{"id":215239,"date":"2026-01-05T01:06:16","date_gmt":"2026-01-05T01:06:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/215239\/"},"modified":"2026-01-05T01:06:16","modified_gmt":"2026-01-05T01:06:16","slug":"primeira-viagem-de-humanos-ao-redor-da-lua-neste-seculo-deve-marcar-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/215239\/","title":{"rendered":"Primeira viagem de humanos ao redor da Lua neste s\u00e9culo deve marcar 2026"},"content":{"rendered":"<p><strong>SALVADOR NOGUEIRA<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 qualquer outro evento espacial que possa competir neste 2026 com a miss\u00e3o Artemis 2, da Nasa. Pela primeira vez em mais de meio s\u00e9culo, humanos devem deixar as imedia\u00e7\u00f5es da Terra em uma jornada de contorno ao redor da Lua.<\/p>\n<p>\u00c9 certamente uma novidade para o s\u00e9culo 21, e at\u00e9 mesmo para o 20 n\u00e3o seria algo corriqueiro. Entre 1968 e 1972, apenas nove vezes essa viagem foi feita, come\u00e7ando com a Apollo 8, em que tr\u00eas astronautas americanos pela primeira vez orbitaram a Lua, culminando com a Apollo 11, e o hist\u00f3rico \u201cpequeno passo\u201d de Neil Armstrong no solo lunar de 21 de julho de 1969, e terminando com a Apollo 17, quando viagens desse tipo j\u00e1 pareciam estar virando corriqueiras\u0097para ent\u00e3o jamais serem repetidas por outros 53 anos.<\/p>\n<p>S\u00e3o outros tempos. Agora governos est\u00e3o muito menos dispostos a apostar um \u201ctudo ou nada\u201d numa corrida espacial, o que os faz gastar proporcionalmente muito menos do que em meados do s\u00e9culo passado, e h\u00e1 muito mais diversidade e coopera\u00e7\u00e3o internacional, em que pese o recrudescimento recente dos nacionalismos.<\/p>\n<p>Exemplo: a jornada at\u00e9 a Lua ter\u00e1, pela primeira vez, um n\u00e3o americano, o especialista de miss\u00e3o canadense Jeremy Hansen; uma mulher, a especialista de miss\u00e3o americana Christina Koch; e um negro, o piloto americano Victor Glover. Todos eles liderados pelo comandante branco e americano Reid Wiseman, porque o mundo de fato mudou, mas nem tanto.<\/p>\n<p>A viagem em si ser\u00e1 ainda mais simples que a feita pela Apollo 8 em dezembro de 1968, tamb\u00e9m por que s\u00e3o outros tempos: a avers\u00e3o ao risco \u00e9 maior agora que na \u00e9poca do \u201cright stuff\u201d. Se, em 1968, os astronautas dispararam o motor para serem capturados em \u00f3rbita da Lua j\u00e1 no primeiro voo ao sat\u00e9lite \u0096e uma falha em reacend\u00ea-lo impediria que voltassem \u00e0 Terra\u0096, para a Artemis 2, a trajet\u00f3ria ser\u00e1 de retorno livre, o que significa dizer que a nave ser\u00e1 guiada de volta \u00e0 Terra apenas pela gravidade, dispensando manobras adicionais. Em compensa\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 o mais longe que humanos j\u00e1 estiveram da Terra.<\/p>\n<p><strong>A GRANDE MISS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>A Nasa vem trabalhando para que o lan\u00e7amento, que partir\u00e1 do tradicional espa\u00e7oporto de Cabo Canaveral, na Fl\u00f3rida, ocorra no in\u00edcio de fevereiro, num esfor\u00e7o para adiantar um cronograma que originalmente previa a miss\u00e3o para abril. Cada nova janela de oportunidade se abre por uns poucos dias a cada m\u00eas, mas tudo est\u00e1 alinhado para que, no mais tardar, ao fim do primeiro semestre, a Artemis 2 j\u00e1 tenha passado aos livros de hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u00c9 o primeiro passo em uma nova corrida espacial, talvez tratada com menos urg\u00eancia que a primeira, mas com consequ\u00eancias talvez at\u00e9 mais abrangentes. Em disputa, as regras pelas quais os recursos naturais da Lua e de outros corpos celestes ser\u00e3o manejados pelas pot\u00eancias espaciais. Estados Unidos e China concorrem por essa hegemonia, e ambos t\u00eam planos para levar seus astronautas ao solo lunar.<\/p>\n<p>A Nasa j\u00e1 quer faz\u00ea-lo na Artemis 3, que no entanto pode atrasar um bocado em raz\u00e3o do programa de desenvolvimento do ve\u00edculo Starship, da SpaceX, de Elon Musk. A ag\u00eancia depende dele para pousar na Lua e j\u00e1 estuda alternativas, caso ele se atrase. Praticamente todo mundo considera que a atual data para o voo, 2027, v\u00e1 atrasar em pelo menos um ano ou dois, na melhor das hip\u00f3teses.<\/p>\n<p>J\u00e1 a China n\u00e3o conta quantas miss\u00f5es precursoras pretende fazer antes de colocar seus taikonautas na superf\u00edcie da Lua, mas diz que o far\u00e1 antes de 2030. Os sistemas para tanto est\u00e3o em franco desenvolvimento e, como s\u00e3o mais conservadores (lembrando em muito a arquitetura da pr\u00f3pria Apollo), devem encontrar menos percal\u00e7os. Mas que ningu\u00e9m se engane: levar humanos \u00e0 Lua e traz\u00ea-los de volta \u00e9 uma das coisas mais dif\u00edceis j\u00e1 feitas em toda a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>PARA OS ROB\u00d4S<\/strong><\/p>\n<p>O novo frenesi para as miss\u00f5es tripuladas acaba jogando alguma sombra sobre os projetos das sondas rob\u00f3ticas, mas 2026 tamb\u00e9m guarda alguns eventos especiais nessa frente.<\/p>\n<p>A empresa Blue Origin, de Jeff Bezos, pretende fazer neste ano seu primeiro pouso lunar n\u00e3o tripulado, com o m\u00f3dulo Blue Moon Mark 1. Esse projeto receber\u00e1 aten\u00e7\u00e3o especial porque uma das ideias em estudo para acelerar a miss\u00e3o Artemis 3 seria dispensar o Starship e preparar uma vers\u00e3o do Blue Moon Mark 1 para levar astronautas.<\/p>\n<p>Na origem, ele foi feito para transportar apenas carga, mas ser\u00e1 o maior m\u00f3dulo lunar j\u00e1 levado ao espa\u00e7o, incluindo a\u00ed os tripulados da Apollo. E a Blue Origin pode aproveitar o trabalho desenvolvido para o Mark 2, destinado a levar astronautas, e encaixar no Mark 1, para viabilizar uma nova vit\u00f3ria americana na corrida espacial. Mas n\u00e3o vai ser simples.<\/p>\n<p>Fora isso, duas miss\u00f5es interplanet\u00e1rias devem registrar marcos importantes. A primeira vem com a sonda nipo-europeia Bepi-Colombo, enviada para estudar o planeta Merc\u00fario. Lan\u00e7ada em 2018, ela finalmente deve atingir seu destino final, inserindo-se em novembro em \u00f3rbita do primeiro mundo a contar do Sol .<\/p>\n<p>J\u00e1 a segunda chega com o fim do ano, em 28 de dezembro, quando a sonda europeia Hera deve chegar ao asteroide duplo D\u00eddimo \u0096aquele mesmo que serviu de palco de testes para a miss\u00e3o Dart, da Nasa, que tinha por objetivo demonstrar a capacidade de desviar asteroides perigosos. Ser\u00e1 muito interessante ver de perto, pelos olhos da Hera, o estrago que o impacto da Dart causou ao asteroide.<\/p>\n<p>Tudo isso ocorre em meio ao risco grande de um apag\u00e3o em diversas miss\u00f5es em andamento em raz\u00e3o dos cortes ao or\u00e7amento da Nasa promovidos pela administra\u00e7\u00e3o Donald Trump.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar que programas espaciais s\u00e3o planejados com anos, \u00e0s vezes d\u00e9cadas, de anteced\u00eancia, e os maiores impactos desses cortes provavelmente s\u00f3 ser\u00e3o mais sentidos dali a alguns anos no futuro \u0096um futuro que provavelmente ter\u00e1 dois blocos de pa\u00edses explorando de forma concorrente a superf\u00edcie da Lua nos primeiros passos da expans\u00e3o humana pelo Sistema Solar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"SALVADOR NOGUEIRAS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) N\u00e3o h\u00e1 qualquer outro evento espacial que possa competir neste 2026 com a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":215240,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-215239","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115839814277111155","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/215239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=215239"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/215239\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/215240"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=215239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=215239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=215239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}