Para mim, como historiador, trata-se da diferen\u00e7a entre preocupa\u00e7\u00f5es de curto prazo e preocupa\u00e7\u00f5es de longo prazo, entre a responsabilidade para com o agora, o imediato, o que est\u00e1 pr\u00f3ximo, e o longo prazo, o menos imediato e talvez tamb\u00e9m o mais distante geogr\u00e1fica e temporalmente. Mas continuo a pensar que, em tr\u00eas ou quatro gera\u00e7\u00f5es, as pessoas v\u00e3o olhar para tr\u00e1s e pensar: o que \u00e9 que voc\u00eas fizeram na d\u00e9cada de 2020 em rela\u00e7\u00e3o ao clima? E nessa altura muitas das outras quest\u00f5es com as quais estamos realmente preocupados \u2013 e por bons motivos \u2013 j\u00e1 ter\u00e3o sido esquecidas h\u00e1 muito.<\/p>\n<p>Como pessoas que t\u00eam a sorte de viver neste planeta, temos uma grande responsabilidade nisso. E concordo que a UE pode ser uma for\u00e7a para o bem neste contexto. Mas, mais uma vez, o que temos visto \u00e9 que a UE n\u00e3o tem uma vontade ou dire\u00e7\u00e3o claramente definidas, novamente, \u00e9 uma plataforma onde diferentes for\u00e7as se desenvolvem. E, mais uma vez, dado o crescimento de partidos e governos populistas e de extrema-direita nos Estados-Membros \u2013 tamb\u00e9m refletido, por exemplo, nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es para o Parlamento Europeu \u2013 n\u00e3o \u00e9 de surpreender que a prioridade dada \u00e0s pol\u00edticas clim\u00e1ticas tamb\u00e9m tenha sido reduzida. Vemos isso nos objetivos para 2040, por exemplo, vemos isso na discuss\u00e3o recente sobre energias f\u00f3sseis e sobre a ind\u00fastria automobil\u00edstica&#8230;<\/p>\n<p><strong>Acab\u00e1mos de ver a UE a <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/comissao-europeia\/carros-nao-poluentes\/comissao-europeia-abandona-meta-de-100-de-carros-nao-poluentes-em-2035\/20251216\/6941867ed34e3caad84c743e\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">abandonar uma das suas grandes metas<\/a>, de acabar com a produ\u00e7\u00e3o de novos carros a combust\u00e3o at\u00e9 2030.<\/strong><\/p>\n<p>Exato. O que vemos claramente, e em primeiro lugar, \u00e9 que a UE est\u00e1 muito menos rigorosa do que em 2019 e 2020. A\u00ed tivemos a pandemia, claro, e o que veio depois e as preocupa\u00e7\u00f5es mais imediatas, incluindo o apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia, que endosso fortemente, tamb\u00e9m desviaram a nossa aten\u00e7\u00e3o desse objetivo extremamente importante a longo prazo.\u00a0<\/p>\n<p>O que temo para 2026 \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o nessa linha, que revertamos ainda mais o rumo e priorizemos objetivos econ\u00f3micos supostamente de curto prazo em detrimento de objetivos ecol\u00f3gicos de longo prazo. O interessante \u00e9 que, \u00e0s vezes, acho que isto \u00e9 visto como um jogo de soma zero, ecologia vs. economia, quando isso tamb\u00e9m est\u00e1 errado \u2013 podemos conversar com qualquer l\u00edder empresarial e eles confirmar\u00e3o que fazem planos de longo prazo. E se eles se preparam para uma era p\u00f3s-f\u00f3ssil, essa \u00e9 uma estrat\u00e9gia de longo prazo e de grande impacto.\u00a0Se agora temos uma revers\u00e3o, pelo menos parcial, isso tamb\u00e9m n\u00e3o agrada \u00e0 ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Um plano claro, talvez ambicioso e radical, se executado durante um longo per\u00edodo e que crie uma estrutura para os atores empresariais, \u00e9 muito melhor, na minha opini\u00e3o, do que essa revers\u00e3o, \u00e9 claro \u2013 n\u00e3o apenas porque acho que devemos cumprir as metas ambientais, mas tamb\u00e9m porque isso cria incertezas e pode at\u00e9, contas feitas, diminuir a produ\u00e7\u00e3o empresarial e o crescimento econ\u00f3mico. \u00c9 por isso que considero isto problem\u00e1tico.<\/p>\n<p>Vivemos em democracias, a UE tem n\u00edveis de controlo democr\u00e1tico, e todos n\u00f3s, enquanto cidad\u00e3os, devemos questionar-nos, tamb\u00e9m ao longo de 2026, se gostamos das pol\u00edticas que estamos a ver desenrolar-se nos Estados-membros e ao n\u00edvel da UE. Enquanto cidad\u00e3o, considero a nossa dire\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica e, enquanto historiador e acad\u00e9mico, tamb\u00e9m existem bons argumentos hist\u00f3ricos para considerar isto problem\u00e1tico. Essas ser\u00e3o quest\u00f5es-chave que as gera\u00e7\u00f5es futuras v\u00e3o ter para n\u00f3s.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"381\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/69491403d34e3caad84cabde.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   &#8220;Isto \u00e9 visto como um jogo de soma zero, ecologia vs. economia, quando isso tamb\u00e9m est\u00e1 errado \u2013 podemos conversar com qualquer l\u00edder empresarial e eles confirmar\u00e3o que fazem planos de longo prazo. E se eles se preparam para uma era p\u00f3s-f\u00f3ssil, essa \u00e9 uma estrat\u00e9gia de longo prazo e de grande impacto.\u00a0Se agora temos uma revers\u00e3o, pelo menos parcial, isso tamb\u00e9m n\u00e3o agrada \u00e0 ind\u00fastria.&#8221; foto\u00a0Michael Probst\/AP <\/p>\n<p><strong>H\u00e1 um ano <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/eua\/china\/ha-duas-coisas-de-que-podemos-ter-a-certeza-donald-trump-vai-surpreender-nos-e-nao-seguira-uma-abordagem-coerente\/20250102\/67726ddcd34e94b829092474\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">disse que estava \u201cprofundamente preocupado\u201d<\/a> quanto ao futuro. De certa forma foi deixando subentendido nesta conversa que continua preocupado, mas em jeito de conclus\u00e3o gostava de lhe perguntar se est\u00e1 ainda mais preocupado ou se o n\u00edvel de preocupa\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m inalterado?<\/strong><\/p>\n<p>O mundo foi de mal a pior, basta olhar para estas quest\u00f5es de seguran\u00e7a, para esta corrida ao armamento nuclear que abord\u00e1mos, para os novos n\u00edveis de agress\u00e3o internacional, que s\u00e3o apenas uma preocupa\u00e7\u00e3o \u2013 sendo as quest\u00f5es ambientais outra.<\/p>\n<p>\u00c9 correto estarmos preocupados. Mas, novamente, a diferen\u00e7a para mim ainda est\u00e1 entre estar frustrado, im\u00f3vel e simplesmente com medo, ou em ver isto como um momento em que as coisas t\u00eam de ser feitas. O que n\u00e3o devemos fazer \u00e9 esperar por uma grande e bela solu\u00e7\u00e3o que resolva tudo. Temos de conviver com solu\u00e7\u00f5es pragm\u00e1ticas, \u00e0s vezes tamb\u00e9m solu\u00e7\u00f5es improvisadas, no meio de conflitos, e ser criativos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s abordagens pol\u00edticas, talvez tamb\u00e9m engolindo comprimidos amargos de vez em quando, incluindo n\u00e3o dizer diretamente a Donald Trump o que pensamos sobre ele.<\/p>\n<p>H\u00e1 sinais de esperan\u00e7a, por exemplo, as elei\u00e7\u00f5es intercalares nos EUA, quando o apoio a este presidente \u00e9 muito menor do que era h\u00e1 um ano. Claro que ningu\u00e9m sabe o que vai acontecer nas intercalares, se os democratas v\u00e3o vencer em massa e os republicanos perder, se os procedimentos democr\u00e1ticos ainda estar\u00e3o em vigor\u2026 Essa \u00e9 uma das raz\u00f5es para estarmos preocupados. Mas ainda assim, o que vemos aqui e ali tamb\u00e9m \u00e9 um \u00edmpeto de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que diria que as pessoas comuns podem encontrar consolo, encontrar formas de contrariar esta vis\u00e3o fatalista que, de certa forma, nos impede de agir e de reagir?<\/strong><\/p>\n<p>Estamos quase a chegar a quatro anos de guerra na Ucr\u00e2nia e que, depois destes anos todos, o pa\u00eds mant\u00e9m o seu esp\u00edrito e continua a lutar com todas as suas for\u00e7as contra a agress\u00e3o russa, e a UE continua unida em apoio a Kiev. Isso \u00e9 impressionante e \u00e9 algo de que a Europa se deveria orgulhar. Poderia sempre ser melhor, poderia ser mais, mas quatro anos foi a dura\u00e7\u00e3o da I Guerra Mundial e n\u00e3o \u00e9 coisa pouca.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos falar apenas de pol\u00edticos e de pol\u00edticas, mas tamb\u00e9m de cidad\u00e3os comuns \u2013 talvez convidar algu\u00e9m para almo\u00e7ar, para jantar, ou ajudar doando dinheiro, empregar um refugiado da Ucr\u00e2nia, para pegar no exemplo dessa guerra, todas essas pequenas coisas somadas\u2026 S\u00e3o tudo pequenos sinais de esperan\u00e7a e gestos e coisas que todos podemos fazer para marcar a diferen\u00e7a. Ver a situa\u00e7\u00e3o como problem\u00e1tica n\u00e3o deve impedir-nos de fazer coisas pequenas e grandes. E todos podemos come\u00e7ar pelas nossas pr\u00f3prias vidas, tentando fazer uma pequena diferen\u00e7a aqui e ali e, a partir da\u00ed, ir crescendo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"ENTREVISTA || Kiran Klaus Patel tem uma certeza: entre janeiro e dezembro, \u201cas coisas pioraram\u201d a um n\u00edvel&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":192047,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[609,2335,836,611,9856,30110,27,28,358,607,608,333,832,604,135,610,92,476,2258,15,16,301,830,14,1991,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,41687,52,32,23,24,839,17,18,840,1977,29,30,31,3023,63,64,65],"class_list":{"0":"post-213265","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alerta","9":"tag-alteracoes-climaticas","10":"tag-analise","11":"tag-ao-minuto","12":"tag-armas-nucleares","13":"tag-ativos-russos","14":"tag-breaking-news","15":"tag-breakingnews","16":"tag-china","17":"tag-cnn","18":"tag-cnn-portugal","19":"tag-comentadores","20":"tag-costa","21":"tag-crime","22":"tag-desporto","23":"tag-direto","24":"tag-donald-trump","25":"tag-economia","26":"tag-eleicoes","27":"tag-featured-news","28":"tag-featurednews","29":"tag-governo","30":"tag-guerra","31":"tag-headlines","32":"tag-hungria","33":"tag-justica","34":"tag-latest-news","35":"tag-latestnews","36":"tag-live","37":"tag-main-news","38":"tag-mainnews","39":"tag-mais-vistas","40":"tag-marcelo","41":"tag-mundo","42":"tag-negocios","43":"tag-news","44":"tag-noticias","45":"tag-noticias-principais","46":"tag-noticiasprincipais","47":"tag-opiniao","48":"tag-pais","49":"tag-plataformas-digitais","50":"tag-politica","51":"tag-portugal","52":"tag-principais-noticias","53":"tag-principaisnoticias","54":"tag-russia","55":"tag-top-stories","56":"tag-topstories","57":"tag-ucrania","58":"tag-ue","59":"tag-ultimas","60":"tag-ultimas-noticias","61":"tag-ultimasnoticias","62":"tag-venezuela","63":"tag-world","64":"tag-world-news","65":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=213265"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213265\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/192047"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=213265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=213265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=213265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}