{"id":215582,"date":"2026-01-05T08:41:11","date_gmt":"2026-01-05T08:41:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/215582\/"},"modified":"2026-01-05T08:41:11","modified_gmt":"2026-01-05T08:41:11","slug":"cientistas-extraem-ar-com-14-mil-milhoes-de-anos-de-uma-capsula-do-tempo-de-sal-gema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/215582\/","title":{"rendered":"Cientistas extraem ar com 1,4 mil milh\u00f5es de anos de uma &#8220;c\u00e1psula do tempo&#8221; de sal-gema"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Justin Park \/ RPI<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-720477\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/c9f0f895fb98ab9159f51fd0297e236d-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Imagem microsc\u00f3pica de inclus\u00f5es fluidas em cristais de halite com 1,4 mil milh\u00f5es de anos, que preservam ar e salmoura antigos<\/p>\n<p><strong>Cientistas conseguiram extrair ar com 1,4 mil milh\u00f5es de anos, preso em cristais de sal-gema, obtendo assim uma amostra rara da atmosfera antiga da Terra. O ar revelava n\u00edveis de oxig\u00e9nio e di\u00f3xido de carbono superiores ao que os especialistas previam, sugerindo um clima mais ameno e moderado.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 mais de <strong>mil milh\u00f5es de anos<\/strong>, numa bacia rasa do que \u00e9 hoje o norte do Ont\u00e1rio, um lago subtropical, semelhante ao atual Vale da Morte, evaporou-se sob a a\u00e7\u00e3o suave do sol, deixando para tr\u00e1s <strong>cristais de halite<\/strong>, tamb\u00e9m conhecido como <strong>sal-gema<\/strong>, uma mistura de cloreto de s\u00f3dio, acompanhado de cloreto de pot\u00e1ssio e de cloreto de magn\u00e9sio, que ocorre em jazidas na superf\u00edcie terrestre.<\/p>\n<p>O mundo era ent\u00e3o <strong>muito diferente<\/strong> do que conhecemos hoje. As bact\u00e9rias dominavam a vida na Terra. As algas vermelhas tinham acabado de surgir no panorama evolutivo. Organismos multicelulares complexos, como animais e plantas, s\u00f3 apareceriam cerca de 800 milh\u00f5es de anos mais tarde.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a \u00e1gua evaporava, parte dela ficou presa em min\u00fasculas bolsas dentro dos cristais, ficando, na pr\u00e1tica, congelada no tempo. Essas inclus\u00f5es fluidas <strong>encerravam bolhas de ar<\/strong> que revelam, com um detalhe impressionante, a composi\u00e7\u00e3o da atmosfera terrestre primitiva.<\/p>\n<p>Os cristais foram depois soterrados por sedimentos, ficando isolados do resto do mundo durante 1,4 mil milh\u00f5es de anos, <strong>os seus segredos permaneceram ocultos<\/strong> \u2014 at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Num novo estudo, uma equipa de investigadores, do Instituto Polit\u00e9cnico Rensselaer (RPI), liderada pelo estudante de doutoramento <strong>Justin Park<\/strong>, sob a orienta\u00e7\u00e3o do Professor <strong>Morgan Schaller<\/strong>, analisou a composi\u00e7\u00e3o dos gases e l\u00edquidos presos em antigos cristais de halite do norte do Ont\u00e1rio, e conseguiu fazer recuar o registo direto da <strong>atmosfera terrestre<\/strong> em cerca de 1,4 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Os resultados do <a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/abs\/10.1073\/pnas.2513030122\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">estudo<\/a> foram recentemente publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.<\/p>\n<p>\u201c<strong>\u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o incr\u00edvel<\/strong> abrir uma amostra de ar que \u00e9 mil milh\u00f5es de anos <strong>mais\u00a0antiga do que os dinossauros<\/strong>\u201d, comentou Park, num <a href=\"https:\/\/news.rpi.edu\/2025\/12\/22\/rpi-scientists-crack-ancient-salt-crystals-unlock-secrets-14-billion-year-old-air\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">comunicado<\/a> da RPI.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito que os cientistas sabem que as inclus\u00f5es fluidas em cristais de halite podem <strong>guardar amostras da atmosfera primitiva<\/strong> da Terra. No entanto, obter medi\u00e7\u00f5es precisas dessas amostras tem sido um enorme desafio: as inclus\u00f5es cont\u00eam bolhas de ar e salmoura, e gases como o oxig\u00e9nio e o di\u00f3xido de carbono comportam-se de forma diferente em \u00e1gua do que no ar.<\/p>\n<p>Corrigir essas diferen\u00e7as para obter leituras fidedignas dos gases, tal como existiam nas antigas atmosferas, <strong>tem sido uma tarefa \u00e1rdua<\/strong>. Park conseguiu resolver o problema, em parte gra\u00e7as a equipamentos personalizados desenvolvidos no laborat\u00f3rio de Schaller. Os investigadores aplicaram estes m\u00e9todos para estudar a atmosfera do <strong>Mesoproteroz\u00f3ico<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cAs medi\u00e7\u00f5es de di\u00f3xido de carbono que o Justin obteve nunca tinham sido feitas\u201d, explicou Schaller. \u201cNunca t\u00ednhamos conseguido olhar para esta era da hist\u00f3ria da Terra com tamanho rigor. <strong>S\u00e3o, de facto, amostras de ar antigo<\/strong>!\u201d.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo mostram que a atmosfera mesoproteroz\u00f3ica continha cerca de<strong> 3,7% do\u00a0oxig\u00e9nio que existe atualmente<\/strong> \u2014 valor surpreendentemente elevado, suficiente para <strong>suportar vida animal multicelular complexa<\/strong>, embora esta s\u00f3 tenha surgido centenas de milh\u00f5es de anos depois.<\/p>\n<p>J\u00e1 o di\u00f3xido de carbono<strong> era dez vezes mais abundante<\/strong> do que nos dias de hoje \u2014 quantidade suficiente para compensar o chamado \u201c<strong>Sol Jovem e T\u00e9nue<\/strong>\u201d e criar um clima semelhante ao atual.<\/p>\n<p>Surge ent\u00e3o <strong>uma quest\u00e3o natural<\/strong>: se existia oxig\u00e9nio suficiente para sustentar vida animal, <strong>porque demorou tanto tempo a evoluir<\/strong>?<\/p>\n<p>Park sublinha que a amostra representa apenas um instante da escala geol\u00f3gica. \u201c<strong>Pode refletir um breve e transit\u00f3rio evento<\/strong> de oxigena\u00e7\u00e3o nesta longa era que os ge\u00f3logos, em tom de brincadeira, chamam os \u2018<a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/vida-terra-mais-antiga-648564\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">mil milh\u00f5es de anos mon\u00f3tonos<\/a>\u2018\u201d, disse. Foi um per\u00edodo da hist\u00f3ria terrestre marcado por baixos n\u00edveis de oxig\u00e9nio, grande estabilidade atmosf\u00e9rica e geol\u00f3gica e <strong>escassas mudan\u00e7as evolutivas<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cApesar do nome, ter dados observacionais diretos deste per\u00edodo \u00e9 extremamente importante porque nos ajuda a perceber melhor<strong> como surgiu a vida complexa<\/strong> no planeta e como a nossa atmosfera evoluiu at\u00e9 ao que \u00e9 hoje\u201d, acrescentou Park.<\/p>\n<p>Estimativas indiretas anteriores sobre os n\u00edveis de di\u00f3xido de carbono nesse per\u00edodo apontavam para <strong>valores demasiado baixos<\/strong>, incompat\u00edveis com outras observa\u00e7\u00f5es que mostram n\u00e3o terem existido glacia\u00e7\u00f5es significativas durante o Mesoproteroz\u00f3ico.<\/p>\n<p>As medi\u00e7\u00f5es diretas agora obtidas, aliadas aos valores de temperatura estimados a partir do pr\u00f3prio sal, sugerem que <strong>o clima deste per\u00edodo era mais ameno<\/strong> do que se pensava \u2014 semelhante ao atual.<\/p>\n<p>Schaller destaca ainda que as<strong> algas vermelhas<\/strong> surgiram precisamente por esta altura da hist\u00f3ria da Terra e que continuam, ainda hoje, a ser uma fonte importante de oxig\u00e9nio a n\u00edvel global. Os n\u00edveis relativamente elevados de oxig\u00e9nio podem ser uma consequ\u00eancia direta do <strong>aumento da abund\u00e2ncia e complexidade<\/strong> destas algas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 poss\u00edvel que aquilo que capt\u00e1mos seja, na verdade, um momento entusiasmante <strong>bem no meio do chamado \u2018bili\u00e3o mon\u00f3tono\u2019<\/strong>\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_545_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_770_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389372_556_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Justin Park \/ RPI Imagem microsc\u00f3pica de inclus\u00f5es fluidas em cristais de halite com 1,4 mil milh\u00f5es de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":215583,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,7833,32,33,9091,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-215582","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-geologia","12":"tag-portugal","13":"tag-pt","14":"tag-quimica","15":"tag-science","16":"tag-science-and-technology","17":"tag-scienceandtechnology","18":"tag-technology","19":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115841602886499056","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/215582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=215582"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/215582\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/215583"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=215582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=215582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=215582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}