{"id":215198,"date":"2026-01-05T00:32:56","date_gmt":"2026-01-05T00:32:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/215198\/"},"modified":"2026-01-05T00:32:56","modified_gmt":"2026-01-05T00:32:56","slug":"o-agente-secreto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/215198\/","title":{"rendered":"O agente secreto &#8211;"},"content":{"rendered":"<p>\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/o-agente-secreto-5\/?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pdf.png\" alt=\"image_pdf\" title=\"Ver PDF\"\/><\/a><\/p>\n<p>Por <strong>FERN\u00c3O PESSOA RAMOS*<\/strong><\/p>\n<p>Kleber Mendon\u00e7a consolida sua linhagem ao fundir o realismo social brasileiro com a autorreflex\u00e3o p\u00f3s-moderna, usando o verniz trash e a intertextualidade gen\u00e9rica n\u00e3o como mero pastiche, mas como lente cr\u00edtica para dissecar a viol\u00eancia de classe e a barb\u00e1rie hist\u00f3rica do pa\u00eds<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>1.<\/strong><\/p>\n<p>Kleber Mendon\u00e7a \u00e9 um diretor que afunda os p\u00e9s (ou ser\u00e1 s\u00f3 o p\u00e9 esquerdo?) na linha evolutiva mais rica do cinema brasileiro, aquela da modernidade que remonta ao realismo de Humberto Mauro e evolui por Nelson Pereira dos Santos (Rio Quarenta Graus; Rio Zona Norte e depois Vidas Secas), desemboca em Paulo Saraceni de O Porto das Caixas, no Joaquim Pedro de O Padre e a Mo\u00e7a, no Leon Hirszman de A Falecida, inspirando boa parcela da gera\u00e7\u00e3o cinemanovista, principalmente em seu primeiro f\u00f4lego.<\/p>\n<p>A determinada altura, a este realismo, com raiz ainda no p\u00f3s-guerra italiano, se sobrep\u00f5e uma dobra: aquela da modernidade cinematogr\u00e1fica propriamente, com seu movimento reflexivo no discurso, caracter\u00edstico da arte moderna em seus diversos desenvolvimentos. No momento \u2018p\u00f3s\u2019, do qual se aproxima Kleber Mendon\u00e7a, a dobra se aprofunda em dire\u00e7\u00f5es diversas, algumas inusitadas e extravagantes, outras apenas reciclando a camada do classicismo que, no cinema, se convencionou chamar g\u00eanero (western, horror, noir, musical, etc) e que retorna como uma degusta\u00e7\u00e3o ciente de si.<\/p>\n<p>Em Glauber Rocha, por exemplo, j\u00e1 em seu segundo longa-metragem (Deus e o Diabo na Terra do Sol\/1964), o momento reflexivo est\u00e1 presente para al\u00e9m do realismo, inaugurando a fissura contempor\u00e2nea que depois se deslocar\u00e1 \u2013 seja atrav\u00e9s das estrat\u00e9gias brechtianas das quais o filme \u00e9 repleto, seja na decomposi\u00e7\u00e3o que tem no horizonte o universo de g\u00eanero que se chamou western (as apari\u00e7\u00f5es de Ant\u00f4nio das Mortes, por exemplo, se acompanhadas com m\u00fasica de Ennio Morricone, seriam, \u2018avant la lettre\u2019 \u2013 e certamente fora do esp\u00edrito da obra \u2013 puro Sergio Leone).<\/p>\n<p>Com o Cinema Marginal \u2013 em particular no pioneiro Rog\u00e9rio Sganzerla, mas certamente em outros realizadores \u2013 o brega escatol\u00f3gico de O Bandido da Luz Vermelha e A Mulher de Todos viceja, e a flex\u00e3o da narrativa sobre si que se esbo\u00e7a no Cinema Novo adquire maturidade e organicidade. Aquilo que estamos chamando de \u2018p\u00f3s\u2019, com seu sedimento particular de verniz, domina o universo ficcional como um todo na variedade de suas determina\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas (interpreta\u00e7\u00e3o de atores, fotografia, cenografia, trilha sonora, universo ficcional, etc).<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>2.<\/strong><\/p>\n<p>O agente secreto se remete a esta tradi\u00e7\u00e3o numa maneira que Ainda estou aqui (para ficarmos nas duas grandes produ\u00e7\u00f5es nacionais de 2024\/2025) passa ao largo, apesar da reconstitui\u00e7\u00e3o de \u00e9poca. Walter Salles tamb\u00e9m teve seu momento de flex\u00e3o \u2018p\u00f3s\u2019 no in\u00edcio de sua carreira, em A grande arte\/1991, mas num movimento que poder\u00edamos denominar \u2018fora do lugar\u2019, bem caracter\u00edstico das vanguardas dos anos 1980 e que passou ao largo da linha mais f\u00e9rtil que estamos tra\u00e7ando no \u00e2mago da diversidade do Cinema Brasileiro.<\/p>\n<p>Em Central do Brasil\/1998 a respira\u00e7\u00e3o ofegante de uma narrativa que se cr\u00ea org\u00e2nica em seu classicismo, busca abrigo para se validar na sombra do Cinema Novo. No entanto, a chave \u00e9 outra, e est\u00e1 ausente a marca estil\u00edstica destoante que marcou a ruptura do novo cinema em sua \u00e9poca.<\/p>\n<p>J\u00e1 Kl\u00e9ber Mendon\u00e7a possui uma filmografia mais unit\u00e1ria e est\u00e1vel, marcada pelo debru\u00e7ar intertextual. Sua produ\u00e7\u00e3o traz temas recorrentes com for\u00e7a de gravidade em Recife e na regi\u00e3o de Pernambuco, sempre pela dobra que lan\u00e7a o salto do g\u00eanero \u2013 particularmente no fant\u00e1stico e no modo do horror escatol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Sa\u00favas devoradoras em Aquarius; cachoeira de sangue em O Som ao Redor; motoristas fantasmas em Retratos Fantasmas; ovnis e caix\u00f5es dos quais brota \u00e1gua em Bacurau; pernas peludas esquartejadas, gatos com duas cabe\u00e7as, m\u00e1scara gigante de La Ursa em O Agente Secreto \u2013 s\u00e3o figuras que, quando n\u00e3o dominam o todo, marcam com um solu\u00e7o inesperado.<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>3.<\/strong><\/p>\n<p>O agente secreto parece ter dificuldades em conter a for\u00e7a transbordante de uma puls\u00e3o criativa que se descobriu liberada. A dimens\u00e3o escatol\u00f3gica e fant\u00e1stica transborda e mostra que encontrou um veio para dar passos largos. \u00c9 nesta vereda que a preocupa\u00e7\u00e3o social do diretor encontra espa\u00e7o para interagir, configurando a mistura instigante que a permite pousar no verniz do g\u00eanero.<\/p>\n<p>Camadas se multiplicam em cita\u00e7\u00f5es f\u00edlmicas e a\u00e7\u00f5es cristalizadas se adensam para condensar, como num mergulho em espelhos enfileirados. A pr\u00f3pria sala de cinema (j\u00e1 onipresente no longa anterior Retratos fantasmas e que agora surge pela fic\u00e7\u00e3o no Cinema S\u00e3o Luiz) faz novos sedimentos de filme dentro do filme dentro do cinema, figurando, atrav\u00e9s das m\u00e3os do projecionista protagonista, a exibi\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o inclusive da mat\u00e9ria coisa-pel\u00edcula.<\/p>\n<p>Algumas cr\u00edticas se dedicaram a este horizonte que deglute sem d\u00f3, como um moedor de carne, tudo o que se cristaliza em g\u00eanero cinematogr\u00e1fico em torno de 1977, \u00e9poca que trama ficcional decorre. Podemos come\u00e7ar (e talvez findar) por Tubar\u00e3o\/1975 de Steven Spielberg, o grande filme de a\u00e7\u00e3o que afirma a nova gera\u00e7\u00e3o da Hollywood nos anos 1970, ao qual Mendon\u00e7a rende homenagem pelo fio que remete \u00e0 sua Recife, assolada na realidade pela presen\u00e7a muito concreta do peixe em suas praias e os fantasmas imagin\u00e1rios que produz.<\/p>\n<p>\u00c9 Tubar\u00e3o que domina os m\u00f3veis da a\u00e7\u00e3o em O agente secreto, em particular a muito bem-sucedida parte final. Ela se afirma numa magistral reviravolta de roteiro (ao fechar uma \u00e9poca, e passar para outra, atrav\u00e9s de uma s\u00f3 imagem fixa fotogr\u00e1fica), abrindo a arena para concluir no espa\u00e7o contempor\u00e2neo uma trama que parecia estar come\u00e7ando a se esgotar, no retorno sobre o pr\u00f3prio umbigo recifense.<\/p>\n<p>O fechamento, sem mostrar o assassinato, cortando s\u00f3 para a foto e permitindo um salto limpo para o futuro, \u00e9 golpe de mestre na amarra\u00e7\u00e3o que d\u00e1 unidade e recupera a tens\u00e3o da a\u00e7\u00e3o em novos paradigmas, pegando tra\u00e7\u00e3o para o final sem deixar a peteca cair.<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>4.<\/strong><\/p>\n<p>Novamente, esta reviravolta ocorre atrav\u00e9s da imagem dentro da imagem \u2013 uma imagem fixa fotogr\u00e1fica de arquivo dentro da imagem em movimento do filme \u2013 que se alimenta em refer\u00eancia pr\u00f3pria incidindo como um todo na gravidade metalingu\u00edstica. Marcelo, o protagonista, \u00e9 ele mesmo fot\u00f3grafo e serve como motivo para que imagens de c\u00e2meras anal\u00f3gicas, quartos escuros e bacias para revela\u00e7\u00e3o se multipliquem, sustentando assim que a virada para o presente no final seja centrada numa foto de jornal granulada.<\/p>\n<p>Golpe de mestre na constru\u00e7\u00e3o da estrutura, num roteiroque Kleber Mendon\u00e7a assina solo, juntamente com a dire\u00e7\u00e3o. Recupera-se o fio da meada, agora no presente, mas centrado no banco de sangue e no fato da \u201cdoa\u00e7\u00e3o\u201d da pesquisadora em sua \u201ctransfus\u00e3o\u201d, ponto essencial como motivo para que possa entrar na hist\u00f3ria sanguinolenta e macabra, refer\u00eancia \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o de horrores no passado.<\/p>\n<p>Banco de sangue que, por sua vez, \u00e9 localizado exatamente no edif\u00edcio dentro do qual o protagonista assistiu o Tubar\u00e3o cl\u00e1ssico, tamb\u00e9m coberto de sangue, e peixe de cuja barriga se extrai a perna cabeluda e roxa de putrefa\u00e7\u00e3o que define outro n\u00facleo de refer\u00eancias escatol\u00f3gicas, abrindo-se assim em camadas intertextuais especulares sobrepostas.<\/p>\n<p>O grande dilema de O agente secreto est\u00e1 exatamente a\u00ed, fazendo o entorno de suas qualidades e dificuldades: de um lado a for\u00e7a de inspira\u00e7\u00e3o mencionada que aflora aos borbot\u00f5es das recorda\u00e7\u00f5es e que parece n\u00e3o ter fim; de outro, uma narrativa que se esgrima para conduzir no leito mais fechado da est\u00e9tica f\u00edlmica, de modo a que produza sentido e n\u00e3o transborde em pe\u00e7as aut\u00f4nomas, com potencial para abrir-se em novas dobras e assim infinitamente.<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>5.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a proximidade com a flex\u00e3o do g\u00eanero que permite a Kleber Mendon\u00e7a lidar sem cerim\u00f4nias com o sangue e a carne podre, mas \u00e9 somente quando atravessa o rubic\u00e3o das refer\u00eancias circulares e carrega-se das determina\u00e7\u00f5es sociais (preocupa\u00e7\u00e3o onipresente do autor em entrevistas), que o n\u00facleo do filme em suas ambi\u00e7\u00f5es se define mais claramente.<\/p>\n<p>A abund\u00e2ncia sanguinolenta \u201ctrash\u201d \u00e9 ent\u00e3o sobredeterminada pelo dom\u00ednio de classes sanguin\u00e1rio de nossa sociedade estamental e desigual, carregada de cenas reais nos quais abundam sangue, assassinatos brutais e cad\u00e1veres apodrecendo, enfileirados em pra\u00e7as e favelas sem serem recolhidos. Sociedade retratada em um dos per\u00edodos mais violentos e mortais da ditadura militar (principalmente para as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda institucionalizadas) \u2013 aquele da primeira metade do governo de Ernesto Geisel \u2013 e que, em sua mortandade, se mant\u00e9m para o grosso da popula\u00e7\u00e3o at\u00e9 os dias de hoje sem altera\u00e7\u00f5es significativas.<\/p>\n<p>A singularidade do longa \u00e9 conseguir tratar, e denunciar, numa composi\u00e7\u00e3o radicalmente diferenciada, a barb\u00e1rie sanguinolenta que nos assola e que j\u00e1 teve sua representa\u00e7\u00e3o repetida em formas diversas.<\/p>\n<p>Ao contexto hist\u00f3rico e \u00e0 sociedade dilacerada, querendo explicar sua incid\u00eancia numa Recife que, pelo afeto, se gostaria id\u00edlica mesmo no horror \u2013 surge a oposi\u00e7\u00e3o regionalista. E ela serve na medida: os bandidos do sul do pa\u00eds, a come\u00e7ar pelo carcamano paulista Henrique Ghirotti (Luciano Chirolli), trazem o vetor da desgra\u00e7a do sistema do capital ao pequeno para\u00edso que, passando ao largo, come\u00e7ava a florescer. A oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 manique\u00edsta e algumas cenas parecem for\u00e7adas, ou \u201cna\u00effs\u201d, nas falas e na intepreta\u00e7\u00e3o caricata dos atores, gerando m\u00f3veis dram\u00e1ticos artificiais (o desentendimento, \u00e0 quatro, no bar; a reuni\u00e3o de departamento na universidade, etc).<\/p>\n<p>Respira-se o tom que \u00e9 uma das molas subterr\u00e2neas do longa e que bate sem cessar como um ressentimento fundo. Se o vinco do verniz intertextual de g\u00eanero atravessa com leveza O agente secreto, mesmo na figura\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie putrefata, aqui falha a gravidade centr\u00edfuga e a ironia se fecha para dentro ensimesmada, refletindo o trauma sem a abertura da camada reflexiva. De toda maneira, a dobra tamb\u00e9m acaba por cobrir as pontas e logo conseguimos voltar \u00e0s figuras do sangue que borbulha e a tudo fermenta.<\/p>\n<p>\u00c9 o modo em que reina o violento dom\u00ednio de classes que atravessa a sociedade brasileira horizontalmente e que aparece no filme em diversos tipos de cristaliza\u00e7\u00e3o referencial, em particular aqueles do horror coberto pelo estrato gotejante do \u201ctrash\u201d.<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>6.<\/strong><\/p>\n<p>A dial\u00e9tica entre o g\u00eanero cinematogr\u00e1fico e a viol\u00eancia da barb\u00e1rie na pr\u00f3pria carne social (que n\u00e3o \u00e9 \u201cfake\u201d, como a perna cabeluda), d\u00e1 a for\u00e7a singular e a beleza da estil\u00edstica f\u00edlmica de Kleber Mendon\u00e7a. Isto impede que ela evolua num c\u00edrculo fechado, importado artificialmente, pelo caminho j\u00e1 batido e mesmo dominante na contemporaneidade (A Subst\u00e2ncia\/2024 ou Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo\/2022, por exemplo).<\/p>\n<p>Horror da sociedade brasileira e de nossos cad\u00e1veres multiplicados na viol\u00eancia cotidiana que sempre cercou nossa hist\u00f3ria: cento e tantos mortos no carnaval pernambucano de 1977 (como em tantos outros); 121 mortos agora no complexo da Penha e do Alem\u00e3o cariocas; 111 no massacre do Carandiru paulista, h\u00e1 25 anos; 21 homic\u00eddios de sem-terras em Caraj\u00e1s no Par\u00e1; 56 mortos na Opera\u00e7\u00e3o Ver\u00e3o da Rota em 2023\/2024, etc, etc. O agente secreto possui a virtude de referir escapando da den\u00fancia j\u00e1 batida, repetida \u00e0 exaust\u00e3o, e que pede o \u00eaxtase na reden\u00e7\u00e3o pela culpa. A narrativa \u00e9 esperta en\u00e3o se deixa fisgar facilmente na armadilha que quer imobilizar os afetos na mimesis da catarse.<\/p>\n<p>Introduz, sempre nervosa, uma nova figura e d\u00e1 o drible da vaca na sequ\u00eancia que espreita mais melosa, a da compaix\u00e3o triste. Da\u00ed o sentimento de pot\u00eancia, de for\u00e7a livre e a\u00e7\u00e3o afirmativa, que se encarna dentro do polo dos oprimidos \u2013 algo que j\u00e1 respiramos em Bacurau e que se repete, com a mesma carga dram\u00e1tica, nos exclu\u00eddos e perseguidos abrigados em O Agente Secreto.<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>7.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de posi\u00e7\u00e3o tomada, nem de afirmar uma proposta expl\u00edcita na dimens\u00e3o de uma est\u00e9tica, mas estamos claramente noutro campo, mais pr\u00f3ximo da ironia afirmativa que vigora no canto dos l\u00e1bios e que Wagner Moura estampa magistralmente. Wagner Moura, hoje provavelmente o principal ator latino-americano, brilha sob a dire\u00e7\u00e3o de Kleber Mendon\u00e7a que, confessamente, escreveu o filme com ele na cabe\u00e7a e soube extrair toda potencialidade ao lhe confiar um papel sob medida para sua palheta dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>Como sempre, Kleber Mendon\u00e7a se mostra um excelente diretor de cena com atores que brilham sob sua dire\u00e7\u00e3o e da equipe de prepara\u00e7\u00e3o. Qualidade que se manifesta atrav\u00e9s da interpreta\u00e7\u00e3o de atores naturais (sem experi\u00eancia dram\u00e1tica), ou atores que nem sempre possuem o destaque devido a seu talento, como a excelente Maria Fernanda C\u00e2ndida, num papel curto que desenvolve com nuances magn\u00edficas, explorando sua personagem \u2013 da mesma maneira que o capanga Roney Villela e o impag\u00e1vel delegado Rob\u00e9rio Di\u00f3genes.<\/p>\n<p>Tem se destacado, com raz\u00e3o, a surpreendentemente desenvoltura de T\u00e2nia Maria, Dona Sebastiana, que rouba a cena como coadjuvante para estrelar \u2013 e que, com seu cigarro na boca, obteve destaque internacional em categoria especial \u201cmelhor atua\u00e7\u00e3o com cigarro\u201d (New York Times).<\/p>\n<p>No campo t\u00e9cnico (para quem tem olhos \u2013 e ouvidos) destaca-se a excepcional fotografia, escolhida por Kleber Mendon\u00e7a (em geral mais acanhado neste quesito) da russa Evgenia Alexandrova \u2013 em meu ponto de vista o verdadeiro \u2018agente secreto\u2019, se \u00e9 para entrar na discuss\u00e3o sobre as origens do t\u00edtulo. Sim, o agente secreto \u00e9 russo! \u00c9 ele que se infiltra no Brasil nordestino e colore de verniz amarelo e outras matizes retr\u00f4s, o sert\u00e3o ensolarado da luz estourada realista, criada como \u2018luz brasileira\u2019 para o Cinema Novo por Luiz Carlos Barreto, em Vidas Secas\/1963.<\/p>\n<p>Agora, pela dobra da imagem na imagem do cinema no sert\u00e3o, vigora a \u201cpalheta vintage realista de filmes B\u201d, como disse querer o diretor. Outro destaque que afirma o verniz reflexivo-cinematogr\u00e1fico na fotografia de O agente secreto \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o da saudosa lente Panavision, do tipo grande angular, formato cinemascope, que abre o horizonte numa configura\u00e7\u00e3o antes recorrente no cinema e que agora desapareceu (particularmente bem composta na excepcional, e j\u00e1 cl\u00e1ssica, sequ\u00eancia inicial do posto de gasolina).<\/p>\n<p>A pasteuriza\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica da cor pelo digital (ainda quando programada para imitar padr\u00f5es pel\u00edcula), matou a vibra\u00e7\u00e3o forte e \u00fanica das cores cinematogr\u00e1ficas em pel\u00edcula nos saudosos Kodachrome\/Fujichrome, ou diferentemente nos pioneiros Technicolor\/Eastmancolor. Kleber \u00e9 sens\u00edvel a este efeito, como deixa claro em entrevista: \u201cA cor de O agente secreto voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea muito nos filmes hoje, n\u00e3o \u00e9? Queria trabalhar com lentes de 60 anos de idade, que trazem um certo look, uma certa distor\u00e7\u00e3o. Muita gente jovem n\u00e3o usa porque acha que \u00e9 ruim. N\u00e3o, ela n\u00e3o \u00e9 ruim. Ela tem personalidade\u201d.<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>8.<\/strong><\/p>\n<p>O tom amarelado ocre de matizes diversas \u00e9 o verniz a que me refiro no t\u00edtulo e que casa como luva \u00e0 prega da reflex\u00e3o. D\u00e1 a artificialidade necess\u00e1ria para que evolua \u00e0 vontade em seus melhores momentos fantasistas, estourando a causalidade linear da a\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m a utiliza\u00e7\u00e3o de duas c\u00e2meras, como afirma o diretor, introduz uma montagem mais densa e org\u00e2nica evoluindo numa esp\u00e9cie de refer\u00eancia ao realismo do antigo cinema.<\/p>\n<p>Contrap\u00f5e-se \u00e0 mise-en-sc\u00e8ne contempor\u00e2nea da rapidez e da multiplicidade, com a dezena de tomadas e c\u00e2meras do audiovisual industrial contempor\u00e2neo depois entregues ao montador para que extraia uma forma espacialmente conveniente, numa cascata de flashes com brev\u00edssima dura\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o s\u00e1bia de Kleber Mendon\u00e7a que permite a excepcional qualidade da interpreta\u00e7\u00e3o dos atores respirar na montagem (assinada por Matheus Farias e Eduardo Serrano).<\/p>\n<p>Por \u00faltimo (but not least), certamente destaca-se o som de O agente secreto, dimens\u00e3o na qual a verve autoral f\u00edlmica de Kleber Mendon\u00e7a excele (a ponto de dar um nome surpreendente, n\u00e3o evidente, a seu primeiro longa de fic\u00e7\u00e3o, O som ao redor). O som, e a precis\u00e3o com que utiliza a dimens\u00e3o sonora, s\u00e3o destaques em sua filmografia desde os primeiros curtas e agora claramente atingem maturidade na dimens\u00e3o audiovisual, ponto central na est\u00e9tica particular da arte do cinema.<\/p>\n<p>A trilha sonora de O agente secreto \u00e9 assinada pelos irm\u00e3os Mateus Alves e Tomaz Alves Souza (que tamb\u00e9m trabalharam em Bacurau), contendo trechos do grande compositor f\u00edlmico Ennio Morricone (mais uma fonte na camada \u2018p\u00f3s\u2019 de cita\u00e7\u00f5es, \u201cGuerra e Pace, Pollo e Brace\u201d), indo do grupo Chicago com \u201cIf you leave me now\u201d ao Waldick Soriano de \u201cEu n\u00e3o sou cachorro n\u00e3o\u201d, ou Angela Maria de \u201cN\u00e3o h\u00e1 mais tempo\u201d, passando pela Donna Summer \u201cdancing\u201d de \u201cLove to Love You Baby\u201d e, evidentemente, muita m\u00fasica popular pernambucana (que aqui tamb\u00e9m toma a colora\u00e7\u00e3o \u2018vintage\u2019), como aquela da Banda de P\u00edfaros de Caruaru, e o tradicional frevo \u2018Esquenta Mulher\u2019 (tamb\u00e9m os contempor\u00e2neos Alceu Valente e Z\u00e9 Ramalho).<\/p>\n<p>A trilha sonora afirma o movimento que costura e distorce pelas bordas na flex\u00e3o \u2018p\u00f3s\u2019 do referencial brega, t\u00e3o caro \u00e0 obra. Resumindo, podemos afirmar que o brega-musical d\u00e1 a coloriza\u00e7\u00e3o sonora necess\u00e1ria para que o escatol\u00f3gico possa acolchoar como trash o impacto de nossa barb\u00e1rie, provocando o efeito de estranheza que traz a qualidade diferencial da narrativa.<\/p>\n<p>O som ao redor de O agente secreto \u00e9 intenso e assustador, permeado por ru\u00eddos, estrondos, solu\u00e7os e irrup\u00e7\u00f5es, v\u00e1rias delas em fun\u00e7\u00e3o da metalinguagem de refer\u00eancias, com trilhas de origem em outros filmes, inclusive diegeticamente para dentro, como o grito dos espectadores ao fundo assistindo A profecia. A edi\u00e7\u00e3o\/desenho sonoro (inovando a equipe tradicional que acompanhou Kleber Mendon\u00e7a em outros longas) \u00e9 assinada por Tijn Hazen, com som direto de Moabe Filho e Pedrinho Moreira e mixagem de Cyril Holtz e Emmanuel Croset.<\/p>\n<p>Kleber Mendon\u00e7a passou uma instru\u00e7\u00e3o precisa para os exibidores quando do lan\u00e7amento, solicitando que a proje\u00e7\u00e3o nas salas ocorresse com \u201cvolume alto\u201d para \u201cestarmos mais pr\u00f3ximos do trabalho feito durante meses na mixagem sonora\u201d.<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>9.<\/strong><\/p>\n<p>No universo envernizado da imagem e som de O agente secreto, portanto,o \u201cvintage\u201d trash sanguinolento domina, com a barriga do tubar\u00e3o transbordando suas entranhas no necrot\u00e9rio, jogando tripa no sapato salto da legista, expelindo a \u201cperna cabeluda\u201d que parece j\u00e1 sair trotando. O tom sensacionalista e as manchetes de jornais consumidas avidamente pela massa, comp\u00f5em uma outra camada de intertextualidade forte que traz em sua degluti\u00e7\u00e3o um tra\u00e7o do contexto midi\u00e1tico de 1977: o \u201cjornal popular que nunca se espreme porque pode derramar\u201d (Parque industrial\/1968, can\u00e7\u00e3o de Tom Z\u00e9).<\/p>\n<p>Not\u00edcias populares, \u00f3rg\u00e3o de imprensa que se afirmou no veio sensacionalista, t\u00e3o caro ao estilo dominante na Empresa Folha da Manh\u00e3, trabalhou na \u00e9poca, durante semanas, manchetes como \u201cMulher deu luz a peixe\u201d, ou o nascimento do \u201cbeb\u00ea-diabo\u201d, paralelas \u00e0quelas da \u201cperna cabeluda\u201d no que foram os prim\u00f3rdios das \u201cfake news\u201d na m\u00eddia nacional. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pelo parto do peixe e pelas entranhas que possuem perfis similares \u00e0 carca\u00e7a peluda dos jornais de Recife. Agora, como linha narrativa, o sensacionalismo \u201cfake\u201d p\u00f4de ser deglutido em trash reflexivo (extrato que certamente n\u00e3o possu\u00eda na primeira m\u00e3o), costurando do in\u00edcio ao fim O agente secreto.<\/p>\n<p>Entre as cita\u00e7\u00f5es amplamente mapeadas pela cr\u00edtica, duas parecem ter escapado. Surgem como d\u00e9bito de Kl\u00e9ber Mendon\u00e7a \u00e0 linha evolutiva do cinema brasileiro mencionada acima. Como cartazes estampados no in\u00edcio, faz-se refer\u00eancia a duas pequenas joias do realismo brasileiro do novo cinema dos anos 1970: A Lira do Del\u00edro\/1978 de Walter Lima Junior e Iracema, uma transa amaz\u00f4nica\/1974 de Jorge Bodansky\/Orlando Senna.<\/p>\n<p>Elas seguem o n\u00facleo de obras de arte e objetos de \u00e9poca da d\u00e9cada de 1970 citados, mas fora da refer\u00eancia trash\/g\u00eanero. Possuem um estilo hoje meio abandonado, mas caracter\u00edstico das ambi\u00e7\u00f5es de uma gera\u00e7\u00e3o passada. Se como road movie (Iracema)e retrato do carnaval (A Lira do Del\u00edrio)fazem refer\u00eancia mais superficial a O agente secreto, a figura de fundo que domina ambos \u00e9 outra. A mistura e o di\u00e1logo pr\u00f3ximo com a encena\u00e7\u00e3o document\u00e1rias\u00e3o evidentes e evoluem a partir de uma trama em esbo\u00e7os que se afirmam atrav\u00e9s da improvisa\u00e7\u00e3o livre e \u201cdireta\u201d, constru\u00edda a partir da tens\u00e3o com a estrutura de roteiro pr\u00e9vio.<\/p>\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>10.<\/strong><\/p>\n<p>A lira do del\u00edrio traz a excepcional interpreta\u00e7\u00e3o, neste modo que chamo de encena\u00e7\u00e3o direta, de Anecy Rocha. Surge numa intensidade espont\u00e2nea que domina a cena at\u00e9 o \u00eaxtase delirante, como quer o t\u00edtulo, apreendido em toda dimens\u00e3o pela c\u00e2mera extraordin\u00e1ria do chamado \u201chomem borracha\u201d do cinema brasileiro, o fot\u00f3grafo Dib Lufti. \u00c9 uma das cria\u00e7\u00f5es mais marcantes desta grande atriz (e deste grande fot\u00f3grafo), dirigida por seu marido Walter Lima, na qual a for\u00e7a da vida em sua presen\u00e7a com intensidade e pot\u00eancia livre parece antever a trag\u00e9dia pessoal que se seguiria \u2013 nesse que foi seu \u00faltimo trabalho, lan\u00e7ado postumamente.<\/p>\n<p>Em Iracema tamb\u00e9m Paulo C\u00e9sar Pereiro tamb\u00e9m est\u00e1 livre e solto para improvisar \u00e0 vontade, seguido por outro grande fot\u00f3grafo, Jorge Bodansky (aqui tamb\u00e9m diretor), com interpreta\u00e7\u00e3o voltada para dentro de sua personalidade-personagem e seus fantasmas de masculinidade. \u00c9 acompanhado nesta deambula\u00e7\u00e3o pela Transamaz\u00f4nica pela atriz Edna de C\u00e1ssia\/Iracema (descoberta por Bodansky em uma fam\u00edlia local e que faz sua estreia). Ela consegue o feito de receb\u00ea-lo e enfrent\u00e1-lo na improvisa\u00e7\u00e3o sem pestanejar, controlando magistralmente a a\u00e7\u00e3o \u2013 com a delicadeza e firmeza feminina necess\u00e1rias para que as puls\u00f5es do personagem macho-cafajeste (Ti\u00e3o Brasil Grande) n\u00e3o descarrilhem, levando o filme e a aventura amaz\u00f4nica no caldo.<\/p>\n<p>Nas duas obras vibra a intensidade realista da imagem-c\u00e2mera no novo cinema brasileiro, num dos momentos maiores dessa tradi\u00e7\u00e3o do \u201cfazer cinema\u201d: usando o que est\u00e1 \u00e0 m\u00e3o, pelo encenar livre e espont\u00e2neo, vergando prepara\u00e7\u00e3o e roteiro. \u00c9 curioso, mas certamente n\u00e3o \u00e9 gratuito, encontrar esta forma citada numa narrativa carregada de densa reflexividade em estratos m\u00faltiplos.<\/p>\n<p>Aponta para as origens do apetite de Kleber Mendon\u00e7a voltado para o cinema que \u00e9 herdeiro, mas que na contemporaneidade s\u00f3 consegue debru\u00e7ar-se em refer\u00eancia de si. Origem que surge multiplicada e invadida por todos lados como mais uma vis\u00e3o, vinda da imagem-cristal f\u00edlmica pura em sua iman\u00eancia, agora em di\u00e1logo com a virtualidade da mem\u00f3ria, ou do g\u00eanero, nas figuras fisgadas pela cascata de cita\u00e7\u00f5es de Tubar\u00e3o\/1975; A profecia\/1976; Carrie, a estranha\/1976; King Kong\/1976, etc. Origem que \u00e9 tamb\u00e9m a do trash\/gore escatol\u00f3gico do esquartejamento do corpo da m\u00e3e (n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a perna cabeluda), j\u00e1 presente em seus curtas como Vinil verde\/2004.<\/p>\n<p>Cascatas de refer\u00eancias que, quando se sobrep\u00f5em numa postura mais horizontal deglutidora, giram mordendo a pr\u00f3pria cauda e podem terminar por engoli-la em c\u00edrculos (\u00e9 o caso, por exemplo, da voracidade textual em Quentin Tarantino). Aqui, como mencionamos, as plataformas e suas s\u00e9ries se misturam, conseguindo densidade para sair do c\u00edrculo ao atingir o n\u00edvel que evolui na gravidade da cr\u00edtica social. No pr\u00f3prio estilo, at\u00e9 o purismo da espontaneidade do realismo cinematogr\u00e1fico (que Iracema e A Lira do Del\u00edrio tra\u00e7am, sem intermedi\u00e1rios na dan\u00e7a entre c\u00e2mera e ator) serve \u00e0 mat\u00e9ria da cita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em seu melhor momento, Kl\u00e9ber Mendon\u00e7a consegue lidar sem culpa e no modo reflexivo com este n\u00facleo formal do realismo, abrindo-se para as demandas de uma sociedade de classes cruel e os postulados sobre o mundo que ele mesmo carrega e que manifesta em entrevistas. \u00c9 quando a miss\u00e3o se solta da m\u00e3o do artista e encontra a leveza e o humor que juntam hist\u00f3ria do cinema, afetos de mem\u00f3rias e cr\u00edtica civil, numa cascata de estilemas condensados.<\/p>\n<p>A espontaneidade que extrai dos atores e o desvio que o faz desembocar no tipo, vem da\u00ed. Por isso, o outro lado da ponte, a refer\u00eancia ao ar libert\u00e1rio que se respira em A lira do del\u00edrio e Iracema. Agora, a for\u00e7a da intensidade da tomada ainda consegue brilhar, mas \u00e9 pelo artif\u00edcio pr\u00f3prio de uma composi\u00e7\u00e3o marcada de cena, dialogando com aquilo que chega na virtualidade aberta da est\u00e9tica do cinema.<\/p>\n<p>*<strong>Fern\u00e3o Pessoa Ramos<\/strong>\u00e9 professor titular do Instituto de Artes da UNICAMP. Autor, entre outros livros, de A imagem-c\u00e2mera (Papirus) [<a href=\"https:\/\/amzn.to\/43yKnWf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">https:\/\/amzn.to\/43yKnWf<\/a>] e co-autor de Nova hist\u00f3ria do cinema brasileiro (Ed. SESC).[<a href=\"https:\/\/amzn.to\/3LvsKBv\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">https:\/\/amzn.to\/3LvsKBv<\/a>]<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>O agente secreto<br \/>Brasil, Alemanha, Fran\u00e7a, Holanda, 2025, 158 minutos.<br \/>Dire\u00e7\u00e3o e roteiro: Kleber Mendon\u00e7a Filho.<br \/>Elenco: Wagner Moura, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Roney Villela, Hermila Guedes, T\u00e2nia Maria, Rob\u00e9rio Di\u00f3genes.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/CONTRIBUA\/\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener nofollow\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"693\" height=\"175\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/TERRA-REDONDA-001.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-58617\"  \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por FERN\u00c3O PESSOA RAMOS* Kleber Mendon\u00e7a consolida sua linhagem ao fundir o realismo social brasileiro com a autorreflex\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":215199,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[140],"tags":[114,115,41964,147,148,146,32,33],"class_list":{"0":"post-215198","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-filmes","8":"tag-entertainment","9":"tag-entretenimento","10":"tag-fernao-pessoa-ramos","11":"tag-film","12":"tag-filmes","13":"tag-movies","14":"tag-portugal","15":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115839684105270704","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/215198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=215198"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/215198\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/215199"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=215198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=215198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=215198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}