{"id":214998,"date":"2026-01-04T21:06:20","date_gmt":"2026-01-04T21:06:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/214998\/"},"modified":"2026-01-04T21:06:20","modified_gmt":"2026-01-04T21:06:20","slug":"cientistas-descobriram-triptofano-o-aminoacido-do-sono-num-asteroide-eis-o-que-isso-significa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/214998\/","title":{"rendered":"Cientistas descobriram triptofano, o amino\u00e1cido &#8220;do sono&#8221;, num asteroide. Eis o que isso significa"},"content":{"rendered":"<p>O triptofano, o amino\u00e1cido essencial por detr\u00e1s do mito do Dia de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as de que comer peru provoca sonol\u00eancia, foi encontrado no Bennu, um pequeno asteroide que passa pelo nosso planeta aproximadamente a cada seis anos.<\/p>\n<p>A descoberta resulta de uma amostra sem precedentes recolhida pela miss\u00e3o OSIRIS-REx da NASA, que aterrou uma sonda no asteroide em 2020, capturou 121,6 gramas de rochas e poeira, e devolveu o esp\u00f3lio em seguran\u00e7a \u00e0 Terra em 2023. Desde ent\u00e3o, a NASA distribuiu uma pequena parte dessa amostra a investigadores de todo o mundo para ser analisada.<\/p>\n<p>Estudar o Bennu \u00e9 importante porque a sua composi\u00e7\u00e3o reflete a do sistema solar primitivo, dando aos cientistas um vislumbre sobre as origens da vida. Investiga\u00e7\u00f5es anteriores em amostras do Bennu j\u00e1 tinham encontrado 14 dos 20 amino\u00e1cidos dos quais derivam todos os organismos vivos na Terra, bem como as cinco nucleobases biol\u00f3gicas \u2014 os componentes que constituem o c\u00f3digo gen\u00e9tico no ADN e ARN.<\/p>\n<p>Os investigadores tamb\u00e9m j\u00e1 tinham detetado amino\u00e1cidos em amostras de outro asteroide, o Ryugu, que a Ag\u00eancia de Explora\u00e7\u00e3o Aeroespacial do Jap\u00e3o recolheu em 2019, bem como em v\u00e1rios meteoritos que ca\u00edram na Terra. Este crescente corpo de evid\u00eancias sugere que os asteroides podem ter entregue ingredientes essenciais \u00e0 vida no nosso planeta numa fase inicial, segundo os especialistas.<\/p>\n<p>Agora, uma nova an\u00e1lise das amostras do Bennu identificou com confian\u00e7a, embora ainda n\u00e3o de forma conclusiva, o triptofano, aumentando a contagem de amino\u00e1cidos construtores de prote\u00ednas no asteroide para 15 em 20.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1767560779_37_f_webp.webp\"\/> <\/p>\n<p>   Um frasco que cont\u00e9m parte da amostra do aster\u00f3ide Bennu \u00e9 segurado por Jason Dworkin, cientista do projeto da miss\u00e3o OSIRIS-REx da NASA, em 2023. (James Tralie\/NASA) <\/p>\n<p>&#8220;Encontrar triptofano no asteroide Bennu \u00e9 muito importante, porque o triptofano \u00e9 um dos amino\u00e1cidos mais complexos e, at\u00e9 agora, nunca tinha sido visto em qualquer meteorito ou amostra espacial&#8221;, explicou Jos\u00e9 Aponte, astroqu\u00edmico no Laborat\u00f3rio Anal\u00edtico de Astrobiologia do Goddard Space Flight Center da NASA. Aponte \u00e9 coautor de um estudo sobre as descobertas publicado esta segunda-feira na revista PNAS.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de triptofano num asteroide apoia a ideia de que a receita para a vida pode n\u00e3o ter come\u00e7ado apenas na Terra, acrescentou o especialista por email: &#8220;V\u00ea-lo formar-se naturalmente no espa\u00e7o diz-nos que estes ingredientes j\u00e1 estavam a ser criados no in\u00edcio do Sistema Solar. Isso teria facilitado o in\u00edcio da vida&#8221;.<\/p>\n<p>Pe\u00e7as de um puzzle <\/p>\n<p>O Bennu, cujo nome remete para uma antiga divindade eg\u00edpcia associada ao sol, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e ao renascimento, estende-se por cerca de 500 metros de largura. A rocha espacial representa provavelmente um peda\u00e7o que se desprendeu de um asteroide muito maior, algures entre h\u00e1 2 mil milh\u00f5es e 700 milh\u00f5es de anos. Formou-se provavelmente na cintura principal de asteroides entre Marte e J\u00fapiter, e a sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica reflete os in\u00edcios do sistema solar, remontando a cerca de 4,5 mil milh\u00f5es de anos, de acordo com a NASA.<\/p>\n<p>O asteroide orbita perto da Terra h\u00e1 cerca de 1,75 milh\u00f5es de anos. Os dados mostram que poder\u00e1 atingir o nosso planeta no ano 2182, o que poderia levar a um &#8220;inverno global&#8221;. Os cientistas estimam atualmente que a probabilidade de impacto \u00e9 de um em 2.700, ou 0,037%.<\/p>\n<p>Originalmente, o material que comp\u00f5e o Bennu proveio de supernovas, explos\u00f5es de estrelas antigas que ocorreram muito antes da forma\u00e7\u00e3o do sistema solar. O calor extremo das explos\u00f5es funcionou como uma forja, cozinhando os elementos encontrados no asteroide, que depois suportaram mais calor do impacto que formou o Bennu, bem como a radia\u00e7\u00e3o solar, alterando ainda mais os elementos no seu interior. Descobriu-se tamb\u00e9m que o Bennu cont\u00e9m am\u00f3nia, um qu\u00edmico que pode ajudar a formar mol\u00e9culas como amino\u00e1cidos, bem como diferentes tipos de minerais, apresentando muitos dos ingredientes necess\u00e1rios para criar os blocos de constru\u00e7\u00e3o da vida \u2014 mas n\u00e3o a vida em si.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1767560780_795_f_webp.webp\"\/> <\/p>\n<p>   Um recipiente contendo rochas e poeira do aster\u00f3ide Bennu. (Erika Blumenfeld e Joseph Aebersold\/NASA) <\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o como pe\u00e7as de um puzzle que ainda n\u00e3o est\u00e3o montadas&#8221;, comparou Angel Mojarro, investigador de p\u00f3s-doutoramento e geoqu\u00edmico org\u00e2nico no Laborat\u00f3rio Anal\u00edtico de Astrobiologia da NASA e primeiro autor do novo estudo. &#8220;O que isto nos diz \u00e9 que muitos, muitos dos blocos de constru\u00e7\u00e3o da vida podem ser produzidos naturalmente dentro de asteroides ou cometas, e encontrar triptofano expande o alfabeto de amino\u00e1cidos que s\u00e3o produzidos no espa\u00e7o e que poderiam ter sido entregues \u00e0 Terra&#8221;.<\/p>\n<p>Um total de 33 amino\u00e1cidos j\u00e1 tinha sido encontrado no Bennu, mas apenas 14 deles s\u00e3o utilizados por organismos vivos na Terra para construir prote\u00ednas. O triptofano juntar-se-ia a este \u00faltimo grupo; pertence tamb\u00e9m a uma categoria de amino\u00e1cidos que os cientistas chamam essenciais, porque o corpo humano n\u00e3o os consegue produzir e devem ser adquiridos atrav\u00e9s da alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mojarro acrescentou que s\u00e3o necess\u00e1rios mais testes para corroborar a presen\u00e7a de triptofano na amostra do Bennu analisada para o estudo, que pesava apenas 50 miligramas. No entanto, dada a condi\u00e7\u00e3o imaculada das amostras do Bennu, \u00e9 prov\u00e1vel que a descoberta n\u00e3o seja resultado de contamina\u00e7\u00e3o terrestre, segundo George Cody, cientista da Carnegie Institution for Science em Washington, D.C. Cody n\u00e3o esteve envolvido no estudo, mas trabalhou com amostras do Bennu.<\/p>\n<p>&#8220;Acredito que estas mol\u00e9culas derivam legitimamente do asteroide Bennu&#8221;, escreveu Cody num email.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1767560780_205_f_webp.webp\"\/> <\/p>\n<p>   Estas imagens, captadas pela c\u00e2mara PolyCam da sonda espacial OSIRIS-REx em 2018, mostram quatro vistas do aster\u00f3ide Bennu, juntamente com um mosaico global. (NASA\/Goddard\/Universidade do Arizona) <\/p>\n<p>Ao recolher a amostra diretamente do asteroide, os investigadores n\u00e3o tiveram de lidar com os danos da entrada atmosf\u00e9rica, que altera a qu\u00edmica dos asteroides que aterram na Terra, tornando o Bennu numa &#8220;c\u00e1psula do tempo&#8221; muito mais fi\u00e1vel da composi\u00e7\u00e3o do sistema solar primitivo.<\/p>\n<p>&#8220;Como a OSIRIS-REx devolveu estas amostras imaculadas, estamos finalmente a ver os sais fr\u00e1geis, minerais e org\u00e2nicos que os meteoritos perdem na entrada&#8221;, referiu Dante Lauretta, professor de ci\u00eancia planet\u00e1ria e cosmoqu\u00edmica na Universidade do Arizona, Tucson, que \u00e9 tamb\u00e9m coautor do novo estudo.<\/p>\n<p>O corpo parental do Bennu era um mundo geol\u00f3gico rico, com m\u00faltiplos sistemas l\u00edquidos a operar em diferentes locais e em diferentes momentos, cada um impulsionando a sua pr\u00f3pria qu\u00edmica, acrescentou Lauretta: &#8220;O Bennu preserva uma cole\u00e7\u00e3o de sistemas qu\u00edmicos distintos e, juntos, mostram que os pequenos corpos eram sistemas din\u00e2micos e ricos em org\u00e2nicos muito antes de a vida emergir na Terra&#8221;.<\/p>\n<p>F\u00f3sseis moleculares <\/p>\n<p>Este artigo contribui para a compreens\u00e3o dos cientistas sobre quais as mol\u00e9culas necess\u00e1rias \u00e0 vida que podem ser encontradas em materiais extraterrestres, disse Cody. Se a qu\u00edmica natural que ocorreu na aurora do nosso sistema solar produz as mesmas mol\u00e9culas que a vida utiliza atualmente, ent\u00e3o deve haver uma liga\u00e7\u00e3o entre elas.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1767560780_49_f_webp.webp\"\/> <\/p>\n<p>   O foguete Atlas V da United Launch Alliance que levou a sonda espacial OSIRIS-REx ao espa\u00e7o, na Esta\u00e7\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea de Cabo Canaveral, na Fl\u00f3rida, em 8 de setembro de 2016. (Kim Shiflett\/NASA) <\/p>\n<p>O falecido Harold Morowitz, pioneiro nos estudos sobre as origens da vida, acreditava que as mol\u00e9culas que constituem o n\u00facleo dos organismos vivos poderiam ser &#8220;f\u00f3sseis&#8221; moleculares dos in\u00edcios do sistema solar, e identificar triptofano e outros amino\u00e1cidos construtores de prote\u00ednas em amostras do Bennu d\u00e1 peso a essa ideia, explicou Cody.<\/p>\n<p>Encontrar triptofano no Bennu expande ainda mais a not\u00e1vel diversidade de compostos que sabemos agora poderem vir do espa\u00e7o, referiu por email Kate Freeman, professora na Universidade Estadual da Pensilv\u00e2nia. &#8220;Os asteroides foram o servi\u00e7o de entrega de compras da Terra primitiva, tendo fornecido uma riqueza de mol\u00e9culas ao nosso mundo prebi\u00f3tico&#8221;, acrescentou Freeman, que n\u00e3o esteve envolvida no estudo.<\/p>\n<p>A nova investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia das miss\u00f5es de recolha de amostras, de acordo com Sara Russell, professora de ci\u00eancias planet\u00e1rias e l\u00edder do Grupo de Materiais Planet\u00e1rios no Museu de Hist\u00f3ria Natural de Londres, que n\u00e3o participou no trabalho. Embora os cientistas tenham milhares de rochas do espa\u00e7o dispon\u00edveis em laborat\u00f3rios sob a forma de meteoritos, tamb\u00e9m precisam de material n\u00e3o contaminado e imaculado trazido \u00e0 Terra por miss\u00f5es espaciais para obter o quadro completo.<\/p>\n<p>&#8220;A descoberta de triptofano, em particular, \u00e9 surpreendente&#8221;, notou Russell, &#8220;uma vez que n\u00e3o vemos isto nos meteoritos, talvez porque n\u00e3o sobreviva \u00e0 queda atrav\u00e9s da atmosfera terrestre e ao impacto na Terra&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O triptofano, o amino\u00e1cido essencial por detr\u00e1s do mito do Dia de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as de que comer&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":214999,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[609,41942,836,611,1150,27,109,107,108,4769,607,608,333,832,604,135,610,476,301,830,603,570,831,833,62,834,13,835,602,52,32,33,105,103,104,536,106,110,41941,29],"class_list":{"0":"post-214998","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-alerta","9":"tag-aminoacido","10":"tag-analise","11":"tag-ao-minuto","12":"tag-asteroide","13":"tag-breaking-news","14":"tag-ciencia","15":"tag-ciencia-e-tecnologia","16":"tag-cienciaetecnologia","17":"tag-cientistas","18":"tag-cnn","19":"tag-cnn-portugal","20":"tag-comentadores","21":"tag-costa","22":"tag-crime","23":"tag-desporto","24":"tag-direto","25":"tag-economia","26":"tag-governo","27":"tag-guerra","28":"tag-justica","29":"tag-live","30":"tag-mais-vistas","31":"tag-marcelo","32":"tag-mundo","33":"tag-negocios","34":"tag-noticias","35":"tag-opiniao","36":"tag-pais","37":"tag-politica","38":"tag-portugal","39":"tag-pt","40":"tag-science","41":"tag-science-and-technology","42":"tag-scienceandtechnology","43":"tag-sono","44":"tag-technology","45":"tag-tecnologia","46":"tag-triptofano","47":"tag-ultimas"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/214998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=214998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/214998\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/214999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=214998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=214998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=214998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}